Então vocês vieram mesmo, nesse caso vamos continuar

    Sim!! — Afirmou todas as crianças (Liz, Ray, Luiza, Pietro)

    Então vamos continuar de onde paramos
    Olha só, vocês vieram!

    É claro, como poderíamos deixar de vir com a história terminada daquela forma? — Disse Ray ofegante por ir correndo com os amigos até o bar para conseguir o melhor lugar.

    É divertido ver que estão gostando, então vamos prosseguir.

    Pip não resistiu a dor e gritou por Lyra que ao ver seu companheiro ferido e incapacitado de lutar tão próximo ao ogro, usou todas as suas forças esticando o braço para alcançar a Eclipse. Naquele momento seus olhos brilharam e a espada, novamente como um ímã, se achegou a ela. Sem hesitar segurou sua espada com firmeza, posicionou seu braço e lançou a Eclipse em direção ao ogro verde.

    O ogro ainda focado em Pip o encurralou na parede enquanto Pip encolhido no canto apenas pressionava a ferida para impedir o sangramento. O ogro ataca novamente, mas antes que seus dentes afiados tocassem em Pip, a Eclipse o atingiu em cheio, a espada acertou na cabeça furando seu crânio até a parede.

    Pip só pode sentir a presença da espada quase tocando em seu nariz.

    — Lyra, sua maluca! Quer me matar também? — Pip gritou irritado o que forçou a saída de sangue de sua ferida.

    — Para de gritar, você está ferido. Não tá em posição de reclamar de nada.

    — E você tá presa em um monte de pedras.

    Lyra esticou a mão em direção à Eclipse, e a espada respondeu de imediato. A espada saiu do crânio do ogro verde com um som tinindo dos ossos. O corpo colossal caiu para trás, fazendo o chão tremer até finalmente ficar imóvel

    A Eclipse voltou para a mão de Lyra com suavidade quase carinhosa, como se jamais tivesse atravessado um monstro daquele tamanho.

    Lyra apoiou a ponta da espada no chão e usou o apoio para puxar o próprio corpo para cima, mas foi em vão, seu corpo não se mexeu um centímetro, apenas serviu para expandir a dor.

    — Droga… — murmurou, cerrando os dentes.

    Ela ergueu a Eclipse e começou a empurrar as pedras uma a uma. Quando finalmente conseguiu libertar a perna, correu até Pip.

    Pip ainda estava encostado na parede, pálido, pressionando a lateral da barriga com as duas mãos. O sangue escorria pelos seus dedos, pingando no chão formando uma pequena poça

    — Você… — ele respirou fundo. — Você jogou uma espada mágica na minha direção? Endoidou?

    — Joguei no ogro — dizia enquanto procurava curativos em sua mochila para Pip.

    Pip soltou uma risada fraca que se transformou em um gemido de dor.

    — Ótima pontaria… — murmurou. — Mas da próxima vez, tenta errar menos meu rosto.

    Ao silêncio da luta, Lyra pode sentir cada mínimo som e movimento ao seu redor, o cheiro do sangue de Pip, o som dos insetos pela sala e até mesmo o som da sua respiração pesada.

    Ela se ajoelhou à sua frente.

    — Deixa eu ver.

    — Não precisa, eu posso… — Pip tentou afastar a mão dela, mas estava fraco demais para contestar.

    Lyra puxou delicadamente sua mão para ver a ferida. Os dentes do ogro haviam rasgado parte da carne, mas não perfurou tão profundamente ao ponto de revelar os órgãos internos. Ainda assim, a quantidade de sangue era preocupante.

    — Me desculpe… — disse ela, com a voz mais baixa.

    Pip levantou os olhos em direção a Lyra e reparou seus olhos dourados mais brilhantes, Lyra estava segurando o choro.

    — Foi imaturo da minha parte ir direto até o ogro e te deixar desprotegido — Continuou enquanto fazia o curativo — Foi eu quem te trouxe aqui… Eu deveria te proteger.

    Pip levantou sua mão direita em direção a cabeça de Lyra e acariciou-a delicadamente.

    — Você fez um bom trabalho, meus parabéns. — Pip sorriu gentilmente para Lyra. — Só evite jogar essa espada em minha direção.

    Lyra parou de chorar e enxugou as lágrimas. O silêncio confortável tomou a sala até que Lyra terminasse de tratar Pip.

    — Vamos embora, chega dessa caverna maluca. — Disse Lyra estendendo a mão para Pip.

    — Ser carregado por uma donzela chorona? — ele provocou, fraco. — Que falta de nobreza da minha parte.

    — Sobe logo.

    Ele obedeceu.

    O silêncio que se seguiu à saída da dungeon era estranho demais para parecer real. Lyra respirava com dificuldade, o peito subindo e descendo rápido enquanto ajustava o peso de Pip nas costas. Ele estava dormindo, pequeno demais, leve demais…

    — Dormindo tão confortavelmente… — ela murmurou para si mesma. — Parece até um bebê.

    A Eclipse ainda permanecia presa à sua mão, seus olhos ainda dourados eram sinal de que a Eclipse ainda dava forças à Lyra

    — Por que você não me ajudou antes?— sussurrou. — Isso não teria ocorrido com Pip se tivesse acertado o golpe.

    Lyra simplesmente desistiu de tentar entender como funcionava a espada. Ela começou a caminhar em direção à capital.
    O caminho era longo, ladeado por árvores altas e trilhas de pedras irregulares. Lyra ajustou Pip com cuidado, apoiando a cabeça dele em seu ombro. Ele estava quente, mas estável. Respirava como uma criança exausta após chorar demais.

    — Pq dói tanto? — ela murmurou, a voz falhando. — Eu nunca mais vou te deixar sozinho em uma batalha.

    O vento levou suas palavras, mas não levou o peso da promessa.

    Por um momento, Pip abriu os olhos, aquelas palavras aqueceram seu coração, um sentimento formigante o fez sorrir.

    — Hm… — murmurou, os olhos abrindo só um pouco. — Lyra, estamos chegando?

    — Você fala como se estivéssemos em uma carruagem — Ela sorriu aliviada.

    — Não, é mais confortável que uma carruagem — Ele bocejou, a voz fraca.

    Ela piscou, surpresa.
    — Confortável?!

    — Uhum… — Ele se aninhou mais, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

    Lyra recebeu como um simples comentário divertido, mas para Pip aquele colo realmente era mais aconchegante e caloroso do que qualquer carruagem.

    Ele dormiu de novo quase imediatamente, e Lyra continuou andando, o coração leve por motivos que não tinham nada a ver com a batalha.

    Quando os portões da capital finalmente surgiram, o céu já começava a mudar de cor. Os portões estavam abertos, e alguns guardas ergueram as sobrancelhas ao vê-la entrar carregando um pequenino desacordado, coberta de poeira e com uma espada negra e dourada pendendo da cintura.

    — Que… precisa de ajuda? — perguntou um dos guardas.

    — Um médico. Agora. — Lyra não hesitou.

    Eles não discutiram.
    Na pousada mais próxima da guilda, um médico de meia-idade foi chamado às pressas. Pip foi colocado sobre a cama enquanto Lyra andava de um lado para o outro, incapaz de ficar parada.

    — Ele perdeu muito sangue? — perguntou ela.

    — Não o suficiente para matar — respondeu o médico, examinando com cuidado. — Mas foi imprudente. Muito imprudente.

    Lyra abaixou a cabeça. — A culpa é minha.

    O homem a encarou por cima dos óculos.
    — Não. A culpa é de quem subestima monstros verdes sem escudeiro. — Ele fez uma pausa. — Vocês tiveram sorte.

    Pip se mexeu.
    — Sorte? — murmurou. — Eu acho que usei toda a minha sorte nisso.

    O médico terminou os curativos e se afastou.
    — Repouso. Pelo menos um dia inteiro. Ambos.

    Lyra assentiu. Quando ficaram sozinhos, ela sentou ao lado da cama, observando Pip dormir. Pela primeira vez desde que o conhecera, ele parecia… pequeno de verdade.

    No dia seguinte, já recuperados o suficiente, seguiram para a guilda. O salão estava cheio. As conversas cessaram aos poucos quando Lyra entrou. A Eclipse estava visível agora, presa às costas, e vários olhares curiosos — e desconfiados — se voltaram para a espada.
    — Essa é a garota da dungeon oeste — cochichou alguém.
    — Olhem a espada que ela carrega.
    — Espera… Lâmina negra?

    Lyra manteve o queixo erguido.
    No balcão, o atendente arregalou os olhos.
    — Uau, isso aí é…

    — Missão concluída — disse Lyra. — Mas o relatório está errado.

    Pip subiu num banco e pigarrou.
    — Não havia goblins. — Ele falou indignado. — Era um ogro verde. Adulto.
    Um burburinho explodiu no salão.
    — Um ogro?!
    — Dois atacantes só?!
    — Isso é suicídio!
    O atendente engoliu em seco.
    — A recompensa… será revisada.

    Lyra assentiu, mas seu olhar já estava distante, voltado para a saída da capital.

    — Disseram que foi imprudente — murmurou Pip, mais tarde, enquanto caminhavam. — Dois atacantes sem defensor.

    — E estavam certos — respondeu Lyra. — Por isso… precisamos de um escudeiro.

    Pip sorriu de canto.
    — Então… vamos sair da capital?

    Ela apertou o punho ao redor da alça da Eclipse.
    — Vamos. Antes que a sorte acabe.
    E assim, com passos firmes, eles seguiram para fora dos portões — sem saber que aquela escolha mudaria tudo

    — E assim, iniciou a jornada de Lyra e Pip.

    — Finalmente acabou, que aventura longa em. — Disse Ray.

    — Vovô, eu não entendi, Pip disse que as costas de Lyra eram aconchegantes, mais que uma carruagem, mas carruagens são muito aconchegantes. — Disse Luiza confusa.

    Calma, calma já já irei chegar nessa parte, por sinal será na próxima noite de histórias.

    Legal, mal posso esperar, então a gente já vai Tchau Vovô.!

    Até.

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