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    No início, a proposta parecia incrível, uma nova oportunidade, uma nova vida. Porém, como tudo em sua vida, nada viria de forma tão fácil, promessas vazias eram atividades diárias e essa foi mais uma delas. Um tolo facilmente manipulado a ir em direção ao mais fundo dos buracos. 

    O Bibliotecário 

    Enquanto os dois homens caminhavam em direção aos aposentos da zona de quartéis antigos, dentro da casa que habitava o esquadrão, o grupo decorava os interiores da casa. Hans e Fynn ajeitavam os móveis para abrir espaço, Glória cozinhava e Lisa e Matheus faziam as decorações com as instruções da mulher. 

    — Senhorita Glória, é assim?  

    Uma baixa menina loira perguntou enquanto pendurava uma linha de balões. 

    — Sim, assim mesmo, Lisa! — respondeu a mulher. 

    — Pode me lembrar novamente por que estamos fazendo isso? Digo, tem certeza de que é hoje? — questionou Fynn. 

    — Sim, o Matheus disse que é certeza! 

    BAM 

    — Ele está vindo! — disse Selene, batendo a porta ao entrar. 

    — Já!? — surpreendeu-se Glória. — Não estamos prontos ainda, dá um jeito de atrasá-lo! 

    — Eu? Como? — respondeu a moldadora. 

    — Não você, Selene, ela — apontou para Lisa. 

    — Eu? 

    — Sim, quem mais? Só uns cinco minutinhos estão bons. 

    — Hm… okay, vou conseguir! — afirmou, entregando os balões para Selene e saindo pela porta. 

    — Você acha que ele vai gostar? — perguntou a moldadora. 

    — É bom ele gostar, estamos fazendo isso tudo… — disse Fynn. 

    — Pare com isso, não perguntamos nada sobre, então não podemos cobrar que ele goste — falou Glória. 

    Selene concordou acenando com a cabeça. 

    — Ela está falando isso, mas tenho certeza de que ela vai ser a que ficará mais triste se ele não gostar — comentou o homem de mullet com tom de deboche. 

    VUSH 

    BA 

    — Cale a boca e continue! — gritou Glória, atirando uma colher na cabeça de Fynn. 

    RENKK 

    — Ei, façam menos barulho, ele está vindo! — disse Lisa, abrindo a porta levemente. 

    Do lado de fora, os dois homens se aproximavam. A uma dezena de metros de distância, Li parou, observando uma menina de cabelos loiros, túnica branca e com metade do corpo para fora com a porta entreaberta, como se espiasse dentro. Ele sabia exatamente quem era. Sem percebê-lo, ela fechou a porta e virou-se em sua direção, arregalando os olhos com a pouca distância entre os dois. 

    A menina, em pé na varanda de madeira a alguns centímetros do chão, possuía quase a mesma altura que ele. Olhando-o pelo guarda-corpo, ela sorriu e, invertendo os papéis, disse: 

    — Estou de volta… 

    — Bem-vinda… desculpe por ter demorado tanto… 

    STEP 

    Passo a passo, lentamente, ela desceu as escadas da varanda e, assim que tocou o chão, acelerou em direção a Li, que a recebeu de braços abertos. Assim que o abraçou, começou a chorar como uma criança, afinal, ela era somente uma adolescente. O homem acariciou seu cabelo. 

    — Pode chorar… 

    — Eu… IHC, estava com tanto medo, IHC, estava sozinha, eles não me deixavam sair, não me deixavam ver vocês… quando me mandaram para longe, achei que fosse o fim… que nunca mais teria chance de ver meus amigos de novo… 

    — Você está segura agora… ninguém… eu nunca mais vou deixar alguém te machucar! 

    Li apertou o punho que não estava fazendo carinho na menina. Mesmo tendo resolvido as coisas, a imagem de como Lisa estava quando havia vindo visitar junto ao templário ainda estava clara em sua mente.  

    — Obrigada, obrigada… obrigada, irmão… 

    KNOCK KNOCK 

    Um som de duas batidas soou na porta de entrada da casa, fazendo Lisa imediatamente se lembrar do que deveria estar fazendo. 

    — Falando nisso, cadê os outros… achei que eles estariam mais felizes em me ver… 

    — Ah… — A sacerdotisa, claramente péssima em contar mentiras, disse: — Eles… estão esperando… ah… esperando lá dentro. 

    “Droga… não consegui pensar em nada!”  

    Li arqueou a sobrancelha, mas decidiu segui-la. 

    — Ele está vindo! 

    De dentro da casa, o grupo se escondia. 

    RENKKKKK 

    BUM BUM 

    — SURPRESA, FELIZ ANIVERSÁRIO, LI! 

    Uma chuva de confetes voou para cima ao mesmo tempo em que todos os integrantes da equipe pulavam juntos. Li arregalou os olhos, vendo tudo. Com a falta de reação do homem. 

    — Erramos…? — sussurrou Fynn. 

    BUMP 

    — Aí! 

    — Como você pode ter errado depois de todo o trabalho que eu tive! — exclamou Glória, dando um soco na cabeça de Matheus. 

    PFF… Hahahahaha! — No mesmo instante, Li começou a gargalhar como nunca, todos os integrantes viraram para ele. — Foi mal… é que eu até tinha me esquecido, nunca recebi uma festa de aniversário, então fiquei sem reação, foi mal, Matheus! 

    — Há! Olha esse cara — O brasileiro se aproximou, dando mata-leão em Jihan. — Você rindo e eu apanhando!  

    — Oh, já começou! — Enquanto falava, Prado entrou pela porta. — Acho que estou atrasado! 

    — Não, chegou bem na hora! — afirmou Matheus. 

    — Então, é o mesmo comigo! — Outra mulher veio logo atrás. 

    — Senhorita Lorena! — gritou Selene de empolgação. 

    Os conhecidos foram entrando um a um: Maria e a mãe adotiva de Matheus, os colegas soldados de Prado que haviam ajudado no treinamento de Li, a casa ficou cheia. Todos se encaixaram em um lugar, enquanto eram servidos com salgadinhos e bebidas. 

    — A Glória realmente manda bem na cozinha, ainda bem que ela só faz comida de tempos em tempos, ou ficaríamos todos gordos de tanto comer — disse Matheus. 

    — Fazia tanto tempo que eu não comia salgadinhos — concordou Selene, acariciando as próprias bochechas cheias. 

    Li tentava conversar pelo menos um pouco com cada um dos presentes para agradecê-los por comparecer. 

    — Certo, juntem todos, vamos cantar parabéns! — pediu Glória. 

    As luzes se apagaram e as velas em cima do bolo de dois andares se acenderam. 

    — Parabéns para você… 

    Enquanto todos cantavam parabéns, Li observou ao seu redor, ele sentia falta de algumas pessoas, mas nada que pudesse fazer quanto a isso. 

    “Não posso pensar dessa forma, está tudo incrível!”  

    Silenciosamente, ele jurou proteger tudo aquilo com sua vida. 

    — Agora, podem comer!  

    Cortando os pedaços, todos se empanturraram com o delicioso bolo de chocolate. 

    — Esse recheio de sorvete de creme… eu poderia comer isso todos os dias! — afirmou Fynn. 

    — Sim. — concordou Hans. 

    KNOCK KNOCK KNOCK 

    Enquanto conversavam, alguém bateu na porta. 

    — Estão esperando alguém? 

    — Deve ser minha convidada — disse Lorena, indo abrir. — Li trouxe uma conhecida sua… 

    — Uma conhecida… — questionou, virando-se para a porta. 

    Passando pela entrada levemente agachada, uma grande mulher se pôs atrás da pequena Lorena. Seus músculos e cicatrizes destacavam-se mesmo por baixo de suas vestes de couro. Seu longo cabelo vermelho trançado era quase como um chicote. A figura era inconfundível para Li. 

    — Oh! 

    — Quanto tempo… moleque! — disse Amélie. — Temos muito a conversar!  

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