Eles voltam a caminhar e chegam aos portões na base da árvore colossal. Grandes e robustos, Sundar toca a madeira, que reage à insígnia em seu peito. O portão se abre sem ranger, apenas com o estralar vivo da madeira cedendo.

    Ao entrarem, Heragon se impressiona mais uma vez. Há um grande fluxo de pessoas, e pássaros mensageiros carregando cartas cruzam o ar de um lado para o outro, num vai e vem incessante. Aves maiores, usadas como montarias, sobrevoam o espaço amplo, pousando e levantando como se aquele lugar fosse um céu particular.

    Por dentro, a estrutura é bem montada, respeitando a árvore, é claro. Em vez de escadas, raízes serpenteiam pelo interior, formando caminhos naturais.

    A árvore colossal é oca, mas o tronco é espesso, e raízes internas percorrem as paredes, distribuindo nutrientes como veias silenciosas sustentando aquele mundo por dentro.

    Aventureiros pegam missões em quadros cobertos de papéis, organizados por Ranks. Em seguida, se dirigem aos balcões, onde são atendidos tanto os que querem aceitar uma missão quanto os que desejam publicar uma.

    — Elena, leve-o para comer algo. Cobrirei todos os gastos dele e os seus durante esse mês.

    — Opa, pelo menos algo de positivo nessa missão. — Ela sorri. — Saiba que vou me esbanjar.

    — Que seja. Vou para o meu escritório. Só tente não matar o garoto, entendeu?

    — Vou tentar.

    Sundar suspira.

    — Já estou preocupado, mas… ele é neto do homem que mais respeito neste mundo. Tenho certeza de que irá superar minhas expectativas.

    Como quem domina o lugar, Sundar é levado pelas raízes para o alto, indo para seu escritório.

    Ao se sentar na cadeira, uma bela voz ecoa direto em sua mente.

    ‘Bom trabalho. Conseguiu segurar o jovem. Mas tenho uma dúvida: você realmente iria obrigá-lo a ficar caso ele não quisesse?’

    — Claro que não. Não é do meu feitio fazer algo assim. Mas, ainda estou me perguntando, por que a grandiosa Guia Suprema insistiu tanto para eu convence-se o jovem a entrar na Guilda?

    ‘Tenho meus motivos.’

    — Depois daquela missão em Gnor, todos vocês voltaram cheios de segredos. Estou me sentindo excluído.

    Um velho com cara de jovem ficando emburrado… essa é nova!

    ‘Tão sentimental… se eu não tivesse impedido, você já teria declarado guerra contra Floressi para resgatar o velhote.’

    — Mas é claro. O que eu quero agora são respostas. Se não me contar, amanhã mesmo Floressi vai queimar.

    ‘Está bem, está bem. Desta vez, acho melhor te contar. Como já sabe, fomos naquela missão Rank S de Grau V, lá…’

    Recepção da Guilda

    Enquanto isso, depois de comerem, Elena e Heragon passam pela recepção a caminho do treinamento. No meio do fluxo, o jovem para em frente a um dos quadros, curioso.

    — Maneiro. — Os olhos dele brilham.

    Como é bom ser jovem. Não que eu seja velha, claro!

    Se prestarmos atenção, em um dos quadros há uma missão interessante: Rank B, Grau I, escolta (guiar um grupo pela dimensão Draconia). No rodapé, uma observação: missão do tipo nomeada. Necessária a colaboração de um membro da raça dos Dragões.

    Heragon não vê o cartaz; fica ainda mais curioso com o quadro de Rank S.

    Elena assovia, e uma grande ave pousa ao lado dela, abrindo as asas como se tivesse sido chamada pelo próprio vento.

    Argentavis

    Tipo: Animal: Ameaça: Incomum; Classe: Aeru.

    — Suba.

    — Que maneiro! — Os olhos de Heragon brilham.

    Ela leva a mão ao rosto e pensa:

    “Estou ferrada… vou ter que cuidar desse caipira.”

    Eles voam e chegam até um galho extenso. Na ponta, uma ilha.

    — Essa é a minha ilha particular de treino. Durante todo o tempo, você vai ficar aqui. Estamos entendidos?

    — Bem… não é como se eu tivesse escolha.

    Elena entra em uma casa e retorna com uma bacia. Enche de água e a coloca no chão.

    — Dragões têm um físico forte por natureza, então vamos pular o treinamento físico. Vamos focar em outras coisas. Vamos começar pela respiração.

    — Meu velho me ensinou a respirar — comenta Heragon.

    — Hooo… vamos ver, então. Coloque a cabeça dentro dessa bacia e prenda a respiração o máximo que conseguir.

    Heragon segue a instrução. Puxa o máximo de ar, mergulha a cabeça e fica imóvel. Depois de um tempo, ergue o rosto e inspira forte, ofegante.

    — A capacidade pulmonar dos Dragões é mesmo impressionante… sete minutos. — Elena assovia. — Mas que porcaria de respiração foi essa?

    — Meu velho… me ensinou a puxar tudo e depois soltar como o último sopro de vida… — diz, entre respirações.

    — Esse tipo de respiração é para reunir Eco. Ele não te ensinou mais nada além disso?

    — Ele disse que o resto eu aprenderia sozinho.

    — Minha nossa… — Ela massageia a testa. — Coloque a cabeça na bacia de novo. Desta vez, puxe o ar devagar e, quando voltar, faça respirações curtas e superficiais. Aumente a profundidade e o ritmo aos poucos.

    Eles continuam com esse treinamento por um bom tempo. Heragon ainda não consegue manter o ritmo certo, insistindo como se teimosia fosse uma técnica secreta. Até que anoitece. Entram na casa, que possui comida previamente preparada… bem, para ser mais exata, barras de cereal e de proteína.

    — Vá descansar. E, quando deitar, treine a respiração até pegar no sono.

    Ilha Particular — período da manhã

    Elena retorna à ilha e encontra o jovem treinando. Pequenas chamas atrás dos calcanhares criam impulsos que aumentam a velocidade e a potência dos chutes. Ele faz o mesmo nos cotovelos para aumentar a força dos socos.

    Análise sincera: além de maravilhosamente linda, sou muito forte, então posso criticar. Ainda está ineficiente. Ele precisa treinar muito mais; não está conseguindo calibrar a força das chamas com precisão!

    Em um movimento arriscado, Heragon perde o equilíbrio e coloca força demais na chama do calcanhar. O corpo gira e, sem querer, ele desfere um golpe na direção de Elena, que o apara com facilidade, claro.

    Viu? Eu falei. Sou incrível mesmo!

    — Quem disse que podia treinar algo fora do que estou te ensinando? — ela pergunta, sem muita paciência.

    — Tenho o costume de treinar todos os dias de manhã — responde ele.

    — É um bom costume. Mas, a partir de agora, enquanto estiver aqui, treine só o que eu mandar. — Elena cruza os braços.

    — Está bem… — Heragon olha para o lado, claramente insatisfeito.

    — E não é para acordar mais cedo para treinar escondido. Tenha uma noite de sono completa, entendeu?

    — Tá… está bem. — Ele estala a língua, indignado.

    — Vamos seguir um cronograma de treinamento: de manhã, artes marciais; à tarde, equilíbrio; à noite, respiração.

    — Equilíbrio?

    — Quando chegar a hora, eu te explico. Enfim… entre em posição. Os movimentos que conheço da arte do Dragão são cópias, então não me pergunte os nomes dos golpes. Em resumo: vamos lutar, e você vai absorver e prestar atenção em tudo o que eu fizer.

    — Estou com uma dúvida… como assim, cópia?

    — Minha família tem um Brasão espiritual, passada de geração em geração, chamada Controle da Alma. Além de manifestar nossa alma para fora do corpo, sob certas condições, podemos copiar técnicas de luta dos oponentes. Enfim, vamos começar o treinamento do dia.

    Brasão rúnico grava um padrão específico de ressonâncias na Lunae, usando tatuagens rúnicas, aumenta a extensão do poder do Brasão. Até que é prático. Mas preguiçoso!

    Entram em posição. Elena logo pensa.

    “Vamos lá garoto, me mostre do que é feito”.

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