Capítulo 03
Para sair daquela sala, ela teve que empurrar o fantasma que estava na frente da porta. Ela sentiu que o fantasma viria assim que a lanterna se apagasse, mas felizmente a lanterna não se apagou.
— … bu…
Fidelis inclinou a cabeça para o lado diante da voz fraca do fantasma, que murmurava algo, e olhou diretamente para ele.
— Bu… luz, apague. Luz, apague. Luz! Apague! Apague! Apague!
O fantasma, murmurando, ergueu o rosto e começou a gritar para Fidelis, seu rosto estava derretido e suas pupilas eram completamente brancas.
Cada vez que ele gritava, sua boca ficava desigual e não havia uma língua dentro. Fidelis congelou por um momento, suas pupilas se dilataram, ela abraçou o estômago e começou a chorar.
— Oh, oh, oh, por favor, me perdoe!
Fidelis, chorando, tremia enquanto pedia perdão. Ela apagou a luz e imediatamente pôde sentir intuitivamente que era perigoso, então acendeu a lanterna.
Ela colocou um pouco mais de força no braço que segurava a lanterna, como se estivesse segurando uma corda salva-vidas, mirou o fantasma e, quando a luz o tocou, ele deu um passo para trás e começou a se coçar.
— Quente! Quente! Apague a luz! Está quente! Apague a luz! Vou te queimar! Vou te matar!
— Não! Oh, meu Deus! Não quero me queimar!
Com os olhos úmidos de lágrimas e catarro escorrendo pelo rosto, Fidelis ameaçou o fantasma com a mão que segurava a lanterna. Fidelis estava impaciente e enjoada pelo monte de carne que caía toda vez que o fantasma se coçava.
Talvez porque ela não tivesse comido nada, tudo o que vomitava era saliva.
— Ugh.
Esfregando bruscamente os olhos e a boca com as mangas, Fidelis ameaçou o fantasma com a mão que segurava a lanterna. O fantasma não podia se aproximar enquanto estava ocupado chorando.
Enquanto se aproximava da porta com cuidado, um leve som de passos chegou aos seus ouvidos. Seu pulso acelerou e todo o seu corpo tremia.
— Você chamou um amigo?
— Argh!
— Por quê? O que está acontecendo?… desculpe…
Sem esperar por uma resposta. Com um olhar lacrimoso, Fidelis pulou na direção oposta assim que alcançou a porta.
Quantas vezes tenho que fugir assim?
Ela só queria esquecer tudo. Ela não conseguia ver direito porque seus olhos estavam embaçados pelas lágrimas. Depois de limpar os olhos com a manga, Fidelis correu e correu com os dentes cerrados, e de repente suas pernas enfraqueceram e ela caiu.
— Ugh!
A pele do seu braço doía, como se tivesse sido arrancada enquanto seus braços permaneciam imóveis no chão.
— Fiquei sem energia e tenho 0% de resistência. Não consigo me mover até que se restaure.
Como dizia a voz da máquina, Fidelis não conseguia nem levantar uma mão. Ao mesmo tempo, o sangue de suas feridas, que havia desaparecido depois de atingir 100%, apareceu novamente.
Antes, disse 0%. Talvez tenha sido por causa do encontro terrível com um fantasma antes, então usei minha energia.
Foi um resultado natural depois de ter corrido a uma velocidade tremenda. Fidelis moveu levemente o rosto para olhar ao redor. Procurando com os olhos um espaço aberto para se esconder.
Agora era como estar no meio da linha inimiga. Olhando para umas colunas que eram grandes, Fidelis decidiu se esconder lá.
Incapaz de levantar nem mesmo uma mão, Fidelis não teve escolha senão esperar que o sangue se enchesse, mesmo que fosse um pouco.
Eles disseram que ela poderia recuperar sua energia se encontrasse paz de espírito, mas enquanto estava deitada sozinha no chão frio, seu coração batia com mais ansiedade em vez de se acalmar.
Era assustador e injusto estar sozinha em um espaço aberto e não conseguir levantar nem mesmo uma mão. Fidelis tentou não chorar, mordendo os lábios com força. Ainda assim, não havia como parar as lágrimas que escorriam pelo rosto apesar de seus esforços para contê-las.
Com a mente em silêncio, Fidelis olhou para a barra de saúde com os olhos cheios de lágrimas. O vermelho estava aumentando gradualmente. Quando o percentual chegou a 10, Fidelis pegou sua lanterna e tropeçou por causa de sua perna trêmula, correndo para se esconder atrás de uma grande coluna.
— Huck, huck.
O suor pingava do seu queixo. Fidelis limpou o suor que escorria do seu queixo e depois apoiou a cabeça na coluna, fechando os olhos. Inalou e exalou, tentando não pensar em nada.
Então…
— … eu te ouvi.
Seus olhos fechados se abriram de repente. Fidelis se encolheu o máximo possível e fechou firmemente a boca com as mãos para evitar que a respiração escapasse.
— Com certeza, ouvi… aqui…
Fidelis se encolheu e levou a mão à boca para nem mesmo poder respirar.
A voz da criança foi cortada. Perigo, Perigo, Perigo.
Será que o som dos passos era tão assustador?
Todo o corpo de Fidelis estava molhado de suor.
— Havia um humano.
Seu coração batia forte. Batia com tanta força como se quisesse escapar. A voz da criança soava perto. Estava perto o suficiente para que Fidelis fosse pega com um único golpe pelo fantasma se ela se virasse um pouco.
Nunca ressentiu tanto a luz da lanterna como neste momento. Fidelis virou a cabeça para a luz que parecia penetrar as colunas.
Para apagar as luzes, ela teria que abrir o cristal da lanterna, mas o som com certeza seria ouvido.
— Onde está? Onde está? Onde está? Onde está?
“Não estou aqui.” Ela conseguia ouvir o som de correr apressadamente pelo espaço vazio, repetindo palavras. Fidelis aproveitou a confusão e correu para apagar a luz da lanterna.
Toque, toque, toque, queime! Vamos!
— Onde você está? Onde está? Onde? Onde? Onde? Onde?
A criança, correndo como um louco, parou subitamente, e seu coração estava prestes a parar com a ansiedade.
“Por favor, vá embora. Vá para outro lugar. Alguém, por favor…! Não, não.”
“Ninguém vai me salvar.”
Provavelmente seria o mesmo aqui. Quando a força da mão que cobria sua boca diminuiu lentamente, o som distante de algo se quebrando foi ouvido. Um som penetrante de ruptura fluiu do corredor vazio até os ouvidos da criança.
— Lá está. Lá está! Lá está!
A criança reagiu imediatamente, correndo a uma velocidade impressionante, se afastando de Fidelis. Quando não conseguia ouvir mais os passos, o corpo de Fidelis caiu como se estivesse se desmoronando.
“Este jogo maluco.”
Ela não pôde deixar de xingar. As lágrimas fluíam apesar de ela não querer chorar. Mas Fidelis se levantou.
Ela tropeçou até a coluna e correu na direção oposta. Sua força física não se encheu tanto, talvez porque estava tensa demais.
Tinha que preencher o resto em algum lugar. Estava nervosa para entrar na sala e pensou que a pegariam instantaneamente se se escondesse. Teve muita sorte de sair daquilo antes, mas não podia esperar por essa casualidade duas vezes, então acendeu a vela novamente, colocou-a na lanterna e segurou para frente.
— Eh?
Conseguiu ver as escadas descendo. Era bem diferente da escada curta. Desta vez estava definitivamente descendo. Estava muito ocupada antes, mas do lado de fora da varanda, na sala onde o fantasma queimado estava antes, podia-se ver que não era tão alto.
Cerca de três andares de altura? Esta era sua chance. Fidelis desceu as escadas sem hesitar.
Havia um rastro claro de sangue nas escadas que parecia ter sido deixado por alguém coberto de sangue. Ao ver que seu cabelo também estava emaranhado e endurecido, ficou claro que havia perdido muito sangue. Fidelis se moveu para o lado o máximo que pôde, mas a parede ao seu lado estava coberta por numerosas pegadas de mão manchadas de sangue.
— Hick!
Apertou a lanterna em sua mão com mais força. Para evitar ver o máximo possível, o olhar de Fidelis se dirigiu apenas para frente. Ao descer as escadas com segurança, Fidelis olhou para a esquerda e para a direita com a lanterna. Como esperado, os longos corredores estavam escuros e misteriosamente silenciosos.
Fidelis se moveu com cautela para encontrar as escadas que desciam. À medida que sentia que sua energia se recuperava gradualmente, mais da metade de sua força física aumentava. Quando encontrou as escadas que desciam, sua energia havia se recuperado completamente.
— Ahhhhhhh!
Fidelis parou diante da voz da criança enquanto tentava descer as escadas. Virou o rosto e moveu a lanterna na direção do choro da criança, mas tudo o que pôde ver foi a escuridão.
Fidelis, hesitando em sair, sacudiu a cabeça. Pode ser um fantasma se passando por uma criança como antes.
Enquanto descia as escadas um pouco mais rápido, bateu a testa em uma membrana invisível e caiu de costas sobre os quadris. Fidelis esfregou a testa e fez uma careta de dor.
— O quê? O que está acontecendo…?
Não era permitido vagar por nenhum lado? Mas definitivamente desceu as escadas.
Fidelis tateou a cortina invisível. Ao contrário das escadas que haviam descido um pouco antes, o caminho à frente estava bloqueado por uma membrana transparente desta vez.
Enquanto baixava as mãos que estavam apalpando a parede transparente e olhava ansiosamente para trás, ouviu uma voz familiar em seus ouvidos.
— O evento do jogo foi ativado. O tema é “Proteção”.
— O quê? Eu não estou jogando os eventos do jogo!
Gritando de surpresa, a voz respondeu novamente.
— Você não pode se mover para o térreo até que o evento do jogo seja concluído.
— Eu recuso a missão!
A voz desesperada de Fidelis não foi ouvida, como se sua voz desesperada não pudesse ser ouvida.
“Por que você está fazendo isso comigo?”
Fidelis pegou a lanterna perdida e se levantou do chão. Enquanto subia as escadas com as pernas tremendo de medo, quase caiu várias vezes, mas precisava descobrir qual era o evento do jogo. Somente então teria a chance de descer para o primeiro andar e abrir a porta.
“Eu não quero…”
Contendo as lágrimas o máximo possível, subiu as escadas e espiou a cabeça contra a parede, olhando para a esquerda e para a direita. O choro da criança que ouvira antes parou como se fosse uma mentira.
Cru— cru.
Em vez disso, houve um estranho som de mastigação. Fidelis murmurou descontroladamente.
— Me salve…
“Proteger. Quem se supõe que devo proteger…”
Sentou-se nas escadas pensando no tema da busca anterior, virou a cabeça e gemeu. Não queria ir.
Os fantasmas que viu antes no jogo não foram comunicativos. Fidelis estava sufocada como se alguém estivesse apertando seu pescoço com uma coleira de couro. Queria sair rapidamente.
Então…
— Ahhhhhh! Mamãe!
O grito da criança soou novamente. Fidelis pulou das escadas. No começo, pensou que era um fantasma fingindo chorar, então o ignorou, mas de alguma forma o tema do evento do jogo foi exposto. “Proteção” certamente significava proteger alguém que precisava de ajuda.
Fidelis subiu os últimos degraus sem problemas e foi direto para onde podia ouvir a criança. Não importa o quão assustador fosse, Fidelis não era cruel o suficiente para ignorar uma criança real. Segurando uma lanterna, correu para o lugar onde podia ouvir sua voz e viu uma criança chorando deitada no chão.
— Você está bem?
Fidelis se aproximou dele com o máximo de cuidado possível, acariciou sua cabeça e quando a criança ergueu a cabeça, pôde ver lágrimas escorrendo de seus grandes olhos.
— Quem, quem é você…
É uma criança de verdade.
Fidelis ficou pasma enquanto secava as lágrimas da criança.
Obviamente, esta é uma mansão amaldiçoada, e li na primeira tela flutuante que alguém entrou para resolver a maldição da casa, mas por que uma criança…?

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