Do outro lado da ilha, árvores começam a tremer, e pássaros voam aos montes, assustados. Um som se amplifica, como se passos pesados fossem dados e, na verdade, são pisadas fortes contra o solo.

    Uma grande mão encosta em uma árvore, nos revelando um gigante com pouco mais de quatro metros de altura, cabelos bagunçados, músculos à mostra, uma tanga tampando a virilha e um capacete protegendo a cabeça.

    No ombro do gigante, uma pequenina garota está sentada, quase como um grão, entre os grandes músculos. Roupas leves a cobrem por completo, um par de asas finas enfeita suas costas, e um brilho pontilha ao redor dela, enquanto mexe alegremente as perninhas.

    — Ruou! Vai mais rápido, vamos ficar para trás assim — diz a Fada, com voz manhosa.

    — Estou indo o mais rápido que posso. Mas não sei bem por onde começar a procurar a Relíquia — afirma o gigante, falando devagar.

    — Vou lá em cima para ver para onde devemos ir.

    Ela voa rapidamente para cima das árvores. Com a mãozinha esticada na testa, observa os quatro cantos. Ao longe, vê poeira subir. Ela desce, pousando sobre o ombro do gigante.

    — Vamos para lá — aponta, animada. — Tem uma movimentação, podemos achar uma pista.

    — Está bom.

    Os pesados passos retornam, mas uma rajada de vento atinge sua cabeça, como uma rocha arremessada. Ele coloca a mão na cabeça.

    — Isso parece familiar.

    — Você está bem? De onde veio isso? — pergunta Galeia, preocupada.

    Saindo de trás das árvores, surge uma mulher de roupas largas, cabelos longos cor-de-rosa e batom destacado nos lábios. Ela coloca um dedo sobre a boca.

    — Olha, se não é o gigante idiota e a fadinha metida. — A Feiticeira estala os dedos.

    — Miranda! Por que atacou assim do nada? Covarde. — Galeia estica os braços e as pernas.

    — Estamos na provação. Reduzir o número de competidores faz parte da prova.

    — Riiiih! Esse seu jeito me irrita.

    — Olha que fofo. Parece até um Gnomo.

    — Não me insulte. Mamãe me falou para ficar longe dos Gnomos.

    — Ei, não é essa a questão.

    O gigante levanta os punhos.

    — Se vamos lutar, vamos logo.

    Do meio dos arbustos, uma dupla inusitada aparece: Chamina, uma garota sorridente, de cabelos vermelhos e olhar afiado. Ao seu lado, Deprey, um garoto de cabelos azuis e expressão depressiva.

    — Olha só, estão em reunião e nem nos chamaram? — diz Chamina, piscando um de seus olhos.

    — Irmã, isso não parece uma reunião — afirma Deprey, meio acuado.

    — A dupla de imbecis chegou, não faz diferença. Vou derrubar todos. — Miranda levanta uma de suas pernas.

    Ao pisar novamente, se move como se estivesse dançando.

    — No ritmo de meus passos, o mundo obedece, com o levantar de minhas pernas, o vento endurece.

    Estoca diversas vezes o ar com a ponta de seus pés. Espinhos de ar voam na direção de seus adversários. As árvores trincam e o solo é perfurado.

    Deprey reage, protegendo a si e sua irmã com um bloqueio de gelo.

    O gigante coloca a mão na frente da pequena fada, protegendo-a.

    Chamina rapidamente se move, saltando rumo à feiticeira.

    — Se é assim que quer jogar.

    Punhos junto à cintura. Uma onda de calor envolve seus punhos. Socos consecutivos são desferidos. Miranda desvia por pouco, dando lugar ao solo queimado.

    As duas se encaram.

    Subitamente, Ruou aparece próximo às duas, com o soco armado. Seus punhos tocam o chão, provocando um estrondo descomunal. Ambas desviam, recuando para lados opostos.

    — Tsi — Miranda estrala a língua. — Gigantes são lentos, mas, com essa fadinha o teletransportando, se tornam uma combinação perigosa.

    Ruou persegue seus adversários. Seus socos derrubam árvores e mudam o ambiente, tornando a silenciosa floresta um caos de estrondos. A fada o teleporta constantemente, deixando essa batalha imprevisível.

    Miranda cai na mira do soco.

    — O giro constante fortalece o corpo e me mantém vigilante.

    Rotaciona rapidamente no próprio eixo. Seu corpo brilha. O giro bloqueia o ataque. O recuo arremessa Ruou para trás, derrubando-o.

    — Ruou, por que não usou ressonância? — A fada estica o corpo, brava.

    — Ah! Esqueci.

    — Esqueci o caramba. Levanta e leva isso a sério.

    Os gêmeos observam e se preparam para atacar.

    — Irmã, estou sentindo um calafrio — diz Deprey.

    — Você sempre está com calafrios, larga de frescura e vamos lutar. — Ela dá um leve tapa nas costas dele.

    — Não, esse é diferente. — Ele se encolhe. — Coisa ruim vem aí.

    O ar afunda. Todos sentem. Uma sede de sangue toma o ambiente.

    — Isso é problema — afirma Miranda.

    Um homem encapuzado se aproxima, andando calmamente. Todos voltam sua atenção para ele.

    Por puro instinto, Ruou ataca.

    Seus punhos crescem, travam e se endurecem. O soco se aproxima da nova ameaça, que habilmente desvia.

    Em sua mão, aparece um chicote translúcido, que se enrola no pescoço do gigante. Com um simples puxão, ele é derrubado.

    — Uma besta furiosa, seria um bom pet — diz o encapuzado.

    No ponto cego, Chamina se aproxima. Com as palmas das mãos abertas, prepara-se para golpear.

    O calor envolve as palmas de suas mãos. Assim que se posiciona para uni-las, o encapuzado envolve o punho dela com o chicote e a levanta no ar.

    A descida é rápida, fazendo-a se chocar contra o chão.

    — Irmã! — grita Deprey.

    Posicionando as mãos, cristais de gelo se formam no ar.

    São arremessados, mas em vão. O encapuzado chicoteia o ar em todas as direções, destruindo todos os cristais de gelo.

    Galeia teleporta os caídos para perto de Miranda.

    — Ei! Feiticeira, teremos que lutar juntos.

    — Lutar? O que eu queria era escapar daqui, mas esse cara não seria fácil.

    Deprey se aproxima e vê como está sua irmã. Ajuda-a a levantar.

    — Não… quero colaborar… com você, mas qual é o plano? — diz Chamina, com dificuldade.

    — Fadinha, quantos teleportes ainda consegue usar? — pergunta Miranda.

    — Tenho energia sobrando apenas para mais um.

    — Ruou, consegue ficar de pé?

    O gigante se levanta, passando a mão no pescoço.

    — Muito bem, o plano é o seguinte…

    Curiosamente, o encapuzado aguarda que eles discutam o plano. Por debaixo de seu capuz, seu sorriso é nítido.

    Posicionados e prontos para o combate, começam a se mover.

    — Me movo como pêndulo, em balançar sem corda seu mundo fica trêmulo.

    Miranda salta para a frente do encapuzado e, com as pontas dos pés, se move de um lado para o outro como se dançasse balé.

    Na visão do encapuzado, tudo ao seu redor parece se mover. Para se proteger, chicoteia as direções ao redor, esperando aquele efeito passar.

    Um grande punho vem rápido em sua direção. Ainda desorientado, por instinto, estica seu chicote e o segura com as duas mãos, evitando ser atingido diretamente, mas é lançado ao ar.

    Mais à frente, os gêmeos aguardavam esse momento, com as mãos dadas e estendidas à frente, calor e frio se mesclam.

    À volta do encapuzado, o ar se move violentamente, rotacionando em alta velocidade. Preso dentro daquelas lâminas de vento, ele se empolga, recuperando os sentidos.

    Começa a rotacionar seu chicote para o lado oposto do vento, anulando aquele furacão por completo.

    De volta ao chão, ele olha ao redor. O grupo não estava mais lá. Balança a cabeça, rindo.

    — Divertido. Quero muito caçá-los. Para a sorte deles, no momento, minha presa é outra.

    Enquanto isso, em outro lugar…

    Lá estava eu, numa caverna, cozinhando um grande ovo à moda antiga — segurando-o perto da fogueira com as próprias mãos.

    Até tinha uma galinha bem grande por lá; devia comer muito, era gorda. Apesar de parecer deliciosa, eu estava sem tempo: resolvi comer só o ovo. A galinha me atacou; dei um peteleco e ela desmaiou.

    Enquanto comia, resolvi explorar a caverna. Corredores cheios de grandes buracos forrados de folhas secas, muitos ovos. Quando bater a fome de novo, volto lá.

    Cheguei a um salão no fundo: as paredes também tinham buracos, subindo quase até o teto. Curioso, pensei.

    No buraco mais alto, vi um par de chifres. Galinha estranha essa, pensei. Senti um beliscão — já vi galinha bicar; morder foi a primeira vez. Dei outro peteleco e ela caiu perto de outra dessas galinhas. Começou a gritar.

    De início achei que tinha botado um ovo… mas, não: chamou as amigas. Eu até dava conta, só que, sem tempo, resolvi correr e continuar procurando a relíquia.

    — Começaram a me perseguir e acabei esbarrando com vocês.

    Tá bom, tá bom. Eu deixei ele falar porque, contra minha vontade, foi engraçado!

    Eles correram até despistar as Aves do Terror e, por precaução, subiram numa árvore para trocar informações.

    — Aquele par de chifres é a relíquia — afirma Taira.

    — O quê? Como você sabe? — Heragon estranha.

    — Sério? A relíquia é um capacete. — Ela revira os olhos.

    — Não prestaram atenção à explicação enquanto nos levavam para a ilha?

    Eles haviam sido trazidos num dirigível enorme, puxado por Argentavis. Enquanto aguardavam, um avaliador deu uma breve explicação:

    — Cada participante será deixado num ponto aleatório da borda da ilha. Podem andar em grupos, mas sejam rápidos para se encontrar. Mortes durante as batalhas não serão penalizadas, contanto que não haja crueldade. Golpes mortais em adversários desistentes ou desacordados resultarão em desclassificação. A provação termina no momento em que alguém colocar a relíquia na cabeça. Esta relíquia é da coleção Zodíaco: o Capacete Taurino. Podem identificá-la pelo par de chifres.

    Agora, o que os meninos ouviram:

    — Serão deixados na ilha para lutar; podem lutar em grupo; lutem sem crueldade; desistiu, perde; desmaiou, perde; acaba quando a relíquia estiver na cabeça; aí sem mais luta.

    — Aquela última parte agora faz sentido. Achei que teria de equilibrar a relíquia na cabeça — comenta Heragon.

    — Eu já estava imaginando que teria de dar uma cabeçada nela — admite o bárbaro.

    Taira leva a mão ao rosto, indignada.

    — Homens.

    Homens!

    — Me chamo Heragon, dos Dragões.

    — Taira, dos Librarianos.

    — É um prazer conhecê-los. Sou Hércules, dos Bárbaros.

    Bárbaros. Raça: Berserker.

    — Então você é da mesma raça das Amazonas, os Berserkers — diz Taira.

    — Sério? Por isso o achei parecido com elas — comenta Heragon.

    — Claro. Antigamente viviam juntos como uma única raça. Ninguém sabe ao certo o que houve; dividiram-se. As mulheres formaram sua própria nação: Temiscira, então se denominaram Amazonas. Elas chamavam os homens de Bárbaros; o nome pegou.

    — Parece complicado… Hércules, enfrentei uma Amazona antes de te encontrar. Ela veio só para lutar. Você também? — pergunta Heragon.

    — Não. Estou em busca de uma nova casa. Não posso voltar.

    O clima pesa.

    — Foi expulso ou algo assim? — pergunta Taira.

    — Taira, deve ser complicado para ele. Não seja tão fria — corta Heragon.

    — Tudo bem, Heragon. Minha raça é obcecada por força. Músculos grandes são admirados. Eu nasci graúdo e com músculos pequenos. Quando criança, ninguém queria brincar comigo. Treinei musculação sozinho.

    Ao chegar a certa idade, podemos participar do Lua-tik-fuk… mas nenhuma Amazona quis lutar comigo. Resolvi ir embora. Encontrei aventureiros; disseram que a Guilda poderia me acolher. Agora estou aqui.

    — Lua-tik-fuk? — Heragon pisca.

    — Na raça deles, é o período de procriação. Acontece uma vez ao mês — explica Taira.

    — Ah… bem, entendi… — Heragon fica vermelho.

    — Criancinha — provoca Taira.

    — Calada — ele bufa. — Hércules, entendo como se sente. Cresci isolado com meu avô e não tive amigos. Mas, quando estivermos diante do capacete, não vou pegar leve com você. Também preciso entrar para a Guilda.

    Pela primeira vez, Hércules não se sente subestimado. O sentimento o enche de felicidade; ele sorri, e o clima se alivia.

    — Digo o mesmo. Vamos lutar com tudo o que temos.

    Eles apertam as mãos, uma amizade que se firma em silêncio.

    — O momento é tocante, mas precisamos ir. Já anoiteceu. Se essas coisas forem diurnas, podemos entrar na caverna, pegar o capacete e sair antes que percebam — alerta Taira.

    Eles descem da árvore. Hércules toma a dianteira e os conduz até a boca da caverna. Perto da entrada, quatro Aves do Terror, encostadas umas nas outras, bicam o chão em movimentos secos.

    — Tomem cuidado. Se uma gritar, aparece um monte de galinha — avisa Hércules.

    — Pela sua história, se se sentirem ameaçadas, vão chamar o bando. Cautela total. Entrar de frente pode ser arriscado — analisa Taira.

    — Tive uma ideia — diz Heragon, levantando a mão.

    — Fala baixo… No que pensou?

    — Vamos fazer o seguinte…

    Eles se aproximam de cócoras. Heragon sussurra o plano. O coração bate alto demais para o silêncio do lugar.

    — Isso é loucura — Taira estreita os olhos.

    — Haha, gostei. Eu topo — Hércules sorri, já em tensão elástica.

    — Vocês são doidos… mas o plano não é ruim. Vamos com uma pequena modificação — conclui Taira.

    Heragon se ajoelha. Eles se entreolham. O dragão estende o braço; Hércules agarra sua munheca e o arremessa.

    O corpo do jovem descreve um arco silencioso sobre a entrada. Em queda, ele abre braços e pernas, ajustando a direção com microcorreções.

    No solo, Taira derrama o líquido cristalino, guiando-o com extremo cuidado para que as aves nem percebam o brilho úmido.

    O filete serpenteia entre as patas, junta-se ao pó e vira uma poça espessa diante da caverna. Ela ergue o olhar para o céu, mede a queda do Dragão… e espera.

    Agora.

    Como pavio aceso, um rastro gélido corre pelo chão até a poça. O instante se estica. Heragon cai em pé dentro da lama e, no mesmo segundo, o lodo congela, virando um disco rígido sob seus pés.

    A mão se fecha em garra; os músculos endurecem. Heragon dispara quatro golpes curtíssimos, um clarão seco por cabeça: tuc — tuc — tuc — tuc. As aves apagam como velas ao vento e desabam sem emitir um som.

    Taira e Hércules já avançam para ele, leves como sombras.

    — Hércules, belo arremesso. Taira, o timing foi perfeito. Deu tudo certo — comemora Heragon.

    — É claro. Se fosse por você, cair no meio delas teria feito barulho demais. A lama abafou o impacto, e o gelo te fixou sem derrapada. Por sorte estavam próximas, e você alcançou as quatro num só fôlego — comenta Taira.

    As fendas no teto filtram filetes de luz; é o suficiente para desenhar sombras no chão úmido.

    Eles avançam com cautela até o fim da caverna — um salão amplo, banhado pela lua que entra por um buraco no alto. Um caminho estreito serpenteia as paredes, ladeado por grandes cavidades que sobem até quase tocar o teto.

    — Não dá para ver direito. Os chifres estavam naquele buraco no topo — aponta Hércules.

    — Se a relíquia está dentro do ninho, teremos de ser o mais silenciosos possível. Entenderam? Não respondam. Vocês são barulhentos demais — sussurra Taira.

    Eles se esgueiram pelo carreiro na parede, largo o suficiente para duas Aves do Terror passarem lado a lado. No ninho, repousa uma delas, maior que as outras. Na cabeça, o capacete de chifres.

    — E agora… ficou mais difícil — murmura Taira.

    — Pode deixar comigo — responde Heragon.

    — Seja o mais silencioso possível. Tudo bem por você, Hércules? — pergunta ela.

    — Acredito nele. Um homem de verdade não volta atrás na palavra — afirma o bárbaro.

    Passos longos, respiração contida. Heragon se aproxima. Antes que toque o capacete, um estalo seco: algo o acerta e o ar some. Ele é lançado para trás e despenca do alto.

    No reflexo, Taira e Hércules gritam seu nome. A ave desperta… e mais duas cabeças se erguem do mesmo tronco.

    A penumbra enganou: as cabeças laterais estavam recolhidas. Uma delas bicou Heragon no instante em que percebeu sua presença. As três gritam ao mesmo tempo, e a caverna reverbera o alerta.

    — Hércules, corre! — ordena Taira.

    Eles disparam para a saída — mas o corredor já se entulha de inimigos. Hércules agarra Taira nos braços e salta do patamar.

    A aterrissagem dobra seus joelhos até o limite; ele absorve o impacto e a coloca de pé. Heragon, caído, força o corpo e se levanta.

    — Heragon, você está bem? — pergunta Taira.

    — Sim. Consegui aumentar minha defesa antes de bater no chão — responde ele, ainda ofegante.

    A passagem estreita se fecha de bicos e garras. O Alfa plana do alto, solta outro grito, e a massa avança.

    Heragon e Hércules protegem as laterais; Taira, no centro, cobre à distância. O fluxo não para.

    — De onde está vindo tanto bicho? — rosna Heragon.

    — Deve haver outras cavernas com mais ninhos — supõe Taira. — Não importa. Precisamos de uma saída.

    Piora de repente: surgem Aves do Terror de duas cabeças; o cerco aperta. Heragon tenta afastá-las com fogo, mas o enxame retorna, cabeça após cabeça, em ondas.

    Hércules levanta os olhos para o buraco no teto. Decide.

    — Tive uma ideia. Vocês dois… se abracem.

    — O quê? — Taira franze a testa. — Péssima ideia.

    Hércules encara Heragon com um meio sorriso. Heragon solta o ar, puxa Taira; ela reluta, mas cede. Nesse instante, o bárbaro age.

    Ele finca uma perna no chão; a vibração percorre a rocha. O piso treme, as aves cambaleiam, o ataque falha por um segundo — o segundo que ele precisava.

    Hércules arqueia o tronco, agarra Heragon pela cintura e embala os dois como uma catapulta bruta.

    O Eco inunda braços e pernas. O ar estala quando ele arremessa o par na direção do buraco.

    — Salvem-se. Eu seguro aqui. “Heragon… você foi o primeiro a me olhar com seriedade e me desafiar. Meu amigo, sobreviva.”

    Eles atravessam o vão e caem na borda de um barranco. Rolam descontrolados pela encosta. No meio do turbilhão, Heragon envolve Taira e trava o corpo.

    A pele ganha rigidez; ele a escora com o próprio peso. Na base, os dois finalmente param.

    — Taira, você está bem?

    — Com um arranhão aqui e ali… mas estou, sim.

    — Ótimo. Vamos voltar. Temos que salvá-lo.

    — Mas… ele se sacrificou por nós…

    — Taira. — Heragon a encara, sério.

    Ela respira fundo, vence a hesitação e endireita os ombros.

    — Aaah… Está bem. Como heroína, meu dever é salvar os outros. Mas você vai acatar todas as minhas ordens. Vou pensar num plano. Entendeu?

    — Beleza. Vamos lá.

    Eles arrancam em direção à entrada da caverna. O grito do Alfa ainda corta a noite.

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