Capítulo 56: Despedida
Kenji passou por uma intensa sessão de treinamento, onde aprendeu a como atacar e defender usando o bastão e proficiência para manusear o mesmo.
Melhorou em como se portar em uma luta, pose de luta, movimentação, observar o ambiente ao seu redor e aumentou suas capacidades com a energia espiritual.
Ele conseguia usar, não tudo com perfeição, mas tinha o básico e a teoria em sua mente para treinos futuros.
Se passaram aproximadamente um mês e vinte dias, tempo que foi dedicado a esse treino, tempo que Kenji aprendeu mais de si mesmo e como as coisas à sua volta influenciam no mundo.
Kallion estava no centro do templo em frente a um caldeirão recém colocado por ele. Kenji observava com calma, o garoto estava sentado esperando a deixa do monge.
— Seu treinamento até aqui foi um sucesso, mas como eu disse antes não podemos continuar. — disse Kallion jogando as meias aladas no caldeirão. — Todo esse tempo que levamos o espírito já deve ter tomado forma e é capaz que esteja fazendo um estrago muito grande.
— E porque o senhor não me mandou antes? — perguntou Kenji quebrando o silêncio.
— A raposa guia estava investigando as ações do espírito, o retorno dela indica que o espírito agora está mais poderoso e precisa ser detido! — respondeu Kallion. — Um espírito solto por aí leva muito tempo até assumir uma forma que seja capaz de ferir outras pessoas, mas não pensei que fosse tão rápido.
Kenji escuta aquelas palavras em silêncio.
— Eu deveria não fazer isso, mas como é seu pertence você não vai precisar mais das meias. Fique de pé! — exclamou Kallion.
Kenji se põe de pé e se aproxima do mestre.
A cor daquele caldeirão estava num tom de azul escuro, toda a magia da meia estava agora naquele caldeirão.
Com um pincel Kallion pega um pouco daquela essência, se abaixa e começa a desenhar pequenos símbolos na perna de Kenji, símbolos e escritos parecidos com tatuagens que ficariam gravados em sua pele.
— Eu removi a essência mágica da meia transferindo agora os escritos da meia para sua perna. Agora você pode usar os poderes da meia sem precisar dela, já que agora ela não tem mais poder nenhum, agora ela está gravada permanentemente em você!
— Obrigado mestre! Eu nem sei como te agradecer.
— Não me agradeça ainda, tem mais coisa. — Kallion diz entrando em uma sala a direita, que ficava seu quarto e retorna de lá com uma nova vestimenta para Kenji e um novo bastão.
— Por ter concluído o treinamento até agora essa é sua recompensa, você enfim se tornou um monge, passou por todos os ensinos e fundamentos. Aceite, isso agora é seu!
Kenji acena com a cabeça, concordando e recebendo as roupas. Ele segue para o seu quarto para se trocar.
Kenji põe o bastão em cima da cama e começa a tirar a roupa do corpo para vestir a nova roupa.
Ele veste uma túnica sem mangas de cor escura, reforçada com partes de couro e tecido mais pesado.
Nas duas mãos, ele traz um rosário de contas grandes, e em seu pescoço permanece com o grande colar japamala da sorte.
Completando com uma calça larga, em tom claro de bege, que permite liberdade de movimento.
O tecido parece leve e dobrado na altura do joelho, deixando a parte inferior mais ajustada e prática para combate.
Nos pés, ele usa um tipo de sandália leve de combate, em tons escuros, que combina com o estilo monástico.
O calçado parece ser reforçado, mas ao mesmo tempo simples, adequado para agilidade e firmeza nos movimentos.
— Ele pensou em tudo mesmo. — disse Kenji olhando para uma pequena bolsa lateral que estava entre as roupas novas.
Era uma bolsa pequena de couro marrom, de formato arredondado que possuía uma aba curta na parte superior, fechada por uma tira, para manter os itens seguros. O couro parece rústico e funcional, sem enfeites.
— Será que eu vou precisar te levar? — perguntou Kenji olhando para uma pequena criatura que dormia em sua mesa.
A criatura era um pequeno dragão que nascerá de um pequeno casulo, parecido com um ovo que floresceu daquela semente que Kenji tinha plantado.
O dragão até o momento tinha o tamanho de um gato, mas apesar do tamanho ele gostava de ficar preso no braço ou no pescoço de Kenji.
Ele foi se desenvolvendo de forma mais rápida quando Kallion lhe deu uma sutil sugestão de imbuir energia espiritual no casulo, fazendo com que o processo normal do crescimento de uma planta se transformasse em algo mágico de uma hora para outra.
Kallion havia lhe dito que por ter colocado da sua própria energia espiritual a criatura teria uma ligação extremamente forte com o mesmo. Coisa que Kenji associou a ligação que Sven tinha com seu grifo.
— Talvez dê pra te levar com um orbe de captura, tenho que pedir pro mestre depois. — Kenji respira fundo. — Chegou a hora que eu preciso enfrentar aquilo que tanto fugi…
Ele olha para o bastão em cima da cama e pega o mesmo, ele segura com firmeza com uma expressão mais séria.
Analisando o bastão ele vê que era um bastão longo, de madeira polida. A ponta do bastão possui entalhes dourados com desenhos ornamentais, lembrando padrões sagrados.
Com esforço quase mínimo o longo bastão que estava em sua mão diminui, ficando menor e sendo possível guardar em sua bolsa lateral que estava consigo.
Kenji dá um sorriso e põe o bastão em sua bolsa.
O dragão acorda com a movimentação de Kenji no quarto, o mesmo se espreguiça abrindo a boca e esticando seu corpo. O dragão senta na mesa como um verdadeiro gato e encara seu dono.
Ele possui pele verde clara com tons amarelados e detalhes em marrom nas escamas. Sua expressão é quase brincalhona: olhos grandes e amarelos com pupilas verticais bem destacadas, língua vermelha projetada para fora da boca e dentes afiados visíveis.
O dragão tem chifres retorcidos que lembram galhadas, orelhas pontudas e várias protuberâncias espinhosas ao longo do corpo e pescoço. A barriga é mais clara, em tom bege, com marcas que sugerem escamas maiores.
As asas eram largas e membranosas, lembrando asas de um morcego, mas com textura vegetal e escamosa que segue o padrão verde-claro do corpo.
As pontas das asas tinham pequenos espinhos curvados, semelhantes aos que já aparecem nas costas.
A cauda longa e flexível, coberta de escamas verdes e algumas cristas irregulares que acompanham o padrão do dorso.
Em sua ponta uma lâmina óssea ou espinho semelhante a um ferrão, usado para ataques. Ele balança a cauda de forma lenta e quase hipnótica.
— Acho que não tem como eu não te levar comigo. — diz Kenji fazendo carinho na cabeça do pequeno dragão.
Ao ouvir aquilo o dragão começa a pular de empolgação como um cachorro ao ver o dono chegar em casa. Kenji estica o braço na direção da mesa e o dragão totalmente empolgado sobe no mesmo e fica sentado em seu ombro.
— Vamos lá garotão! — diz Kenji abrindo a porta do quarto e fechando ao sair.
Kallion estava o esperando do lado de fora olhando o garoto com um sorriso no rosto.
— Mestre, eu preciso de um orbe de captura, provavelmente eu precise pra segurar esse pestinha de vez em quando.
Kallion ri e lhe entrega um orbe de captura, mas uma vez Kallion se mostrando estar um passo à frente,Kenji não se surpreende e guarda o objeto na bolsa lateral.
Como de costume, Kallion fez uma prece para Kenji pedindo por proteção e o despedindo para seguir em viagem.
Como Kenji não tinha noção de onde o espírito poderia estar, ele estava sendo guiado pela raposa guia que sabia a localização exata do espírito vingativo.
Kallion vê seu aluno partir e fica com certa apreensão, mas entende que ele precisa deixar o mesmo ir como parte de sua jornada interior.

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