O portal na parede brilhava como se chamasse Kenji, porém ele continua hesitante já que não estaria de volta a Banehaven e sim a um lugar completamente novo e desconhecido.

    — Parece que você não quer ir. Se decidir ficar irá abandonar seu grupo e passará a viver aqui. É isso que quer?

    — Tem alguma vantagem em morar aqui? — perguntou num tom irônico.

    — Apesar de ser um humano, pela tradição você poderia pedir minha mão e reinar junto a mim, então esse reino estaria completo tendo um rei e uma rainha, evidentemente quando conseguir o cajado.

    — Que?! — Kenji responde surpreso. — Sério que é essa a opção?

    — Meu reino precisa reerguer e não sou como a fada que com você estava, você não ficaria aqui a troco de nada. Meus propósitos são outros. — Coralie ri. — Espero que não esteja pensando em abandoná-las.

    Kenji engole seco.

    — Jamais faria isso. — ao dizer essas palavras ele finalmente se encontra com Fhastine e Isha do outro lado.

    O portal é fechado e ainda no castelo, Coralie começa a pensar naquele colar que lhe tinha sido entregue.

    “Eles não parecem pessoas ruins, mas aquele colar do Amayrom ainda por cima… Isso é muito suspeito.”

    Um guarda entra na sala onde Coralie estava e se apresenta fazendo uma reverência.

    — Princesa! Analisamos o colar, ele tinha uma magia característica conhecida por nós e pela senhora. Se me permite princesa…

    — Prossiga! — exclamou Coralie.

    — Se aquilo foi entregue por Amayrom, que pelo que bem conhecemos, ou melhor conhecíamos… não tem nenhum poder mágico. Achamos que aquilo foi mandado de forma proposital para te espionar princesa, isso significa que…

    — Não diga! Eu quero ver com meus próprios olhos!

    — Claro princesa! Me siga.

    “Óbvio! Amayrom tem dedo nisso, temo que ele possa saber de algo sobre a união com Banehaven.”

    Do outro lado já fora do portal. Kenji vislumbra o local onde estava e vê Fhastine e Isha o esperando.

    Fhastine estava sentada em uma pequena pedra já Isha estava de pé.

    — Onde nós estamos? — perguntou Kenji.

    Eles se encontravam em um campo desolado de terra cinzenta, onde não havia sinal de água, nem vestígios de vegetação.

    O solo era ressecado, rachado pelo calor de um sol impiedoso, e por toda parte se espalhavam ossos branqueados e os restos de criaturas mortas há muito tempo.

    O único sinal de vida além deles vinha dos abutres, aves negras que faziam círculos silenciosos no céu opaco, à espreita de mais uma carcaça para devorar.

    — Não sei dizer ao certo, mas pode ser algo como um campo de ossos. — respondeu Fhastine. — Nunca ouvi falar desse lugar, o cheiro aqui é ruim e não tem ninguém aqui além de nós. Que ótimo acordo você fez em Isha. — ela diz num tom irônico, se levantando.

    — Não seja tão rude, você ouviu ela, poderíamos parar em qualquer lugar. E faz total sentido se você pensar direito.

    Kenji mexe em seus bolsos procurando algo, mas não encontra nada.

    “Merda! Porque eu não trouxe a runa de teleporte? Não acredito que deixei lá na casa de Isha. Da próxima vez que for sair, lembrar de sempre trazer uma runa.”

    — Vamos andando, se formos rápido podemos chegar em casa logo. — diz Kenji.

    As duas concordam e o trio segue andando, passando por várias carcaças e ossos secos pelo caminho. Kenji já teve uma experiência similar quando passou pelo pântano de Duskmire mas aquilo ainda o enojava.

    “Espero sair daqui logo, isso continua me dando nojo.”

    Kenji passa pelos cadáveres e os ossos fazendo uma expressão de nojo bem difícil de esconder. Os abutres cercavam as carcaças próximas e observavam o grupo passar como se esperassem a morte deles.

    Era tarde, e o sol quente torrava as costas do grupo, eles já fadigados devido ao clima, ambiente seco e o cheiro de morte à espreita.

    — Em algum momento vamos ter que descansar e eu espero que não seja aqui. Seríamos atacados pelos amiguinhos voadores. — diz Fhastine apontando para os abutres. — Vamos apressar o passo, não quero virar comida de passarinho.

    — Estamos fazendo o máximo que podemos, isso realmente é bem cansativo. — disse Kenji.

    — Parece que estou vendo alguma coisa ali na frente. — diz Isha apertando os olhos, forçando sua visão. — Vamos rápido, talvez possa ser uma pessoa. — Isha sai voando.

    Kenji e Fhastine correm atrás de Isha que voa desesperadamente em linha reta. Voando até o objeto que ela supostamente viu de longe.

    Ao se aproximar vê que era uma carruagem. O veículo era uma obra de arte ambulante, sua estrutura de madeira escura estava adornada com finos entalhes dourados que cintilavam sob a luz do sol poente.

    Sobre o teto, uma grade de ferro servia para o transporte de bagagens, ainda que naquele momento estivesse vazia, sugerindo uma viagem breve ou uma missão urgente.

    À frente, uma pequena lanterna pendia ao lado do assento do cocheiro, pronta para iluminar os caminhos mais escuros.

    Ela era puxada por um imponente cavalo marrom de pelagem brilhante e músculos bem definidos. Seu trote firme fazia ecoar um som ritmado contra as pedras da estrada.

    Isha estranha a presença daquela carruagem naquele local, e os outros que viam atrás, quando chegaram perto também estranharam.

    — Uma carruagem vazia, o dono dela deve estar próximo. — disse Kenji.

    — Ou morto! — exclamou Fhastine. — Como está vazia, vamos entrar e seguir viagem. Tiramos uma sorte grande! — ela dá um largo sorriso.

    O cavalo que permanecia parado, não se incomodou com a presença do grupo recém chegado, ele olhava fixamente para frente.

    — Vamos com calma, talvez essa não seja uma boa opção. Se o dono dela ainda estiver por aqui, vai procurar a carruagem e não vai ter como sair. — falou Isha.

    — Você se preocupa demais, antes ele do que a gente. Entrem logo, eu guio o cavalo.

    Com ela aquela pequena discussão e hesitação de Isha, leves passos de cascos são ouvidos se aproximando cada vez mais do grupo.

    — Vou levar alguns desses ossos comigo, podem me ajudar a melhorar minhas habilida… — o ser falava tranquilamente até se deparar com o grupo tentando afanar sua carruagem.

    Ele carregava uma pequena pilha de ossos e ao ver a orc em sua frente deixa a pilha cair no chão assustado.

    — Quem são vocês!? O que querem com minha carruagem?

    — Um sátiro!? — exclamou Isha surpresa.

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