Era Pós-Guerra — ano 2024

    Floressi — Período da tarde.

    Garra Verde — Selva do Tronco Largo.

    Um rastro castanho corta a vegetação densa. Logo atrás, um rastro negro com listras douradas avança com ferocidade.

    A cada investida, o perseguidor se aproxima, mas o alvo é rápido demais para ser alcançado de primeira.

    Então, um salto.

    O mato alto se abre, revelando um rosto jovem e sorridente, olhos castanhos brilhando de empolgação.

    A fera vem logo atrás, mas o som seguinte não é de carne rasgada, e sim de armadilha funcionando: um estrondo de pedra, a corda puxando, um rugido frustrado.

    O Tigre se debate, furioso, pendurado pelas patas traseiras, preso por uma corda amarrada a um galho, de cabeça para baixo. Antes que consiga se soltar, leva um soco: fraco demais para machucá-lo de verdade, mas perfeito para irritar.

    Tigre Negro de Listras Douradas

    Tipo: Animal; Ameaça: Incomum; Classe: Dino.

    Cabelos negros com mechas brancas, pele clara, corpo magro e firme. O jovem caçador se move com naturalidade, como quem já está acostumado a viver ali. Seus golpes são rápidos, porém desordenados, cheios de vontade e pouca técnica. Cada acerto o empolga; cada erro o deixa irritado.

    Um garoto que ainda está longe de ser guerreiro… mas com uma chama nos olhos que não se apaga nem diante de uma fera daquelas.

    A luta é curta e intensa. O tigre se cansa antes de se ferir de verdade. O garoto respira, ofegante, puxa uma faca da bolsa e encara o animal, tentando parecer sério.

    Antes de cravar a faca, ele hesita por um segundo. Os olhos do tigre, cansados, ainda o encaram com vida. O punho treme, mas ele respira fundo, lembra do avô e termina o trabalho.

    — Desculpa… — diz, firme, embora a voz ainda tenha um toque infantil. — Meu avô sempre fala que essa é a lei da selva.

    Pelo menos agora sabemos duas coisas: ele não é psicopata e também não é irritantemente ingênuo. Por quê? Eu explico!

    “Ah, mesmo ele tendo matado milhões, dizimado civilizações, manipulado todo mundo, sei que ele quer me matar, mas coitadinho, ainda está vivo, não posso matá-lo.”

    Sim, falei em tom de deboche. Esse tipo de protagonista é o que eu mais odeio!

    Já fico irritada só de pensar nisso. Vamos continuar!

    Vou apresentar o lugar. Vamos subir a visão… ei, subiu demais. Estamos na Lua. Desce isso!

    Agora baixou demais, ficou tudo escuro. Ótimo, parabéns: turismo no breu. Sobe um pouco. Isso. Aí sim!

    Com formato de garras e envolta por uma cúpula de energia, aquela dimensão… não é “parecida” com garras. É literal: cinco cortes de terra firme, como se algo tivesse arranhado o mundo com força demais, deixando rios largos no lugar das cicatrizes.

    Cada garra tem um humor próprio. E a do meio… bem, a do meio costuma ser onde as coisas dão mais errado.

    Dizem que Floressi já foi uma massa só… até o dia em que o mundo aprendeu o significado da palavra arranhão. Agora, águas violentas são fronteiras naturais.

    Vamos entrar!

    Atravessando um vasto clarão, rompemos nuvens tão densas que parecem algodão sólido. Uma ventania forte nos empurra para baixo e, em pouco tempo, já conseguimos tocar o topo das árvores.

    Rente às árvores colossais, desviamos de vários galhos e então chegamos ao solo, coberto por uma grama alta que balança em ondas. O ar é pesado, vivo, com um cheiro forte de selva úmida e… de caçada.

    Destoando daquele ambiente selvagem, seguimos reto por entre os largos troncos até uma cabana de madeira. A porta se abre com um rangido preguiçoso.

    Um homem de aparência jovem sai da cabana: cabelos roxos, roupas urbanas demais para alguém que vive numa selva, e um medalhão com uma pedra marrom, quase avermelhada, pendurado ao pescoço. Ele se espreguiça; as costas estalam, como se carregasse o peso de muitos anos.

    E ele carrega. Não se engane: é velho. Muito velho. Daquele tipo que já viu civilizações nascerem, caírem… e voltarem de novo só para ele poder dizer: eu avisei!

    Logo o garoto surge da floresta, arrastando o tigre morto nas costas.

    — Vovô! — grita, orgulhoso. — Olha o tamanho do que eu peguei para o jantar! Legal, né?

    Ele larga o animal no chão, se senta ofegante, suado, mas com um sorriso vitorioso colado no rosto.

    — Hohoho… esse é o meu neto! — O velho ri, orgulhoso, sentando ao lado do neto. — Bela caçada, pequeno caçador.

    — Foi difícil, viu. Ele corre rápido demais para o tamanho que tem.

    — E como você o caçou?

    — Fiz uma armadilha. Achei o tigre, provoquei e corri. — Heragon gesticula, empolgado, quase encenando tudo. — Prendi as patas numa corda presa num galho, com uma pedra de contrapeso. Quando ficou preso, eu só fui cansando ele no soco até parar de espernear.

    — Boa estratégia — o velho concorda, balançando a cabeça devagar. — E como pensou nisso?

    — Ainda não sou forte o bastante para lutar de frente — admite, olhando para o próprio punho, mas sem perder o brilho nos olhos. — Então pensei que, se o prendesse de algum jeito, a luta ficaria mais fácil. Mas eu quero ficar forte logo para não precisar de truques. Quero vencer de igual para igual.

    — Hohoho… até lá, use todos os truques que tiver — diz o avô, rindo. — A sabedoria é a força dos que ainda não têm poder. Quem não tem músculo, usa a cabeça. Agora vá, limpe a presa. E não esqueça de sangrar direito.

    — Tá bom… — Ele suspira, fazendo um pouco de drama, mas obedece.

    E lá vão os dois, avô e neto, trabalhando lado a lado.

    Se você olhar de longe, até parece uma cena fofa… até o sangue começar a jorrar, é claro. Que passatempo de família mais peculiar!

    Depois de limparem tudo, penduram a pele, salgam a carne e separam os melhores pedaços.

    O velho estala os dedos; o sangue das roupas dos dois desaparece na mesma hora. Ressonância, obviamente. Do tipo que eu sei fazer melhor do que ele, mas prefiro não ensinar, porque ver os outros se sujando é bem mais divertido!

    — Heragon, pode ir brincar. Tome banho antes do jantar.

    — Sim, vovô! — responde, já virando as costas para correr, como se o mundo inteiro fosse um campo de treino.

    Rio Fronteira — Verde/Centro.

    Água cristalina, quase como um espelho natural. Um gavião atento se aproxima, rápido e preciso, captura um peixe perto da superfície e some no alto logo em seguida.

    Então vemos algo quicando sobre a água: uma isca viva que afunda rapidamente. Puxadas precisas no molinete atraem peixes, tentados pela refeição fácil.

    Uma fisgada, duas. A linha estica, mas ele espera… espera… até que vem uma puxada mais forte do que as anteriores. Com um puxão firme, a linha resistente ergue o que fisgou. E, quando sai da água…

    Cascos que lembram nadadeiras, pelagem marrom, focinho achatado e presas curvadas saindo da boca.

    Peixe Javali

    Tipo: Animal; Ameaça: Épico; Classe: Dino/Aquárion.

    O enorme animal salta, em pleno ar, rumo ao pescador, pronto para bater de frente com suas presas.

    O homem, de traje negro, cabelos e barba grisalhos, segura a vara de pescar translúcida e não entra em desespero. Sua expressão é um suspiro de decepção.

    — Que pena… não gosto de carne de porco.

    Um sorriso de canto, um olhar afiado e um clarão.

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