Capítulo 2: Lyra Soulin
O por sol brilhava ao fundo das nuvens, seu brilho refletia em um instrumento pesado que ficava preso a parede de frente para a lareira.
— Vovô nós chegamos! — Disse Luiza com sua linda trança azul e franja baixa, com um lindo vestido rosa que combinava com seus olhos grandes.
— Bom dia meus pequenos, o que acham de começarmos de onde paramos?
— Demorou, vamos nos sentar rápido — Disse Liz já escolhendo seu lugar no tapete.
— Se não fosse pela Luiza, teríamos chegado antes do pôr do sol — Disse Ray olhando feio para ela se sentando longe dela.
— Sem brigas, irei começar agora! — Disse o avô se sentando na poltrona.
— Lyra crescia em graça e força, seus lindos olhos verdes brilhavam sempre que ouvia algo sobre o Dragão Negro, seu desejo ardente se mantia forte independente do tempo.
Lyra seguia seus dias treinando e servindo o bar, cada novo aventureiro que parava no bar de seu pai se agradava com suas habilidades e se sentiam motivados a ensiná-la mais e mais. E aos 15 anos conheceu um novo amigo.
— Ela é bem animada né? — Dizia um dos aventureiros sentado em uma das cadeiras em volta do balcão virado para a porta — Parece cheia de energia.
O aventureiro tinha cabelo curto ruivo, olhos azuis e usava uma roupa confortável, quase não dava para perceber que era aventureiro.
— Claro, você já ouviu o objetivo dela? — Perguntou o pai todo orgulhoso e esnobe.
O aventureiro olhou para ele e logo percebeu o que era.
— É um objetivo bem nobre, mas perigoso.
— Eu disse a mesma coisa pra ela, mas ela insiste que conseguirá derrotá-lo.
Enquanto eles conversavam, Lyra entrou no bar chutando o chão com o beiço para fora.
— O que foi minha guerreira?
Seu pai se aproximou dando-lhe um beijo na testa.
— Papai essa espada é muito fraca ela amassa muito fácil. — Seus olhos mostravam preocupação — Como essa espada velha pode derrotar o Dragao Negro?
O aventureiro ao lado de seu pai sorriu e logo a chamou para se juntar à conversa com algo intrigante.
— Jovem, mesmo que você tivesse a espada mais forte já criada nesse vilarejo, não conseguiria derrotar o Dragão. — Disse rindo alto — A única espada que pode feri-lo é a Eclipse.
— É ela Vovô, a Eclipse! — Luiza se animou mais que as outras crianças — Eu acho essa espada linda.
— Sim ela apareceu — O avô soltou um leve sorriso satisfeito. — Prosseguindo…
— A voz do aventureiro mudou ao citar o nome da espada, ficou mais misteriosa e mística já criando a atmosfera para falar dela.
— Eclipse? Que espada é essa? — A menina pergunta animada, já não estava mais abatida e sim curiosa, em como conseguir tal arma poderosa.
— A Eclipse? Ela é uma espada com uma longa lâmina Negra como a noite de Eclipse, ela é tão leve que mal parece estar segurando uma espada, ao tocá-la seus instintos se tornam mais apurados e seus sentidos também, seu corpo fica mais leve e rápido, e o mais especial dela? — Deu uma pausa para criar suspense na menina — Ela é a única arma no mundo, que pode ferir o Dragão, não existe outra arma que possa sequer arranhar ele.
A menina se sentiu determinada a conseguir tal espada, ela precisava dela, necessitava. Seus olhos brilhavam de ansiedade pela Eclipse, queria sentir, tocar, ver.
— Senhor aventureiro, eu imploro, me diga como posso obter a Eclipse.
— É simples viaje até a capital, e lá terá uma dungeon beeem pertinho dela, quase tocando nas muralhas, lá dentro é onde ela está.
A menina logo desanimou, seus ombros murcharam e seu semblante caiu.
— Como uma espada tão maravilhosa pode ser adquirida tão facilmente? Espera alguém já deve ter a pego, e agora, o que eu faço — Seu coração começou a palpitar, a ideia de que não conseguiria derrotar o Dragão Negro a deixava ansiosa e preocupada.
— Calma aí criança, não é isso não. Sinceramente. — coçava a cabeça enquanto falava — Escute bem, mesmo sendo de fácil acesso ela não pode ser tomada tão facilmente. Ela tem desejos, ela só aceitará ser usada por aquele que tem o mesmo objetivo que ela, pelo qual ela existe, ela precisa escolher não ser escolhida.
Lyra se acalmou, mas sua mente ainda bagunçado a enchia de perguntas.
— Então eu posso ser escolhida?
— Seu objetivo não é derrotar o dragão Negro? Se sim então você será escolhida, mas apenas se for um desejo limpo sem motivos obscuros como vingança e poder, apenas pela esperança de um futuro sem dor e perdas.
— Sim senhor.
O aventureiro olhava para ela enquanto ela se retirava do local saltitando, nem parecia a mesma menina que entrou, apenas algo comum ela tinha entre sua entrada e saída do bar. o desejo de derrotar o Dragão Negro. Isso era nítido em seus olhos e esforço.
Lyra logo voltou ao seu treinamento com os outros aventureiros, e o pai se manteve no bar com o aventureiro misterioso.
— Escute, ela vai conseguir? Não importa o quanto eu veja e a incentive eu continuasse temendo o pior, eu já perdi minha esposa para o Dragão Negro, não quero perder minha filha~
O aventureiro o interrompeu, fazendo um gesto para ele parar, e disse:
— Ô paizinho, eu sei que você tá ansioso, afinal ela quer derrotar o infame e terrível monstro que causa mortes mesmo quando está dormindo, só de respirar, ou melhor, de existir. — Ele se compadeceu ao pensamento do pai — Mas, sua filha não parece que não sabe disso, você perdeu a esposa e ela a mãe, ela sabe com quem ela quer lidar. Ela é mais forte do que pensa.
O homem sorriu ainda preocupado com o futuro. Afinal o Dragão Negro não era brincadeira de criança nem uma fera inconsciente. Pelo contrário.
— Vovô, o Dragão Negro era inteligente né? — disse Liz puxando a capa da poltrona para chamar a atenção do avô
— Não só isso, ele era tremendo…
Um ser de 10 metros de altura, comprimento de 30 metros, envergadura de 55 metros, suas escamas eram afiadas e brilhantes, negras como a noite. Seus olhos eram dourados, cheio de desejo de matar, suas asas eram enormes e fortes, suas garras do tamanho de um Pequenino. Seu poder, ele era tão poderoso acordado ou dormindo, enquanto dormia drenava energia da natureza e corrompia ela criando plantas corrompidas, feras assustadoras e até mesmo causava Lision em muitos meio-humanos.
— Lision? Não é aquela doença que faz os meio-animais se tornarem ferozes, até mesmo os gatos e coelhos? — Disse Liz, um dos netos que estava ouvindo seu avô
— Sim, essa mesma, a fonte dessa doença é o Dragão Negro. Não havia uma pessoa se quer que não tenha perdido algo para o Dragão Negro e se ele não perdeu algo, ele se perdeu.
— Tem certeza que não está exagerando? — Disse Luiza olhando feio para o avô
— Verdade, como pode ter certeza? Parece até que você viu ele — Disse Ray com os braços cruzados, desejando uma explicação concreta.
— E quem disse que eu não vi o Dragão? Crianças esse velho aqui já viveu bastante. — Dizia enquanto ria da ingenuidade das crianças. — Talvez eu esteja sendo leve demais, sim, ele era pior, algo que não tem como descrever em palavras.
O avô olhou para o relógio prestes a tocar, então se levantou e abriu a porta.
— Vamos? Vejo vocês amanhã, prometo contar mais.

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