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    Categoricamente falando, as condições para chegar ao ranking de vice-lorde são variadas. Uma delas é ser capaz de desenvolver um próprio estilo, ou uma própria magia; algo que mesmo seres extremamente poderosos às vezes não conseguem realizar. Os que conseguem jamais compartilham de suas experiências… tolos. 

    Guilda ~ Brigida 

    As palavras do homem cortaram até mesmo através da loucura que consumia Otávio. 

    “Segundo círculo…?”  

    Estendendo sua mão, Nasháh tentou tocar o peito do homem, que instintivamente saltou para trás. Ainda assim, seu braço foi tocado e uma dor excruciante começou a subir pelo seu pulso. O braço dominado pelo musgo agiu sem hesitar e cortou o outro membro fora. 

    ARRGH — O grandalhão berrou de dor. Mas ela cessou com o crescimento de uma nova mão roxa no lugar da anterior. 

    GASP 

    Nasháh cuspiu um punhado de sangue.  

    — Parece que meu tempo está acabando… mas acho que já tenho tudo pronto. 

    Respirando fundo, a mana do ambiente começou a se concentrar ao redor do homem de cabelos brancos e diversas palavras negras em um dialeto desconhecido apareceram no ar. 

    — No estado em que estou não consigo nem fazer isso sem utilizar um encantamento… parece que eu que sou patético… 

    Subitamente as palavras que flutuavam no ar foram atiradas em direção a barreira que se erguia em todas as direções. Mas, após alguns segundos, nada parecia ter mudado. 

    — O que você está fazendo!? O que você fez? — gritou Otávio. 

    — Não é da sua conta. 

    O homem careca forçou um sorriso, quase explodindo suas veias de raiva. 

    “Use bem esse momento… Li…” 

    CRACK 

    O domínio ao redor lentamente começou a trincar, mas antes que quebrasse por completo, o dano cessou e o círculo que os prendiam mudou de cor de roxo para preto. Ao mesmo tempo, a cor de âmbar voltaram as pupilas de Jihan. 


    Simultaneamente, diversas explosões eram ouvidas por toda a cidade de Anpýrgio.  

    — Rápido, distribuam-se pela cidade, não podemos deixar isso sair do controle, não hoje!  

    A mulher de cabelos vermelhos dava ordens para dezenas de pessoas enquanto ela mesma corria em direção a um dos problemas. 

    “O que está acontecendo!?” Amaldiçoou. “Tem que ser um ataque coordenado, são duzias de confusões ao mesmo tempo… mas… de quem?” 

    Na varanda do último andar no castelo de Arcádia, Kali olhou para a antes magnifica cidade, coberta de fumaça de dezenas de explosões. O único lugar que parecia seguro era o próprio coliseu. 

    “Senhora” 

    — Essa voz… Tertulius! 

    “Não se preocupe, vá direto para o coliseu… nós cuidaremos dos incidentes.” Outra voz soou em sua mente. 

    — Vocês finalmente voltaram, serão punidos pelo atraso! — avisou. — Ya Shen deve estar no coliseu… 

    “Minha senhora, Shen não chegou lá… mas deixe isso para depois.”  

    — Lucas? Como assim?  

    “De acordo com minha análise, o padrão de ataques indica uma distração do verdadeiro foco… confie em mim e vá para o coliseu.” Disse o homem. “Vamos mostrar que os Lordes de Arcádia não são só para enfeite.”  

    Apertando a guarda da katana, Kali pulou pela varanda. As vozes de ambos os Lordes de Arcádia soaram simultaneamente em sua mente. 

    Morior Invictus! 


    Enquanto isso, o domínio fraquejava em manter-se de pé. Li piscou, respirando fundo e deixando para depois pensar no que havia acontecido. 

    “Eu consigo…”  

    O domínio não o restringia mais como antes, permitindo com que usasse todas as manas em seu corpo e lutasse no ápice. O êxtase do poder ainda percorria seu corpo, por mais exausto que deveria estar. 

    — Você… você é um monstro muito pior do que eu… 

    O que havia restado de Otávio lentamente se levantava do chão. Seu corpo agora estava totalmente coberto, similar a um fungo ambulante. Sua voz se esvaia, trocada por um ruído asquerosamente estridente.  

    — Um demônio… não vou perder novamente… 

    Sem conseguir falar, o monstro partiu para cima dele balançando o braço direito que antes segurava a maça, logo era muito maior que o outro. Sentindo a mana percorrer pelo seu corpo, Li a acumulou em seu punho e contra atacou o golpe que vinha de cima. 

    BUM 

    Mesmo com um poder acima do normal, Jihan ainda foi empurrado alguns metros para trás, ainda assim um sorriso ainda maior apareceu em seu rosto. 

    — Se posso aparar seus golpes dessa forma… não existe nenhuma forma de eu perder essa luta! 

    Diferente das outras batalhas, não era um duelo de técnicas ou estilos, e sim de força bruta. 

    BAM 

    — O que houve!? — gritou Li. — Essa força não é nada comparada a de Irmin! 

    BAM 

    — CALE-SE! 

    A voz de Otávio, mixada com o tom estridente, ecoou pela boca da monstruosidade. 

    “Ele ainda está lá!” 

    BAM 

    Apesar da confiança de Jihan em suas falas, a realidade era bem diferente. Quanto mais golpes trocavam, mais ele ficava em desvantagem, afinal, o monstro continuava a sugar suas forças e a condição criada por Nasháh não existiria por muito mais tempo. 

    “Como… como eu acabo com isso…” 

    Mesmo quando concentrou Almos em seus olhos, Li não achou uma saída. 

    “É diferente de Irmin, a alma dele já está consumida, ela mal existe… me desculpe Otávio, mas não tenho como te salvar” Concluiu. 

    BAM 

    “Eu vou perder?” As palavras passaram rapidamente pela mente de Jihan. 

    BAM 

    Suas forças iam embora lentamente, enquanto o monstro, como uma sanguessuga, utilizava a energia roubada para se sustentar. 

    BUM 

    Em um pequeno deslize o punho do homem falhou e seu corpo recebeu o golpe. O monstro não demorou a perceber a abertura e seguiu com uma sequência, socando-o com toda a força para cima.  


    Enquanto a luta acontecia, diversos pontos da cidade eram acometidos com brigas violentas que destruíam quarteirões e machucavam diversos inocentes que apenas estavam a observar. 

    TSK 

    — Que saco, eu não posso simplesmente ignorar tudo ao meu redor e me direcionar diretamente ao coliseu. 

    Ya Shen, que estava a caminho, havia sido forçado a parar algumas vezes para ajudar cidadãos inocentes que estavam sendo afligidos por arruaceiros.  

    — Espero que esteja tudo bem… 

    Em outros cantos da cidade, diversos integrantes da facção de Arcádia resolviam outros conflitos. 

    — Sr. Lucas, a alá sul está pedindo ajuda, aparentemente bandidos se infiltraram na cidade e estão matando inocentes indiscriminadamente  

    — Bandidos? 

    — Sr. Lucas, os patrulheiros da ala a noroeste reportaram que indigentes de uma facção estão brigando violentamente, o número de casualidades já chegou em 4 e os danos as propriedades são gigantes. 

    — Outra vez? O que está acontecendo nessa cidade!  

    — Sr. Tertulius, os membros da igreja local reportaram sinais de magia sombria nos arredores dos portões. 

    — Magia sombria? Precisamos investigar o mais rapi… 

    Subitamente, Shen, Lucas e Tertulius pararam de se mover. Expressões terríveis surgiram em seus rostos e todos olharam para a mesma direção. 

    “O que…” Pensou Shen. “O que é essa energia vinda do coliseu”  


    O dia estava ensolarado no coliseu da cidade de Anpýrgio. Dezenas de cidadãos iam e vinham da entrada. Um só saberia o quão cheio estava o edifício se nele entrassem, afinal, as paredes eram revestidas com runas que juntas criavam uma barreira de som, impedindo que a sonoridade afetasse a vizinhança. 

    Como um grande dia de semifinais, a expectativa sob as batalhas eram gigantescas, logo, toda a arquibancada estava lotada. Cheia o suficiente para que nem todos prestassem total atenção a batalha. A semifinal em questão seguia de forma esquisita; Tanto Li, quanto Otávio apenas trocavam golpes, com o segundo sempre numa posição mais vantajosa, mas sem conseguir terminar o confronto.  

    — Que luta esquisita… 

    — É, eu esperava muito mais… que decepção… 

    — Ei, o que é aquilo? 

    — Hum? O quê? 

    — Não esta vendo? 

    — Do que está falando, não tem nada ali? 

    — Espere, eu também tô vendo! 

    — Aquilo é… uma pessoa? 

    — Ela está flutuando nos céus… isso é permitido? 

    Os espectadores começaram, um a um, a perceber o ser que flutuava sobre o coliseu.  

    VUSH 

    Subitamente uma onda de energia voou por toda a arquibancada, desacordando grande parte da plateia. Os poucos conscientes foram completamente tomados por confusão. 

    — O que está acontecendo! — Matheus da sala da equipe gritou. 

    Gloria, Selene e Fynn que estava ainda se recuperando dos ferimentos, caíram no chão, inconscientes.  

    — Como permitiram que algo assim chegasse aqui? 

    — Líder, temos que tirar eles daqui — Hans disse, se referindo aos companheiros. — Rápido!  

    — Não podemos deixar os inocentes na arquibancada e Li ainda está… 

    — Matheus!  

    Hans gritou. Seu rosto estava tomado por uma expressão desesperadora.  

    — Aquilo… não podemos vencer aquilo!  

    — Hans… 

    — Não é um demônio qualquer… aquele monstro é um Avicci!  

    — Ah… estão todos me ouvindo? 

    Uma voz anasalada ecoou dos céus. O ser com um chapéu que se estendia em formato de um V de pontas caídas era humanoide. Com roupas brancas, pretas e vermelhas que lembravam um bufão, suas vestes nada condiziam com seu rosto, que por mais que falasse, não se movia; travado em um sorriso de orelha a orelha e olhos opacos.  

    — Meu nome é Triboulet, mas vocês devem me conhecer pelo meu apelido… o Avicci da Ilusão. 

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