Capítulo 127: Finalizando as comemorações
Andando de volta para o salão, Li se despediu do primogênito e de Nina, que possuíam suas responsabilidades como anfitriões e realeza.
— Quando puderem, eu adoraria apresentá-los para os meus amigos — disse ele.
Victórios e Nina se olharam.
— Nós adoraríamos, acredito que não demorará muito a nos vermos novamente, Jihan.
— Sim, senhor Siriús!
— Conto com isso, tchau tchau!
Indo em direção ao grupo, ele foi parado diversas vezes por diversas pessoas, tanto para parabenizá-lo quanto para perguntar-lhe inconvenientemente acerca do que havia escolhido do cofre. Claro, ele manteve o segredo, mas ainda assim, por conselho do primogênito, escolheu omitir o que havia escolhido das facções rivais.
— Posso falar com você? — Quando estava quase alcançando seu grupo, foi puxado por uma mão suave.
— Akemi?
— Só um momento…
Acompanhando a elfa, ambos foram para um canto mais isolado.
— Então…
Akemi respirou fundo enquanto juntava fôlego para conseguir falar.
— O que foi?
— Pode esperar um segundo?
— Claro…
Após um minuto, a elfa finalmente ganhou força.
— Obrigada!
— Eh…
Li inicialmente não entendeu.
— Você salvou minha vida na floresta e me ajudou durante o restante dos testes… nunca tive a oportunidade de te agradecer…
— Tudo bem… — surpreendendo-se com o que a elfa falou, ele respondeu. — Não fiz nada demais…
— Sim, você fez… Entretanto, não foi por isso que eu te chamei… eu só queria tirar isso do caminho…
“Anda, Akemi… você aceitou beber com sua mestra por esse momento!” Pensou, se encorajando.
— Akemi…
— Você — começou, interrompendo-o. — Você vai ficar mais forte… e mais forte… e mais forte, eu sei que vai, porque meu pai também achava isso!
“O velho Itzal…” pensou Li.
— Mas eu não vou ficar para trás! — continuou. — Vou continuar treinando e treinando e treinando… então, quando o momento chegar… poderia me deixar lutar ao seu lado?
— Lutar ao meu lado? — Li estranhou.
Akemi imediatamente avermelhou-se com a reação do homem.
— Eh… ah…
— Achei que seria algo mais difícil — sorriu. — Claro, somos amigos, não somos? Aliás, você foi minha primeira amiga aqui, então, por favor, conte comigo para o que precisar.
— Amigos… é… somos amigos.
“Tudo bem… por enquanto é o suficiente.”
— Dito isso, você bebeu por acaso?
— Ah… sim?
— Faz sentido, você está toda vermelha — comentou, rindo, o que fez com que Akemi ficasse ainda mais vermelha.
— Cale a boca!
BAM
A elfa tentou socá-lo no estômago por reflexo, mas Jihan foi mais rápido e agarrou a sua mão.
— Oh, dessa vez eu consegui!
Akemi ficou surpresa, era a primeira vez que ela sentia o toque de sua mão numa situação normal. Era uma pele áspera, cheia de calos e cicatrizes.
“É confortável…” pensou ela. Por algum motivo, ela, por instinto, avançou e o abraçou, o que confundiu Li completamente.
— Akemi…?
— Se falar uma palavra, eu te mato — avisou. — Nós não vamos nos ver por um bom tempo agora…
E assim, por mais algumas dúzias de segundos, ela ficou. Quando finalmente recobrou a razão, ela se afastou dele.
— Na próxima vez… na próxima vez que eu te encontrar, serei eu a te proteger! — declarou confiantemente.
Li sorriu e, sem ter motivo contrário, concordou com ela.
Quando finalmente alcançou seus amigos, ele se arrependeu ligeiramente de ter retornado. Fynn e Hans estavam disputando a posse de uma coxa de frango. Glória estava repreendendo Matheus, que estava bebendo demais. Selene, que aparentemente também estava sob efeito de álcool, estava enchendo Gnibry de perguntas, o velho gigante parecia feliz de respondê-las. Irmin estava logo ao lado, observando carinhosamente.
Do outro lado, ele conseguia ver vários homens, soldados e membros de outras facções alinhados para desafiar uma grande mulher numa queda de braço.
— Fraco! — gritou a mulher enquanto acabava com mais um. — Que venha o próximo!
Miriem ganhava uma rodada após a outra. Li procurou a discípula da elfa, questionando onde ela estaria, mas ficou surpreso em vê-la posicionando-se triunfantemente ao lado de sua mestra, como se todas as vitórias dela fossem também suas.
— Oh, seu canalha, onde está você! — um rugido soou ao lado de Jihan. Um grande demihumano da facção de Bestiália estava à procura de um certo sujeito. — Aí está você, o de mullet!
“Mullet?” Pensou e imediatamente lembrou-se.
— Eh… O que foi? Está procurando tomar mais uma surra?
Fynn se aproximou de Gundogam, provocando-o.
— Hahahaha, eu gosto do seu espírito, humano! — respondeu a besta. — Pode ter ganho dessa vez, mas saiba que eu, Gundogam, não perderei da próxima vez!
— Quer tentar outro desafio?
— Oh… Que tipo de desafio?
Virando-se para a mesa, Fynn agarrou dois copos gigantescos de 1 litro de cerveja.
— Beba comigo!
— Hahahaha! — gargalhou. — Com o seu corpinho, pretende competir em bebida comigo? Vamos ver então, humano!
Li olhou ao seu redor, diversas cenas parecidas se desenrolavam entre os seus diversos conhecidos presentes. Prado mimando seu filho, Lorena invocando pequenos espíritos para apresentá-los para jovens espiritualistas. Dédalos discutia com outros membros de Arcádia. Até mesmo a pequena Maria e Laura surpreenderam Matheus aparecendo no banquete, o que o fez cair em lágrimas visto que estava bêbado.
E ali, naquele pequeno momento no espaço e tempo.
Ele riu.
Olhando todos os seus arredores, ele riu.
Sem sentir um pingo de tristeza, ele riu.
Sem chorar, ele riu.
Sem sofrer, ele riu.
Sem dor, ele riu.
Mais do que riu, ele gargalhou.
Por algum motivo, entre sua risada, lágrimas começaram a escorrer, mas não de tristeza e sim de alívio e felicidade.
— Tudo bem com você, Li? — Matheus e Glória se aproximaram, perguntando-o.
— Estou bem — respondeu, enxugando as lágrimas. — Só estou feliz… estou muito feliz de estar aqui.
Ouvindo a resposta do homem, eles se entreolharam. Mas, sem necessidade de falar nem mesmo uma palavra, eles apenas sorriram e puxaram Jihan para perto, entornando-lhe um copo de bebida. Após algum tempo, um homem se aproximou.
— Jihan, venha cá — Ya Shen surgiu das sombras como de costume. — Queria esperar até amanhã para lhe passar essa informação, mas ela insistiu que fosse ainda hoje.
— Ela?
— Seria eu a quem o Vice-Lorde se refere? — Lorena se aproximou.
— Senhorita Lorena?
— Por favor, deixe o ‘senhorita’ de lado, pode me chamar apenas de Lorena, daqui para a frente vamos ter muito o que conversar.
— Não estou entendendo…
— Parabéns, Li… — disse Ya Shen. — Você está essencialmente promovido a Líder de Equipe
— Promovido? — A notícia pegou Jihan de completa surpresa.
— Não apenas promovido, você vai treinar sob a minha tutela a partir de hoje — disse Lorena. — Você pode não enxergar, mas o seu potencial para espíritos é enorme?
— Promoção… espera, espíritos? — questionou. — Mas eu sempre fui um Fortalecedor…
— Você também leu o manuscrito, certo? — perguntou. — Então, sabe que a Prana é muito mais complexa do que pensávamos anteriormente.
— Mas, senhor — virou-se para Shen. — Minha equipe…
— Não precisa se preocupar com isso — explicou o Vice-Lorde. — Sabe que priorizamos o crescimento em conjunto, você ainda vai morar no mesmo conjunto habitacional e estará na mesma equipe, só treinará e se juntará a missões junto com o esquadrão da Lorena de tempos em tempos… além disso… bem, deixemos isso para outra hora…
— De qualquer forma… Li… — A Vinculadora, Lorena, encarou-o de perto. — Tem alguma coisa de errado com você…
— Comigo?
— Sua Prana está fluindo de um jeito anormal… — Os olhos da mulher foram subitamente cobertos por uma energia azul. — Você precisa controlá-la, imediatamente… espere… interessante… onde você conseguiu isso?
— Senhorita, não sei do que você está falando… — disse ele, visivelmente sem entender.
— Você realmente não sabe… isso vai ser um problema…
— Lorena? — Até mesmo Ya Shen estranhou a atitude da mulher.
— Ele tem uma quantidade absurda de energia… não se preocupe, vocês vão entender em instantes… e você… — virou-se para Jihan. — Venha cá!
Puxando-o, Lorena o agarrou e o beijou à força. Li estranhou por um instante, assim como todos que estavam prestando atenção, mas seus pensamentos foram interrompidos pela quantidade massiva de energia que entrou dentro de seu corpo.
Ya Shen, percebendo a estranheza, afastou os dois, a mulher agachou-se no chão, sem fôlego.
— Não foi o suficiente… Shen, coloque uma barreira ao redor dele, imediatamente!
— Não posso fazer isso aqui!
— Rápido!
TSK
Relutantemente, ele o fez. Nesse momento, a maioria dos presentes já havia se virado em direção ao tumulto. A barreira se ergueu ao redor de Li.
CRACK
Ele pouco estava entendendo tudo que estava acontecendo e perdeu mais ainda a noção quando seu corpo começou a esquentar rapidamente.
CRACK
E uma luz branca intensa começou a ser emitida de seu corpo, espalhando-se por todo o ambiente como uma grande estrela.
Sua fã número 1, Nina, observou de longe, maravilhada com a cena.
— É mesmo brilhante…
CRACK
E subitamente essa luz expandiu-se, tentando escapar da barreira sombria de Shen com todas as forças.
“Esse moleque…” O vice-lorde arregalou os olhos. “Ele está quase partindo… não deixarei!”
Fortalecendo a barreira, o poder amedrontador de Ya Shen conteve a tremenda quantidade de energia de maneira quase injusta.
Os deuses presentes observaram de longe, mas mantiveram uma postura neutra.
— Impossível! — Enquanto lutava para conter a energia dentro da barreira, Shen percebeu um fenômeno diferente do que pensava. A luz não estava apenas tentando sair do controle, ela estava ativamente consumindo as sombras, enfraquecendo-o.
BUM
A onda de luz se espalhou em todas as direções, cegando momentaneamente os mais distantes e atordoando os mais próximos. Porém, antes que pudesse causar mais estragos, a energia foi parada, como se fosse incapaz de se mover ainda mais.
— Droga… — Amaldiçoou Kali, que foi obrigada a interromper. — Por que meus filhos não são mais quietos…
Utilizando um Intensio impecável, para um espectador comum, era quase como se a Deusa pudesse controlar o tempo, retornando a energia inteira para um só lugar e contendo-a apenas no objeto que era sua fonte. Tudo isso em questão de poucos segundos.
Porém, até mesmo Kali arregalou os olhos quando viu o que era a fonte de toda aquela energia. Li estava apagado no chão, mas num estalar de dedos da Deusa, ele abriu os olhos.
— Você tem uma boa dose de explicações a fazer — disse ameaçadoramente.
— O que… aconteceu…
— Veja você mesmo.
GRRRRRR
No peito de Jihan, uma criatura com escamas azul-marinho semelhante a um lagarto de asas rosnava para a Deusa.
— E é melhor começar a explicar agora.
Boa tarde a todos.
Sou Dealer, o autor de Siriús e, com esse capítulo, chegamos ao fim do segundo arco da novel.
Primeiramente, gostaria de agradecer aos comentadores mais assíduos. Radiant, Otone, Al3, Iank, Mega, Monarca, Paulo, Apito e Mago.
Sou muito grato à força e às críticas construtivas feitas durante a obra, elas me ajudam a reinventar e observar de uma ótica diferente. Esse arco foi uma jornada bem longa, tive tempos de baixa e voltei, reescrevendo grande parte desse arco; sinceramente, foi ótimo, estou satisfeito pelo momento em que estamos.
Muito obrigado a todos que leem, enquanto uma pessoa ler, eu ainda escreverei, mesmo que essa pessoa seja eu mesmo.
Na semana que vem não teremos capítulo, estarei viajando e acumularei alguns capítulos antes de começar a rodar o terceiro arco, ele é bem complexo visto todas as mudanças que fiz e tudo que tenho para trabalhar, porém, caso saia da maneira que espero, tem tudo para ser simplesmente a melhor coisa que já escrevi. Coloquem expectativa e farei de tudo para cumpri-la.
Siriús retorna dia 15 de março. Até logo.
Sic Parvis Magna.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.