Capítulo 16 — Olhe para as Nuvens
O treinamento começa. Elena claramente pega leve, mas, ainda assim, é um massacre técnico. A manhã termina com Heragon exausto.
Durante o treino, ela precisa acelerar o ritmo. O jovem aprende seus movimentos numa velocidade impressionante. Depois de um descanso rápido, eles vão almoçar.
À tarde, a segunda parte do treinamento começa. Elena o leva para trás da casa, onde vários postes de madeira estão fincados no chão.
— O equilíbrio é extremamente importante nas artes marciais. Todo golpe que você usa, se errar, volta contra você. Aprender a manter o equilíbrio por instinto mantém sua guarda alta. Suba em um dos postes.
Heragon obedece. Elena flexiona os punhos.
— Punho Phantom!
Ela soca o ar. Um punho invisível é lançado na direção do jovem, o acerta em cheio e o derruba do poste.

— Ei! Como vou desviar se nem consigo ver o que está vindo na minha direção?!
— Esse treinamento também serve para melhorar sua percepção do ambiente.
Eles passam a tarde inteira nisso. No final, Heragon não consegue desviar de nenhum golpe e cai todas as vezes.
À noite, continuam o treino de respiração. Essa rotina se estende por dias.
Heragon aprende rápido, absorvendo cada golpe do estilo do Dragão que Elena copiou da mãe dele como se o corpo já conhecesse aquele caminho. Em pouco tempo, os movimentos deixam de parecer ensaio e viram instinto.
Então eles focam nos outros treinos. Com a base sólida, ele logo domina a respiração: o ar entra, o Eco responde, e a mente para de tropeçar nos próprios pensamentos. A percepção melhora. Heragon começa a desviar com mais frequência dos golpes de Elena, lendo ombros, quadris, intenção.
Mas o equilíbrio… esse cobra o preço. E, justamente por isso, acaba puxando outro evento.
Duas semanas se passam. O início do festival se aproxima.
O dia começa com um belo nascer do sol e uma brisa refrescante. Uma garota observa a paisagem. Usa roupas justas com padrões de escamas de peixe, uma máscara com respirador cobrindo nariz e boca. Perdida em pensamentos, começa a falar sozinha:
— Aaaaah, que tédio. Meu mestre me mandou trazer e postar aquela missão e me mandou ficar aqui até alguém aceitar. Cara… hoje em dia é difícil ver um Dragão por aí. Vou acabar tendo que ficar aqui por um bom tempo.
A garota suspira e começa a andar de um lado para o outro. Até que vê uma estranha borboleta, com um bater de asas semelhante ao de um beija-flor, sobrevoando ao lado daquele galho.
Ela vai para beirada da ilha, dá um passo no vazio… e não cai. Um líquido cristalino sai dos pés dela, gruda na madeira das raizes e endurece, criando uma plataforma de gelo a cada passo. Com cuidado, estende a mão, e a borboleta pousa em seu dedo.
— Que linda… aaaaah, estou tão entediada que até uma borboleta está me distraindo. Até participei da avaliação para passar o tempo. Foi um balde de água fria descobrir que ainda faltava mais de um mês para o festival… queria tanto algo que me ajudasse a matar o tempo…
Subitamente, uma forte ventania sopra, levando a borboleta, que gira descontroladamente. Com batidas rápidas de asa, recupera o controle e vai embora. Já a jovem… cadê a jovem? Bem… então!
O dia começa com Heragon no treinamento de equilíbrio. Durante essas duas semanas, ele demonstrou grande talento nas artes marciais, dominando as técnicas da arte do Dragão que Elena conhece.
Sua respiração está bem mais controlada e se adapta a cada mudança de movimento. Agora, ele consegue desviar de vários golpes no treinamento de equilíbrio, embora ainda perca o centro quando é acertado.
Sim, eu vi. Ele evoluiu. E eu odeio admitir quando alguém me prova certa… mas adoro!
— Seu centro de equilíbrio ainda é uma bagunça — comenta Elena.
— Estou dando o meu melhor — retruca o garoto.
— Não é o suficiente. Esforce-se mais.
— O quê? Estou dando tudo de mim! Você podia, pelo menos, reconhecer isso.
— Ah… você é bem mimado. — Ela dá um sorriso de canto.
— Ah, sua… aaah… musculosa sem coração.
— Sério? Esse foi o melhor insulto que você conseguiu pensar?
— Cérebro de macaco.
Elena não responde. Fecha a base, gira o quadril, palma a mostra e dispara.
— Palma de Buda!
A pressão invisível atinge Heragon no peito e o arrasta até a beirada da ilha.
— Haaaa! Sua doida! Quer me matar?!
— Moleque… se quiser morrer mesmo, é só repetir o que falou.
Nesse instante, o mestre da Guilda surge para ver o treinamento.
— Ei, vocês dois. Como anda o treino?
Ignorado. Eles continuam discutindo.
— Ei. Estou falando com vocês.
Ignorado de novo.
O olhar dele endurece. Ele estende as mãos, dedos abertos.
— Raízes Forme!
As raízes rompem o chão, se trançam e moldam duas mãos gigantes, que agarram os dois pela cabeça.
— Parem com isso. Agora. — A voz vem baixa, mas corta o ar.
— Foi ela que começou — diz Heragon, virando o rosto para o lado.
— É esse cabeça-dura que não me escuta — responde Elena, olhando para o lado oposto.
— Não importa quem começou. O que exatamente está acontecendo? — pergunta Sundar.
Depois de ouvir a explicação, o mestre da Guilda conclui:
— Elena, já que ele está tendo dificuldade com o treinamento atual, que tal mudar o método?
— Bem, pensando por esse lado… tem razão, mas… — Ela sorri de repente. — Hum, tive uma ideia. Pode nos soltar.
O mestre os libera. Elena aponta para o horizonte.
— Heragon, olhe para as nuvens lá longe.
— E por que eu faria isso?
— Apenas olhe.
— Estou olhando. E agora? — Ele suspira.
Elena dá um passo, e o sorriso dela cresce devagar, como se estivesse assinando uma sentença.
— Você tem até o dia do festival para voltar. Boa sorte.
Com um sorriso malicioso, ela o chuta com força, fazendo-o cair da ilha.

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