O sátiro tinha feições expressivas e olhos azuis confiantes. Sua pele é morena, contrastando com seus longos cabelos castanhos.

    Dois grandes chifres curvados saem de sua cabeça, lembrando-os de um carneiro, decorados com fitas ou tecidos.

    As pernas, típicas de um sátiro, são cobertas de pelos marrons que lembram cascos de bode.

    Ele possuía uma cauda felpuda de tamanho mediano.

    Usava um manto roxo com design etéreo e detalhes em dourado. A peça lembra um poncho ou túnica curta, com mangas largas e soltas que termina um pouco acima do cotovelo.

    Os padrões dourados sãos geométricos e simétricos, evocando símbolos arcanos, semelhante a um símbolo solar ou mágico.

    Na parte inferior usava calças largas e escuras, provavelmente feitas de tecido leve e confortável.

    — Vou perguntar de novo… — ele cuidadosamente pega algo em seu bolso. — O que querem com minha carruagem?

    — Nós só estávamos de passagem e encontramos sua carruagem.

    — Vocês me parecem com ladrões. — diz o sátiro.

    — Não somos ladrões!

    — Poderia se você não tivesse aparecido. — disse Fhastine bem baixinho, num tom de resmungo.

    Com sua audição aguçada ele incrivelmente escuta o que a orc tinha dito e retira de seu bolso uma flauta. Rapidamente ele começa a tocar em sua flauta, uma música leve e suave, agradável aos ouvidos.

    “O que ele tá fazendo?… Isso é estranhamente bom de ouvir.” Pensou Kenji.

    Ao terminar de tocar uma magia de cor roxa sai de sua flauta, saindo a mesma ele segura aquela esfera mágica e lança em Fhastine que cai no chão instantaneamente.

    — O que você fez? — questionou Isha.

    — Nada de mais, ela só está dormindo um pouco. — ele diz rindo.

    Ao encararem Fhastine caida no chão, percebem que ela começa a roncar, estando realmente posta em um sono profundo.

    — Porque fez isso? Nós não fizemos nada. — diz Kenji encarando o sátiro.

    — Eu me preocupo com o bem estar da minha carruagem, não vou deixar ninguém, muito menos ela roubá-la. Vocês ainda não responderam quem são, eu me chamo Liam o viajante, ao seu dispor. — ele se apresenta fazendo reverência.

    — Eu me chamo Kenji, ela é Isha e a orc dormindo se chama Fhastine. Precisamos sair daqui, por isso viemos correndo até sua carruagem.

    — Hm… entendo. E roubar minha carruagem foi sua primeira opção?! — ela brada segurando com força sua flauta.

    — N-não é bem isso. Só queremos uma carona para sair daqui.

    Fhastine lentamente começa a acordar e se levantar.

    — Hã? O que aconteceu?… — ela se ergue com a mão na cabeça, confusa.

    — Você só dormiu. Não aconteceu nada. — respondeu Isha, ajudando-a se levantar.

    — Escuta aqui sátiro! — diz Fhastine apontando para o mesmo levemente irritada.

    — É liam!

    — Tanto faz! Precisamos dar o fora daqui e eu tenho certeza que você também precisa. Nós entramos na carruagem, você guia o cavalo e pronto, todo mundo sai ganhando!

    — Não vejo motivos para levar vocês. Para onde vocês estão indo? — ele fala se agachando e recolhendo os ossos que deixou cair no chão.

    — Temos que chegar em Banehaven. — diz Isha.

    — Banehaven? Nunca ouvi falar, talvez o sol esteja fazendo vocês delirarem. Mas não se preocupem, eu tenho uma receita que vai ajudar vocês a recobrar a consciência.

    — N-nós estamos completamente lúcidos. Que merda esse cara tá falando? — Fhastine bufou irritada.

    — Banehaven é uma pequena vila recém criada, por isso você nunca ouviu falar. Lá tem espécies de várias formas e tamanhos é ótimo para um sátiro como você! — Isha diz dando leves pulinhos de alegria, sua empolgação retorna só de falar sobre Banehaven.

    Liam observa a empolgação de Isha e começa a acreditar no que a mesma dizia.

    — Eu posso levá-los mas com uma condição. Estou treinando minhas habilidades de se conectar mentalmente com outros seres, e preciso de cobaias.

    — Como assim conectar? — pergunta Kenji curioso.

    — É uma vibe muito relaxante, consigo conectar minha mente a de outra pessoa, ver pensamentos, emoções. É muito doido! Entender como a mente das pessoas funciona, é uma viagem astral e mental necessária para todos, só que muitos não reconhecem isso.

    — E precisamos fazer isso agora?

    — No meio da viagem nos tentamos. Ficar aqui não é um bom lugar. Podem subir!

    Liam se assenta no poleiro, onde guiaria o cavalo. O grupo apressadamente entra na carruagem e se acomodam prontos para partir.

    — Avante! — ao dizer essas palavras o cavalo que antes estava imóvel começa a andar, como um comando bem ensaiado pelos dois.

    Por ser um sátiro, Kenji pensou que ele tivesse essa fácil conexão com animais e o seu cavalo consequentemente. Imaginou também que já tivesse feito essa suposta conexão mental com o cavalo, assim podendo o controlar de forma mais eficaz.

    Por um momento ele temeu que se fazer de cobaia para Liam iria deixá-los como zumbis, controlados exclusivamente por ele.

    Eles não tinham pensado muito bem naquela proposta, simplesmente aceitaram porque já estavam naquele lugar a um tempo considerável, e não queriam ficar ali nem mais um minuto.

    Aos poucos o cavalo começa a apressar os passos saindo daquele campo. Liam cantarolava sorridente, ele estava feliz que poderia aprender mais um pouco com seus poderes e a mente humana.

    Com as horas se passando o grupo finalmente sai daquele ambiente de morte, mas curiosamente eles se vêem num deserto dessa vez.

    Grandes montes de areia se erguiam como ondas congeladas no tempo, moldados pelo vento implacável do deserto.

    Cactos espinhosos pontuam a paisagem, ao lado de galhos secos e retorcidos, lembrando mãos deformadas que emergiam da terra.

    O sol, em sua lenta descida, aliviava o calor abrasador do dia, mas o ar ainda trazia uma sensação seca e sufocante, que arranhava a garganta a cada respiração.

    Um silêncio pesado pairava sobre o deserto, quebrado apenas pelo som suave do vento deslizando entre as dunas e pelo ocasional farfalhar de escamas na areia.

    Mesmo à distância, era possível ver pequenas cobras serpenteando com elegância, e escorpiões caminhando com precisão, suas pinças se movendo em ritmo lento.

    O cheiro do solo quente misturava-se ao aroma áspero dos cactos, enquanto a pele sentia o toque áspero da poeira fina que dançava no ar, como cinzas douradas.

    Dentro da carruagem o trio estava cansado, não trocaram muitas palavras desde que começaram a viagem. Fhastine já “descansada” devido a pequena soneca mágica que tirou, ainda se mantinha acordada.

    Isha por outro lado já estava dormindo, ela recostou a cabeça sob o ombro de Kenji também cansado. Inicialmente ele se assustou com aquela aproximação, mas acabou deixando passar visto que ninguém questionou.

    Ele somente aceitou e fechou os olhos para descansar junto a Isha.

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