Capítulo 67
Os olhares dos nobres que andavam tranquilamente se voltaram para as duas mulheres que desceram da carruagem com o emblema de Swaldgar. Swaldgar era uma família famosa que possuía muitas propriedades e fazia parte da alta sociedade após uma mudança na liderança há um ano. Havia um rumor constante sobre a única filha que expulsou seu pai e tomou seu lugar.
Muitos comentavam que Iseult, que assumiu o lugar após acusar seu pai, era uma jovem desalmada. Porém, depois de verem Iseult aumentando a riqueza e as propriedades dia após dia, com mais habilidade do que o chefe original, todos ficaram em silêncio, esperando pacientemente em fila.
Ao lado da nova chefe de Swaldgar, havia uma linda mulher que se parecia com ela. Iseult cuidava dela como se fosse um tesouro precioso.
Acima de tudo, o rosto de Iseult, que parecia tão deprimido por quase um ano e estava sempre tão frio que impedia qualquer aproximação, estava agora cheio de risos.
— Quem é ela?
— Nunca vi Lady Iseult rir tão alegremente.
Iseult foi arrastada para fora da loja por Fidelis, como se os olhares curiosos dos aristocratas que as observavam abertamente não a incomodassem nem um pouco.
— O que foi, Reese?
— Eu te disse que já tenho muitas roupas.
— Este lugar é diferente.
— Eu não posso usar tudo!
— Você não precisa usar, pode pendurar como decoração.
— Irmã.
Assim que chamou Iseult com um rosto obstinado, ela saiu silenciosamente da loja de roupas com uma expressão sombria. A palavra ‘irmã’ que saiu da boca de Fidelis fez a multidão ficar ainda mais agitada.
— O que ela quis dizer com irmã?
— Lady Iseult tinha uma irmã?
— Tenho certeza de que elas se parecem…
Mesmo que olhassem para Fidelis com olhos curiosos, Iseult não tinha intenção de responder suas perguntas. Fidelis queria ir a uma loja de conveniências, e Iseult a levou à maior loja.
Com todo tipo de itens, ferramentas de escrita e lojas diversas que pareciam ter de tudo, Fidelis olhou lentamente e pegou cadernos e canetas.
— Vou usar quando estiver estudando.
— Você é fofa.
Iseult, que esfregou sua bochecha contra a de Fidelis, tentou comprar todos os cadernos e canetas da loja. Se Fidelis não a tivesse impedido, Iseult poderia ter levado todos os cadernos e canetas da loja.1
Depois de deixar o caderno e a caneta na bolsa de papel com a funcionária atrás delas, as duas começaram a passear seriamente. Foram ao parque, sentaram-se em um banco, conversaram e foram a uma floricultura comprar várias mudas que Fidelis queria plantar.
Elas compraram muitos doces para Hakan, Edu, Essie, Zion e Alvin, que estavam esperando na mansão. Tinham reservado um restaurante para o jantar, então elas se dirigiram ao local quando o sol começou a se pôr.
Era um lugar onde precisavam esperar mais de um mês para conseguir uma reserva, mas Iseult conseguiu facilmente usando sua posição e poder. Sentaram-se em uma ampla mesa, ouvindo alegremente a animada conversa de Fidelis.
— O que aconteceu com os candidatos?
Após retornar, ela só havia contado sua história, então não sabia o que havia acontecido.
— Chester disse algo sobre ter o hat?
— Sim, ouvi dizer que no final todos ficaram gratos por terem quebrado a maldição, fosse quem fosse.
Quantas mais pistas encontravam, menos esperança havia de quebrar a maldição, e os candidatos restantes não precisavam ser compensados e rezavam para poder sair daquela mansão. Enquanto isso, Chester, – quem, na verdade, foi Fidelis –, quebrou a maldição, e eles admitiram isso sem dizer uma palavra.
— Então, acabou que sabem que somos da linhagem da mansão?
Fidelis sussurrou baixinho, mantendo sua voz o mais calma possível e seu rosto perto de Iseult. Ela, que sorriu gentilmente porque sua irmã era adorável, brincou com suas bochechas.
— Não, todas as notas sobre as pistas sumiram e nenhum dos candidatos restantes chegou tão longe.
Foi algo bom, um alívio. Faz muito tempo, mas naquela época, a família Merwin desapareceu e o nobre Swaldgar, que tinha o mesmo cabelo branco, reapareceu. Muitos rumores se espalharam, incluindo: “Eles são sobreviventes dos Merwin, podem amaldiçoá-los e devem se livrar deles”.
Mas a família Swaldgar recém-surgida guardou silêncio a respeito, nem confirmou nem negou. Naquele momento, apenas o imperador sabia a verdade, e deram muito dinheiro para ele ficar quieto.
O imperador aceitou e descartou os rumores como falsos. Os nobres que haviam se manifestado nos primeiros dias gradualmente perderam interesse em Swaldgar, que permaneceu em silêncio. Não os prejudicaram, e não havia razão para continuar pressionando-os.
E tudo isso foi possível porque o rosto do sobrevivente da família Merwin era desconhecido. Apenas a presença de Sahra era única na família Merwin. Os rostos dos filhos abaixo dela se desvaneceram na mente dos nobres porque apenas ela estava no centro das atenções.
Graças a isso, a família Swaldgar conseguiu mudar o sobrenome de forma segura e limpar sua identidade. E o clã, que foi obscurecido por Sahra, ainda era bastante próspero, e gradualmente a família Swaldgar acumulou fortuna. No entanto, à medida que Iseult e Fidelis se destacaram, a riqueza estava se esvaindo.2
Mais aindaassim, graças à habilidade de Iseult, a honra e a riqueza dos Swaldgar aumentaram gradualmente. Todo esse esforço foi feito exclusivamente por Fidelis. Fidelis ouviu pela primeira vez sobre a família em detalhes.
— Você deve ter sido bastante boa.
— Bem, isso aconteceu antes de eu nascer.
O que importava se a família havia sido desprezada nos velhos tempos? Ninguém desprezava os Swaldgar agora. Isso era tudo.
— Então, os candidatos voltaram às suas posições originais?
— Sim.
— Com licença um momento.
A conversa foi interrompida pelo garçom, que colocou a comida colorida ordenadamente sobre a mesa e cumprimentou cortesmente antes de sair.
Iseult pegou o filé com molho demi-glace à frente de Fidelis, cortou em pedaços menores e colocou de volta na frente dela.
— Esse é o prato mais popular aqui.
Ela pegou um pedaço do bife cortado e saboreou o sabor antes de mastigar. Os olhos de Fidelis se arregalaram na primeira mordida. Iseult sorriu alegremente.
— Sinto que estou me divertindo demais aqui.
— Continuará sendo assim no futuro.
Foi muito divertido descobrir sabores de alimentos que nunca tinha comido antes. Depois de colocar outro pedaço de carne na boca, desta vez ela colocou um pedaço na boca de Iseult. Caso contrário, Iseult não comeria, mas ficaria apenas observando o que Fidelis estava comendo.
— Tem um gosto melhor quando Reese me alimenta.
— Vamos comer juntas, não é bom comer sozinha.
Apontando para o filé à frente de Iseult, que ainda não tinha sido cortado, Fidelis disse com um tom meio desanimado, e Iseult assentiu com vigor.
— Sim, vamos comer juntas. Agora comemos juntas e comeremos juntas todos os dias.
— Sim, sempre comeremos juntas.
Iseult, que comia com um sorriso, agora não sabia se a comida estava indo para a boca ou para o nariz. Era tão bom estar assim, uma de frente para a outra.
Ela ficou surpresa que o que tinha imaginado centenas de vezes estava acontecendo de verdade. Enquanto observava Iseult comer, Fidelis hesitou e franziu os lábios.
— O que houve? Pode me perguntar qualquer coisa.
— Bem, pode ser uma pergunta meio desconfortável.
— Tudo bem.
— O que aconteceu com Astin?
— Claro que dei um jeito nele.
Iseult sorriu amplamente, como se se sentisse aliviada. Apesar do assédio, ele descaradamente culpou Iseult por todos os seus pecados.
Na mansão amaldiçoada, Elland tentou colocar todos em perigo. Além disso, quando a maldição foi quebrada, ele agiu como um homem descontrolado. Não poderia mostrar misericórdia.
Quando Iseult mandou seu pai para o exílio, mandou Astin junto. O que Astin fez até agora era tão repugnante quanto seu pai. Mesmo assim, ele fingia ser nobre diante dos outros.
Ele e seu pai estavam envolvidos no mercado proibido de escravos. Algumas vidas foram arruinadas pelas mãos de Astin. Era um homem que não tratava as pessoas como seres humanos. O mercado de escravos era como enterrá-los vivos, por isso ela o prendeu junto com seu pai e o enviou para o exílio.
— Talvez, a esta altura, eles estejam carregando areia no meio do deserto.
O deserto de Hor, que tem uma diferença de temperatura severa entre o dia e a noite, é queimado pelo sol ardente durante o dia e frio o suficiente para quebrar os ossos à noite. Mas não era suficiente para matar. De alguma forma, eles sobreviveriam lá.
Não importa o quão aflitos estivessem, eles nunca poderiam escapar de lá. Teriam que viver lá até morrer. Mas Iseult não se preocupou em dizer tudo isso. Fidelis agora precisava ver e ouvir apenas coisas boas.
— Não se preocupe, eles nunca mais aparecerão na nossa frente.
Fidelis não fez mais perguntas. Francamente, ela nem estava tão curiosa. Perguntou porque estava preocupada que ele pudesse aparecer de novo e incomodá-la. Mas foi bom o exílio dele.
Depois da última sobremesa, Fidelis se ajeitou, acariciando o estômago com satisfação, e achou engraçado pensar que poderia viver sem preocupações. A vida, que antes era cheia de preocupações e ansiedades diárias, mudou num instante.
Todas as coisas que aconteceram na mansão amaldiçoada ainda eram vividas intensamente, a sensação do coração perfurado até o sangue esfriar não desaparecia.
Mas o tempo com Hakan e Iseult fez com que ela esquecesse tudo isso. A culpa era menos presente do que o trabalho. Antes ela tinha que cuidar de alguém, mas agora estava na posição oposta, sendo protegida. Com uma família que pensou que nunca teria.
No caminho de volta, Iseult não soltou a mão de Fidelis, mantendo-a quente o suficiente para cobrir tudo.
— Foi muito divertido hoje.
— Qual foi a sua parte favorita?
— Estar com minha irmã.
Tão boa foi a resposta de Fidelis que Iseult fechou os olhos e se aconchegou contra ela. Fidelis, que estava tão feliz com pequenas coisas, era triste e encantadora.
— Vamos ao festival da próxima vez.
— Ok.
Agora, elas tinham muito tempo, muito mesmo.

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