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    Depois que meu pai foi chamado ao Palácio Imperial, a minha versão mais jovem estava sentada no quarto, sem ânimo.

    “Quando papai vai voltar?”

    Assim como agora, o Imperador parecia estar segurando meu pai por lá. Desenhei um monstro carrancudo e feio no papel, como se já o conhecesse desde criança. O monstro tinha uma coroa na cabeça. Estava sentada no chão, rabiscando, quando…

    — O que você está fazendo aqui?

    A voz do meu pai soava tão suave que me arrastei até a porta. Foi então que ouvi.

    — Regis, hoje você precisa estar certo.

    Diferente do habitual, pude ouvir um tom de alívio na voz da minha mãe. Meu pai suspirou e respondeu com calma.

    — Amelia, volta pro seu quarto e tenta dormir.

    Ela, surpresa, perguntou:

    — O quê?

    — Já te disse, até seus sintomas melhorarem…

    Nesse momento, a voz da minha mãe caiu bruscamente.

    — Eu não estou louca! Por que você não acredita em mim?

    Então a voz do meu pai saiu num tom calmo e reconfortante.

    — Amelia, não é isso que eu quis dizer. Você sabe…

    Mas minha mãe, tomada pela febre, gritou.

    — Não, eu não sei. E você não lembra do que aconteceu antes? Você disse que eu estou louca! É culpa sua!

    Logo meu pai respondeu, com a voz desesperada.

    — Me desculpa, mesmo que você me odeie, eu entendo…

    — Entende o quê? Você foi indiferente comigo. Sabe o que eu senti quando você não veio ver nosso bebê recém-nascido?

    — Eu te disse que havia uma situação.

    — Então, qual era a situação?

    Meu pai abriu a boca com cautela.

    — Não posso falar sobre isso. Mas eu te prometo, minha esposa é você, e Juvelian será minha sucessora…

    Foi quando ouvi um estrondo. Assustada, olhei para a porta e me encolhi. As palmas da minha mãe estavam vermelhas, e as bochechas do meu pai, ardendo.

    — Por que você não pode me contar? Eu sou ou não sua esposa? Você diz que minha filha é a sucessora, mas quem sabe? Você pode passar tudo para o filho de outra mulher!

    — Amelia, juro que nunca…

    — Não se aproxime da minha filha! É você quem é perigoso para ela agora, Regis!

    Com isso, meu pai suspirou e respondeu.

    — Parece que nós dois estamos exaltados demais, vamos conversar em outro momento. Vamos descansar por hoje.

    — Não, não vou sair até você ir embora. Se for sair, vai com ela.

    Ao ouvir a voz da minha mãe, me escondi no armário e me agachei. Mesmo sendo tão nova, pensei:

    “Quando mamãe e papai vão se reconciliar? Eu queria que a gente se desse bem.”

    E eu, que já sabia a resposta, me senti amargurada.


    Quantos dias se passaram desde a briga de mamãe e papai? Minha mãe veio até mim, sorrateiramente, e disse:

    — Vamos brincar de esconde-esconde?

    Eu fiquei olhando para ela, sem entender o motivo.

    — Por que a gente vai brincar de esconde-esconde?

    Pensando no passado, consegui perceber algumas coisas que antes eu não sabia. A mais surpreendente era que, quando minha mãe estava deprimida, ela costumava me bater e me ignorar quando eu era mais nova. Talvez seja por isso que eu ainda me sentia incomodada por isso até hoje.

    Mas o estranho era que, ultimamente, ela parecia obcecada por mim, tentando ficar ao meu lado à noite.

    — Por quê?

    A pequena perguntou inocentemente, e minha mãe respondeu, tranquila.

    — Porque agora eu quero brincar. Então, se eu mandar você se esconder, você tem que se esconder, ok?

    A voz dela, dizendo que queria brincar comigo, soava seca. Mesmo assim, eu imaginava que ela me amava. O interesse que ela demonstrava parecia tão bom. Abracei minha mãe e disse, acenando com a cabeça.

    — Sim! Vou obedecer direitinho, mamãe.

    Ela me olhou com olhos trêmulos e mordeu os lábios. Depois murmurou, de forma direta.

    — Não saia até eu dizer que te encontrei. Combinado?

    Sua voz carregava um leve tom de choro. Eu a observei atentamente, com meu olhar jovem. Ao contrário do que eu imaginava, seus olhos eram claros e decididos.

    “Por que você está tão obcecada comigo?”

    De repente, senti vontade de entendê-la.

    — Você está aqui?

    De volta ao Palácio, Beatrice suspirou ao ver quem a aguardava em seu quarto.

    — Mãe, o que faz no meu quarto?

    — Não é estranho uma mãe visitar o quarto da filha.

    Beatrice riu, amargamente, diante da resposta da Imperatriz.

    — Minha mãe sabe muito bem que não viria aqui sem um motivo.

    Mas antes que as palavras terminassem de sair, Beatrice abriu a boca novamente.

    — Mas hoje estou um pouco cansada, mãe.

    — Sim, por isso vamos falar rapidamente.

    Como esperado, Beatrice assentiu lentamente ao ouvir a palavra “rapidamente”.

    — Sim, pode falar.

    — Estou falando sobre o Príncipe Herdeiro. Quanto tempo você achou que ele ficaria lá?

    Ao ouvir o nome de Maximillian vindo da boca da mãe, o rosto de Beatrice endureceu.

    — Por que pergunta isso?

    — Você não tem estado próxima de Maximillian ultimamente? Estou preocupada…

    Beatrice respondeu firme, cortando as palavras da mãe como se já não valesse a pena escutá-las.

    — Não, minha mãe fez o que achou melhor, mas não é dele que deve se preocupar. Por favor, me diga o que realmente pensa.

    A Imperatriz franziu a testa, irritada.

    — Você o conhece tão bem a ponto de confiar nele?

    — Sim, meu irmão não pretende me usar.

    As palavras da Princesa soaram sarcásticas, fazendo a Imperatriz semicerrar os olhos.

    — Você vai se arrepender. Mas se eu estiver errada agora, por favor, me perdoe.

    Beatrice respondeu sem hesitar.

    — Já estou me arrependendo. Por ter errado e machucado meu irmão, confiando na minha mãe. E eu não quero mais tentar entender minha mãe.

    A Imperatriz saiu do quarto, encarando a filha sem resposta.

    — Que vergonha… como você cresceu assim? Como pode dizer essas coisas?

    Ao voltar para seu quarto, a Imperatriz tocou o próprio ventre, pronta para arremessar algo. Mas, em pouco tempo, deixou o objeto de lado, em silêncio, e apertou os dentes.

    “Sim, eles não podem me descartar assim.”

    O Imperador, que a enganou por tanto tempo, sua filha, que agora se tornara espinhosa, e Maximillian, o responsável por tudo isso. Ela ainda não havia tomado sua vingança contra esses três. E, dentre eles, Maximillian era quem mais odiava.

    “Bem, primeiro, eu preciso jogá-la contra Maximillian.”

    Era uma ideia absurda que ela jamais colocaria em prática, mas, confinada num canto, a Imperatriz não conseguia pensar de forma racional.

    — Envie um assassino para o Duque de Floyen. E espalhe a história de que o Príncipe Herdeiro matou sua noiva em coma porque estava com raiva. Entendeu?

    — Sim!

    Enquanto os cavaleiros se afastavam, a Imperatriz acariciou o ventre e murmurou…

    — Não se preocupe, querido. Esta mãe vai fazer de você o Imperador.

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