Índice de Capítulo

    Kenji é deixado mais uma vez sozinho por Kallion, que não deu mais nenhuma instrução, deixou o garoto por conta própria tentando incessantemente acertar aquele badalo.

    O aprendiz tenta dar os saltos mais altos que consegue, tentando chutar e socar o sino, alternando entre soco e chute.

    Com o movimento repetitivo de tentar chutar aquele badalo no alto, cada vez que ele erguia sua perna ele sentia o peso voltando com força.

    O tempo foi passando e esses movimentos foram o deixando cansado, os movimentos ficaram mais lentos e a respiração ofegante, ele percebeu que não seria nada fácil concluir o treinamento, mas sentia dentro de si que era o necessário.

    “Eu só preciso respirar um pouco.” Pensou Kenji.

    Com isso ele para por uns segundos, respira e inspira, se concentra no seu objetivo claro e continua novamente.

    Volta e meia ele fazia essas pausas, algo que Kallion o tinha ensinado muito bem, a respiração e concentração o ajudavam a focar nos seus objetivos de forma mais clara.

    Kallion que observava de longe acima de uma árvore ficou admirado com a determinação de seu recém aprendiz.

    — Parece que o ensinei bem. — disse Kallion com o sorriso de canto, expressão que causava rugas em sua face devido a idade.

    Quando Kenji definitivamente se cansou de tentar com o treinamento ele fez uma pausa e foi comer, Kallion ficou com a caça dessa vez deixando Kenji treinar sozinho.

    Kenji aproveitou aquela pausa para ir ao lago onde a cachoeira ficava.

    O clima estava agradável, as nuvens pareciam lã de ovelha com formatos extremamente circulares, dando um aspecto macio e confortável.

    O sol não estava tão quente, ele estava bem escondido atrás das nuvens, mas de um jeito que não escurece o ambiente.

    A água tinha um azul bem claro, estava limpa e tinha um aspecto mágico para Kenji sempre que ele se aproximava do lago.

    Ele se ajoelha próximo a margem e fazendo conha com as mãos ele pega um punhado de água e bebe a mesma.

    — Isso que é vida! — exclamou Kenji com um sorriso. — Aqui eu tenho tudo o que eu preciso e ainda aprendo bastante. É um ótimo lugar pra viver. — ele fez uma pausa, um pouco hesitante. — Mas eu tenho que voltar, não vou largar tudo aqui como das outras vezes, vou assumir o meu papel e fazer as coisas direito dessa vez!

    Ele se levanta ainda com aquela expressão séria de antes e lembra vagamente de algo que viu seu professor fazer naquele mesmo lago.

    “Ele me disse para tentar usar a energia espiritual que aprendi nos braços para socar e nos pés, pelo que eu me lembre ele já fez algo similar porém de outro jeito… deixa eu tentar algo.”

    Novamente se concentrando mas não em seu nariz, agora em seus pés ele mentaliza aquela energia que tinha sentido antes e em um instante seus pés estavam revestidos com aquela energia dourada inebriante.

    Quando ele se dá conta fica feliz por ter conseguido, mas ainda não era isso que queria, ele avança mais um pouco e põe seu pé na água, percebendo que não afundará ele põe o outro pé e o mesmo acontece.

    — Eu consegui?! — perguntou Kenji espantado. — Haha, eu consegui realmente! Eu sabia que me lembrava disso, vi claramente o mestre Kallion andando sob a água usando energia espiritual.

    Kenji começa a andar calmamente sob a água antes de fazer qualquer movimento brusco, seu largo sorriso com a conquista era visível para qualquer pessoa que o visse naquela distância.

    Ele começa a pular e fazer alguns movimentos, não se desequilibra nem cai, percebendo que aquele teste foi um sucesso. Com isso ele começa a correr sob a água fazendo movimentos acrobáticos e sutis sob a água.

    — Agora que aprendi isso, fica mais fácil fazer aquele sino tocar.

    Kenji corre eufórico, voltando para onde o sino estava preso e se esforçando bastante para não perder o foco e não cair com seu movimento, estica totalmente a sua perna dando um chute de baixo pra cima no badalo.

    A energia presente em seu pé ressoa no sino com força, o sino antes que não tinha feito som algum, agora faz um barulho grave e alto. O som ecoa na floresta e até dentro do templo, foi alto e forte o suficiente para que até Kallion escutasse.

    Agora percebendo o seu feito, ele faz o mesmo se concentrando e mentalizando suas mãos, agora com elas revestidas daquela mesma energia, ele pula e desfere dois socos no centro daquele sino.

    O som agora ecoa e reverbera mais alto entre a floresta, já que ele deu dois socos naquele grande sino.

    A expressão de Kenji continua com uma felicidade e euforia imensa, algo que normalmente não acontecia com ele.

    Kallion aparece com um cervo que abateu no caminho, não demonstra mas está sim, muito contente com aquele feito.

    — Muito bem Kenji! Você aprendeu o básico, passaremos para a parte mais difícil! — disse Kallion com um sorriso malicioso no rosto.

    Kenji que antes estava feliz, desfez rapidamente sua expressão, ficando um pouco confuso e decepcionado com a fala do tal.

    — O que isso quer dizer? — perguntou Kenji.

    Kallion largou o cervo morto ali mesmo e pegou dois bastões que estavam posicionados estrategicamente na porta do templo. Ele agarra um deles e o outro joga para Kenji.

    Os bastões eram longos e simples, feitos de madeira sem muitos detalhes.

    — Você vai aprender a usar isso. Vamos, me enfrente!

    Kenji pega o bastão confuso e rapidamente se volta para Kallion que estava em posição de luta. Ele segurava o bastão com a mão direita para trás, com as pernas dobradas e olhava fixamente para as mãos de Kenji, observando cada movimento.

    “Ele parece estar sério agora, tenho que responder a altura.” Pensou Kenji.

    Mesmo não sabendo se estava correto, ele conseguiu e copiou os mesmos movimentos do mestre.

    Ele encarou por alguns segundos, usando as duas mãos para segurar o bastão, tenta um golpe usando a ponta do mesmo para atingir Kallion no peito.

    Kallion rapidamente se esquiva e rebate o bastão de Kenji para a esquerda usando o próprio para empurrar e jogar o mesmo longe.

    Kallion ri.

    — Isso não vale! Não tem nada para me dizer? — indagou Kenji.

    — Se aprende na prática, a teoria só vai encher sua cabeça de coisas que você não vai aprender. Pegue o bastão de volta e continue!

    Kenji suspira e obedece seu mestre, pega o bastão que agora estava no chão. Volta para a mesma posição de luta de antes e espera o momento certo para atacar.

    Com um sorriso malicioso Kallion diz:

    — Agora é minha vez! Bloqueia!

    Ao dizer isso, ele avança com tudo dando um golpe lateral em Kenji, que defende usando o corpo do bastão.

    Percebendo isso, Kallion continua desferindo golpes laterais tanto na esquerda quanto na direita.

    — Bloqueia!

    Kenji bloqueia um golpe vindo da esquerda.

    — Bloqueia!

    Kenji bloqueia outro golpe, agora vindo da direita.

    — Bloqueia!

    Kenji bloqueia um golpe que Kallion tenta acertar usando a ponta do bastão diretamente em seu pescoço.

    Depois de ficar apenas bloqueando, Kenji começa a se irritar dessa ação repetitiva e pensa em uma forma de contra atacar.

    À medida que continua bloqueando sua raiva começa a crescer e ficar evidente para seu mestre. Suas mãos começam a emanar a energia dourada de antes, revestindo não só suas mãos mas o bastão também.

    Kallion ficará surpresa com a facilidade que Kenji faz aquilo, não percebendo o que estava fazendo mas ainda sim o surpreendeu bastante.

    Quando o bastão estava completamente energizado Kallion recua rapidamente dizendo:

    — Contra ataque!

    Ao ouvir essas palavras Kenji vem com tudo, segurando o bastão com as duas mãos ele tenta rebater um golpe vindo da esquerda mirando o ombro de seu mestre. Mas antes que o golpe o pudesse atingir, o bastão se parte sobrando apenas um pedaço pequeno na mão do garoto.

    — É isso que acontece quando se põe energia demais nesse bastão, ele se quebra. Ele não é um bastão próprio para isso, por isso se chama bastão de treinamento. — Kallion dá um sorriso. — Mas não foi tão mal assim, você tem bastante potencial, isso é bom! Recolha essa bagunça e venha comer.

    Kallion pegou o cervo que estava morto próximo a eles e entrou no templo, deixando Kenji boquiaberto e levemente assustado com o ocorrido.

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