Capítulo 79: Primeiro Embate
Capítulo 79: Primeiro Embate
Não existe razão alguma para não acreditar na possibilidade de haver uma evolução durante uma batalha.
Sem medo de falhar ~ Sócrates
— Até quando você vai ficar nessa posição, já está me assustando um pouco…
Com a parte matinal do torneio quase finalizada, Li ainda estava na mesma posição inicial, assistindo atentamente sem piscar cada movimento dos participantes das partidas. Selene e Hans haviam descido para área dos participantes logo no início da manhã; A latina estava a fazer companhia para os dois; O homem ainda não havia tido sua luta e a conjuradora, que só teria sua partida em dois dias, estava ali para conhecer seus possíveis oponentes. Jihan, no entanto, não perdia seu foco, sua atenção era tanta que até mesmo Fynn já estava estranhando.
— Digo, você não está nem mesmo piscando, isso é extremamente perturbador.
— Hm? Disse alguma coisa, Fynn — perguntou Li.
— O que é isso, você estava dormindo de olhos abertos ou algo do tipo? — retrucou desconfiando.
— Dormindo? Hahaha, não, só estava assistindo mesmo, de acordo com as chaves a partida de Hans está prestes a começar.
— Então, já é a vez dele…
“Acha que está preparado para o torneio?” Fynn lembrou de uma pergunta que fez a Hans alguns dias antes. Nas últimas semanas os dois começaram a treinar juntos arduamente, ficando cada vez mais próximos a ponto de se tornarem verdadeiros amigos.
“Vai saber… é tudo tão cansativo…” respondeu o homem. “Eu não gosto muito desses eventos, além disso, disso ouvi dizer que essa geração de novatos é uma geração de ouro…”
— Acha que ele vai ter problemas? — perguntou Li, voltando a olhar para arena A. Ao mesmo tempo, dois homens entravam nesta mesma arena
— E com vocês, nossos últimos participantes do dia — anunciava o narrador. — De um lado, Hans Arkerman da facção de Arcádia!
HEEEEEEEEEEE
— Ele é daquela família?
— Achei que eles tinham desaparecido…
Vários espectadores começaram a conversar entre si na plateia.
“Não sabia que o Hans vinha de uma família famosa” Pensou Li.
— Do outro, Galilei, da facção de Solaris!
HEEEEEEEEEEE
— Problemas? — disse Fynn, retoricamente.
— Comecem!
“Eu não gosto muito desses eventos, além disso, ouvi dizer que essa geração de novatos é uma geração de ouro… mas…” Hans, deitado em sua cama, virou-se na direção da parede. “Já que estou representando nosso grupo nesse torneio, acho melhor fazer uma boa apresentação”.
— Acho que é bem o contrário.
No instante em que o narrador deu início ao combate, Hans imediatamente colocou suas duas palmas no chão.
— Venha, Ooakimizu! — gritou.
Seu oponente, armado de espada e escudo amarelos e usando de uma armadura de ferro pesada, não entendeu a movimentação do homem, pelo menos nos primeiros instantes.
CRACK
Uma rachadura subitamente surgiu nos pés de Galilei, que saltou para trás por segurança.
— Tarde demais!
A rachadura no chão dobrou de tamanho e quebrou-se, revelando uma grande boca dentada que facilmente engoliria uma pessoa. O verme saiu do buraco, curvando-se na direção do homem que brandiu sua espada para defender-se.
CLING
— Impossível! — amaldiçoou Galilei quando sua espada defletiu no dente do monstro.
Ooakimizu seguiu seu caminho imparável, abocanhando por inteiro o homem e afundando seu corpo no chão. O verme continuou descendo, mas o corpo do homem saiu por sua parte traseira, junto a sua espada e escudo, mas sem sua armadura. Marcas de dentes marcavam todo seu corpo sangrento. A plateia que antes comentava sobre sua família calou-se perante a brutalidade. Até mesmo o narrador ficou sem palavras por um instante, mas assim que percebeu o silêncio voltou a falar.
— Como esperado de alguém da família Arkerman… a vitória é de Hans Arkerman!
Sem dizer uma palavra, Hans deixou a arena. Alguns espectadores comemoraram e bateram palmas, outros continuaram de boca fechada.
— Qual o problema dessa gente, foi uma vitória esmagadora, deveria haver mais alvoroço — disse Li.
— Eu sei que você não liga para esse tipo de coisa, Li, mas a família Arkerman não é muito bem vista há algum tempo — explicou Matheus.
— Não é? Por quê?
— Desde que minha irmã traiu a humanidade e se juntou aos demônios — Hans, que havia acabado de entrar na cabine junto a Glória e Selene, respondeu.
— Hans… — disse Fynn.
— Não tem problema, não é nenhum segredo de estado mesmo — falou o homem. — A família Arkerman é uma… era uma família capaz de controlar e aprisionar demônios, no entanto, com o tempo essa habilidade especial foi se perdendo, minha irmã gêmea foi a última capaz de fazê-lo, mas ela já não está aqui.
— Mesmo assim — disse Li, ainda assistindo a última luta acontecendo. — Sua irmã é sua irmã, você é você.
Se fosse qualquer outra pessoa dizendo a mesma coisa, talvez não teria o mesmo efeito no grupo, mas Jihan sempre era, às vezes ate mesmo desagradavelmente, sincero.
— Sim… você não está errado — respondeu Hans.
— E com este último resultado, finalizamos a parte matinal do primeiro dia do nosso grande torneio de Erebus! — anunciou Teo, o narrador. — Continuaremos com a parte da tarde após um curto intervalo para vocês, nossos telespectadores, aproveitarem nossas instalações para almoçarem.
— A próxima luta… — disse Gloria.
— É a minha — complementou Matheus. — Bramir… não tenho a menor ideia de quem seja essa pessoa.
— Termine logo e preste bastante atenção no oponente ao seu lado, especialmente na mulher — avisou Li.
— Na mulher?
— Na dúvida, a maior pessoa que estiver na Arena. Não vejo ela desde os testes, mas ela já era mais alta do que eu naquele momento.
— Lembre-se de focar você também — falou o líder. — Quando eu terminar, você vai ser o próximo.
— Meu oponente vai ser aquele Javier — pensou Li. — Fynn, você disse que o conhecia, tem algo a dizer sobre ele?
— Bem, conhecer é uma palavra muito forte, eu tenho familiaridade com ele — respondeu. — Sei que sua arma é uma lança curta, mas sem escudo. Ele luta de maneira despojada, sem se preocupar muito com sua defesa, além disso, ele é da facção do Nilo, além de ser um dos novatos treinados por Medea, então tem bastante conhecimento sobre conjuradores e invocadores, o que não deve ser um problema para você visto que não é nenhum dos dois.
— Acho que isso é informação mais do que o suficiente — observou Gloria.
— Eu fiz uma pesquisa sobre os possíveis concorrentes antes do torneio, fico feliz em ajudar — disse Fynn.
— Obrigado — agradeceu Li. — De qualquer forma, vocês deveriam ir comer alguma coisa, a luta de Matheus é daqui a pouco e logo em seguida já é a minha, fora isso a do Fynn é só amanhã.
— Não vai comer nem um pouco? — perguntou Selene.
— Estou ansioso demais para isso, quero logo testar tudo que aprendi ate aqui — respondeu.
— Nós voltaremos para assisti-los — afirmou Fynn, estendendo o punho. — É melhor não perderem.
— Com quem você pensa que está falando, vamos dar um show! — disse Li, cumprimentando o outro, também com o punho.
— Boa sorte pra vocês dois, queridos — falou Gloria.
— Acabem com eles! — gritou Selene, empolgada.
Quando os quatro saíram, Li e Matheus se direcionaram ao salão onde os participantes aguardavam suas batalhas. Assim que entraram, Jihan esbarrou em uma pessoa encapuzada que passava ao seu lado.
— Ah, me desculpe — pediu.
— Sem problemas — respondeu à voz feminina.
Quando ouviu a resposta, Li instantaneamente parou e se virou para a pessoa alguns passos a frente.
— Akemi?
— Hm? — Uma pessoa também encapuzada que andava ao lado da primeira parou e virou-se, falando alto o suficiente para os dois homens ouvirem. — Ei, menina, aquele ali sabe seu nome, você o conhece de algum lugar? — Sua voz era de uma mulher mais madura.
A menina a qual a mulher mais velha se referiu também parou e virou-se para ela. Li conseguia ver sua boca se mexendo, mas nenhum som saia dela.
— Incrível… é linguagem élfica — comentou Matheus.
— Linguagem élfica? Mas eu não ouço nada — perguntou Li, confuso.
— Claro que não ouve, elfos são os seres mais próximos da mana, suas palavras não geram som a não ser que queiram, elas viajam através do vento direto para os ouvidos do ouvinte desejado… e sim, é tão complicado quanto parece, por isso é tão raro.
— É você, certo? — falou Li. — Eu reconheceria sua voz em qualquer lugar, Akemi.
— Minha aprendiz disse que não deseja falar com você neste momento — disse a mulher mais velha.
— Quem é a senhorita? — perguntou Matheus.
— Oh… usou as palavras certas, moleque — respondeu à mulher. — Meu nome é Miriem, sou de Yggdrasil.
— Miriem… Miriem!? — o líder ficou surpreso. — Você é aquela Miriem? A elfa mais jovem a se tornar uma Lorde de Yggdrasil?
— Ahahahaha, está vendo, garota, o nome de sua mestra ressoa até mesmo entre os jovens humanos — gargalhou a mulher. — Eu sou mesmo incrível!
A menina mais baixa puxou levemente o manto que cobria a sua mestra, mais uma vez mexendo a boca sem soltar nenhum som.
— Já entendi, já entendi — A Lorde se virou na direção de Li. — Garoto, minha discípula disse que não vai falar com você nesse momento, ela disse que vocês vão se enfrentar nas oitavas, certo?
Jihan confirmou, acenando com a cabeça.
— Então basta você chegar até lá — falou a mulher, sorrindo. — Guerreiros de verdade conversam com seus próprios punhos! Vamos logo, Akemi. — finalizou, se virando e continuando a andar.
— Então aquela é a Akemi, da história que você contou para o Valhir? — perguntou Matheus.
— Sim, exatamente ela.
— Sua amiga deve ser bem forte, Li; Os discípulos de Lordes costumam ser talentos do tipo um em cem mil. Tem certeza de que consegue ganhar dela?
— Não sei sobre ganhar — afirmou, pela primeira vez, não demonstrando a gigantesca confiança de sempre. — Mas vai ser um belo show. Além disso… você vai estar me esperando nas quartas, como posso te deixar sozinho nessa?
— É assim que se fala — disse Matheus, dando um tapa no ombro do outro homem.
— Vamos também, temos que nos preparar para o primeiro combate.

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