Capítulo 9: De Vila a Cidade
Os pássaros cantavam e o sol irradiava sua luz matinal, a brisa do ambiente era calma e acolhedora, os cervos e outras criaturas próximas pastavam e andavam calmamente sobre a grama fresca.
Kenji havia descansado debaixo de uma árvore nas redondezas da vila, e acordou com fome, não tinha comido nada faz um bom tempo.
Ele precisava entrar na vila o mais rápido possível, não era acostumado com a caça então não pretendia ter que matar um cervo, e por estar ainda machucado não seria eficaz para tal atividade.
Se aproximando do portão da vila, Kenji se depara com o minotauro em sua pose defensiva, carregando seu machado reluzente.
— Olha só quem voltou! O nanico está bem machucado, tenho certeza que foi uma aventura e tanto. — o grande minotauro ri.
Ignorando a provocação da criatura, Kenji abre sua mochila retirando de lá o tal anel de proteção que o mesmo tinha pedido.
— Tá aqui a porcaria do seu anel! — Kenji fala entregando o anel para o minotauro, deixando ele em silêncio ao ouvir aquelas palavras, ele não esperava por isso.
O minotauro pega o anel e encara o rapaz com uma expressão séria.
— Me siga — disse o minotauro.
Passando pelo grande portão da vila, as coisas eram completamente diferentes do que Kenji imaginava, cada passo que ele dava via criaturas diferentes, a cada canto, casa, ou esquina tinha algum minotauro, elfo, centauro, criaturas lagarto e até além disso.
Era uma diversidade de criaturas em um só lugar que Kenji nunca pensou que veria.
Por ser um humano ele atraia olhares por todos os lados, muitos curiosos encaravam o garoto de cima a baixo, causando calafrios no mesmo.
O minotauro para em frente a uma grande casa, porém simples, na porta da casa tinha alguém que se assemelhava a uma garota, ela tinha orelhas pontudas, um longo cabelo ruivo trançado, com um adorno de flores em sua cabeça, usava um vestido curto e uma bota, ambos na cor verde.
Ela parecia conversar com uma outra garota de semelhante aparência. Ao se aproximar, a garota com quem conversava se retira.
A menina de vestido esverdeado se vira, revelando uma pele fina e delicada, ao ver Kenji estranhamente uma expressão alegre aparece em seu rosto, muito diferente da reação que todos até agora tiveram para com o rapaz.
— É ele?! O humano? É muito diferente do que eu imaginei! — Ela diz num tom de empolgação, era uma recepção bem estranha para Kenji naquele momento.
Ela segura na mão de Kenji com as duas mãos, demonstrando uma animação exacerbada, em resposta a essa recepção “calorosa” grandes asas translúcidas como de uma libélula aparecem na garota e ela começa a voar em volta do garoto, ao fazer isso partículas do pó de fada saem dela.
“Uma fada? Normalmente fadas vivem escondidas, desde quando isso mudou?” Pensou Kenji.
— Eu me chamo Isha, qual o seu nome?
— Meu nome é Kenji! Nunca pensei que veria um fada tão de perto.
— Nós estamos nos mudando, não é incrível!? Deixa eu te explicar! — Isha diz puxando o garoto para uma caminhada com ela.
— Estamos juntando todas as espécies não humanas possíveis em um só lugar, todos que aceitarem é claro. Muitos de nós vivíamos escondidos como as fadas, com medo de repreensão ou da caça, basicamente não temos voz a nada no mundo humano. Essa iniciativa é para construirmos uma vila que abriga espécies não humanas para termos um local para chamar de lar. E transformar essa vila em uma cidade, a cidade de Banehaven, como decidimos chamar.
— Parece uma boa ideia, então você é a líder por aqui?
— Eu não diria líder, eu sou uma das representantes daqui, temos vários representantes espalhados em cidades próximas, queremos chamar a atenção do governo enviando um diplomata para negociações e assim virarmos uma cidade oficial.
— Essa concentração de criaturas é impressionante e parece que pretendem crescer mais ainda, mas isso não seria um problema ter várias espécies juntas em um só lugar?
— Estamos todos unidos em um só propósito, então quem ousaria perturbar essa paz que a gente tanto deseja?
Enquanto caminhavam, Kenji e Isha passaram por algumas casas ainda em construção.
Minotauros e centauros trabalhavam arduamente, levantando estruturas robustas de madeira e pedra.
Apesar da imponente muralha na entrada da vila, ela parecia inacabada, com trechos ainda abertos e conectados por outros “portões” espalhados pela extensão de Banehaven. Era como se a vila fosse dividida em setores, cada um com sua própria entrada.
Do lado de fora, Kenji não teria como enxergar esses portões sem dar uma longa volta ao redor de toda a vila.
Durante aquele longo silêncio a barriga de Kenji ronca, indicando a terrível fome do rapaz, e Isha percebeu isso.
— Está com fome? Venha comigo, tenho certeza que vai gostar! — Ela sorri.
Toda palavra que saía da boca de Isha transbordava empolgação e uma alegria quase contagiante, uma característica típica das fadas.
Contudo, para Kenji, aquilo era profundamente irritante; ele simplesmente não conseguia compreender o motivo de tanta felicidade.
Seguindo o ritmo animado de Isha, ele a acompanhou até uma taverna. Apesar de ser dia, o local estava surpreendentemente movimentado.
Entre os frequentadores, havia elfos de aparência nobre, humanoides lagartos de olhar desconfiado e até mesmo dragões em formas menores, todos conversando em tons baixos e furtivos.
Assim que Kenji entrou, vários pares de olhos recaíram sobre ele, mas nenhum parecia transmitir boas intenções.
Os olhares hostis fizeram um calafrio percorrer sua espinha, enchendo-o de desconforto. Enquanto Isha continuava despreocupada, Kenji sentiu-se fora de lugar, repensando, mais uma vez, se tinha sido uma boa ideia entrar naquela vila desde o início.
— Um humano! Tomara que ele sirva de almoço. Hehehe — Disse um dos lagartos presentes.
— Não se preocupe, eles não vão te fazer nada. Você é meu convidado, vai ficar bem! — Isha diz sussurrando pra Kenji.
Ao se acomodarem em uma mesa próxima ao balcão, uma peculiar criatura veio atendê-los.
Era um sapo de aproximadamente um metro de altura, com a pele verde e coberta por uma camada que lembrava lama. Ele caminhava ereto, como um humano, e, ao se aproximar da mesa, soltou um sonoro e grave:
— CROAC!

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