O dia estava claro, agora, antes do pôr do sol. As crianças foram entrando no bar uma por uma, ja se aconchegante no tapete negro, em ordem de tamanho, Luiza Liz Ray e Pietro, ansiosos para o verdadeiro início da aventura.

    — Dessa vez vocês vieram cedo, muito bem — exclamou o avô se sentando na poltrona.

    — Dessa vez nos arrumamos assim que terminamos o almoço. — Disse Ray orgulhoso.

    — Nesse caso vamos precisar dar uma pausa para o café da tarde — disse o avô sorridente — mas isso vamos deixar para bem tarde.

    — exatamente, agora queremos aventura! — disse Liz batendo os pés no tapete.

    — Tudo bem, então vamos continuar.

    — Lyra continuava crescendo em graça, força e beleza, seus cabelos cresciam mais a cada primavera, e seu poder também.

    Até que chegou o dia em que Lyra completou 18 anos.

    — Vovô, essa é a idade em que podemos nos tornar aventureiros! — diz Luiza sorrindo.

    — Exatamente. E vocês sabem a importância de se registrar?

    — Eu sei. Para caso você se perca ou fique em perigo, ou caso não seja visto. Por mais de dois meses, você ser dado como procurador e caso fique por um ano sem ser visto ou sem rastros de vida, será dado como suspeito de morto ou apenas dado como morto. — Diz Pietro calmamente e elegantemente, diferente do hábito.

    — Dessa vez você não foi exagerado. O que ocorreu? — perguntou Ray intrigado com a Pietro.

    — Apenas não estou animado hoje.

    As crianças se sentiram mais assustadas ainda com Pietro e ate mesmo o avô arqueou a sobrancelha para ele.

    — Prosseguindo…
    Lyra completou 18 anos, com muito treino e esforço, afinal a partir dali que sua jornada realmente seria iniciada. Ela partiu para Capital, afinal só é possível se registrar lá. Ela pegou uma carruagem em direção à capital, o caminho foi calmo e silencioso, como se estivesse dando um último momento de tranquilidade e paz.

    Ao chegar na capital, Lyra desceu da carruagem com o coração acelerado. A capital se estendia à sua frente como um labirinto de ruas de pedra, com lojas e barracas coloridas. As vozes eram um mar de palavras por todos os lados, tanto nobres como cidadãos comuns conversando com euforia, e o cheiro de pão fresco, carne grelhada e doce fervilhava no ar. Cada uma dessas coisas à deixava encantada, se sentindo pequena.

    — Uau… — murmurou Lyra, seus olhos verdes brilhando diante da mistura de cores e movimento. — É maior do que eu imaginei.

    Ela percebeu imediatamente a diversidade das pessoas: elfos de orelhas longas conversando, anões robustos de barbas trançadas, mercadores humanos gritando ofertas e crianças correndo entre eles, carregando cestos de frutas ou balões coloridos. O chão estava sujo de poeira e folhas caídas, mas ninguém parecia notar, todos concentrados em suas próprias tarefas.

    Lyra ajustou a mochila e respirou fundo, tentando não se deixar levar pelas atrações. Sua capa simples de cor rosa clara esvoaçava levemente com o vento, e seu cabelo castanho, preso em um rabo de cavalo, balançava. Apesar da idade jovem, seus traços delicados escondiam uma força que já havia sido provada diversas vezes. Ela não era apenas bonita; havia algo em sua postura, em seu olhar firme, que revelava determinação e coragem.

    Enquanto caminhava sem direção, distraída com as diversidades sentiu alguem puxar sua capa com delicadeza.

    — Ei, você parece perdida — disse uma voz atrás dela.

    Lyra se virou e viu um rapaz pequeno, não mais que um metro e meio, com cabelo loiro desgrenhado e olhos verdes vivos. Um sorriso maroto se formava no rosto dele. Ele usava roupas simples de viajante, mas um arco pendia de suas costas, e várias flechas incomuns eram visíveis em uma aljava.

    — Estou apenas admirando a cidade — respondeu Lyra, sem perder a compostura. — Sou nova por aqui.

    — Admirando? — Inclinou a cabeça, observando-a com curiosidade. — Uma donzela não deveria admirar um lugar como esse sozinha. As ruas podem ser perigosas as vezes.

    Lyra sorriu levemente. — Acho que essa donzela consegue se virar sozinha, so estou um pouco confusa, Na minha vila, tudo era… tão menor. Mais calmo.

    — Isso aqui é só a superfície — disse, aproximando-se. — Espere até conhecer os mercados mais ao fundo. Já viu alguém vendendo penas de fênix ou cristais que flutuam? É meio insano.

    — Penas de fênix? — Lyra arqueou as sobrancelhas, surpresa. — Isso existe mesmo?

    — Ah, aqui tudo existe, ou apenas foi inventado para roubar dinheiro. — respondeu o pequeno homem, e o brilho em seus olhos revelava entusiasmo genuíno. — Mas me diga, você veio para o que mesmo? A capital tem muitas guildas, mas não é fácil entrar.

    Lyra respirou fundo, lembrando do pai que sempre lhe dizia que coragem era diferente de imprudência. — Vim me alistar na Guilda dos Aventureiros. Quero… realizar um objetivo e para isso preciso me alistar.

    — Um objetivo em particular? Parece nobre, pelo brilho de seus olhos e seriedade de sua voz. — Disse o pequeno com grande curiosidade — Poderia compartilhar?

    — Quero derrotar o infame Dragão Negro. — Disse firmemente sem hesitar ou falhar a voz. — Esse é o meu objetivo.

    Os olhos dele se arregalaram por um instante, mas logo se estreitaram em concentração, como se estivesse avaliando a garota. — Dragão Negro, hein? — murmurou. — Audaciosa, mas você parece… determinada. Isso conta muito.

    — É a única coisa que sempre quis — disse Lyra, erguendo o queixo com firmeza. — Não posso recuar agora.

    Ele riu, levemente impressionado. — Gosto disso, é realmente nobre. Eu sou Pip, prazer em conhecer. E você?

    — Lyra. — Ela estendeu a mão, e ele apertou com força inesperada para alguém tão pequeno.

    Enquanto conversavam, um som metálico chamou sua atenção. Cavaleiros montados em corcéis negros passavam velozes pela rua, usando armaduras que reluziam à luz do sol. Lyra instintivamente recuou, mas Pip a guiou para um canto seguro.

    — Sempre atentos — disse ele, observando a multidão que se desviava dos cavaleiros. — Aqui ninguém se mete com eles, a não ser que queira problemas.

    — Problemas… — Lyra murmurou, seus dedos tocando a empunhadura da espada escondida sob a capa. — Eles me parecem… Divertidos.

    Eles caminharam juntos até a entrada da Guilda, afinal os dois tinham o mesmo interesse na capital, um prédio antigo com torres altas, portões de ferro e uma bandeira com o emblema de uma espada cruzada com um escudo. A porta rangeu quando foram empurrá-la, revelando uma sala espaçosa, cheia de aventureiros de todas as idades, raças e habilidades. Alguns conversavam em grupos, outros isolados encarando cada pessoa presente.

    Uma mulher alta de no mínimo 1,90 metros, de cabelos ruivos presos em coque, olhou para Lyra e Pip com desdém inicial, avaliando-os
    — O que desejam? — perguntou. — Se registrar?

    Pip se sentiu um pouco intimidado pelo tamanho da mulher porém Lyra nem se importou. — Sim, nós queremos ser aventureiros.

    — De contrato ou segurança? — sua voz soou mais dura que da última vez.

    — Para mim segurança, tenho um objetivo para o qual me registrar mas ele… — Lyra hesitou em responder.

    — O mesmo, senhorita, por segurança. — Pip consertou sua postura outrora meio recuada.

    Nesse caso preencham a papelada e retornem para eu lhes dar uma missão inicial apenas para avaliação de riscos.

    Lyra engoliu em seco, mas manteve os ombros erguidos. — Entendido.

    Apois preencherem a papelada, se direcionaram novamente para a mesma mulher que os olhava um uma leve tristeza ou pena indecifrável.

    — Muito bem — disse a mulher, aproximando-se com um pergaminho e uma pena. — Primeira missão: uma dungeon infestada por goblins na região próxima. Nada complexo, simples e objetivo, só precisam matar todos os goblins, não é nada muito perigoso, é uma dungeon próxima as muralhas então qualquer coisa anormalmente relatem rapidamente.

    O coração de Lyra bateu forte por um instante, naquele momento ela lembrou do aventureiro ruivo de quando tinha 15 anos, que lhe havia dito sobre a Eclipse.

    Pip pulou de empolgação. — Isso é perfeito! Uma dungeon para iniciantes, mas com a chance de mostrar nossas habilidades.

    Lyra assentiu. — Vamos, não há tempo a perder.

    Para Pip era apenas uma missão simples mas para Lyra um preparo para mente e coração, pois ali seria sua prova de lealdade ao seu objetivo.

    Enquanto se dirigiam à saída da guilda, Pip observava-a detalhadamente. — Você parece forte, Lyra. Mas a primeira regra aqui: nunca subestime o inimigo. Goblins podem ser traiçoeiros.

    — Eu sei — disse Lyra, ajustando a mochila. — E você parece bem observador. E um pouco exibido.

    — Talvez eu seja — Pip riu, tirando uma flecha e segurando o arco com facilidade. — Mas não se preocupe, vou manter você viva. Donzela.

    — Espero que consiga meu companheiro — respondeu Lyra com um sorriso divertido.

    Ao saírem da cidade grande, a luz do fim de tarde iluminava os telhados e o mercado começava a se esvaziar. Lyra olhou para trás e viu a capital em toda a sua grandiosidade: ruas movimentadas, lanternas acesas, pessoas indo e vindo. Um calafrio percorreu sua espinha, mas não de medo — de excitação.

    — É só o começo — murmurou para si mesma. — Só o começo.

    Enquanto caminhavam pela estrada que levava à dungeon, Pip começou a falar sobre suas estratégias, mostrando mapas improvisados e explicando possíveis armadilhas. Lyra ouvia atentamente, absorvendo cada palavra. Ela percebeu que ter alguém que pensasse tão detalhadamente ao seu lado seria essencial.

    — Então, se dividirmos o grupo e pegarmos os goblins de surpresa… — começou Pip, mas Lyra o interrompeu.

    — Vamos com calma. Você esta muito ansioso, vamos entrar e vê como é primeiro.

    Pip abriu um sorriso de canto de boca. — Bom senso. Gosto disso.

    Ao anoitecer, chegaram à entrada da dungeon, com pedras negras e um portão semi-destruído coberto por musgo. O cheiro de umidade e algo mais forte, quase metálico, atingiu-os. Lyra franziu o cenho, tocando a empunhadura da espada sob a capa.

    — Pronta? — perguntou Pip.

    — Sempre. — Lyra respirou fundo, os olhos brilhando de determinação. — Vamos mostrar do que somos capazes.

    E assim, sob o céu estrelado da capital, a jovem guerreira e o pequeno estrategista deram o primeiro passo de uma jornada que mudaria não apenas suas vidas, mas também o destino do continente

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