Depois de muita caminhada e mais treino para Kenji, o grupo finalmente retorna para Banehaven.

    Os répteis cansados, apressam os passos indo em direção à taverna, o lugar onde eles poderiam beber, relaxar e contar suas histórias de viagem para o resto do povo.

    Quando Kenji adentra na vila junto aos répteis mais uma vez, os olhares se encontram nele.

    “Talvez eles pensem em como eu ainda estou vivo.” Pensou consigo mesmo.

    Os répteis já na taverna, deixam Kenji para trás perdido em seus próprios pensamentos.

    Ao perceber seu estado, ele procura pela casa de Isha que ele não lembra exatamente o caminho, mas aproveita a oportunidade para admirar mais uma vez aquela vila.

    A vila não tinha nada de tão novo desde sua saída, a não ser a casa que ele estava construindo junto aos minotauros, a casa estava completa e muito bem feita, por um momento ele sentiu orgulho ao ver a casa pronta, era uma ótima sensação ele pensava.

    Ao continuar andando ele se depara com algumas criaturas novas na vila, ele não tinha visto antes, mas não tinha certeza se eles já viviam ali ou começaram recentemente.

    Ele passa por dois tipos de criaturas diferentes, uma criatura similar a um dragão, com características humanoides.

    Usava roupas comuns, como um camponês, não tinha acessórios no corpo, sua pele era verde e ele tinha dois chifres em sua cabeça, e uma cauda não muito grande.

    “Um draconato, que curioso!”

    A outra criatura também tinha traços humanoides, mas tinha características de um rato, usava roupas pretas, rasgadas, e um cinto com uma adaga, similar ao de Ajak, seu pelo era branco porém parecia sujo e mal cuidado.

    O draconato caminhava com passos pesados e firmes, mas com uma calma quase cerimonial. Sua presença impunha respeito, como se o ar ao redor dele se tornasse mais denso.

    Ao passar por Kenji, não houve qualquer troca de olhares, o olhar do ser dracônico seguia fixo, inabalável, direcionado a um ponto distante, invisível aos olhos humanos.

    Kenji sentiu um calafrio. Era como se o draconato enxergasse além do físico, além daquele momento.

    A criatura, semelhante a um rato ereto, estava agachada ao lado de uma casa.

    Seus trapos encardidos mal cobriam o corpo magro e peludo, e os olhos — pequenos, brilhantes e estreitos — fitavam Kenji com um olhar ameaçador, cheio de desconfiança e tensão.

    O jovem, ao notar a postura curvada e os dentes à mostra, logo o rotulou mentalmente como um “rato mendigo”, embora algo naquela figura dizia que havia mais por trás de sua aparência miserável.

    Apesar da tensão no ar, Kenji não recuou. Uma das adagas de Ajak permanecia bem escondida sob suas vestes, e sua mão direita repousava próxima a ela. Ele acreditava estar pronto para um ataque

    Porém o ataque não aconteceu.

    Depois de um tempo perdido, ele decide ir para a taverna na esperança de achar alguém conhecido.

    Chegando lá ele percebe a presença de Isha no local, conversando com os répteis que antes de sua chegada estavam se divertindo e conversando.

    Com Isha lá, a situação ficou estranha, ela parecia preocupada e estava brigando com o grupo. Kenji então se aproxima devagar.

    — Isha?! — diz Kenji.

    Isha rapidamente se vira e vê Kenji lá parado, são e salvo. Ela parece aliviada.

    Ela da um abraço apertado em Kenji demonstrando sua satisfação e alegria, suas asas emitem um som mágico e pequenas partículas de pó de fada saem dela.

    — Kenji!! — ela se afasta um pouco. — Que bom que está bem! Eu estava preocupada, não acredito que eles te deixaram sair sozinho por aí.

    — Eu só fui dar uma caminhada, nada de mais.

    Kenji não diz que ele estava a procura dela e de sua casa, aquela situação já estava constrangedora demais para ele, não queria piorar as coisas.

    Os répteis se entreolham e em seguida encaram Kenji, que fica envergonhado.

    — Vamos conversar lá fora! — diz Isha.

    Isha se apressa e vai na frente voando, deixando um rastro de pó de fada no caminho. Kenji acompanha ela e os dois saem da taverna.

    — E então? Como foi a missão pra você?

    Kenji hesita um pouco.

    — Foi diferente, nunca tinha ido numa missão desse tipo, vi vários lugares, uma cidade diferente também, acho que eu gostei!

    — Os lagartos me contaram sobre seu desempenho, parece que você se saiu bem, mas ainda tem muito que melhorar.

    — Melhorar? Eu não sei se pretendo viver aqui pra sempre.

    Aquelas palavras soaram como uma flecha que perfura Isha, até Kenji sentiu o peso de suas palavras e repensou.

    — Quer dizer… Desculpa, não foi minha intenção.

    — Percebeu que agora tem mais espécies aqui em Banehaven?

    “Ela mudou de assunto…”

    Isha continua.

    — Conseguimos negociar com essas espécies e agora parte dela está se mudando pra cá, isso não é ótimo?! — Isha sorri para Kenji, como se a segundos atrás ele não tivesse falado algo tão rude.

    Kenji mais uma vez fica confuso com a expressão dela, ele se baseia na reação dos humanos a tal situação, mas uma fada para ele era algo completamente diferente.

    O comportamento de Isha era um verdadeiro enigma para Kenji.

    Cada gesto dela carregava uma mistura de leveza e mistério, algo que o deixava constantemente intrigado — como se houvesse muito mais por trás de cada palavra, de cada silêncio.

    Ao mesmo tempo, Isha também se via cativada pela curiosidade e pela impulsividade de Kenji.

    Havia entre eles uma conexão silenciosa, um desejo mútuo de compreender o outro, como se ambos soubessem que tinham algo valioso a aprender juntos — ainda que não soubessem exatamente o quê. Era uma dança sutil entre a desconfiança e fascínio.

    — Qual será nossa próxima missão, capitã? — pergunta Kenji num tom cômico, tirando o peso daquela conversa batendo continência.

    Isha ri, e em seguida Kenji também, desfazendo a continência.

    — Sendo bem sincera… Se você continuar por aqui, a gente pode trabalhar bastante juntos! Eu preciso ir visitar alguns lugares para mais negociações, se quiser vir comigo, você vai ter bastante coisa pra fazer.

    — Claro! Isso seria ótimo! — diz Kenji num tom de empolgação. — E quando a gente começa?

    — Mais rápido do que você imagina! — responde Isha com um largo sorriso no rosto.

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