Índice de Capítulo

    STEP STEP STEP STEP 

    — Droga, droga, droga! 

    Li corria desesperadamente pelas ruas da cidade, seu rosto e cabelo diziam claramente que não fazia muito tempo que ele havia acordado.  

    “Não acredito que voltei a dormir depois de me acordarem, que tipo de companheiro sou eu que não está presente para dar suporte a seus amigos!” 

    O dia após a sua luta havia passado de forma extremamente tranquila, aproveitando de sua estamina abundante para treinar até cair de cansaço já que estaria bem recuperado no próximo dia. 

    “Acho que passei um pouco dos limites ontem…” 

    — Hum?  

    Enquanto passava correndo, notou duas pessoas brigando na frente de um bar. 

    “Outra briga?” pensou Li. “Já é a quarta que eu vejo só essa semana… será que é um efeito negativo de sediar o torneio?” 

    — Argh, deixa que a patrulha cuida disso, estou atrasado… droga! 

    Parando de correr, ele voltou rapidamente até onde os dois homens estavam discutindo e com um golpe rápido no pescoço de cada um desmaiou ambos. 

    — Perdão, fiquem quietinhos aí dormindo — disse enquanto retomava o seu caminho. 

    Após mais alguns minutos correndo, Jihan finalmente chegou até o coliseu. 

    — Eu perdi alguma coisa? — perguntou, abrindo a porta da sala onde seu time estava.  

    — Ei, como você atrasou tanto, me lembro bem de você dizendo que já estava levantando — repreendeu-o Glória. 

    — Não, a luta da Selene está prestes a começar — respondeu Fynn. 

    — Quem é a oponente dela? — perguntou, se aproximando do parapeito.  

    — É uma menina, esqueci o nome dela — respondeu Glória. 

    — Jininho, mas não é uma menina, é uma gnoma — disse Matheus. 

    — Gnomo? — questionou Li. 

    — Sim — continuou o líder. — E não, eles não são tão pequenos quanto o folclore do nosso mundo faz parecer, são mais como hobbits. 

    — Hobbits? — Jihan o olhou estranhando a palavra. Matheus, por outro lado, o encarou horrorizado. 

    — Hobbits… do filme do Senhor dos Colares?  

    — Por que está me olhando como se eu devesse saber do que você está falando?  

    — Não dê corda para ele, Li — avisou Glória. — Se você deixar, ele vai ficar falando sobre isso o dia inteiro. 

    — Ei, silêncio, a luta está para começar — disse Fynn. 

    — Er… ela usa adagas… que confronto azarado para o conjurador… — disse Matheus. 

    — Não… para outros, sim, mas não para ela, só observem atentamente o quanto ela cresceu — Avisou Glória. 

    Na arena, mesmo com o gongo soando, Selene encarava atentamente a mulher com aparência infantil. Seu tamanho não era maior do que um metro e trinta, possuía tranças vermelhas de cabelo crespo, sardas escuras em seu rosto e um sorriso que cobria de lado a lado de suas bochechas, mas que mal mostrava a ponta de seus dentes. 

    — Ei, mocinha, tem certeza de que não quer se render? — disse a gnomo. Sua voz, diferente de sua aparência, era rouca e crepitante como a de um velho. — Digo, você só teve azar de cair contra uma oponente que é mais experiente e tem vantagem no estilo de luta, não é nada de mais entender a derrota. 

    Selene continuou calada, segurando seu cajado levemente, agachada, suficiente para sua mão tocar o chão. 

    — Muito bem. 

    A mulher avançou a toda velocidade, cruzando as duas duzias de metros que as afastava em poucos segundos. Quando se aproximou a apenas dois metros de distância, Selene correu circularmente pela arena, sem dar totalmente as costas para sua oponente.  

    — Ahn? Essa é sua estratégia?  

    Jininho debochou da menina, mas, no momento em que pisou no chão para tomar impulso e mudar de direção, um círculo magico ativou no solo e uma corda de água segurou a perna dá gnoma, fazendo com que perdesse o equilíbrio e caísse no chão. Na plateia, alguns espectadores riram levemente. 

    Olhar para Selene na mesma posição de antes, porem em outro canto da arena e ouvir as poucas risadas irritou-a profundamente. 

    — Ei, vai ficar fazendo esse joguinho, vou te matar menina! 

    — Por que não tenta ficar de pé antes? — retrucou Selene, falando pela primeira vez. 

    Urgh — Ouvir o deboche a irritou ainda mais. Jininho novamente acelerou em direção a conjuradora numa velocidade ainda maior do que antes.  

    Assim que se aproximou, Selene repetiu os mesmos movimentos de antes. 

    — Acha que vou cometer o mesmo erro!? 

    Porém, a gnomo não encostou no chão, impulsionando-se com o próprio ar. 

    — Kazeha de segundo círculo, impulso aéreo!  

    Girando, a gnomo tentou acertar um chute giratório na menina, mas antes que pudesse a conjuradora desapareceu, reaparecendo do outro lado da arena. 

    — Hehehe… já gastou uma carga do seu blink, maguinha, o que acontecerá depois de usar sua última carga? 

    Selene, no entanto, não caiu na provocação, permanecendo calada.  

    — Er, tanto faz. 

    “Que menina estranha… bem, tanto faz, só tenho que acabar com isso quanto antes.” Pensou. 

    Sem perder o ímpeto, Jininho avançou novamente, repetindo os mesmos movimentos de antes, porém, Selene não utilizou seu blink de imediato. 

    Defendendo-se do primeiro golpe de espada com seu cajado, a conjuradora correu na direção onde estava no começo do duelo.  

    “O que raios ela está fazendo, ela não vai conseguir fugir de mim” 

    Antes que pudesse alcançar a posição inicial, a gnomo a alcançou, chutando-a em suas costas e derrubando-a no chão. 

    — Não sei o que você está planejando, mas não vou deixar isso acontecer! 

    Porém, a menina, que deveria estar em uma posição desvantajosa, sorriu. Seu corpo desapareceu, reaparecendo no último canto que ainda não tinha pisado. Dessa vez, no entanto, quando encostou no chão, um círculo apareceu em seus pés. Ao mesmo tempo, os três pontos onde havia pisado antes também brilharam. 

    Jininho olhou para todos os círculos e sem pensar duas vezes disparou com velocidade total para atacar a conjuradora.  

    — Os quatro pontos defendem um só reino… 

    — Não vou deixar! — gritou a gnomo, já passando da metade da arena. 

    — Um só reino é preso por quatro pontos!  

    Seu cajado e um estranho anel em sua mão brilharam ao mesmo tempo. 

    — Maldita — alcançando a conjuradora, cortou horizontalmente, mirando num ponto não letal em seu estômago. 

    — Vatten de quarto círculo!  

    “Quarto!?” 

    — Prisão Cardial! 

    Subitamente cordas de água dispararam dos quatro pontos, segurando todos os membros da gnoma antes que sua espada pudesse alcançar a barriga de Selene. O corpo inteiro de Jininho fui puxado para o centro da arena. 

    — Então, quer desistir agora? — debochou a mulher. — Digo, você só teve azar de cair contra uma oponente que é mais experiente e tem vantagem no estilo de luta, não é nada de mais entender a derrota. 

    — Desgraçada, quando eu me soltar daqui… 

    — Pois bem, só para te avisar, já que você falou tanto durante nossa curta batalha, eu estava ganhando tempo, o último circulo é o mais difícil de colocar, então precisei afastar você o máximo possível. 

    — Cale a boca, sua piranha! 

    — Que boca suja… enfim…  

    Subitamente mana azul começou a circular a ponta do cajado de Selene, fazendo com que brilhasse em uma luz intensa e um círculo apareceu embaixo da mulher. A conjuração durou mais de 5 segundos, tempo que seria mais do que o suficiente para a gnomo a alcançar duas vezes se estivesse solta. 

    — Vatten de segundo círculo, erupção! 

    E do solo abaixo dela, uma grande torrente de água alcançou os céus. A habilidade claramente não foi suficiente para quebrar as amarras, visto que haviam dois círculos de distância entre uma e outra, no entanto, foi por esse mesmo motivo que o dano causado pela erupção foi ainda maior do que seria se sua oponente estivesse solta. 

    — Fim da batalha! — Anunciou Téo. — A vitória é de Selene, da facção de Arcádia!  

    A plateia inteira deu longos aplausos. A conjuradora, aproveitando o ovacionamento, balançou as mãos para os espectadores, ganhando ainda mais fãs pelo seu carisma. 

    Parte do público, no entanto, estava distraído pela batalha que estava acontecendo na arena ao lado; um novato da facção de Terabítia; uma facção cujos integrantes eram numerados em algumas duzias, pois era composta de apenas uma raça, uma tão antiga quanto a própria terra. A taxa de natalidade da população era tão baixa que seus integrantes eram numerados por força e eles eram raramente vistos por pessoas comuns. Este em específico possuía o número 142 tatuado em seu pescoço. 

    Quando o homem retirou seu capuz e abriu suas grandes asas pretas, toda a plateia ficou em choque, admirando sua enorme beleza. O espanto foi tanto que até mesmo o narrador, Téo, esqueceu de suas palavras; afinal, já faziam décadas que ninguém via nem um sinal de um Alado, visto que eles moravam em um gigantesco palácio nos céus. Os mais ricos rapidamente ansiaram por ter aquelas asas, mas sua ganância ganancia foi rapidamente suprimida por uma força sobrenatural que cobriu todo o coliseu. Uma que os lembrou do poder de Terabítia. Uma que estava praticamente os convidando a tentar algo contra o praticamente recém-nascido numero 142, para servirem de exemplo para os outros. 

    Sua batalha foi praticamente uma injustiça com seu oponente. O homem de asas carregava consigo uma espada longa e prateada. Impulsionado por um bater de asas, ele nem precisou usar o corte de sua arma para derrubar o inimigo, atirando-o para longe da arena. 

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