Índice de Capítulo

    Em alguns mundos, as pessoas são abençoadas com um lugar incrível, porém uma habilidade limitada para aproveitá-lo. Em outros, com uma vida dura e ríspida, mas com potencial enorme para superar tais adversidades e conquistar o mundo a sua volta. Os seres vivos de Erebus, no entanto, foram presentados com ambos, um mundo incrível e um potencial ainda maior para desbravá-lo. Poderíamos fazer com que este fosse o paraíso, e por algum motivo… escolhemos não o fazer. Limitamos a nos mesmos para ser apenas um pouco melhor do que o próximo… eu… nunca vou entender. 

    Fitoparasitismo ~ Nitocris 

    — Mexa bastante os pés, Li! — gritou Prado. — Não deixe ele encurtar a distância, o melhor a se fazer usando uma lança é manter o inimigo na distância da ponta, nem muito longe e nem muito perto!  

    — Sim senhor!  

    — Se ele chegar próximo demais, lembre-se de erguer a mão de trás e utilizar da porção da lança entre as suas duas mãos!  

    — Sim senhor!  

    — Movimentos rápidos e mortais, você está indo bem! 

    Após pouco mais de um mês treinando diariamente, Li já estava pouco a pouco desenvolvendo uma consciência de batalha e criatividade, aprendendo a misturar os estilos que estava aprendendo e sendo um pouco mais ousado no duelo. Sua perícia com a espada não estava a melhor possível, mas não era a intenção de seu instrutor que se tornasse um mestre e sim que tivesse uma grande variedade de experiências para usar isso no desenvolvimento próprio. 

    “Ele finalmente parou de absorver informação crua e começou a tentar de fato entendê-la… se ele continuar nesse ritmo poderia se tornar um Mestre das Armas em uma década… talvez eu só esteja entusiasmado…” Pensou Prado. 

    Subitamente, Fynn, que estava treinando com o Li, agachou-se e avançou. rapidamente. Levantando a parte de trás da lança, o homem tentou bloquear a investida rasteira com a ponta da arma, mas o seu oponente foi mais rápido, rotacionando seu próprio corpo e desviando um pouco pra direita, sendo acertado de raspão, mas conectando o sabre que utilizava próximo ao pescoço de Li. 

    — É minha derrota… — disse Jihan rendendo-se. 

    — Então, é minha vitória novamente! — comemorou Fynn. 

    — Ei, falando dessa forma, parece que eu estou numa sequência de derrotas, estamos praticamente empatados — retrucou. — De qualquer forma, não sabia que você utilizava sabres como arma. 

    — Normalmente não uso, é mais uma coisa secundaria, sempre preferi adagas, combinam mais comigo. 

    — Então estou empatando com suas armas secundarias…? 

    CLAP CLAP 

    — Sem perder o ânimo, o Fynn está longe de ser um iniciante quando se trata de armas como essas — disse Prado. — Não se deixe enganar por esse rosto sorridente. 

    — Eu sei, eu sei… 

    — Ei, Li! — Uma voz feminina gritou da entrada do ginásio onde os três estavam. 

    — Glória? Por que você está aqui? 

    — Esquece isso, a Lisa veio fazer uma visita, vem logo! 

    — Lisa? — Ouvindo a mensagem, o homem olhou para o instrutor, pedindo permissão para sair mais cedo. 

    — Pode ir, se ficar aqui não vai conseguir se concentrar de qualquer forma — disse Prado, gesticulando um sinal de positivo com a mão. 

    — Sim senhor, obrigado senhor! — agradeceu, se curvando levemente. 

    Os três integrantes juntos voltaram o mais rápido possível para a casa. 


    BAM 

    A porta da casa onde toda a equipe liberada por Matheus ficava abriu com força. Fynn ofegante entrou pela porta primeiro, sendo o mais rápido a chegar; Li veio logo atrás. Todos os integrantes, com exceção de Selene estavam reunidos na sala. 

    — Lisa! 

    Antes mesmo que pudesse respirar, a menina atirou-se em seus braços sem falar nada e enterrou sua cabeça em seu peito, abraçando-lhe com toda sua pequena força. Jihan ficou surpreso com a vontade dela, mas apenas fez carinho em seu cabelo. 

    — Senhorita Lisa, isso não é comportamento de uma sacerdotisa — um homem que estava sentado ao sofá a frente de Matheus, a reprimiu. — Por favor, se contenha. 

    “Quem é esse cara? Ele é tão… estranho?” Pensou Li. 

    — Não acho que tenha problemas em uma criança abraçar alguém que sente falta — retrucou Fynn. 

    — Claro que você não veria problemas, considerando quem é — contra-argumentou o homem. 

    — O que isso deveria significar? — perguntou grosseiramente. 

    — Vai saber… Assassino de Amarílis — provocou. 

    BAM 

    — Você… o que pensa que está fazendo? — Matheus, que estava sentado tranquilamente até então, retrucou ao homem. — Está na nossa casa, fala de modos, mas aparentemente você não tem nenhum, bem, não é surpresa considerando quem é. 

    — Oh… o filho de um monstro defendendo o outro, nada incomum por aqui.  

    — Hahaha! — Matheus gargalhou, mas sua expressão continuou séria. — Verdade, mas você deveria tomar cuidado com o que fala, templário, monstros são perigosos e nesse momento você está longe da sua igreja. 

     O líder da equipe disse seriamente, os outros integrantes acharam normal a sua postura, mas para Li que não estava acostumado com aquela atitude vindo de alguém normalmente tão tranquilo, foi uma surpresa.  

    — Aqui em Arcádia nos protegemos os nossos, não esqueça disso novamente. 

    O silêncio junto a tensão solidificaram o ar por alguns segundos. 

    — Como esperado, uma vez caçador de demônios, sempre um — o homem loiro quebrou o gelo. — Acho que me excedi em minhas palavras, perdoe minha indelicadeza.  

    — Fynn? — perguntou Matheus. 

    — Está tudo bem — respondeu. 

    — Sendo assim, por que não tomamos um café? 

    — Agradeço a proposta, mas acho que é melhor nos irmos andando — respondeu o templário, levantando-se. 

    Ele estava vestindo armadura pesada completa dourada e branca, seu equipamento deixava a cintura aberta, piorando a defesa, mas facilitando a movimentação; em suas costas, carregava um escudo do tipo suíço. 

    Ouvindo as palavras de Donatello, Lisa desesperou-se e olhou para Li, seus olhos brilhantes e redondos imploravam para que ela ficasse mais um pouco. Além disso, ele já havia percebido algo de errado, a menina parecia mais magra desde a última ultima vez que se viram, a bolsa de seus olhos estava um pouco inchada, detalhes que somente ele perceberia. 

    — Você pode ir andando — disse Jihan. — Ela vai ficar mais um pouco e eu a acompanharei mais tarde. 

    — Receio que não será possível — negou o homem. — A senhorita Lisa é uma mulher muito ocupada e infelizmente tem muito a fazer. 

    — Dona — a menina finalmente falou. — Me deixe ficar só mais alguns minutinhos, o Li acabou de chegar. 

    — Tem certeza? Não acho que o Patriarca Gregorios vá ficar muito feliz com isso… 

    Ouvir tal nome fez a sacerdotisa tremer, visivelmente aflita, uma aflição que Jihan conhecia muito bem e jamais poderia esquecer.  

    — Tenho certeza que o Patriarca vai entender o atraso — Li insistiu.  

    — Acho que você não entendeu, garoto — O Templário agia como se fosse mais velho que o outro, mesmo que parecesse ter a mesma idade. — Isso não é um pedido. 

    — E isso não é uma discussão! 

    — Você realmente…  

    Donatello subitamente desapareceu da visão dos integrantes da equipe. 

    — Acha que tem o poder para me parar? 

    E reapareceu a um passo de distância de Jihan. Puxando a menina e tapando sua boca, o Templário pressionou rapidamente o peito de Li, empurrando-o alguns metros. Todos os outros membros se armaram quase que de forma instantânea. 

    — Li! — gritou a sacerdotisa. 

    — Sabe, tenho certeza de que se eu não fizer muita bagunça, o supervisor que está olhando para cá não ira se envolver, afinal, todas as facções têm uma ligação obrigatória com a igreja e não vão desgastá-la tão facilmente. Além disso, estou completamente no meu direito, afinal, essa menina não é um membro de Arcádia e sim da Igreja.  

    TSK 

    Matheus, que era o mais consciente disso, estalou os lábios. Ele sabia que um dos lordes sempre supervisionava o quartel principal de Arcádia para mantê-lo protegido de qualquer ameaça que aparecesse, não é preciso dizer que tal lorde sabia de tudo que estava acontecendo ali. 

    — O líder de vocês sabe do que eu estou falando, por favor não percam seu tempo tentando lutar contra mim — avisou o homem. — Apesar de que Templários se fortalecem na presença do mal, posso dizer que não cheguei a esse posto por sorte, vocês têm um torneio importante se aproximando, certo? Não querem ficar incapacitados logo agora…  

    Agarrada pelo colarinho, vendo seu amigo sendo atirado para longe e ouvindo as palavras do homem, Lisa inconscientemente encostou com uma das mãos em seu antebraço. De longe, Jihan conseguiu enxergar sua pele com um inchaço roxo. As veias de seu corpo pulsaram enquanto ele pressionava as unhas contra a palma de sua mão se segurando. 

    Li levantou-se, caminhando lentamente em direção ao templário. 

    — Você…  

    — Li, pare — disse Matheus. 

    — Fique longe dela! 

    — Li! — gritou o líder. 

    Contra sua vontade, Jihan virou-se em direção a ele, com um ódio quase incontrolável em seus olhos. Mas Matheus não cedeu, enfatizando suas palavras. 

    — É uma ordem! 

    — Você também — Donatello sussurrou no ouvido de Lisa. — Não quer ver seus amigos se machucando, certo? 

    — Líder!? — Glória questionou. 

    — É uma ordem! Isso serve a todos vocês — seus olhos encararam os outros integrantes, que também estavam aflitos. — Abaixem suas armas!  

    — Muito bem, Matheus! Sabia que poderia contar com você, afinal, uma vez devoto, sempre um devoto — disse o Templário, colocando a mão em seu ombro. 

    — Tire sua mão suja de mim — respondeu o líder batendo em seu braço. 

    — De qualquer forma… estou de saída, vamos senhorita Lisa. 

    A sacerdotisa, mordendo os lábios, somente obedeceu.  

    — Está tudo bem, senhor Li… foi bom ver todos — disse, forçando um sorriso. — Não quero causar problemas para vocês… 

    — Lisa… 

    Sem outra alternativa, ambos deixaram tranquilamente a casa e o quartel de Arcádia. 

    — Matheus, o que significa isso!? — Glória foi a primeira a abrir a boca. — Você viu o que estava acontecendo, como pode simplesmente deixar ele a levar! 

    — Foi demais, líder, até mesmo para você — Fynn concordou e Hans acenou em aprovação. 

    BAM 

    Li afundou seu punho no chão, segurando-se o máximo que podia para não destruir tudo. 

    — Pare com isso, a casa não tem culpa alguma — disse Matheus. 

    — Você tem um plano, não tem? É melhor que tenha um — Discrepante do resto, Li respirou fundo, estava mais calmo do que deveria, seu racional brigava contra seu emocional, mantendo-o são. — O homem que eu sigo jamais ficaria parado em uma situação como essa, mesmo que em desvantagem.  

    — Sim… mais ou menos… 

    — Então conte-o logo. 

    — É uma alternativa que surgiu quando vocês foram convidados para participar do segundo nível do torneio, o prêmio para quem o vencer é mais do que reconhecimento e dinheiro… o vencedor também ganha um pedido feito diretamente ao Deus de sua facção. 

    — Um pedido? 

    — Sim… a resposta é mais difícil do que parece, Li. Se quer ajudar aquela menina, não podemos recorrer a lutar contra uma instituição inteira… — disse ele. — Não temos esse poder ainda, mas Kali pode ajudar, tudo que precisamos fazer é ganhar o torneio… não vai ser fácil. 

    — Nos vamos conseguir — afirmou Jihan. — Se ganhar o torneio é necessário para libertar ela, é o que eu farei. 

    “Espero que esteja ouvindo, Nasháh.” Pensou consigo mesmo. 

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