O escanteio já tá armado.
    Tsubasa coloca a bola no chão com aquela calma de quem vê o campo como poema.

    — “Vai.” — ele murmura.

    A bola sobe.
    Gira no ar.
    Flutua com perfeição cirúrgica.
    E cai exatamente no pé de Akira, na entrada da grande área.

    As Duas Berettas surgem atrás dele — brilhando, afiadas, prontas — como se o chute já fosse inevitável.

    Mas—

    CHAC!
    Aizawa aparece como uma sombra, muito antes do que qualquer humano normal reagiria. Ele rouba a bola de longe, limpa, seca, automática.

    Ele toca pra Zan.

    E Zan…
    Zan explode.

    O corredor abre, e ele corre como se tivesse nascido pra atravessar campo inteiro.
    Ele tenta o passe pra Nikoji—

    Mas Agi atravessa o lance como se fosse um espelho quebrando.

    Interceptação perfeita.
    E ele já manda pra Kira.

    Um silêncio cai no campo.
    Kira segura a bola como se segurasse destino.

    “Kira! Não tenta! Você não tá pronto!” — grita Agi, desesperado.

    Mas Kira já decidiu.

    Ele tenta sua nova relíquia:

    ⚡ Joker Impact com Curva

    E o problema nasce aí.
    Essa técnica só funciona com a bola parada.
    Mas a bola tá vivíssima, rolando, vibrando.

    O chute sai forte, violento, buscando o ângulo.
    Akira aparece do nada — pronto pra cortar.

    A bola, que deveria fazer a curva impossível…

    faz a curva errada.

    E vai pra fora.

    Kira explode.

    DROOOOGAAAAA! MEEERDAAAA!

    Agi abaixa a cabeça.

    — Ele errou…

    Tsubasa grita:

    Kekuru! CONTRA-ATAQUE!

    A bola entra nos pés dele, e Tsubasa sobe pros 60 km/h como se tivesse um motor no peito.

    Ele corta meio-campo e solta pra Renji.

    Renji ativa sua nova Freestyle Monster.
    Mas não são pedaladas, dessa vez.
    É um zigue-zague assassino, tão rápido que o corpo dele parece embaralhar o ar.

    Ele toca pra Hiori—

    Mas Aizawa… Aizawa aparece ANTES DO PASSE ACONTECER.

    Roubo limpo.
    Passe perfeito em profundidade.

    A bola chega nos pés de Nikoji.

    E Nikoji pensa:

    “Tá. Agora é a minha vez.”

    Ele faz um passe que parece direcionado a Baraki.
    Trajetória perfeita.

    Mas—

    O passe VIVE.

    Ele muda de direção, muda de intenção.
    E para, morta, no chão.

    A chance perfeita pra Kira.

    Mas Akira já tá lá.
    A sombra dele chega junto com o vento.

    Kira chuta.

    A bola voa limpa pro ângulo.
    Akira mergulha.
    E a bola—

    CURVA.
    CURVA DO NADA.
    CURVA IMPOSSÍVEL.

    Vai pro outro canto.

    E explode na rede.

    GOOOOOL!!! TIME U!!!

    SUSUKE KIRA!! EMPATA AAAOOS 45!!!

    Placar: 2 a 2
    O juiz apita fim do primeiro tempo.

    O estádio respira como um monstro cansado.

    Na Área dos Jokers, longe do barulho, existe um quarto silencioso.

    Nele, sentado na poltrona como se fosse dono do mundo, está Kai Ryoshi.

    O irmão mais velho.
    O prodígio perfeito.
    O monstro que o Japão chama de “Orgulho”.

    Um dos 15 Novos Gênios.

    Kai gira uma bola no dedo enquanto o telão holográfico reproduz o primeiro tempo.

    Os olhos dele são calmos.
    Calmos demais.
    O tipo de calma que só alguém com talento absurdo consegue ter.

    — “Esse jogo tá entediante…” — ele diz.

    A voz dele cai como gelo.
    — “Se eu estivesse ali… já estaria quatro gols de diferença. Em qualquer time.”

    Ele nem sorri.
    Ele nem pisca.
    Ele só existe acima.

    Os Novos Gênios são os 15 jogadores sub-20 que quebram a lógica do futebol.

    Kai é um deles.

    E além disso…
    Ele é um Joker.

    O único jovem com DUAS AUTORIDADES no Projeto:

    Ele pode retirar QUALQUER Joker do jogo.
    Quando ele quiser.
    Do jeito que quiser.

    Ele vê o replay de Akira.
    Depois Kira.
    Depois Agi.

    Kai assopra o ar com tédio.

    — “Os únicos que prestam… Akira Hayato e Susuke Kira.”

    Um sorriso curvo, quase invisível.

    — “Mas ainda assim… patéticos.”

    A bola para de girar no dedo e cai na palma da mão dele com um “tac” seco.

    Kai a segura como alguém que segura o futuro.

    Ele olha pro telão uma última vez, como quem se despede de algo que já superou antes de começar.

    Quando eu entrar em campo… eles vão entender o que é um verdadeiro gênio.

    Em outro ponto do Zenkoku, o vestiário do Time A está em silêncio.

    O top 1 do Projeto, Kin Ryoshi, assiste o gol de Kira.

    — “Interessante… O que acha, Trapaceiro?”

    Ao lado dele, o camisa 7:
    Ritsu Neyuma, o “Trapaceiro”.

    Ritsu inclina a cabeça.

    — “O gol? Nada demais, Kinzinho…
    O que me chamou atenção foi o passe daquele camisa 11 do Time U. Qual o nome mesmo?”

    — “Nikoji.” — responde Kin.

    Ritsu sorri, meio torto.

    — “E o camisa 10 do Time Z… Akira. A Visão dele parece muito com a minha. Aposto que é Visão Astral.”

    Kin concorda.

    — “Ele lê o jogo como se tivesse nascido dentro dele.”

    No fundo do banco, sentado com postura reta, está Yūgo Hayashi, volante, Top 2 do Projeto.

    A voz dele corta o ar:

    — “A adaptação do Akira é inconsistente.”

    Kin olha pra ele.

    — “O que você quer dizer?”

    — “Ele realmente tem Visão Astral.
    Os olhos dele… denunciam.
    Mas ele é inexperiente.
    E, Ritsu… a tua visão ainda é pelo menos três vezes superior.”

    Kin ri baixo.

    — “Você é absurdo, Yūgo.
    Conseguiu ver isso tudo… só pela tela.”

    Yūgo cruza os braços.

    — “Eu percebi em vinte minutos.”

    Kin arregala os olhos.

    — “Inacreditável…”

    — “E entre Akira e Kira…” — pergunta Kin — “Quem é melhor?”

    Yūgo responde sem hesitar:

    — “Akira.
    E tem um potencial que ainda nem começou a ser explorado.”

    Kin se levanta.

    — “Então é isso.
    Quando a Terceira Partida dos Piores acabar…
    Eu, como top 1, escolherei o Time Z.”

    Ritsu sorri.

    — “Quero ver esse Akira de perto.”

    O vestiário vibra num silêncio estranho…
    Tipo aquele silêncio que parece respirar.
    Suor escorrendo, chuteiras batendo no chão, tensão no ar igual tempestade que tá pra cair.

    Akira encosta as mãos na mesa como se fosse segurar o mundo no lugar.

    “Beleza… alguém tem alguma ideia pra quebrar o castelo deles?”

    Ninguém responde.
    Todo mundo só troca olhares meio cansados, meio desesperados.

    Até que Renji dá dois passos pra frente.
    O olhar dele brilha naquele jeito agressivo e caótico.

    “Tem sim. Drible.”
    Ele gira o pescoço, confiante.
    “Não tem outra. Se a gente for tentar tocar, eles engolem a gente.”

    Hiori se apoia no armário, cruzando os braços.

    “É. Só que você é você, Renji. A gente não tem dez Renjis em campo.”

    Renji dá um sorrisinho torto.

    “Então vira um… nem que seja por 30 segundos.”

    Akira balança a cabeça, tentando não perder o fio.

    “Escuta… eu pensei num plano.”

    Daichi, com aquela energia de tanque, encosta no ombro dele.

    “Vai, manda. Qualquer coisa agora é melhor que nada.”

    Akira respira fundo.

    “O Time U é todo travado na mesma lógica:
    Aizawa pensa, os outros executam.
    Se Aizawa pira… o sistema pira.”

    Hiori completa:

    “Então alguém precisa atrair a atenção dele.”

    Genjiro franze o cenho, preocupado.

    “Mas a relíquia dele… a distância que ele rouba bola é absurda.
    Ele só precisa ver você hesitar.”

    “Sim.” Akira admite.
    “Por isso que o truque é simples: atrair, fingir que vai segurar… e soltar ANTES dele reagir. Passes relâmpago. Sem pensar.”

    Renji ri, aquele riso meio selvagem.

    “Então é isso… vamos virar trovão?”

    Hiori dá de ombros:

    “Ou isso, ou a gente morre abraçado.”

    Daichi bate as luvas, animado.

    “Eu topo morrer eletrocutado.”

    Akira sorri.
    Primeira vez no jogo inteiro que ele sorri com aquela chama de líder.

    “A gente não vai morrer não.
    Quem vai surtar é Aizawa.
    Se a gente fizer ele errar UMA VEZ… o resto do Time U desaba igual dominó.”

    Genjiro concorda.

    — “Então o alvo é Aizawa.
    Não o gol.
    Não os zagueiros.
    Ele.”

    Renji estala os dedos.

    “Fechou. No segundo tempo…
    Eu quebro a mente desse cara.”

    Akira coloca a mão no centro, abrindo o círculo.

    “Time Z…”

    “…não existe medo.” responde Daichi.

    “Não existe dúvida.” completa Genjiro.

    Hiori bate a mão por cima:

    “E não existe plano B.”

    Renji coloca a dele por cima de todas, encarando cada um.

    “Então vamo pra guerra.”

    O apito do árbitro ecoa lá fora.
    O corredor parece um portal.

    Os passos do Time Z fazem o chão tremer.

    Eles saem.

    O estádio ruge.

    O juiz ergue o braço.

    O apito corta o ar.

    E o mundo recomeça a girar no segundo tempo.

    Recomeça a guerra.

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