Capítulo 05 — Batalha entre Garras

Cara a cara. Dois heróis de guerra se enfrentando: isso é combate. Quem sairá vitorioso? Logo descobriremos, pois…
As pupilas de Hugo se transformam em três marcas de garra na diagonal. Um manto de energia negra envolve seu corpo: um sobretudo translúcido, duas golas altas sobrepostas, um capuz e uma máscara cobrindo-lhe o rosto. Nas costas do manto, uma roleta; nas laterais, símbolos de diversas armas.
— Manto do Predador!
Hugo move a mão para a frente, chamando seu adversário para a briga.
Os olhos de Fiogon brilham ainda mais forte. As pupilas se afunilam em fendas verticais, muito finas, como cortes de lâmina na escuridão roxa de seus olhos. O corpo muda de novo. As escamas se tornam ainda mais brilhantes, os chifres se alongam, e ele assume uma forma híbrida: metade humanoide, metade dragão. Duas pernas fortes, tronco definido coberto por escamas, garras afiadas.
Fiogon responde a Hugo, com um sorriso empolgado.
— Híbrido Drake!
Eles se encaram.
A roleta nas costas de Hugo gira o ponteiro, caindo no símbolo de um arco.
— Arco do Caçador!
Um arco com seis pontas, como se vários tivessem sido talhados juntos, se forma em sua mão. Ao puxar, não vem apenas um fio, mas três, criando a mesma quantidade de flechas. Pontas circulares, hastes finas e penas assimétricas.
O ar sibila ao serem disparadas.
— Flechas Perfurantes!
Elas rotacionam em seu próprio eixo, ganhando mais velocidade a cada metro percorrido.
Rápidas demais, Fiogon usa uma poderosa Ressonância, que não poderá usar de novo neste combate. Suas escamas brilham, e o reflexo roxo age como um espelho.
— Reflexão Espacial!
Em vez de causarem dano ao atingi-lo, as flechas desaparecem, entrando em suas escamas. Quando Fiogon estende as mãos para a frente, elas saem disparadas rumo a Hugo.
— É por isso que eu não gosto de lutar contra quem usa esse tipo de Ressonância — Hugo resmunga, desviando por pouco.
Hugo abre os braços, e a barra do manto se ergue como se fosse movida pelo vento.
— Rastro Fantasma!
Num instante, Hugo se cola em Fiogon, quase sem sombra de movimento. Puxa novas flechas e dispara à queima-roupa.
Fiogon segura duas no reflexo; a terceira raspa a escama e canta. A pressão do impacto o lança para o alto.
Ele atravessa nuvens, corta o céu como projétil e cai no meio de um mar de areia.
Garra Âmbar.
O calor estala. A areia morde.
— Continua forte como sempre… me arremessou logo na Garra Âmbar. — Fiogon se levanta, sacudindo grãos dourados das escamas, como se limpasse poeira de um incômodo.
O caçador chega em seguida, veloz demais para “correr”. Ele só… está ali. Sem papo. Só ataque.
Fiogon sorri, com a expressão perfeita de “então vem”.
Os dois se movem rápido demais para olhos comuns. Cada golpe levanta tempestades de areia; cada defesa empurra o mundo e molda dunas como ondas.
Hugo acerta um soco que não parece “soco”. Parece martelo.

O ar distorce. O chão cede.
Fiogon é empurrado para trás e, no mesmo instante, o espaço abre uma fenda curta, como uma piscada.
Hugo é lançado para dentro dela.
Garra Central.
A luta continua em uma savana.
Capim alto se deita como se temesse. Bestas e Animais disparam em pânico, fugindo em manadas que não param para olhar para trás.
Os dois travam os dedos numa disputa de força. O Eco range no ar, fervendo. A pressão aumenta… e o espaço rasga de novo.
Outro salto.
Desfiladeiro rochoso: Garra Cinzenta.
O vento uiva entre fendas, carregando poeira de pedra.
Hugo agarra a cabeça de Fiogon e o arrasta pelo paredão; a rocha quebra como vidro. Lascas explodem em cascatas.
Fiogon não deixa barato.
Ele agarra o manto de Hugo, gira o corpo inteiro como um eixo e o arremessa com violência. Nem o vento consegue desacelerá-lo.
O impacto é gigantesco… mas amortecido por uma grossa camada de neve.
Garra Boreal.
O ar queima de frio.
Hugo cruza os braços e se levanta, irritado.
— Me jogou logo na Garra Boreal. — Ele sacode a neve do ombro. — Odeio frio.
Fiogon chega com um chute devastador, lançando Hugo para o alto.
Portais surgem ao redor do caçador. Das aberturas, saem as flechas que haviam sumido antes.
Por um segundo, Hugo fica perplexo.
No seguinte, entende. E sorri de canto.
No ar, ele gira o corpo. O ponteiro da roleta gira junto, até parar.
— Adaga Sangria!
Uma lâmina serrilhada surge em sua mão.
Ele corta.
O golpe estica a lâmina como se ela tivesse vontade própria, arranha as escamas do peito de Fiogon e arranca o chifre esquerdo num estalo seco.
O chifre voa e cai na neve, meio enterrado, ainda fumegando com energia.
Mas as flechas o atingem logo em seguida.
Explodem numa chuva de luz.
Os dois caem exaustos na neve, respirando com dificuldade.
— Ora, ora… sua raposa astuta… — Hugo ri, limpando o sangue do canto da boca. — As flechas que você me jogou de volta e eu desviei eram só imagens residuais. Você mandou as verdadeiras para um espaço separado… e esperou o momento certo.
— Hohoho… claro. — Fiogon toca o lugar do chifre perdido, com um suspiro divertido. — Eu não ia te enfrentar sem um plano. Mas esse chifre vai demorar para crescer de novo… estou velho.
— Nós dois, meu caro amigo. — Hugo se levanta meio torto. — Vamos terminar logo com isso. Quero sair deste frio.
— Hohoho… eu até gosto do frio. Não me importaria de lutar mais.
Ambos sorriem, empolgados. Como duas crianças brincando… só que num combate capaz de arranhar um mundo.
A roleta de Hugo brilha.
Um segundo ponteiro aparece: maior chance de cair na arma desejada, mas com um tempo de recarga longo.
— Manopla de Caça!
Placas de energia se formam ao redor de cada punho, como manoplas pesadas. Entre as frestas, a energia vaza, vibrando.
— Dei azar. Vou ter que me virar com essa.
Fiogon esvazia os pulmões.
As escamas brilham intensamente, liberando energia no ar. Quando puxa o ar de volta, puxa junto o Eco do ambiente, condensando tudo no próprio corpo.
Eles sorriem.
E avançam.
— Espaço Disforme!
— Soco do Predador!
Os golpes se encontram no meio do caminho.
A explosão é ensurdecedora. A luz engole a visão.
Avalanches se formam. A neve ao redor derrete em vapor. Árvores se dobram como se pedissem desculpas. O chão racha como vidro.
Quando a claridade cede, os dois estão caídos, lado a lado.
Rindo.
E, ao redor, um desastre recém-nascido.
— Ainda vivo? — Hugo pergunta, encarando o céu.
— Sim… e você? Tudo no lugar?
— Acho que sim. Você é duro na queda.
— Digo o mesmo, velho amigo.
O silêncio volta pesado.
A luta termina sem vencedor. Por alguns instantes, sem heróis: só dois velhos cansados que bateram demais um no outro.
A neve continua caindo… mas parece cair com cuidado, como se não quisesse encostar neles.
O Eco que fervia no ar, de repente, abaixa. Não some. Só… fica quieto.
Quieto demais.
E eu vou admitir uma coisa: isso não é normal!
Um estalo seco corta o vento.
Não vem de árvore. Não vem de gelo.
Vem do próprio ar, como se alguma coisa tivesse chegado e o mundo tivesse lembrado de ficar sério.
Então…
quatro presenças encostam no lugar.
Não correndo.
Não ofegantes.
Só presentes… como se o estrago tivesse sido um convite.


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