Capítulo 31: Negociações a Beira do Abismo
Os guardas recuam momentaneamente e ficam em posição esperando alguma próxima ordem.
Coralie segue entrando em um grande salão. O trio seguindo ela faz o mesmo.
A estrutura do castelo e a sala eram algo muito simplista, as pilastras e mesas completamente brancas. A sala onde entram tinha uma mesa e várias cadeiras, Coralie senta na cadeira principal e o trio nas cadeiras seguintes ficando próximos uns dos outros.
— Nosso reino atualmente tem uma enorme falha, não temos um rei nem rainha, como princesa eu rejo tudo aqui sozinha.
— Como isso aconteceu? — perguntou Isha.
— Os antigos reis deixaram essa tradição de sermos pacifistas com tudo e todos. Por isso os “súditos”, como a orc pontuou, deixou vocês entrarem, mas isso acabou, nós fomos atacados por conta dessa tradição, fomos traídos. Os reis e muitos do nosso povo foram mortos, restaram poucos sobreviventes. — ela fala num tom de tristeza, sua expressão muda. — Dia após dia eu tento reforçar para os poucos que sobraram que não devemos deixar qualquer um entrar, foi assim que tudo começou e terminou. — ela termina olhando para o colar que lhe fora entregue.
— Nós não sabíamos… eu sinto muito.
— Agora digam exatamente o que querem, este é um reino destruído, não tem o que oferecer a vocês!
— Nós viemos de Banehaven. Uma vila com o propósito da união das espécies, queremos juntar o máximo de espécies possíveis, provando para o governo humano que podemos viver em sociedade. Assim nossa vila se tornará uma grande cidade, se assim for aprovada, lá oferecemos abrigo, comida e proteção.
— Um humano, uma fada e uma orc. Isso é um tipo de piada? — ela pergunta em tom irônico.
— Bem que poderia. Hahaha. — Fhastine diz rindo.
Kenji dá um leve sorriso mas tenta manter uma postura séria.
— Não ligue para ela, ela só veio como guarda costas. — disse Isha dando um olhar atravessado para orc.
— O que vocês ganham com isso? E o que nós ganharemos? Ainda não vejo onde quer chegar fada.
— Nós ganhamos seu apoio em nossa vila, que será muito bem vindo para que Banehaven ascenda como uma cidade. E vocês podem ganhar proteção. Isso beneficia os dois lados.
Fhastine para de rir e diz:
— Se vocês realmente são o povo fácil de enganar, ter a nossa proteção vai ajudar vocês a se reerguerem.
Coralie pensa naquelas palavras observando o colar atentamente.
— Onde vocês acharam esse colar?
— Aquele caranguejo idiota que nos deu. — respondeu Fhastine.
— Caranguejo? Não me diga que foi o Amayrom?
— Foi sim! Eles nos trouxe até aqui, não sabíamos o caminho. — respondeu Isha.
— Entendo… — Coralie faz sinal para um de seus guardas, que leva o colar consigo. — Tudo bem, eu aceito! Eu só exijo que mantenham sua palavra e nos protejam, assim como nós os protegeremos. Temos um acordo? — Coralie estende a mão para formalizar a união.
— Sim, nós temos! — Isha retribui apertando a mão da princesa, assim oficializando o pacto de união.
— Levem isso com vocês. — Coralie faz um sinal para um dos guardas que traz consigo uma concha. — É uma concha de comunicação, vai servir para me contatar caso precisem de algo. — Coralie pega a concha e entrega diretamente para Kenji.
Ela tinha o formato de uma concha espiral, semelhante a uma trombeta. A estrutura lembra o casco de um molusco, mas com um design refinado e detalhado.
A concha parece feita de madrepérola, osso polido, ou algum tipo de material mágico. Apresenta tons azulados e brancos com brilho perolado.
— O que vocês costumam fazer em Banehaven?
Cada um responde a pergunta.
— Eu normalmente cuido dessas negociações. — respondeu Isha.
— Eu trabalho de ferreira, uma ótimo ferreira como dizem por aí. — Fhastine diz com orgulho.
Kenji fica em silêncio e hesitante fala.
— Eu cheguei aqui por acaso, estou abrigado na casa de Isha por um tempo.
— Então vocês tem um caso? — perguntou Coralie curiosa.
— NÃO!! Não é nada disso que você tá pensando!! — Kenji responde visivelmente nervoso e sem jeito.
Isha fica envergonhada mas consegue responder de forma mais natural.
— Somos apenas amigos.
Kenji tenta mudar de assunto devido aquela situação constrangedora.
— Você continua como princesa mesmo não tendo outros reis por aqui. Porque não se torna uma rainha?
— Como tradição, para me tornar rainha e melhorar o reino preciso de meu cajado mágico. Que quando fomos atacados ele foi roubado e não tenho ideia de onde está. Assim poderei me tornar rainha.
— Entendi.
Kenji para e fica pensativo por um momento.
— Deve ser coisa da minha cabeça… — Kenji pensa em voz alta.
— Disse alguma coisa?
— Não, nada. Só pensei alto.
Coralie faz sinal com a mão chamando o grupo para andar junto a ela.
— Como fizemos um tratado de união, vocês devem saber. Nosso inimigo em comum, o reino que nos atacou foi o reino abissal. A nossa antiga prática de deixar tudo entrar levou a esse reino nos atacar, assim nos tornando inimigos. Logo se temos uma união e vocês pretendem nos proteger, eles também são seus inimigos, tenham isso em mente!
— Não se preocupe princesa, temos bastante pesos pesados em Banehaven, uns meros peixinhos não serão problema. — Fhastine conclui rindo.
— Isso é sério! E eu preciso que vocês tratem isso com seriedade.
Fhastine se cala ao perceber o tom de voz de Coralie.
— Ok.. vou levar vocês pra casa. Venham comigo!
O grupo segue a princesa até uma sala um pouco mais escura. As paredes laterais tinham algumas prateleiras com alguns itens. A parede “central” tinha um enorme símbolo rúnico.
— Aqui é a sala que vou mandar vocês de volta.
— Como funciona? — perguntou Kenji.
— É o mesmo processo que fizeram para chegar, porém o inverso. Usávamos para chamar humanos até o reino, ou até para explorar as terras secas, como costumamos chamar a superfície.
Coralie recita algumas palavras mágicas e o símbolo começa a emitir um brilho azul. Criando um pequeno portal que estaria conectado à superfície.
— É só atravessar esse portal e vocês vão chegar lá rapidinho. Antes que eu esqueça, duas coisas: se precisarem da nossa ajuda, além de usar a concha de comunicação, façam o mesmo desenho do símbolo que estava na parede, assim ou vocês ou nós poderemos ir até Banehaven, é como uma runa de teleporte só que bem arcaico. E outra, esse portal vai levar vocês pra um lugar aleatório, então boa sorte!
— O QUE!! — Kenji e Fhastine exclamam ao mesmo tempo incrédulos.
Isha pareceu já conformada mas fez uma expressão de desaprovação também. Mas como não tinha o que fazer ela segue passando pelo portal.
— Isha, espera! Deveria ter outro jeito. — Fhastine fala seguindo a mesma.
Kenji fica parado, ainda hesitante se deve seguir elas ou não.
— E então humano, o que vai fazer?
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