Capítulo 5: Que fera gentil
— Então vocês vieram mesmo, nesse caso vamos continuar
— Sim!! — Afirmou todas as crianças (Liz, Ray, Luiza, Pietro)
— Então vamos continuar de onde paramos
— Então você é a Eclipse, prazer sou Lyra. Por favor, permita-me ser sua portadora para que eu possa realizar seu objetivo. — Disse Lyra ao se ajoelhar para a espada em forma de humilhação e quebra de orgulho.
Pip sem reação só conseguia assistir à cena que só se via em teatros da capital, ele temia, mas não se apavorava nem tremia apenas assistia de longe.
Assim que Lyra terminou sua declaração a Eclipse, antes escura e perigosa, se tornou segura, confortável e aconchegante, Lyra levantou a cabeça e as correntes que cercavam a espada caíram, fazendo um som estrondoso que fez eco, a aura sombria que a cercava já não estava mais lá.
Lyra aproximou sua mão para pegar a espada e ao abrir sua mão a Eclipse, como um ímã, encostou a mão dela. No mesmo instante os olhos verdes e encantadores de Lyra se tornaram dourados, brilhantes e poderosos. A espada soltou um brilho que foi se expandindo como uma bomba até fora da caverna, como se estivesse anunciando que agora a Eclipse tem uma portadora e seu objetivo está para ser alcançado.
Pip na mesma hora percebeu a mudança em seu físico e olhos.
— Lyra, seus olhos… E seu corpo… VOCÊ!
— Eu me sinto mais ágil, forte e até mesmo meus sentidos e reflexos estão mais aguçados.
Pip arregalou os olhos, aquela espada solitária perigosa e sombria agora brilhava como se estivesse sorrindo gentil, se podia sentir o calor da espada como se ela tivesse ganhando vida.
— E-e agora? O que faremos.
— Eu vou estrear minha nova amante
— Amante? A espada mais gloriosa do mundo se tornou sua amante?
— Sim, afinal um dia terei que devolvê-la ao seu lugar e companheiros a gente nunca abandona.
Pip, sem intenção, se sente orgulhoso e envergonhado, mas volta rapidamente a sua postura e segue caminho.
Enquanto ainda brincavam, um som estrondoso que causou tremor no chão veio do fundo escuro da sala. Som de passos se aproximando cada vez mais altos e um barulho de algo sendo arrastado, algo muito grande sendo arrastado, algo de pedra.
Pip e Lyra se posicionaram para lutar esperando vir uma besta feroz incontrolável como um orc do fogo ou até mesmo um homem de pedra, (inimigos naturais dos goblins). Porém o que apareceu foi algo maior e mais assustador, um Ogro verde.
— Vô o que é um ogro verde? — Perguntou Liz — Qual a diferença de um ogro verde e um comum?
— Eu sei! Eu sei!— Disse Pietro levantando sua mão para chamar atenção. — Ogros verdes são como os soldados dos formigueiros e os ogros comuns as operárias, porém ogros verdes são muito brutos e caso sintam fome comem até mesmo seus próprios companheiros e se fizerem isso eles ganham a força do outro comido se fortalecendo, alguns se tornam loucos, sem contar que ogros verdes são muito possessivos com coisas bonitas e brilhantes, são monstros que podem comer um humano sem esforço, eles sugam seus órgãos e usam seus ossos como palitinho para tirar a carne do dente, eles não falam, mas se expressam, são como animais mesmo. Na família dos ogros o único acima deles é o ogroso, o ogro rei cada tribo tem um, eles costumam ter o mínimo de inteligência e podem ate se comunicar, mas não piores que os ogros verdes e~
— Tá bom, pare com isso, eu to ficando com medo — Luiza estava se tremendo encolhida em Liz — Eu já entendi que eles são maus.
— Luiza não se preocupe, não existem ogros verdes nos derredores do nosso território — Disse Liz enquanto a afastava cuidadosamente.
— Haha! Bela explicação Pietro, agora vamos continuar?
Como Pietro disse, um ogro verde é mais forte que um ogro comum e pode facilmente derrotar um humano comum, porém nós sabemos muito bem que Lyra deixou de ser comum a muito tempo.
O ogro se aproximava deles furioso e ao ver a espada na mão de Lyra se sentiu mais furioso ainda. Segurando uma grande maça de pedra, avançou em direção a Lyra. Pip se preparou na retaguarda, com seu arco e suas flechas especiais pronto para atirar enquanto Lyra avançou direto no ogro verde.
O ogro avançou com força total, furioso. Com sua mão esquerda abateu sua maça em direção a cabeça de Lyra para esmagar em um golpe só, mas Pip percebeu o movimentou e acertou precisamente uma flecha-bomba em seu ombro, a flecha explodiu deixando o ogro incapacitado de usar o braço, Lyra aproveitou a oportunidade para atacá-lo, com a Eclipse, o atacou de frente, mas sentiu que seu corpo estava na mesma força de sempre como se a Eclipse tivesse rejeitado a luta, o ogro usou o outro braço para bloquear a espada, seu golpe foi tão forte que lançou Lyra contra a parede e ela prendeu a perna nas pedras que caíram do teto com o impacto.
— Vovô pare eu já estou agoniada — Disse Luiza amedrontada.
— Você é muito medrosa Luiza, continue Vovô, o que aconteceu depois? — Diz Liz com Luiza abraçando seu braço.
— Está óbvio, Eles morrem. — Disse Pietro com tanta facilidade e indiferença que fez o avô sentir um leve arrepio na barba
Naquele momento o ogro verde percebeu que deveria derrotar o mais pequeno primeiro pois ele atacava a distância ele tinha uma “arma longa” no pensamento do ogro (Ogros verdes tem instinto não inteligência), então mudou seu alvo para o pequeno Pip, correu ferozmente com ira nos olhos, abriu a boca e foi em direção a ele.
Pip que se distraia preocupado com Lyra nem conseguiu perceber a velocidade no qual o ogro se aproximava, ao virar o rosto a fera já estava com sua boca aberta a centímetros de distância, seu reflexo o permitiu esquivar porém não foi rapidez o suficiente, o ogro ainda assim conseguiu ferir sua barriga no lado direito, deixando 2 grandes arranhões profundos.
Pip não resistiu a dor e gritou por Lyra que ao ver seu companheiro ferido e incapacitado de lutar tão próximo ao ogro que jas atacá-lo novamente, usou todas as suas forças esticando o braço para alcançar a Eclipse. Naquele momento seus olhos brilharam e a espada, novamente como um ímã, se achegou a ela dando-lhe as forças de antes novamente. Sem hesitar segurou sua espada com firmeza, posicionou seu braço e lançou a Eclipse em direção ao ogro verde e…
— E? — Todas as crianças falaram simultaneamente.
— E… Vejam só que horas são, melhor irem para suas casas. — Disse o avô olhando o relógio de bronze que estava pendurado ao lado da lareira. — Amanhã iremos terminar essa aventura.
As crianças saíram incrédulos com como a história terminou, chutando pedras e murmurando, mas ansiosos para o dia seguinte.
Extra:
No caminho até suas casas as crianças seguiam conversando sobre a história
— Sabe de uma coisa? O Vovô é bem suspeito — Disse Pietro.
— Como assim? Eu gosto do Vovô — retrucou Luiza indignada com Pietro.
— Mas ele tem razão, o Vovô sabe muito sobre o Alvorecer, parece até que esteve em todos os momentos ou conheceu todos eles — disse Liz suspeitando também.
— Mas quem ele seria? Será que nos dará alguma pista? — Ray se animou com a teoria dos meninos.
— Não sei, ainda estamos no começo da aventura, vai saber quando o Vovô aparece ou melhor se ele aparece na história. — Liz deixou esse ponto de interrogação na mente de todos.
Cada um voltou para suas casas com teorias e pensamentos sobre o Vovô, mas crianças esquecem rápido e o sono pode muito bem fazê-las esquecer de uma pequena conversa enquanto caminham para suas casas.

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