Dia 30 de março, terça-feira, Colégio, 7h30 – Gincana, dia 2

    Desde cedo estava um burburinho no colégio. Todos comentavam sobre os gritos de guerra e as apresentações das equipes. Antes mesmo do sinal tocar, o colégio inteiro já fervilhava com boatos, gritos e protestos sobre os resultados da abertura da gincana.

    Os resultados foram divulgados e estavam fixados no mural do pátio coberto. Minami viu a tabela e foi correndo avisar as meninas.

    — Vocês viram os resultados de ontem? A Azul ganhou em primeiro lugar na abertura e no grito de guerra. Eu fiquei chocada.

    — COMO É? MAS NÓS TIVEMOS O POEMA, O TEATRO! — exclamou Aino.

    — Eu avisei… — disse Yukino.

    Os Oceânicos ficaram em primeiro, as Geleiras em segundo e os Bombeiros em terceiro. Mas aquela não foi a única modalidade do dia anterior.

    — Mas parece que fomos bem na parte musical. — disse Miyu.

    O primeiro ano havia conseguido boas posições nos concursos de música. Akiko, que participou da apresentação musical artística na parte de dança, conseguiu a primeira colocação.

    — Opa! Vou tentar conseguir mais pontos pra gente no esporte! — respondeu Akiko, mostrando determinação em seu olhar.

    No segundo dia da gincana, o foco eram os esportes de quadra. O primeiro a acontecer foi o handebol feminino. Na turma do primeiro ano, Akiko estava participando como goleira. 

    As partidas estavam emocionantes, Akiko mostrava grande habilidade de defesa, sem medo de se jogar para alcançar as bolas. Sua velocidade para mudar a direção para manter o gol seguro era louvável. O time estava unido e entrosado, o que permitia uma boa dinâmica durante as disputas. 

    As líderes gritavam os comandos e as jogadoras acompanhavam as orientações.

    O Jogo 1 fechou com o placar de BOMBEIROS 8 X 3 OCEÂNICOS. O terceiro ano não foi páreo para a empolgação e união do primeiro ano.

    A segunda partida seguiu mais acirrada. Tanto os bombeiros quanto as Geleiras não estavam para brincadeira. Akiko teve que dar mais de si para defender o gol, e as atacantes passaram sufoco para marcar os pontos. O juiz apitou o fim, e o placar ficou BOMBEIROS 9 X 5 GELEIRAS. O time liderado pelo primeiro ano vibrou e comemorou a vitória, mais que merecida.

    A competição seguinte foi basquete. No time dos Oceânicos, Naoko estava na posição de atacante, e nada conseguia bater de frente com ela, seus saltos a deixavam fora do alcance de todas as outras jogadoras. Ela foi a que fez praticamente toda a pontuação durante o embate. A defesa dos oceânicos não era tão boa, então os placares ficaram apertados.

    O Jogo 1 teve como resultado OCEÂNICOS 15 X 21 BOMBEIROS, e o Jogo 2 ficou OCEÂNICOS 12 X 11 GELEIRAS.

    — A única pessoa que pode me vencer sou eu mesma. — disse Naoko, e a equipe toda vibrou com suas palavras.

    As partidas masculinas das mesmas modalidades também aconteceram naquele dia. Novamente não houve aula, mas foi marcada a presença dos alunos como de costume. As turmas estavam muito animadas e confiantes para seguirem com as competições.

    Naquele dia também houve o esporte favorito da maioria, o futebol. Primeiro os times femininos tiveram suas disputas e, finalizada a primeira etapa, era hora dos times masculinos.

    As Geleiras, lideradas pelo segundo ano, contavam com o jogador queridinho da escola, Adonis, que se destacava muito no futebol durante a Educação Física. Ele foi o grande artilheiro na primeira disputa, fazendo golaços que passavam despercebidos pelo goleiro do outro time.

    O Jogo 1 finalizou então com o placar de GELEIRAS 4 X 0 BOMBEIROS. O time todo comemorou e só se escutava todos falando o nome de Adonis, que garantiu a vitória.

    Já contra os Oceânicos não foi tão fácil. O time liderado pelo terceirão era habilidoso, e mesmo a agilidade de Adonis não foi o suficiente para garantir a posse de bola. A defesa das Geleiras estava acostumada com Adonis segurando o time e dependia tanto dele que demorou para perceber que precisava reagir. Isso acabou fazendo com que Adonis perdesse a bola num momento crucial, irritando seu colega de time, que o agarrou pela camisa e começou a brigar:

    — PO*** ADONIS! PERDEU A BOLA! TÁ PENSANDO NA NAMORADA, É? — gritou Blake, provocando Adonis.

    — TÁ DOIDO, MANO? — Adonis agarrou Blake pela gola da camisa.

    — FALTA! — gritou o juiz, levantando o cartão vermelho. — ADONIS E BLAKE! JÁ PARA O BANCO!

    Os dois se retiraram e ficaram assistindo o resto da partida sentados no banco de reserva. A partida acabou sendo um fiasco, totalizando no placar de OCEÂNICOS 7 X 1 GELEIRAS. O único gol das Geleiras havia sido feito por Adonis.

    Enquanto isso, no pátio aberto, a professora de Artes começava a conduzir a prova da categoria de artes plásticas. Foi escolhido um representante de cada equipe para produzir uma obra. Yukino, que desenhava, foi selecionada para representar a dos Bombeiros.

    — Aqui estão os painéis. Vocês terão três dias para finalizar! Lembrem que o tema é o Meio Ambiente e tem a pintura, que tem que ter a ver com a equipe de vocês. — explicou a professora.

    Os painéis eram enormes, ocupando boa parte do espaço. Os materiais disponíveis eram tinta de parede à base de água, que não pegavam bem na madeira, mas eram baratas. Yukino escutou tudo atentamente.

    “Resumo… desenhar Bombeiros!”, pensou, de maneira irônica.

    Dia 31 de março, quarta-feira, Colégio – Gincana, dia 3

    No terceiro dia as competições esportivas continuavam. Agora era a hora do vôlei, e o colégio tinha tradição com o vôlei feminino, onde os times eram vencedores dos campeonatos estaduais. E as grandes artilheiras do time da escola estavam principalmente no time das Geleiras.

    O combate estava acirrado, Akiko defendia a quadra com muita agilidade. O time dos Bombeiros estava unido. Minami estava no ataque e fazia saques perfeitos. Porém, nada era páreo para a defesa das Geleiras, que seguravam os ataques e devolviam com maestria.

    O placar ficou Jogo 1 BOMBEIROS 2 X 9 GELEIRAS. Mostrando o poder avassalador do time liderado pelo segundo ano.

    A segunda partida também foi acirrada, desta vez era Geleiras contra Oceânicos. Naoko estava com tudo no ataque e no contra-ataque. Marcaram mais pontos que na jogada anterior, pois as equipes estavam mais preparadas para perceber os pontos cegos das jogadoras. Apesar do esforço do terceirão, não teve jeito, o time campeão estadual mostrava que tinha seu título por merecer.

    O placar ficou Disputa 2, GELEIRAS 15 X 7 OCEÂNICOS.

    As Geleiras garantiram seu ouro, mas a prata e o bronze ainda não tinham dono. Era hora de Bombeiros e Oceânicos se enfrentarem, de um lado, Akiko, Minami e seu time; de outro, Naoko e o seu. A amizade seria deixada de lado na busca pelo segundo lugar?

    — O segundo lugar é nosso! — afirmou Akiko encarando Naoko.

    — É isso! — Minami compartilhava do mesmo sentimento e não ia deixar fácil.

    — Humpf… — Naoko apenas bufou, enquanto olhava com desdém para as duas que a ameaçavam.

    PRIIIIIIIIIIIII, o apito soou, anunciando o início. A batalha começou e nenhum dos times estava facilitando. Os ataques eram certeiros, os contra-ataques, cruéis. A partida seguia freneticamente e o suor escorria do rosto das competidoras. Akiko, Minami e Naoko eram as que mais brilhavam, elas se provocavam com olhares, mostrando que o foco e a determinação que tinham para vencer. Sentiam que a amizade entre elas deixava a competição ainda mais emocionante.

    JOGO 3 BOMBEIROS 13 X 13 OCEÂNICOS.

    O apito deveria marcar o fim, porém, as duas equipes estavam empatadas.

    — É ISSO, AÍ MEU POVO LINDO! ESSE DUELO VAI PRAS PRORROGAÇÕES! — disse a professora de Educação Física, enquanto o público vibrava.

    O sangue de Naoko ferveu. Nunca que ela deixaria isso passar. Ela então aproveitou cada segundo da prorrogação e lançou um ataque melhor que o outro. A batalha rapidamente se encerrou, o placar marcou:

    JOGO 3

    BOMBEIROS 13 X 18 OCEÂNICOS.

    Todos os pontos foram marcados ou conduzidos por Naoko, que mostrava suas habilidades estratégicas também no cotidiano. Ela saía triunfante, garantindo a medalha de segundo lugar para o seu time. E deixando o outro time arrasado.

    Dia 1º de abril, quinta-feira – Gincana, dia 4, noite, Casa de Adonis e Koa

    As competições da gincana estavam tomando todas as energias dos alunos. Para eles era muito divertido, mas também exigente. Adonis acabou passando o dia todo na escola e voltou exausto para casa, tomou um bom banho e se jogou no sofá.

    — AHHH…. Caramba… Essa gincana… — resmungou Adonis se deitando no sofá. 

    Koa, que estava arrumado, parou ao lado do sofá e olhou Adonis desleixado.

    — Cansado das atividades de escola?

    — Ah, a gincana é da hora, os mala que inventam umas noia… 

    “’Da hora’, ‘os mala’, ‘noia‘!?? Mas que linguajar é esse?”

    Koa, além de não compreender bem as palavras de Adonis, ainda achou um absurdo o jovem desenvolver tal linguajar estranho.

    — Tá, pega aqui. — Koa entregou uma caixa de sapatos para o jovem Adonis.

    — Hum? Que isso?

    Eram tênis pretos de couro, com biqueira branca, cadarços claros e um emblema icônico costurado na lingueta. A marca era conhecida por ser um símbolo da cultura rebelde, muito apreciada pelos jovens.

    — CARAMBA!! QUE MASSA!!! BRIGADÃO, KOA!

    Koa não demonstrou nenhuma reação com a animação de Adonis. Isso não quer dizer que ele era frio, afinal, procurou algo que fosse do agrado do jovem, ele apenas não era bom em expressar sentimentos afetuosos.

    — Só não vai chutar bola com esses. São pra passeio.

    — Bah, tô ligado, pode deixar!

    — Tá, vou trabalhar. Presta atenção no interfone.

    Koa, colocou um boné, suas vestes eram todas em preto, mostrando que seu trabalho pedia discrição.

    — Interfone?

    — Itzel e Maureen virão para comemorar seu aniversário. 

    Koa saiu, se despedindo e saindo pela porta.

    Um pouco mais tarde, Maureen e Itzel chegaram ao apartamento dos dois com uma caixa nas mãos.

    — PARABÉNS, ADONIS! — comemorou Maureen.

    — Esse presente é meu e da Maureen! — disse Itzel.

    — Oh! Boh! Obrigado!

    — Ahh, chegamos muito tarde, Koa não tá! — disse Maureen procurando Koa pelo apartamento.

    — Que massa! Um discman! Agora posso ouvir música sem irritar o Koa! Ah… um celular também…

    Adonis foi ligando o aparelho de música, empolgado por poder escutar suas músicas favoritas. O celular, naquele momento, ficou de lado.

    A noite seguiu com muita festa. Como todos iriam trabalhar ou estudar no outro dia, não puderam ficar até tão tarde, mas beberam muito refrigerante e comeram bolo e salgadinhos. 

    Naquele dia Adonis demorou um pouco para pegar no sono, mesmo estando exausto. Sentia que seus dias estavam cada vez melhores e não lembrava quando sua vida havia sido assim em Finalia. Ele acabou apagando enquanto estava com seus fones de ouvido, seu aniversário de 16 anos marcava um momento feliz, mas também de questionamentos internos.

    Apoie-me

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (1 votos)

    Nota