Capítulo 124: Ovo
— Aquilo? — Victórios fez uma expressão de estranheza. — É um ovo…
— Um ovo?
— Bem, na verdade, é mais uma decoração… o único motivo que está aqui é sua importância histórica… afinal é impossível chocá-lo.
A resposta do príncipe deixou Li ainda mais confuso, afinal aquela coisa parecia mais uma rocha do que um ovo.
— Não parece muito com um ovo… — disse Nina.
— Claro, não é de um animal comum… aquele é um ovo de dragão.
Assim que ouviu a palavra dragão, os sussurros voltaram a mente de Li.
“Está… falando comigo…?”
Subitamente sua consciência ficou leve, como se estivesse a um fio de desaparecer.
— Ei, Jihan!
Quando notou a movimentação do homem, já era muito tarde. Estendendo a mão, Li tentou tocar o ovo.
— Espere, a barrei…
GRRR
No instante em que encostou no círculo que protegia o objeto, sua mão se prendeu a energia, que percorreu desenfreadamente todo o seu corpo. Rangendo os dentes, a dor era quase insuportável. Em uma reação rápida, Victórios atirou uma onda de energia na direção de Li empurrando-o para longe da barreira.
— Droga!
— Ei, porque você o empurrou com tanta força!
— Nina, é uma barreira de nível superior, se eu não o fizesse ela teria matado ele — explicou.
Ambos correram até o homem, que havia colidido contra uma parede com a força da explosão.
— Ainda bem… ele não parece ter recebido danos graves… só a mão que está bem machucada.
— Como vamos explicar isso para o papai…
— Não vamos, cure ele — respondeu.
— Eu?
— Só faça logo, é melhor que ele acorde, é a estrela da festa, seria muito esquisito se ele não voltasse.
— Ah… tá bom!
Imediatamente a menina concentrou sua energia e uma luz dourada recaiu sobre o corpo de Li, lentamente fechando suas feridas.
Levantando-se, Victórios caminhou de volta ao altar, mas se surpreendeu com o que achou.
“Não está aqui?” pensou.
— Nina, o ovo está com o Li? — perguntou a sua irmã, que ainda estava o curando.
— O quê? Não!
“Foi destruído!? ARGH, o velho vai me matar!” amaldiçoou sua sorte, levando as mãos a cabeça. “Devo só dizer que o Li o escolheu? Não… provavelmente vão pedir para ele expor sua escolha ainda hoje, mesmo que ele concorde comigo, quando chegar essa hora nossa mentira vai ser exposta…”
— Irmão, ele está acordando!
— Ah… que dor de cabeça… o que aconteceu? — perguntou, adulando a própria testa.
— Não se lembra? — Perguntou Victórios. — Você encostou na barreira que protegia o ovo. Tive que te atingir com uma onda de energia para salvá-lo.
— Eu fiz isso…? — Olhando para sua mão, ainda um pouco machucada, Li questionou-se. — Certo… o ovo…
“Será a confusão por ter batido a cabeça?” pensou Nina.
— Li, do que você se lembra? — perguntou a princesa.
— Eu tava… falando com vocês e… do nada…
“Que estranho…” pensou Jihan, consigo mesmo. “Essa sensação de não me lembrar das coisas é esquisita”
— Mas eu me sinto melhor agora, a dor que eu estava sentindo antes já passou.
— Bem, faz sentido, afinal, o ovo foi destruído — disse o primogênito.
— Destruído!? — ambos perguntaram em uníssono.
— Droga… o papai vai nos matar!
— Desculpa… não queria causar problemas para vocês…
— Então, o que acha de mantermos esse segredo entre nos?
— Mas o que faremos se perguntarem sobre o que ele escolheu?
— Simples, responderemos com a verdade.
— Irmão, você não está fazendo muito sentido…
— Você subestima a genialidade de seu irmão, Nina! — disse Victórios, triunfantemente, de forma que até mesmo Li fez uma expressão confusa.
— Li, você disse que não conseguiu ver nada que fosse extremamente útil para você, certo?
O homem acenou com a cabeça, confirmando.
— Pois bem, porque não fazemos dessa forma, então, para que você não saia de mãos abanando e nem precisemos lidar com o sumiço do ovo, mantemos isso entre nos e ainda sim você terá um objeto para mostrar — propos. — Ao invés de escolher um item, escolha um material!
— Um material? Mas não darão falta do ovo aqui na sala?
— Que nada, quase ninguém entra aqui e mesmo que meu pai o faça, ele não vai prestar tanta atenção no que está exposto no primeiro andar.
Indo até Jihan, o primogênito estendeu a mão a ele.
— Será o nosso segredo, o que acha?
Sem pensar muito, afinal, não é como se ele tivesse muitas opções, o jovem agarrou a mão do príncipe e se levantou.
— Estamos juntos nessa então.
— Assim que se fala!
— Aliás — comentou Li. — Os guarda não ouviram?
— Não, tem uma barreira a prova de som na porta, acho que vai ficar tudo bem.
— Entendi… e sobre o material, vocês têm alguma recomendação?
Ambos começaram a pensar.
— Você tem algo em mente? Alguma característica especial?
— Hm… vocês sabem de algo que melhora o controle de mana? — perguntou, omitindo propositalmente o que leu na tese de Brigída.
A coisa que Jihan mais tinha dificuldade era definitivamente um controle efetivo de sua Prana, pois não era algo que ele conseguia aprender com visualização e muito menos em algum livro. Ter algo que o fizesse pelo menos ter o sentimento de como seria ter um bom controle o ajudaria muito a desenvolver esse caminho por si só.
— Bem… — Nina respondeu, olhando para seu irmão. — Temos manita.
— Não é uma má opção… mas…
— O que foi? — questionou Li.
— É que, apesar de termos um minério aqui no cofre real, ele é bastante complexo e você teria que não só achar um ferreiro do maior grau, mas ele também tem que estar disposto a lidar com algo extremamente volátil.
— Só isso? — perguntou.
— Só… — Nina sorriu sem graça. — você faz parecer que é uma tarefa fácil, sabemos que Arcádia tem o auxílio de Valhir, mas é mais uma parceria do que um trabalho para ele… duvido que ele ajude tão indiscriminadamente para ceder a qualquer pedido.
— Pode deixar essa parte comigo — respondeu Li, confiantemente.
— Bem, se você está tão confiante assim… — Indo até uma das barreiras, Victórios a abriu, recitando uma frase que Li não ouviu. — Aqui — e entregou um mineral de cor dourada para Jihan, que imediatamente o colocou dentro do seu armazém pessoal, o anel feito com os restos que sobraram do chifre de Sleipnir.
— Por acaso o ovo…
— Não, perdão, mas foi a primeira coisa que fiz… podem checar por si mesmos se quiserem.
— Está tudo bem, confiamos em você — respondeu o primogênito.
— Afinal, não tive a chance de perguntá-lo anteriormente, mas por que era impossível chocá-lo?
— Por quê? Porque para chocar um ovo de dragão, você precisa de sangue de dragão… e já fazem seculos que nenhum é visto.
— Entendi…
— Vamos, já estamos aqui ha muito tempo, temos que voltar para o banquete, devem estar sentido sua falta — disse Victórios.
— Sim, vamos…
Enquanto saia da sala, logo atrás dos dois herdeiros, Li encarou a própria mão, lembrando-se de uma coisa.
“Sangue de dragão… certo…”

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