Índice de Capítulo

    Vendo-a bem, Kevyn quis chorar, mas não conseguiria na frente dela. Lembrando-se da cicatriz, no momento que ele iria escondê-la, Aycity o interrompeu:

    — Que cicatrizes legais! 

    O príncipe arregalou seus olhos e gritou: — Hein?! 

    — Da última vez você não tinha essa no olho, não tá conseguindo se curar? — Ela abaixou o corpo para olhá-lo melhor.

    — Eu… nunca tive nenhuma cicatriz. — Desviou o olhar.

    Notando algo incomum, a garota voltou a sua postura normal e olhou para o lado de dentro. “Ele desviou o olhar… não me lembro dele fazer isso… o que significa?”.

    Sentindo-se incômodo pelo silêncio, Kevyn olhou a chuva lá fora e então perguntou:

    — Eh… Aya… como você não se molhou? Ah! — Fechou os olhos. — Sua… blusa tá meio larga… 

    Não rindo, ela respondeu com outra pergunta: — Você por acaso poderia me dar algumas roupas suas? As da minha mãe… não servem… 

    “Ela parece triste…”, o garoto teve uma ideia e sorriu enquanto voltava a abrir suas pálpebras. — Já sei! Por que eu não… dou um pence?

    — Você sabe costurar?

    — … Não! Mas eu posso tentar. — Sorriu.

    — Fuh… 

    Silêncio de novo, Kevyn sorriu, ele pensou que era só uma visita como todas as outras, então aquela quietude era normal para ele.

    Mas não para Aycity, que estava quase se coçando. Sem suspense, a garota se decidiu e disse com alto e bom tom:

    — Eu vim morar com você! Então… — Coçou a bochecha e continuou; — me… trate bem, por favor.

    “Ela é a garota que o Gabriel falou… é incontestável, principalmente essa… coincidência. A porta já estava aberta mesmo depois de ter ouvido ela batendo, significa que alguém, ou então a minha porta virou o lugar de transporte do Jeremy”, suspirando e percebendo que suspirou. Kevyn tentou disfarçar e acabou olhando para todos os cantos. 

    Se recompondo, ele olhou para ela uma última vez e sorriu.

    — Tá bom, vamos morar juntos agora Aya, mas… temos regras nessa casa, escutou?! — Franziu a testa.

    Alegre, ela gritou: — Sim, capitão! 

    Caminhando para dentro de casa, o príncipe afirmou: — Entre, vou mostrar onde é seu quarto.

    Seguindo-o, a menina perguntou: — Cadê o Daniel? Lembro que ele observava a gente de longe na planície. Lembra aquele dia que eu te arrastei para a praia porque achávamos que tinha um tesouro lá?! Seu pai tinha até falado que escondeu algo!

    Parando, Kevyn lentamente se virou para ela e apenas a encarou um pouco distante. Não querendo lembrar daquilo, ele levantou um pouco a mão, mas ele não conseguiria tocar nela, não queria ser invasivo depois de tudo que ele descobriu.

    Entretanto, Aycity notou. Sabendo quem era a pessoa evasiva ali, ela percebeu o silêncio da casa. Era como se só houvessem os dois ali, e realmente… todos estavam mortos.

    — Por acaso… a Nick tá bem… né? — Ela encarou o chão.

    Sorrindo, o garoto voltou a subir as escadas e a deu sua resposta: — Claro, ela foi pra universidade, lembra? 

    “Ele forçou um sorriso…”, a garota não poderia não perceber aquele gesto estranho. Talvez não o conhecesse mais como antes, mas sentia que poderia acalmar essa situação de outra forma.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    No antigo quarto de Nick, agora de Aycity, Kevyn esticou sua mão para que a garota entrasse e disse:

    — Bem vinda ao seu quarto. 

    — Oh! — Correu e olhou tudo em volta.

    Conforme ela explorava o novo dormitório, o príncipe a observou abrir seu novo armário, olhando em volta, pulando no colchão com os pés descalços e…

    — Ei, Aya, o que achou?

    Pulou. — Muito grande! É tão espaçoso! Têm até tapete! 

    De tão alto seus pulos eram, ela bateu a cabeça no teto e caiu no chão. Um tanto ameno, Kevyn andou até ela, que ficou no chão.

    Suspirando, o jovem ergueu sua mão e logo a curou. “Ela fez de propósito, mas tudo bem, ela pode”, se agachou e acariciou a cabeça dela.

    — Que bom que gostou, venha, vou te emprestar algumas roupas minhas para costurar as suas. — Sorriu.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    Observando-no, Aycity tentou respirar conforme ele costurava o pence em seu vestido, seus  pés balançavam na cadeira.

    Ele estava com a língua para fora, tentando manter o máximo de concentração em sua primeira vez costurando.

    Usando seus olhos a um nível não desgastante, Kevyn enxergou o tempo lento para entender como aquilo funcionava devidamente. Entendendo o conceito geral de costura, ele estalava seus ossos a cada erro, consertando os furos.

    Brevemente, ele costurou 1200 vezes em minutos até entender com perfeição. Agora sendo um mestre na costura, ele desativou seus olhos e percebeu sua nova moradora com um sorriso leve demais para seu gosto.

    “Eu… fiquei um pouquinho mais forte?”.

    Desviando o olhar para o vestido, ele encarou o que era mais importante, deixá-la feliz. Guiando a agulha e atravessando as finas camadas de tecido, Kevyn marcou o vestido com linhas imperceptíveis aos olhos de qualquer um.

    Sendo o primeiro vínculo de sua vivência com ela, ele moldou cada fio como uma parte do seu querer, inocente puxou o barbante e sorriu percebendo o quanto melhorou. Mas, também falhou.

    Mesmo assim, estalou seus ossos, revertendo o erro e repetindo o processo, agora com perfeição. Assim, foi selado, em mãos, ele deu um último puxão e entregou com perfeição, o vestido para sua nova parceira de moradia.

    Após presenciar toda aquela coisa de avó, a menina abraçou o vestido com leve rubor e falou:

    — Você é muito dedicado, não é?

    — Nada demais. — Inclinou a cabeça.

    Aycity entrelaçou os braços no vestido e respondeu: — Hmmm… estou com fome! Fuh… por que… não faz algo? 

    Aquela frase pareceu repentina, mas ao olhar para o lado de fora, Kevyn percebeu que já havia acontecido. Talvez tivesse ficado mais tempo do que esperava na sua ¹eutimia. Mas sem receio, ele se levantou e respondeu:

    — Farei uma receita que eu mesmo criei! Prepare-se para comer o melhor Strong – on – off! 

    ¹Eutimia — perfeita tranquilidade, ou serenidade de espírito; sereno contentamento.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    Escondendo sua presença, uma garota com olhos de caveira cerrou seus dentes enquanto seus olhos brilhavam.

    Por uma janela, encarou o resultado da sua maldita escolha. “De novo? Mais uma vez eu erro e ele fica com outra… aqueles sorrisinhos… eu vou arrancar esse sorriso pra mim”, cerrando seus olhos, Night deu as costas.

    Apoie-me

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota