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    Após o anúncio de Vexpela, os convidados ficaram animados e logo correram para comprar mais Pedras Servas.

    Como muitos haviam chegado com um orçamento apertado, o desconto de 10% significava que, quem sabe, poderiam comprar mais uma ou duas rochas, ganhando mais uma chance de adquirir um tesouro raro.

    Enquanto todos se apressavam, Vexpela se aproximou de Izroth.

    “Senhor Sagarus, permita-me pedir desculpas pelo distúrbio”, Vexpela disse com a testa franzida. “Eu sabia que um dos meus irmãos iria abordá-lo logo, mas não pensei que se moveriam tão rapidamente.”

    Ela então continuou: “Agora que você rejeitou claramente a oferta, Braxul o verá como um espinho em seu sapato. Mas para ser sincera, o próprio Braxul não é uma ameaça real. Aqueles com quem você precisa tomar cuidado são a mãe dele e a família dela. Eles detêm o verdadeiro poder do Terceiro Senhor do Pavilhão. E, agora que me revelei ao público, eles também não me deixarão em paz. Claro, fiz preparativos, pois sabia que esse dia inevitavelmente chegaria. Devo designar alguns guardas para acompanhá-lo?”

    “Não será necessário”, Izroth respondeu em seu tom plácido de sempre. “Priorize a sua própria segurança. Estou confiante na minha capacidade de cuidar de mim mesmo.”

    “Se o senhor diz, não tenho escolha a não ser acreditar. Contudo, por favor, tenha cuidado. O Terceiro Pavilhão não deixará o assunto de hoje quieto. Eles não são avessos ao uso de táticas desleais em benefício próprio”, Vexpela alertou significativamente.

    Ela acrescentou: “Ah, e é claro, por favor, ignore tudo o que o Terceiro Senhor do Pavilhão disse. A Casa do Tesouro Dourado não tem nenhuma intenção de pegar os tesouros que pertencem a você por direito. Seu status como VIP de Nível Diamante também permanece intocado. Espero que esta experiência desagradável não tenha desencorajado o Senhor Sagarus de considerar a minha oferta anterior. Presumo que a Atendente Principal Pearl já tenha repassado a proposta?”

    ‘Oh? Então foi ela quem fez a oferta afinal. Eu já planejava deixar isso nas mãos da Casa do Tesouro de qualquer forma, então isso funciona muito bem.’

    Antes da interrupção de Braxul, Pearl se aproximou de Izroth com uma oferta de seus superiores: a isenção da taxa padrão de manuseio de 30% em troca de apenas um corte de 10% nos itens leiloados. Esse tipo de taxa era considerado incrivelmente generoso.

    Lógico, Izroth poderia ter levado os itens para o Palácio do Reino Místico e vendido por lá. Mas fazer aquilo seria o equivalente a vender diamantes em uma feira de agricultores. Por mais lamentável que fosse a comparação, era a pura verdade, já que a principal clientela consistia de jogadores.

    A realidade nua e crua era que os moradores deste mundo — em especial as famílias nobres, os grupos mercantes e os clãs poderosos — possuíam um nível de riqueza que os jogadores apenas sonhavam.

    Nem mesmo o estabelecimento número um comandado por jogadores podia rivalizar com a receita da filial da Casa do Tesouro Dourado, quanto mais de uma organização inteira como a Associação do Dragão Dourado.

    Esse era um dos motivos de Izroth querer se estabelecer não apenas em Danaharpe, mas também na verdadeira capital, Amaharpe. Tendo Vexpela como parceira e com as conexões da associação, as coisas fluiriam muito melhor quando chegasse a hora de firmar os pés de verdade.

    Em comparação, o que era abrir mão de alguns tesouros para venda? Além do mais, isso podia ser encarado como uma oportunidade.

    “Estou disposto a confiar a você e à Casa do Tesouro Dourado a responsabilidade de leiloar os itens que julgar adequados”, Izroth declarou. “No entanto, tenho algumas condições.”

    “Por favor, sinta-se à vontade para ditar”, Vexpela respondeu.

    “A Casa do Tesouro Dourado deve comprar todos os tesouros de categoria inferior que não servirem para o leilão a um preço justo. Porém, o que quero não são moedas de ouro, mas uma troca. O mesmo vale para os itens do leilão. Apenas moedas de ouro não bastarão. Se alguém quiser comprar, deverá oferecer algo de valor equivalente ou maior. Evidentemente, pagarei do meu bolso a taxa de manuseio de 10% com base no preço padrão de mercado dos itens negociados. Portanto, a Casa do Tesouro Dourado não sairá no prejuízo.”

    ‘A maioria dos tesouros que encontrei até agora não têm tanta utilidade para mim. Se eu conseguir trocá-los por algo benéfico, não será perda da minha parte.’

    Vexpela levou os dedos ao queixo, tirando um instante para organizar os pensamentos.

    “Não vejo nada de errado nas suas condições”, ela analisou. “A Casa do Tesouro Dourado armazena inúmeros tesouros de várias qualidades. Fazer uma troca justa não causará problemas. Quanto ao leilão, é um pouco mais complexo, pois não existem preços de mercado fixos para itens extraídos de Pedras Servas. É por isso que gostaria de oferecer uma alternativa. Em vez da taxa de manuseio, o que acha de se tornar o Ancião Supremo do Quarto Pavilhão?”

    “Ancião Supremo?” Izroth questionou.

    “Todos os pavilhões podem ter até sete Anciões e um Ancião Supremo. Mas, como o senhor sabe, não tenho o lado materno para me apoiar, e todos os talentos que tentei recrutar no passado acabaram sendo roubados pelos meus irmãos. Como resultado, os assentos de Ancião e de Ancião Supremo do Quarto Pavilhão continuam vazios. Ah, o Ancião Supremo pode soar como muito trabalho, mas o senhor só precisa dar a sua opinião em assuntos que julgar importantes. Adicionalmente, o senhor receberia vários benefícios… um deles sendo não pagar taxas de manuseio em nenhuma das lojas da Associação do Dragão Dourado ou filiadas. Naturalmente, não restringirei os seus movimentos de forma alguma”, Vexpela ofereceu.

    Ela continuou com ardor: “O senhor também terá voz ativa na designação de Anciões e poderá mover as forças do Quarto Pavilhão em meu nome. Sei que as forças atuais são praticamente inexistentes, mas… Contanto que deposite sua confiança em mim, prometo-lhe que jamais desistirei de fazer o Quarto Pavilhão crescer a um nível que supere o de todos os meus irmãos combinados.”

    ‘Ancião Supremo… As condições são ótimas. Aceitar uma posição dessas significa me atrelar diretamente a Vexpela e ao próprio Quarto Pavilhão. A oferta em si não é nada má.’

    “Você preparou o contrato?” Indagou Izroth.

    Os olhos de Vexpela brilharam e ela acenou afirmativamente: “Sim, já cuidei dos devidos preparativos.”

    No instante seguinte, ela tocou suavemente o anel no dedo, e um pergaminho surgiu em suas mãos.

    Izroth desenrolou o documento e correu os olhos sobre os detalhes. O texto era incrivelmente meticuloso, não deixando margem para ambiguidades. No entanto, não havia termos que obrigassem Izroth a ser “leal”, algo comum nesse tipo de contrato. Em suma, mesmo com as experiências ruins de ter talentos roubados, Vexpela não recorreu a penalidades duras. Sem dúvida, isso se dava porque ela desejava atrair pessoas que realmente se aliassem a ela por vontade própria, e não alguém forçado que a esfaquearia pelas costas na primeira chance que tivesse.

    ‘Tudo parece estar em ordem. Na verdade, este tipo de contrato é fortemente inclinado a meu favor.’

    “Isso é bom o bastante”, Izroth disse com um sorriso despreocupado, devolvendo o pergaminho.

    Um olhar perplexo tomou conta do rosto de Vexpela e ela perguntou com cautela: “Houve algo que o Senhor Sagarus julgou desfavorável nos termos?”

    Izroth balançou a cabeça em negativa. “Não, as condições estipuladas são altamente favoráveis a mim. Não tenho do que reclamar. Mas se vamos ser verdadeiros parceiros, tal contrato não é necessário. Guarde isso e deixe que sirva como lembrete do que você estava disposta a me oferecer. A partir deste momento, eu me tornarei o Ancião Supremo do Quarto Pavilhão e ajudarei a elevá-lo a um nível inalcançável para os demais pavilhões. Tudo o que preciso é a sua palavra, Quarta Senhora do Pavilhão, Vexpela. A sua palavra de que nunca cederá, não importa a dificuldade do caminho que tem pela frente. A sua palavra de que nunca trairá a confiança que deposito em você.”

    Os olhos de Vexpela se arregalaram e ela sentiu o coração palpitar. Era a primeira vez na vida que alguém se dispunha a confiar nela de forma tão grandiosa. Uma parte sua estava assustada com aquele nível de confiança, mas a outra não conseguia esconder a excitação e a determinação.

    “Eu, a Quarta Senhora do Pavilhão, saúdo o Ancião Supremo do Quarto Pavilhão”, Vexpela pronunciou com profundo respeito, unindo as mãos em um gesto formal.

    “Eu, o Ancião Supremo do Quarto Pavilhão, saúdo a Quarta Senhora do Pavilhão”, Izroth respondeu em tom imponente, espelhando a formalidade da aliada. “Estou ansioso para trabalhar com você.”

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