Capítulo 129: Surpresa
No início, a proposta parecia incrível, uma nova oportunidade, uma nova vida. Porém, como tudo em sua vida, nada viria de forma tão fácil, promessas vazias eram atividades diárias e essa foi mais uma delas. Um tolo facilmente manipulado a ir em direção ao mais fundo dos buracos.
O Bibliotecário
Enquanto os dois homens caminhavam em direção aos aposentos da zona de quartéis antigos, dentro da casa que habitava o esquadrão, o grupo decorava os interiores da casa. Hans e Fynn ajeitavam os móveis para abrir espaço, Glória cozinhava e Lisa e Matheus faziam as decorações com as instruções da mulher.
— Senhorita Glória, é assim?
Uma baixa menina loira perguntou enquanto pendurava uma linha de balões.
— Sim, assim mesmo, Lisa! — respondeu a mulher.
— Pode me lembrar novamente por que estamos fazendo isso? Digo, tem certeza de que é hoje? — questionou Fynn.
— Sim, o Matheus disse que é certeza!
BAM
— Ele está vindo! — disse Selene, batendo a porta ao entrar.
— Já!? — surpreendeu-se Glória. — Não estamos prontos ainda, dá um jeito de atrasá-lo!
— Eu? Como? — respondeu a moldadora.
— Não você, Selene, ela — apontou para Lisa.
— Eu?
— Sim, quem mais? Só uns cinco minutinhos estão bons.
— Hm… okay, vou conseguir! — afirmou, entregando os balões para Selene e saindo pela porta.
— Você acha que ele vai gostar? — perguntou a moldadora.
— É bom ele gostar, estamos fazendo isso tudo… — disse Fynn.
— Pare com isso, não perguntamos nada sobre, então não podemos cobrar que ele goste — falou Glória.
Selene concordou acenando com a cabeça.
— Ela está falando isso, mas tenho certeza de que ela vai ser a que ficará mais triste se ele não gostar — comentou o homem de mullet com tom de deboche.
VUSH
BA
— Cale a boca e continue! — gritou Glória, atirando uma colher na cabeça de Fynn.
RENKK
— Ei, façam menos barulho, ele está vindo! — disse Lisa, abrindo a porta levemente.
Do lado de fora, os dois homens se aproximavam. A uma dezena de metros de distância, Li parou, observando uma menina de cabelos loiros, túnica branca e com metade do corpo para fora com a porta entreaberta, como se espiasse dentro. Ele sabia exatamente quem era. Sem percebê-lo, ela fechou a porta e virou-se em sua direção, arregalando os olhos com a pouca distância entre os dois.
A menina, em pé na varanda de madeira a alguns centímetros do chão, possuía quase a mesma altura que ele. Olhando-o pelo guarda-corpo, ela sorriu e, invertendo os papéis, disse:
— Estou de volta…
— Bem-vinda… desculpe por ter demorado tanto…
STEP
Passo a passo, lentamente, ela desceu as escadas da varanda e, assim que tocou o chão, acelerou em direção a Li, que a recebeu de braços abertos. Assim que o abraçou, começou a chorar como uma criança, afinal, ela era somente uma adolescente. O homem acariciou seu cabelo.
— Pode chorar…
— Eu… IHC, estava com tanto medo, IHC, estava sozinha, eles não me deixavam sair, não me deixavam ver vocês… quando me mandaram para longe, achei que fosse o fim… que nunca mais teria chance de ver meus amigos de novo…
— Você está segura agora… ninguém… eu nunca mais vou deixar alguém te machucar!
Li apertou o punho que não estava fazendo carinho na menina. Mesmo tendo resolvido as coisas, a imagem de como Lisa estava quando havia vindo visitar junto ao templário ainda estava clara em sua mente.
— Obrigada, obrigada… obrigada, irmão…
KNOCK KNOCK
Um som de duas batidas soou na porta de entrada da casa, fazendo Lisa imediatamente se lembrar do que deveria estar fazendo.
— Falando nisso, cadê os outros… achei que eles estariam mais felizes em me ver…
— Ah… — A sacerdotisa, claramente péssima em contar mentiras, disse: — Eles… estão esperando… ah… esperando lá dentro.
“Droga… não consegui pensar em nada!”
Li arqueou a sobrancelha, mas decidiu segui-la.
— Ele está vindo!
De dentro da casa, o grupo se escondia.
RENKKKKK
BUM BUM
— SURPRESA, FELIZ ANIVERSÁRIO, LI!
Uma chuva de confetes voou para cima ao mesmo tempo em que todos os integrantes da equipe pulavam juntos. Li arregalou os olhos, vendo tudo. Com a falta de reação do homem.
— Erramos…? — sussurrou Fynn.
BUMP
— Aí!
— Como você pode ter errado depois de todo o trabalho que eu tive! — exclamou Glória, dando um soco na cabeça de Matheus.
— PFF… Hahahahaha! — No mesmo instante, Li começou a gargalhar como nunca, todos os integrantes viraram para ele. — Foi mal… é que eu até tinha me esquecido, nunca recebi uma festa de aniversário, então fiquei sem reação, foi mal, Matheus!
— Há! Olha esse cara — O brasileiro se aproximou, dando mata-leão em Jihan. — Você rindo e eu apanhando!
— Oh, já começou! — Enquanto falava, Prado entrou pela porta. — Acho que estou atrasado!
— Não, chegou bem na hora! — afirmou Matheus.
— Então, é o mesmo comigo! — Outra mulher veio logo atrás.
— Senhorita Lorena! — gritou Selene de empolgação.
Os conhecidos foram entrando um a um: Maria e a mãe adotiva de Matheus, os colegas soldados de Prado que haviam ajudado no treinamento de Li, a casa ficou cheia. Todos se encaixaram em um lugar, enquanto eram servidos com salgadinhos e bebidas.
— A Glória realmente manda bem na cozinha, ainda bem que ela só faz comida de tempos em tempos, ou ficaríamos todos gordos de tanto comer — disse Matheus.
— Fazia tanto tempo que eu não comia salgadinhos — concordou Selene, acariciando as próprias bochechas cheias.
Li tentava conversar pelo menos um pouco com cada um dos presentes para agradecê-los por comparecer.
— Certo, juntem todos, vamos cantar parabéns! — pediu Glória.
As luzes se apagaram e as velas em cima do bolo de dois andares se acenderam.
— Parabéns para você…
Enquanto todos cantavam parabéns, Li observou ao seu redor, ele sentia falta de algumas pessoas, mas nada que pudesse fazer quanto a isso.
“Não posso pensar dessa forma, está tudo incrível!”
Silenciosamente, ele jurou proteger tudo aquilo com sua vida.
— Agora, podem comer!
Cortando os pedaços, todos se empanturraram com o delicioso bolo de chocolate.
— Esse recheio de sorvete de creme… eu poderia comer isso todos os dias! — afirmou Fynn.
— Sim. — concordou Hans.
KNOCK KNOCK KNOCK
Enquanto conversavam, alguém bateu na porta.
— Estão esperando alguém?
— Deve ser minha convidada — disse Lorena, indo abrir. — Li trouxe uma conhecida sua…
— Uma conhecida… — questionou, virando-se para a porta.
Passando pela entrada levemente agachada, uma grande mulher se pôs atrás da pequena Lorena. Seus músculos e cicatrizes destacavam-se mesmo por baixo de suas vestes de couro. Seu longo cabelo vermelho trançado era quase como um chicote. A figura era inconfundível para Li.
— Oh!
— Quanto tempo… moleque! — disse Amélie. — Temos muito a conversar!

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