Capítulo 14 - O Segundo Instinto
Keo levanta a cabeça.
A defesa do Time U está quebrada.
Aizawa fechando pelo centro.
Baraki correndo como um míssil por trás.
O goleiro já saindo da linha.
Nakki dispara para dentro da área.
Um segundo.
Só isso.
Keo decide.
Passe.
Mas não é qualquer passe.
É perfeito.
A bola desliza pelo gramado como se tivesse trilho invisível, passando exatamente entre as pernas de um defensor.
Nakki recebe.
Domínio limpo.
A área explode em movimento.
— “ELE VAI CHUTAR!” — grita o narrador.
E tudo indica isso.
Corpo inclinado para frente.
Perna direita armada.
Movimento clássico de finalização.
O goleiro reage na hora.
Salta.
Aizawa também.
Ele já está antecipando a trajetória do chute.
— “Direita. Forte. Canto alto.”
Tudo está calculado.
Nakki chuta.
O som do impacto ecoa no estádio.
Um chute absurdamente forte.
Mas…
algo impossível acontece.
A bola…
não se mexe.
Por um instante surreal…
ela fica suspensa no ar.
Como se o chute tivesse parado o tempo.
O goleiro já está voando para o lado errado.
Aizawa já passou pela linha da bola.
Todos erraram.
Porque aquilo…
não foi um chute.
Foi um toque de levantamento.
A bola sobe levemente.
Devagar.
Girando.
E Nakki já está no ar.
Perna esquerda esticada.
Corpo completamente inclinado.
Voleio.
O impacto é seco.
CRACK.
A bola dispara como um tiro.
Direto no ângulo.
O goleiro ainda está no ar.
Aizawa ainda está girando o corpo.
Ninguém chega.
A rede explode.
GOOOOOL.
Por um segundo…
o estádio fica em silêncio.
A torcida inteira tenta entender o que acabou de acontecer.
O narrador gagueja.
— “E-EU… EU… O QUE FOI ISSO?!”
Replay mental coletivo.
Chute.
Não.
Levantamento.
Voleio.
Impossível.
Então o estádio explode.
A comemoração vem atrasada.
Mas vem duas vezes mais forte.
— “GOOOOOOOOOOL DO TIME Z!”
Nakki cai de pé.
Respiração pesada.
Olho brilhando.
Keo começa a rir.
— “Você é doente.”
Nakki só responde:
— “Você também.”
Renji levanta os braços do outro lado do campo.
— “QUE GOL FOI ESSE?!”
Hiori só balança a cabeça.
— “Isso não estava no plano.”
Akira observa em silêncio.
Mas um pequeno sorriso aparece.
— “Mas funcionou.”
Do outro lado…
Aizawa está parado.
Ele olha para o gol.
Depois para Nakki.
E pela primeira vez no jogo…
ele parece realmente surpreso.
O placar muda no alto do estádio.
Time U — 3
Time Z — 3
O jogo volta a ficar empatado.
Mas agora o estádio inteiro sabe uma coisa:
O Time Z não está mais tentando sobreviver.
Eles estão lutando de igual para igual.
E o jogo… acabou de entrar no território do impossível.
O estádio ainda vibra.
O replay do gol passa no telão gigante.
Uma vez.
Duas.
Três.
E a cada repetição… fica mais estranho.
Do lado do Time U, os jogadores se reúnem rapidamente.
Zan encara o telão.
— “Não faz sentido.”
Ele aponta.
— “Olha isso.”
A imagem congela no momento do “chute”.
A bola não sai.
Ela sobe.
Baraki cruza os braços.
— “Aquilo não foi um chute.”
Nikoji ativa a Visão Astral por reflexo, tentando reconstruir a jogada.
Linhas.
Trajetórias.
Probabilidades.
Mas nenhuma previsão encaixa.
— “Ele simulou um chute completo…” — Nikoji murmura.
— “Até o impacto.”
Aizawa continua olhando o campo.
Silencioso.
— “Não foi simulação.” — ele finalmente diz.
Todos olham para ele.
— “Foi intenção dupla.”
Nikoji franze a testa.
— “Como assim?”
Aizawa explica calmamente.
— “O corpo dele preparou um chute real.”
Ele aponta para o telão.
— “Mas no último milissegundo… ele mudou o ponto de impacto.”
Zan arregala os olhos.
— “Então aquilo foi um… levantamento?”
Aizawa concorda.
— “Um levantamento disfarçado de finalização.”
Baraki solta um pequeno riso.
— “Interessante.”
Agi, encostado mais atrás, gargalha.
— “HAHAHAHA! Isso foi genial!”
Ele aponta para o campo.
— “Agora ficou divertido.”
Aizawa não ri.
Ele só observa Nakki ao longe.
— “Então esse é o tipo de monstro que apareceu…”
Do outro lado do campo…
O Time Z está em festa.
Renji chega primeiro, praticamente pulando em cima de Nakki.
— “QUE PORRA FOI AQUILO?!”
Keo ainda está rindo.
— “Eu achei que você tinha errado o chute.”
Genjiro balança a cabeça.
— “Eu achei que a bola tinha prendido no ar.”
Hiori observa com calma.
— “Não… aquilo foi intencional.”
Akira chega por último.
— “Explica.”
Todos olham para Nakki.
Ele respira fundo.
Ainda com adrenalina.
— “Eu despertei isso no intervalo.”
Keo levanta uma sobrancelha.
— “Despertou?”
Nakki gira a bola no pé.
— “Relíquia nova.”
Renji cruza os braços.
— “Tá… e o que ela faz?”
Nakki aponta para o gol.
— “Chutes falsos.”
Silêncio.
Genjiro pisca.
— “Hã?”
Nakki explica.
— “Meu corpo prepara um chute completo.”
Ele faz o movimento no ar.
— “Tudo igual.”
— “Postura.”
— “Força.”
— “Impacto.”
Ele então muda o gesto no final.
— “Mas no último instante… eu transformo o chute em levantamento.”
Keo sorri.
— “Então ninguém consegue ler.”
Nakki balança a cabeça.
— “Todo mundo reage ao chute.”
Renji ri.
— “E quando percebem… já é tarde.”
Akira observa pensativo.
— “Chute falso…”
Hiori completa:
— “Mas com intenção real.”
Nakki confirma.
— “Exato.”
Ele olha para o campo adversário.
Onde Aizawa ainda está parado.
Observando.
— “Se eles acharem que eu vou chutar…”
Ele gira a bola no pé mais uma vez.
— “Eu posso fazer qualquer coisa.”
Keo sorri.
— “Então faz outro.”
O juiz começa a chamar os jogadores de volta.
O jogo vai recomeçar.
Akira olha para o placar.
3 — 3
Ele respira fundo.
— “Agora o jogo ficou imprevisível.”
Renji sorri.
— “Agora o jogo ficou divertido.”
Mas do outro lado do campo…
Aizawa finalmente começa a andar.
E quando ele volta para a posição…
seus olhos estão diferentes.
Como se algo nele… tivesse acordado também.
O juiz apita.
A bola volta ao centro.
3 — 3.
O estádio inteiro está de pé.
Agora ninguém senta mais.
Baraki posiciona a bola.
Ele olha para Aizawa.
— “Quer?”
Aizawa responde sem emoção.
— “Começa.”
Baraki toca curto.
Nikoji recebe.
Visão Astral ativa instantaneamente.
O campo vira um tabuleiro.
Linhas surgem.
Mas algo mudou.
O Time Z também mudou.
Nikoji percebe.
— “Eles estão mais agressivos…”
Ele toca para Zan.
Zan acelera.
TREM-BALA.
Mas dessa vez Renji acompanha.
Corpo leve.
Passos soltos.
— “Hoje não.”
Renji rouba a bola.
O estádio reage.
Mas antes que o Time Z possa avançar…
Aizawa aparece.
Não correndo.
Simplesmente aparecendo.
Intercepção limpa.
Como se ele tivesse previsto tudo.
Akira trava.
— “Ele voltou…”
Aizawa levanta a cabeça.
E pela primeira vez no jogo…
ele acelera o ritmo.
Passe para Nikoji.
Nikoji devolve.
TAC.
Baraki já está se movendo.
Aizawa toca para ele.
Baraki domina.
E o campo inteiro parece inclinar.
Ele avança.
Genjiro entra na frente.
Colisão.
Genjiro é empurrado dois metros para trás.
Não é falta.
É força absurda.
— “Sai da frente.” — Baraki diz.
Ele continua.
Keo tenta interceptar.
Baraki gira o corpo.
Protege a bola.
Passa também.
Agora ele está a poucos metros da área.
Akira aparece.
— “Aqui você para.”
Baraki sorri.
— “Tarde.”
Ele toca.
Passe perfeito.
Nikoji já estava correndo.
Recebe entre as linhas.
A defesa do Time Z quebra.
Hiori tenta fechar.
Nikoji levanta o pé.
Vai chutar.
Mas não chuta.
Passe lateral.
Aizawa.
Ele já estava lá.
Dentro da área.
A defesa inteira reage.
Genjiro mergulha.
Renji volta correndo.
Akira ativa o Sniper Dash.
Mas Aizawa…
não chuta.
Ele para.
A bola colada no pé.
E olha ao redor.
Um segundo.
Dois.
Três.
Tempo demais.
— “Por que ele não chuta?” — Renji pensa.
Então eles percebem.
A defesa inteira do Time Z foi puxada para ele.
Baraki aparece livre na entrada da área.
Aizawa toca.
Passe curto.
Baraki arma o chute.
A defesa inteira trava.
O estádio prende o ar.
CRACK.
Chute brutal.
Mas no último segundo…
uma perna surge no caminho.
Genjiro.
Bloqueio absurdo.
A bola explode para o alto.
Silêncio.
A bola sobe.
Desce.
Akira corre para pegar.
Mas Aizawa já está lá.
De novo.
Como uma sombra inevitável.
Ele domina.
Olha para Akira.
E fala baixo.
— “Agora começou.”
O estádio inteiro sente.
O jogo não é mais um confronto de times.
Agora é uma guerra de monstros.
E ninguém… está segurando nada.
A bola ainda está viva.
Depois do bloqueio de Genjiro, ela quica no meio-campo.
Akira chega primeiro.
Domínio limpo.
Ele levanta a cabeça.
Renji abre pela direita.
Hiori corre pela esquerda.
Koa aparece como opção curta.
O plano coletivo está ali.
Claro.
Simples.
Seguro.
Akira respira.
Por um segundo…
ele realmente pensa em tocar.
Mas então ele vê o espaço.
Um corredor estreito entre Zan e Nikoji.
Pequeno.
Ridiculamente pequeno.
Mas existe.
— “Eu consigo.”
Sniper Dash.
O primeiro impulso corta a linha defensiva.
Zan tenta fechar.
Akira já passou.
Segundo impulso.
A bola gruda no pé dele.
O estádio começa a reagir.
— “ELE VAI!”
Terceiro impulso.
Agora só resta um homem.
Baraki.
O Rei.
Ele está parado.
Esperando.
Akira não desacelera.
Ele arma o chute.
As Berettas surgem atrás dele.
Double Berettas Kick.
O estádio prende o ar.
Akira chuta.
Mas o chute nunca sai.
Baraki se move.
Não rápido.
Não explosivo.
Simplesmente… inevitável.
Ele entra na frente do chute.
Rouba a bola.
Sem esforço.
Sem impacto.
Como se estivesse tirando um brinquedo da mão de uma criança.
Silêncio.
Akira fica parado.
O pé ainda no ar.
A posição de chute congelada.
Baraki segura a bola no pé.
Olha para ele.
— “Sério?”
Ele dá um pequeno empurrão com o ombro.
Akira perde o equilíbrio.
Cai no gramado.
O estádio inteiro reage.
Um misto de choque e barulho.
Baraki continua com a bola.
Mas não avança.
Ele para.
Olha para baixo.
Akira ainda no chão.
— “Você não aprendeu nada.”
Akira levanta o olhar.
Baraki continua.
— “Se continuar jogando assim…”
Ele gira a bola no pé.
— “Você vai perder duas apostas de uma vez.”
Akira franze a testa.
— “Que apostas?”
Baraki sorri.
Um sorriso pequeno.
Mas cheio de arrogância.
— “A aposta que você fez com o Kira.”
Akira sente o peito apertar.
Baraki então aponta para si mesmo.
— “E a que você fez comigo.”
Silêncio.
Akira lembra.
As palavras de antes do jogo.
Provar que ele podia vencer.
Provar que ele podia ser melhor.
Baraki dá um último toque na bola.
E passa por Akira.
Como se ele nem estivesse lá.
— “Acorda.”
Ele avança para o ataque.
— “Ou você vai sair desse jogo devendo duas derrotas.”
Akira levanta lentamente.
O estádio inteiro ainda murmura.
Renji olha de longe.
Hiori também.
Todos viram.
Akira fecha os punhos.
A humilhação ainda ecoa na cabeça.
Mas algo diferente aparece nos olhos dele.
Não raiva.
Não desespero.
Algo mais frio.
Mais focado.
Ele respira fundo.
E olha para o campo novamente.
O capítulo termina com uma única verdade ecoando no estádio:
Akira ainda não acordou completamente.
Mas quando acordar… alguém vai pagar por isso.

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