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    Com a determinação certa, até mesmo uma lamina cega é capaz de cortar montanhas. 

    A Guerra Além da Espada ~ Kali 

    — Agora… venha… Gundogam!  

    KABRUM 

    Um estouro foi ouvido e Fynn foi atirado com toda a velocidade na direção do bestial, que reagiu, mas tarde demais para parar o chute lateral, que carregado de mana o atingiu fortemente, percorrendo todo seu corpo. 

    GASP 

    URGH 

    Fynn, da mesma forma, sentiu um rebote do golpe, mas isso não foi o suficiente para parar sua investida. 

    KABRUM 

    E novamente, ele partiu com tudo para cima de Gundogam. A besta, reagiu de novo, um pouco atrasado, mas mais rápido do que antes. 

    — Strale de quinto círculo!  

    Estendendo sua palma, uma lâmina cortante feita de mana formou-se em sua mão. Parando a um metro do bestial, ele estocou seu braço. 

    — Corte divino!  

    A lamina não parou, continuando em linha reta em direção ao corpo do seu oponente. Instintivamente, Gundogam juntou ambas as palmas em seu estômago, prevendo onde a habilidade iria atingi-lo, ele a segurou. O choque ainda correu pelos seus braços, contorcendo seu rosto em dor, mas seus instintos animalescos o salvaram de ter um buraco na barriga. 

    — Hahaha! — riu. — Mesmo utilizando habilidades de um nível acima do seu, perceba que eu ainda sou superior!  

    Apesar de só estar atacando e seu oponente só estar defendendo, se um não tivesse assistido à batalha por inteiro, acharia que ambos estavam em situações opostas. Os lábios esbranquiçados e aparência pálida de Fynn faria qualquer um pensar que ele estava sendo dominado.  

    — Não se preocupe, garoto — disse Gundogam. — Humanos tendem a crescer ouvindo baboseiras sobre o quão bons e grandiosos são… mas não tema, te livrarei da lavagem cerebral que fizeram na sua cabeça. 

    KABRUM 

    O solo no chão sob Fynn explodiu no momento em que ele avançou contra o bestial. O instinto da besta estava ainda melhor, desferindo uma garrada na direção do peito do homem, que desviou girando lateralmente e chutou seu joelho. Puxando uma adaga de sua cintura, ele enfiou a lâmina na perna esquerda que estava ajoelhada.  

    ROARR  

    A besta rugiu, atacando com todo seu gigantesco braço para afastar o seu inimigo.  

    — Humano nojento, só estou pegando leve com você por que é uma vítima de tudo isso — Gundogam levantou-se, tirando a adaga de sua perna. — Mas não pense que não eliminarei a sua mísera existência de Erebus. 

    COUGH COUGH COUGH 

    Foi a vez de Fynn se ajoelhar no chão, tossindo e cuspindo sangue.  

    — Não consegue entender a diferença entre nós dois? — perguntou o bestial, indiferente. — Não tem nada a ver com esforço, ou vontade, é uma diferença natural de nascimento! Você é só um humano aleatório, filho de pais comuns. 

    “O que ele está falando…” Pensou o homem. Sua vista ficava turva e seus ouvidos abafados. “Não consigo ouvi-lo…” 

    — Talvez seja necessário mais do que isso para você entender…  

    Na sala da equipe. Os integrantes do time de Fynn estavam sem conseguir falar nem uma palavra. Era agoniante ver o amigo sofrendo daquela forma. Somente duas pessoas assistiam sem demonstrar reação alguma. Um deles era Li, que assistia atentamente sem piscar; o outro era Hans. 

    — O que você está fazendo… Fynn… — sussurrou. 

                                                                                                         

    — Chegando tarde novamente?  

    De madrugada, deitado em sua cama, Hans ouvia seu colega de quarto mais uma vez chegar tarde da noite. 

    — Ah… eu te acordei? Desculpe.  

    — Não — negou. — Não consegui dormir ainda, mas o problema não é esse. Não tem uma luta amanhã? Seu oponente não é nada fácil, é o campeão do nível 1 no último torneio. 

    — É…  

    Jogando sua mochila para o canto, Fynn atirou-se em sua cama e virou-se na direção da parede, deitando encolhido. 

    — URGH, não vai tomar um banho? — perguntou Hans. — Você está fedendo. 

    TSK 

    — Você só sabe reclamar — retrucou. Vou tomar, só estou descansando um pouco.  

    — Sim, sim… de qualquer forma… o que aconteceu? — questionou. — Você sempre teve uma rotina definida, por que a mudou de repente?  

    — Estava treinando mais. 

    — Mais? 

    — Não posso perder, Hans — confessou. — Não posso me dar ao luxo de perder dessa vez, não quando a vida de outra pessoa está em jogo. 

    — Por que já está falando como se tivesse sido derrotado?  

    — Vai ser uma batalha difícil… 

    — Não está soando como si, onde está o cara confiante que dorme nesse quarto? 

    — Hahaha… você está certo… amanhã… vou ganhar… 

    — É melhor ganhar mesmo — afirmou. — Fynn? 

    O seu amigo o chamou, mas ele já havia adormecido.  

    — Você realmente estava fedendo… 

                                                                                                         

    — Talvez seja necessário mais do que isso para você entender… 

    Assim que Gundogam terminou de falar, o bestial fechou os olhos. Lentamente seus pelos arrepiaram-se, as veias que percorriam seus músculos expandiram-se. Uma sede de sangue tomou o ar e o corpo já enorme do homem besta começou a crescer. 

    Subitamente, no entanto, uma outra energia tomou o ar, esmagando a pressão que a energia do participante havia criado, como se o avisasse para se conter. Percebendo a mensagem, ele imediatamente cessou sua transformação. 

    — Sinto muito, parece que não será possível, vou ter que acabar com isso agora… — O bestial lentamente caminhou em direção ao homem. 

    — FYNNNNNNNNNNNNNNNNNN! 

    De uma das salas dos times, um homem branco de cabelo loiro curtíssimo gritou. Sua voz atravessou os ouvidos abafados de seu amigo, e ele virou-se na direção que ela vinha.  

    “Hans…” 

    — O que você está fazendo, seu desgraçado!  

    Os outros integrantes do time arregalaram os olhos, pois nunca haviam visto aquela pessoa se comportar daquela forma. 

    — Você não disse que iria ganhar desse desgraçado!? — gritou o homem. — O que é esse semblante tão fraco? Qual é o problema?  

    — O que esse cara está fazendo? — Os espectadores que notaram comentaram entre si. 

    — Hahaha, que pessoa diferenciada. — Os acompanhantes estrangeiros dos participantes também notaram. 

    — Aquele não é o Arkerman? É até esquisito vê-lo agindo assim. 

    Mas Hans não cessou.  

    — O meu amigo… — gritou ainda mais alto. — O meu amigo, nunca abaixaria a cabeça desse jeito!  

    — Quem é aquele louco que está gritando? — questionou Gundogam. — Não está nem entre os de nível 2… 

    KABRUM 

    — É… você está certo… — Fynn com dificuldade se levantou, colocando-se de pé. — Hans!  

    KABRUM 

    — Esse poder… — O bestial assustou-se com a quantidade de mana concentrada. — Enlouqueceu!? Essa energia é quase de sétimo círculo, você vai se matar!  

    — Talvez… mas não foi você mesmo que disse, gatinho… talvez seja necessário para você entender… a diferença entre nos dois!  

    Li, assistindo concentradamente, lembrou-se do homem falando uma certa vez que não utilizava suas armas principais para lutar; ele nunca havia entendido o porquê é com o tempo não chegou a perguntar, mas agora finalmente entendia. 

    — Você estava errado sobre uma coisa… eu não sou filho de pais comuns! — gritou, sorrindo. — Eu sou um Aster!  

    Um grande cetro feito de Strale estendia-se na mão de Fynn. A energia trovejante crescia nas suas costas, formando asas trepidando e o levantando do chão. O bastão liberou uma lâmina em sua ponta, tornando-se uma foice. Seu corpo, por outro lado, tremia; seus olhos vermelhos liberavam lagrimas de sangue. 

    — Um… demônio! — gritou Gundogam. 

    — Aí está, o Assassino de Amarílis, a encarnação da insanidade! — berrou um espectador. 

    — Alguém pare esse demônio! — clamou outro. 

    — Sim… eu sou! — gritou Fynn. — Se é isso que significa ser um demônio, eu serei um de bom grado!  

    O homem avançou com tudo na direção de Gundogam, que pulou para trás e invocou mesmo contra as ordens que recebeu a manifestação de sangue dos bestiais, mas não rápido o suficiente. 

    — Strale de Sexto Círculo!  

    “Mãe…” 

    Balançando a foice, como um ceifador, Fynn cortou virtualmente o corpo do bestial. Assim que a lamina de Strale atravessou o corpo, ele se tornou um para raios e meia duzia de relâmpagos caíram do céu em cima de sua cabeça.  

    “Eu já achei meu proposito…”  

    — VINGANÇA DOS CÉUS!  

    KABRUM KABRUM KABRUM 

    A arena foi totalmente tomada pelo som e luzes dos trovões que atingiam o bestial. Assim que o golpe foi finalizado, Fynn ajoelhou-se no chão, sangue escorria de seus olhos, nariz, boca e ouvido. 

    “Ainda não… não perca a consciência…” 

    — Eu… 

    Gundogam ainda estava de pé. 

    — Subestimei você… 

    Mas seus joelhos cederam e seu corpo caiu no chão, desacordado. Só ai, Fynn pode fechar os olhos e desmaiar no chão, rápido o suficiente para não ouvir o final da luta. 

    — O vencedor da última batalha das quartas de final do dia é Fynn Aster, da facção de Arcádia!  

    — Boaaaaa! — gritou Hans, em meio ao silêncio da plateia. 

    Os espectadores, sem muito como reagir, bateram palmas para a batalha, alguns até expressaram seu apoio ao homem. Entre o sangue e os hematomas, um sorriso estampava o rosto desacordado de Fynn. 

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