Capítulo 1099: A Solução de Izroth
“Eu… perdi?” murmurou Peaceful Chaos, parado, com uma expressão de incredulidade no rosto.
“O que aconteceu? Como o Capitão perdeu? Eu nem consegui ver…” comentou Thunder Steps1, um dos jogadores da Blue Oasis.
“Na primeira vez foi claramente uma habilidade com espada. Mas desta vez… também não faço ideia de como o Capitão perdeu.” disse Boulder Gate2, outro membro da guilda.
“Aquele cara deve ter usado algum truque sujo pra vencer! Não tem como o Capitão Peaceful Chaos perder tão fácil…!” rosnou Second Tyrant.
“Truque sujo…? Isso é…” Thunder Steps lançou um olhar desconfiado.
Todos ali sabiam que o próprio Peaceful Chaos foi quem definiu as regras do duelo e enviou o pedido a Izroth. Em que momento ele poderia ter usado uma tática desleal?
Quanto a burlar o sistema ou trapacear de outra forma, ninguém ali acreditava em tal possibilidade. O RML não era como outros jogos onde se podia hackear para obter vantagens.
A Fortaleza Impenetrável — esse era o apelido do firewall que protegia o sistema de RML.
Antes do lançamento do jogo, a empresa responsável organizou uma competição, oferecendo 1.000.000.000 de RMB a quem conseguisse quebrar a Fortaleza Impenetrável.
Quando a notícia se espalhou, não houve hacker no mundo que não tentasse ultrapassar essa barreira. Rumores diziam que até governos participaram secretamente da disputa.
No fim, ninguém venceu. A recompensa permaneceu ativa — e, como se desafiassem o mundo, os desenvolvedores aumentaram o prêmio para absurdos 4.000.000.000 de RMB.
Por que alguém capaz de ganhar 4 bilhões trapacearia num simples duelo?
As acusações de Second Tyrant foram ignoradas, enquanto os demais membros da Blue Oasis mal conseguiam esconder o abatimento.
“Eu tava economizando pra comprar uma pílula de grau três no Palácio do Reino Místico. E agora que a Blue Oasis está banida de entrar lá, pra que eu guardei esse dinheiro todo esse tempo?” reclamou Boulder Gate.
“Por que todos temos que pagar por uma decisão dele? Será que o Capitão sequer tem autoridade pra decidir isso em nome da Blue Oasis?” questionou Thunder Steps, visivelmente irritado.
“Isso mesmo! O Capitão nunca teve direito de fazer esse tipo de aposta!” acrescentou outro jogador da guilda.
“É isso aí! Essa aposta é inválida!”
“Inválida!”
“Inválida!”
Os jogadores da Blue Oasis começaram a protestar em uníssono. Por que todos deveriam abrir mão de entrar no Palácio do Reino Místico por causa de um erro de Peaceful Chaos?
Aliás, isso poderia sequer ser chamado de duelo? As duas rodadas juntas mal somaram dez segundos. Se alguém dissesse que Peaceful Chaos estava sabotando a própria guilda, não seria difícil de acreditar.
Ao ouvir os gritos de seus companheiros de guilda, Peaceful Chaos cerrou os punhos com força e rangeu os dentes.
Se tivesse vencido, nenhum deles reclamaria da forma como conduziu as coisas. Na verdade, não haveria uma única pessoa ali que não tentaria puxar o saco dele. Mas, como havia perdido, bastou um instante para que todos se voltassem contra ele e começassem a cuidar dos próprios interesses.
“Esses ingratos malditos…! Depois de tudo que eu fiz por eles…!” resmungou Peaceful Chaos, engolindo a raiva.
‘Não, isso não importa agora. Preciso encontrar uma forma de invalidar essa aposta. Caso contrário, não vou conseguir nem mostrar a cara na Blue Oasis. Posso até perder meu posto de Capitão…!’ pensou, apreensivo.
A Blue Oasis já estava por um fio com Izroth e o Palácio do Reino Místico por causa de tudo o que ocorreu durante a raid ao Palácio do Grande Mar. Por isso, os membros da guilda tinham ordens claras para não provocar Izroth ou qualquer um ligado ao Palácio, com medo de perder o acesso.
Mas Peaceful Chaos estava cego pela ganância. Viu ali uma oportunidade de restaurar a imagem da Blue Oasis, rebaixar um pouco Izroth e ainda sair com vantagens. Nada saiu como planejado.
Agora, não só a Blue Oasis seria banida do Palácio do Reino Místico e perderia o acesso às pílulas, como ele ainda teria que informar Izroth sobre as ações da guilda dentro do próprio território. Para uma das maiores guildas do RML, isso era uma humilhação pública.
Peaceful Chaos se arrependeu de ter sugerido um contrato. Se não fosse por ele, poderia ter distorcido os fatos a seu favor com palavras. Mas fez questão de elaborar um contrato à prova de brechas — para impedir que Izroth escapasse. Com isso, acabou se encurralando.
Na verdade, talvez houvesse uma forma de resolver aquilo. Mas Peaceful Chaos sabia que, ao usá-la, seria como esbofetear a si mesmo diante de todos.
‘Não tenho outra escolha…!’ refletiu em silêncio.
No momento seguinte, baixou os olhos e declarou:
“Essa aposta é inválida. Eu… não tenho autoridade para fazer esse tipo de aposta em nome da Blue Oasis…!”
Peaceful Chaos forçou aquelas palavras para fora. Admitir publicamente que não tinha autoridade para representar a guilda era o mesmo que dizer que não possuía influência real na Blue Oasis. Se isso se espalhasse, sua reputação sofreria um golpe devastador. Era como ter que escolher entre dois venenos — e este era apenas o menos letal.
Izroth balançou a cabeça, por dentro, ao ver como Peaceful Chaos lidou com a derrota. Se ele tivesse aceitado a derrota com humildade e se desculpado sinceramente por seu comportamento, Izroth não lhe daria outra chance — mas talvez considerasse oferecer uma nova oportunidade à Blue Oasis.
“Mesmo que fosse um membro comum da Blue Oasis a assinar esse contrato, ele ainda seria válido. Agora… é hora de cumprir a outra parte do acordo”, afirmou Izroth com frieza e calma.
Se era Peaceful Chaos ou um membro qualquer da Blue Oasis, isso pouco importava para Izroth. Uma vez feita a aposta, as consequências precisavam ser arcadas. Ele não voltaria atrás.
Peaceful Chaos rangeu os dentes de raiva. Esse sujeito precisava mesmo ser tão impiedoso e arrogante? Será que nunca ouvira falar em ‘dar face ao outro lado’? Se fosse um zé-ninguém, ele entenderia… Mas ele era o Capitão de uma das maiores guildas do jogo, a Blue Oasis. Será que Izroth simplesmente não levava as grandes guildas a sério?
Peaceful Chaos quis protestar, ignorar o pedido de Izroth — mas conhecia bem o preço de romper um contrato. No fim, não teve escolha a não ser entregar a informação.
“…Há uma nascente nas proximidades que os membros do esquadrão de exploração encontraram alguns dias atrás. Viemos até aqui para investigar essa descoberta”, disse Peaceful Chaos, a contragosto.
‘Uma nascente?’
Izroth achou improvável que uma guilda de alto nível desperdiçasse tempo e recursos com uma nascente comum. Sem dúvida, Peaceful Chaos estava omitindo informações importantes. Mas, como o contrato não exigia detalhes completos, tudo o que ele podia fazer era especular.
‘Essa nascente estaria ligada à mana corrompida que detectei antes? Mais importante… teria algo a ver com o desaparecimento de Empyrean e Selene?’
“Onde fica essa nascente?” questionou Izroth.
“Mestre do Palácio Izroth, embora eu tenha concordado em lhe fornecer informações, você não deveria ultrapassar os limites — a menos que esteja disposto a fazer concessões. Este ainda é território da Blue Oasis”, respondeu Peaceful Chaos com um olhar frio.
Se o outro não lhe dava face, por que ele deveria retribuir?
“Se o território é o que lhe preocupa, então tenho uma solução. Azalea—” chamou Izroth.
“Sim, mestre?” disse Azalea, surgindo imediatamente ao seu lado.
“Elimine todos os membros da Blue Oasis presentes nos Carstes de Kifa. Assim, eles não precisarão mais se preocupar com território algum”, declarou Izroth com total indiferença.
Os olhos de Azalea se tornaram gélidos ao encarar diretamente Peaceful Chaos e responder:
“Recebi suas ordens.”

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