Track 20. ひさしぶりのI Miss You

(N.T.: Hisashiburi no I Miss You – N.T.: Faz tempo que sinto sua falta)
Na escola, Adonis havia chamado a atenção de Miyu para fazer uma proposta. Mas o que ele queria que não podia esperar o intervalo?
— Que? Proposta? — perguntou Miyu.
— Isso! Quem tirar a nota maior na próxima prova ganha — disse Adonis.
Miyu ficou irritada. Adonis tinha esse poder sobre ela. A garota encarou o ruivo ainda mais incomodada:
— Adonis! Qual o seu problema? Tudo é competição?
— Aha! Medinho! Sabia!
— QUE!? NÃO! EU NÃO TIRARIA NOTA MENOR QUE A SUA, NÃO TENHO MEDO DISSO.
— Combinado! Quem perder, paga o sorvete!
Após firmar o acordo, Adonis se virou, voltou para a aula, enquanto acenava para ela. Miyu o viu saindo e esticou a mão:
— Mas… eu não concordei.
A turma do primeiro ano viu a cena e soltou um “HUUUUUUUMMMMMMMMMMM” coletivo.
“Ah não… todo mundo tá me olhando…”, pensou Miyu, envergonhada.
As aulas seguiram normalmente, alguns alunos fizeram comentários sobre os dois, mas nada exagerado. Próximo ao meio-dia, o sinal tocou e todos foram liberados. As meninas agora podiam seguir para casa.
Casa da Sayuri, meio-dia.
Era o horário do almoço. Akiko, Miyu e Naoko estavam chegando ao lar e iam comer, descansar e cuidar das atividades da tarde. As três foram até a sala de jantar, de onde vinha o cheiro irresistível de comida.
— Sayuuu! Chegamos e estamos mortas de fo… — Akiko começou a falar, mas algo fez com que ela parasse.
Na sala de jantar estava Sayuri, com um sorriso acolhedor e alegre. Sentado na cadeira à mesa, havia um rapaz que parecia ter por volta dos 15 anos, 1,70 m, cabelos castanhos com franja dividida ao meio e olhos azuis. Encostado na parede, havia outro jovem, alto, 1,78 m, que aparentava ter por volta dos 17 anos, cabelos castanhos claros e olhos igualmente azuis.
O rapaz que estava sentado escutou a movimentação e olhou em direção à porta, onde estava Akiko.
— Hikaru! — disse ela, surpresa, seus olhos começaram a se encher de lágrimas.
Ele se levantou e ela correu até ele. Os dois se abraçaram forte, pareciam muito felizes em se ver.
— Eu tava com tanta saudade — falou Akiko, chorosa.
— Eu também queria muito te ver!
Akiko olhou bem no fundo dos olhos azuis de Hikaru e fez diversas perguntas:
— Onde estavam? Como chegaram? Como estão?
— Então, eu e Seki paramos no outro lado do mundo e tivemos que nos virar pra vir pra cá.
— A gente acabou vendo informações sobre a Sayuri, porque ela tava compondo pra um filme, e começamos a nos movimentar. Ela é famosa por lá! Achamos empregos temporários, nos organizamos e conseguimos chegar aqui! — explicou Seki.
— Que bom que estão bem! Vão estudar conosco? — perguntou Miyu, sorrindo.
— Ah sim! Sayuri já tá ajudando a resolver isso! Acho que amanhã a gente já tá lá! — explicou Hikaru, que ainda estava abraçado com Akiko.
— Vocês não vão se soltar, não!? — perguntou Miyu, incomodada com o casal meloso.
Por um momento, Akiko se distanciou levemente do namorado e o encarou nos olhos. Era possível ver uma ponta de esperança nela quando falou:
— Mas se vocês estavam longe e bem, quem sabe a mamãe e o papai e outros habitantes de Utopia estejam por aí!
— Não vimos mais ninguém! Mas não é impossível! — Hikaru confortou, sorrindo.
A chegada dos dois renovou as esperanças de todas. Elas sentiram que seria possível reencontrar outros habitantes de Utopia. Talvez eles estivessem espalhados pelo globo terrestre.
Enquanto Hikaru aproveitava o momento abraçado com sua namorada, Seki estava com um olhar curioso, observando Naoko a certa distância. Logo ela percebeu que ele mantinha a atenção fixa nela e perguntou:
— Que foi Seki? Perdeu algo?
— Que!? Não… só tô com saudades… — respondeu Seki, se sentindo desarmado por ela.
— Tá bom… Bem-vindo Seki! — cumprimentou Naoko, com um leve sorriso.
— Ah, obrigado, Naoko! — disse Seki, levando o braço até os cabelos, com as contas da pulseira balançando. Tímido, olhava para ela com o rosto levemente corado.
Aquele dia foi diferente dos outros, agora tinham com quem trocar experiências, anseios e impressões sobre o planeta. Todos fizeram seus afazeres e a casa ficou mais agitada. À noite, Guang chegou em casa e recebeu a notícia de Sayuri:
— Ah! Amor! Vieram os meninos de Utopia! Montei o quarto deles no seu escritório!
— Você o quê? Quem?
O casal agora teria mais responsabilidades com a chegada dos dois. E as mudanças começavam com Guang perdendo seu espaço de trabalho. Porém, sua esposa estava tão feliz que ele sentiu que deveria entender a situação e não tecer comentários.
6 de abril, Colégio, horário do intervalo
No dia seguinte, Hikaru e Seki já estavam matriculados e participando das atividades escolares.
Chegou o horário do intervalo, e foi então que nenhum estudante teve dúvidas. Hikaru e Akiko ficavam pertinho um do outro, bem abraçadinhos, claramente eram namorados.
— Eles não desgrudam… — comentou Yukino baixinho, colocando a mão na cabeça e franzindo a testa, desconfortável com a demonstração de carinho entre os dois.
— Estou chocada — comentou Aino, com as duas mãos na cintura, observando o casal.
— Quem diria que logo a Akiko teria namorado? — perguntou Minami, surpresa com a amiga, que parecia ser a mais infantil, em um relacionamento.
— Você foi pro segundo ano, né? Tá na sala do Adonis? — perguntou Miyu, que estava sentada no palco do pátio.
— Ahhh, o cara ruivo, bonito, que é popular e senta no fundão? — respondeu Hikaru, bem específico.
— “Bonito”? — debochou Miyu.
— Tô na sala dele, sim! Mas ainda não conversamos. Tem bastante gente pra conhecer.
Parecia que Hikaru estava bem enturmado e entendendo o funcionamento da escola. Minami se aproximou dele, um pouco tímida, e perguntou:
— Hikaru, eu escutei a galera falando que você tem irmão, é verdade?
— Ah, sim, o Seki! Ele tá logo ali — ele apontou em direção à cantina. — rodeado de meninas!
Mais à frente, na direção em que ele apontava, havia um aglomerado de garotas em volta do aluno novo. Elas conversavam com ele, animadas, querendo saber mais sobre seus gostos e sua vida.
Seki estava tímido, mas não desconfortável. Ele havia gostado de conhecer e conversar com as colegas de classe.
Minami observou a cena e depois fixou o olhar no garoto. “Nossa! Ele é bonito! E já tá bem popular!”, pensou. Suas bochechas começaram a ficar coradas, a primeira impressão sobre ele havia deixado ela sem jeito.
Ainda ali no pátio, um colega do segundo ano se aproximou de Hikaru para conversar com ele:
— Ei, Hikaru! A gente viu que tu faz niver por agora! Vai festar? Bora convidar a turma.
Hikaru, que estava com Akiko, se virou e logo o reconheceu. Ao fundo, Aino e Minami assistiam a cena, “É o primeiro dia e já tão marcando festa… Hikaru tá bem popular também.” Acabaram por compartilhar do mesmo pensamento.
— Bom, eu teria que… — Hikaru ia responder, mas não conseguiu concluir a frase.
— Amanhã! Lá em casa! Eu passo o endereço! Só dizer quantos vão, eu aviso a Sayuri — interrompeu Akiko.
Hikaru pensou rápido, seria muito descortês desconvidar, afinal, Akiko tinha acabado de chamar as pessoas para a festa. Querendo minimizar os possíveis problemas, ele pediu ao colega:
— Seria bom levar comida e bebida, já que é pouco tempo pra organizar!
— Sussa! A gente leva sim! — o colega fez um sinal de positivo, havia ficado muito satisfeito com a proposta.
O sinal do final do recreio tocou e todos voltaram às salas de aula. Os dois últimos períodos passaram voando naquele dia, e logo o sinal da saída tocou. Como sempre, os estudantes estavam com as mochilas prontas antes, para sair rapidamente assim que fossem liberados.
Enquanto esperava por Akiko, Hikaru, que estava apoiado no corrimão da rampa, viu Adonis passar por ele e resolveu chamá-lo:
— Ei, Adonis!
Adonis, que ia começar a correr, parou e virou seu rosto em direção ao chamado.
— Vou dar uma festa amanhã, quer ir lá em casa? — convidou Hikaru.
— Cara, eu te conheci hoje… — Adonis negou o convite.
Adonis caminhou de volta e dobrou a rua, seguindo caminho, mas Hikaru o provocou:
— Miyu vai estar.
Adonis ficou surpreso com a declaração. Ele encarou o novo estudante rapidamente, que estava com um sorriso simpático e levemente irônico no rosto. Depois dessa breve interação, Adonis novamente voltou ao trajeto, porém agora estava se sentindo sem graça.
8 de abril, Casa da Sayuri, 18 horas.
No dia posterior, a residência de Sayuri e Guang estava animada como nunca. Quase todos os colegas da sala de Hikaru estavam ali. Eram cerca de 20 estudantes entre 15 e 16 anos de idade, mais os moradores, que já eram vários.
O lugar era grande e todos decidiram ficar na sala principal, onde havia sofás e televisão. No som colocaram músicas pop e rock e a conversa rolava solta, havia vários grupos conversando em paralelo, o ambiente estava barulhento.
— Que tanta gente… — disseram Sayuri e Guang ao mesmo tempo.
Quando finalmente puderam parar e se dar conta do que estava acontecendo, Sayuri e Guang se assustaram um pouco. Apesar de sempre receberem alguma visita, nunca tinham ficado com tantos adolescentes juntos no mesmo lugar.
Nesse dia eles se deram conta de que provavelmente passariam por isso mais vezes. O casal decidiu deixar os adolescentes mais à vontade e cuidar mais da parte de comida e ficar atentos caso alguém precisasse de ajuda.
Enquanto todos riam e se divertiam, Naoko rapidamente entrou na sala e puxou Seki num canto para conversar:
— Vocês não chegaram ontem? Já tão lotando a casa da Sayu?
— Ahhh, é, bem… você sabe que o Hikaru faz amizade rápido…
Os olhos de Naoko mostravam sua fúria, responsável como sempre, e conhecendo os esforços de Sayuri e Guang para cuidar de todas. Ela queria ao máximo evitar problemas para os donos da casa. Para ela, aquilo era um exagero e não precisaria ser explicado a Seki.
De volta à sala, os rapazes estavam de cochicho com o aniversariante. Eles davam risadinhas contidas, parecendo que estavam tramando algo.
Hikaru se afastou do grupo, levando um dedo à frente dos lábios, como que pedindo sigilo, e com a outra mão ele fez um sinal de positivo. Um dos colegas respondeu com outro sinal de positivo e um sorriso, como se tivessem feito um acordo.
Próximo à sala de estar estava a cozinha, que era onde Hikaru se dirigia. O ambiente estava vazio, e ele foi sorrateiramente até a geladeira e a abriu. Estava lá seu alvo, uma garrafa de cerveja gelada e fechada. Sua mão discretamente foi se esticando até o objeto de desejo.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.