Os guardas recuam momentaneamente e ficam em posição esperando alguma próxima ordem.

    Coralie segue entrando em um grande salão. O trio seguindo ela faz o mesmo.

    A estrutura do castelo e a sala eram algo muito simplista, as pilastras e mesas completamente brancas. A sala onde entram tinha uma mesa e várias cadeiras, Coralie senta na cadeira principal e o trio nas cadeiras seguintes ficando próximos uns dos outros.

    — Nosso reino atualmente tem uma enorme falha, não temos um rei nem rainha, como princesa eu rejo tudo aqui sozinha.

    — Como isso aconteceu? — perguntou Isha.

    — Os antigos reis deixaram essa tradição de sermos pacifistas com tudo e todos. Por isso os “súditos”, como a orc pontuou, deixou vocês entrarem, mas isso acabou, nós fomos atacados por conta dessa tradição, fomos traídos. Os reis e muitos do nosso povo foram mortos, restaram poucos sobreviventes. — ela fala num tom de tristeza, sua expressão muda. — Dia após dia eu tento reforçar para os poucos que sobraram que não devemos deixar qualquer um entrar, foi assim que tudo começou e terminou. — ela termina olhando para o colar que lhe fora entregue.

    — Nós não sabíamos… eu sinto muito.

    — Agora digam exatamente o que querem, este é um reino destruído, não tem o que oferecer a vocês!

    — Nós viemos de Banehaven. Uma vila com o propósito da união das espécies, queremos juntar o máximo de espécies possíveis, provando para o governo humano que podemos viver em sociedade. Assim nossa vila se tornará uma grande cidade, se assim for aprovada, lá oferecemos abrigo, comida e proteção.

    — Um humano, uma fada e uma orc. Isso é um tipo de piada? — ela pergunta em tom irônico.

    — Bem que poderia. Hahaha. — Fhastine diz rindo.

    Kenji dá um leve sorriso mas tenta manter uma postura séria.

    — Não ligue para ela, ela só veio como guarda costas. — disse Isha dando um olhar atravessado para orc.

    — O que vocês ganham com isso? E o que nós ganharemos? Ainda não vejo onde quer chegar fada.

    — Nós ganhamos seu apoio em nossa vila, que será muito bem vindo para que Banehaven ascenda como uma cidade. E vocês podem ganhar proteção. Isso beneficia os dois lados.

    Fhastine para de rir e diz:

    — Se vocês realmente são o povo fácil de enganar, ter a nossa proteção vai ajudar vocês a se reerguerem.

    Coralie pensa naquelas palavras observando o colar atentamente.

    — Onde vocês acharam esse colar?

    — Aquele caranguejo idiota que nos deu. — respondeu Fhastine.

    — Caranguejo? Não me diga que foi o Amayrom?

    — Foi sim! Eles nos trouxe até aqui, não sabíamos o caminho. — respondeu Isha.

    — Entendo… — Coralie faz sinal para um de seus guardas, que leva o colar consigo. — Tudo bem, eu aceito! Eu só exijo que mantenham sua palavra e nos protejam, assim como nós os protegeremos. Temos um acordo? — Coralie estende a mão para formalizar a união.

    — Sim, nós temos! — Isha retribui apertando a mão da princesa, assim oficializando o pacto de união.

    — Levem isso com vocês. — Coralie faz um sinal para um dos guardas que traz consigo uma concha. — É uma concha de comunicação, vai servir para me contatar caso precisem de algo. — Coralie pega a concha e entrega diretamente para Kenji.

    Ela tinha o formato de uma concha espiral, semelhante a uma trombeta. A estrutura lembra o casco de um molusco, mas com um design refinado e detalhado.

    A concha parece feita de madrepérola, osso polido, ou algum tipo de material mágico. Apresenta tons azulados e brancos com brilho perolado.

    — O que vocês costumam fazer em Banehaven?

    Cada um responde a pergunta.

    — Eu normalmente cuido dessas negociações. — respondeu Isha.

    — Eu trabalho de ferreira, uma ótimo ferreira como dizem por aí. — Fhastine diz com orgulho.

    Kenji fica em silêncio e hesitante fala.

    — Eu cheguei aqui por acaso, estou abrigado na casa de Isha por um tempo.

    — Então vocês tem um caso? — perguntou Coralie curiosa.

    — NÃO!! Não é nada disso que você tá pensando!! — Kenji responde visivelmente nervoso e sem jeito.

    Isha fica envergonhada mas consegue responder de forma mais natural.

    — Somos apenas amigos.

    Kenji tenta mudar de assunto devido aquela situação constrangedora.

    — Você continua como princesa mesmo não tendo outros reis por aqui. Porque não se torna uma rainha?

    — Como tradição, para me tornar rainha e melhorar o reino preciso de meu cajado mágico. Que quando fomos atacados ele foi roubado e não tenho ideia de onde está. Assim poderei me tornar rainha.

    — Entendi.

    Kenji para e fica pensativo por um momento.

    — Deve ser coisa da minha cabeça… — Kenji pensa em voz alta.

    — Disse alguma coisa?

    — Não, nada. Só pensei alto.

    Coralie faz sinal com a mão chamando o grupo para andar junto a ela.

    — Como fizemos um tratado de união, vocês devem saber. Nosso inimigo em comum, o reino que nos atacou foi o reino abissal. A nossa antiga prática de deixar tudo entrar levou a esse reino nos atacar, assim nos tornando inimigos. Logo se temos uma união e vocês pretendem nos proteger, eles também são seus inimigos, tenham isso em mente!

    — Não se preocupe princesa, temos bastante pesos pesados em Banehaven, uns meros peixinhos não serão problema. — Fhastine conclui rindo.

    — Isso é sério! E eu preciso que vocês tratem isso com seriedade.

    Fhastine se cala ao perceber o tom de voz de Coralie.

    — Ok.. vou levar vocês pra casa. Venham comigo!

    O grupo segue a princesa até uma sala um pouco mais escura. As paredes laterais tinham algumas prateleiras com alguns itens. A parede “central” tinha um enorme símbolo rúnico.

    — Aqui é a sala que vou mandar vocês de volta.

    — Como funciona? — perguntou Kenji.

    — É o mesmo processo que fizeram para chegar, porém o inverso. Usávamos para chamar humanos até o reino, ou até para explorar as terras secas, como costumamos chamar a superfície.

    Coralie recita algumas palavras mágicas e o símbolo começa a emitir um brilho azul. Criando um pequeno portal que estaria conectado à superfície.

    — É só atravessar esse portal e vocês vão chegar lá rapidinho. Antes que eu esqueça, duas coisas: se precisarem da nossa ajuda, além de usar a concha de comunicação, façam o mesmo desenho do símbolo que estava na parede, assim ou vocês ou nós poderemos ir até Banehaven, é como uma runa de teleporte só que bem arcaico. E outra, esse portal vai levar vocês pra um lugar aleatório, então boa sorte!

    — O QUE!! — Kenji e Fhastine exclamam ao mesmo tempo incrédulos.

    Isha pareceu já conformada mas fez uma expressão de desaprovação também. Mas como não tinha o que fazer ela segue passando pelo portal.

    — Isha, espera! Deveria ter outro jeito. — Fhastine fala seguindo a mesma.

    Kenji fica parado, ainda hesitante se deve seguir elas ou não.

    — E então humano, o que vai fazer?

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