Capítulo 153.5 — Carta suficiente.
Todos os dias, eu acordo, levanto, me arrumo e estudo um pouco. Antes de sair do dormitório converso com a mestra sobre o que faremos e então partimos.
No corredor, encontramos com a demônio de chifres vermelhos, falamos sobre a matéria e alunos problemáticos. Sendo a menos entrosada, quando elas falam do passado acabo não me intrometendo.
Assim, partimos para o refeitório para inspecionar os alunos enquanto tomamos o café da manhã. Apesar de todos os dias serem quase a mesma coisa, a refeição durante essa hora é a mais importante, espero que você esteja se alimentando bem.
Quando o sinal bate, a gente vai para a aula e continuamos normalmente. O tempo vêm passado mais devagar depois de ser traída, você já passou por isso?
Depois do horário normal, almoçamos e vamos direto para o conselho estudantil, a presidente é incrível, ela me ajuda bastante quando pode, principalmente depois do que aconteceu comigo, você gosta de pessoas mais velhas?
Você está vivendo fora, não é? Por que não compra um celular? Poderíamos conversar, o que acha? Manda seu número para mim.
Já disseram que você parece uma borboleta? Seus olhos vibrantes, eles são lindos. Mas assim como elas, você leva a calamidade consigo.
Fufufufu!
Não acredito que escrevi uma risada. Quando conseguir o celular tente se expressar bem, não tem como saber quando você ri!
Aliás, você entendeu a piada? Tipo, Calamith, calamidade, entendeu? Desculpa.
Continuando, depois do conselho eu fico na biblioteca lendo, estudar é muito importante, você costuma com frequência? Um dia estudaremos juntos, estarei esperando por você.
Li que tá sozinho, se quiser eu vou ter bastante tempo livre, é só mandar mensagem, meu número:
(##) ####-####
† ─ Ω ☜︎︎︎ 𑁍 ──── 𖦹 ◦ 𖣔 ◦ 𖦹 ──── 𑁍 ☞︎︎︎ Ω ─ †
Terminando o último número, uma elfa de olhos carmesim assinou seu nome e pensou consigo mesma: “Quem eu tô querendo enganar? Pelo o que ele está passando, vai demorar muito tempo para ele vir até aqui”, bufou.
「𖣔」
Após terminar de envelopar sua carta, a garota se levantou de seu assento de madeira e, pouco a pouco caminhou pelas estantes de livro, pisando sobre o chão ouvindo o ranger da madeira tão antiga.
Então chegou, sua mão ergueu e ela atravessou para sair da biblioteca onde estava. Do lado de fora, viu os emaranhados de pessoas reunidas. Descendo suas pálpebras, ela caminhou solene, guiando-se apenas com sua memória.
Tentando ignorar os olhares, ela quis tapar os ouvidos, mas recusou-se.
Como um destino selado; seu corpo majestoso e invejável, chegou, de frente para os dormitórios, ela abriu seus olhos vazios e respirou fundo.
† ─ Ω ☜︎︎︎ 𑁍 ──── 𖦹 ◦ 𖣔 ◦ 𖦹 ──── 𑁍 ☞︎︎︎ Ω ─ †
— Kynory, você precisa beber sangue. Já está doente, essas olheiras, seus lábios rachados, por acaso isso te afetou tanto assim?!
Furiosa, uma mulher de cabelo lilás parou a garota na porta assim que entrou. Sem como respondê-la, a elfa desviou seus olhos.
Em um gesto suave e acolhedor, a mestra colocou suas mãos sobre as bochechas de sua aluna, então, tudo que parecia raiva se transformou em um sermão brando. Mind suspirou, e, como uma mãe, a perguntou:
— Minha pequena, você não pode ficar assim, como quer continuar sem se quer cuidar de si mesma?
Abaixando a cabeça, Kynory se manteve firme e abraçou a carta que fez. — Não quero beber sangue sem que seja de alguém especial.
— Você deveria ser menos gananciosa, não fique tão desesperada, isso não combina com você… Mas então beba o meu, não é isso?
Então a vampira passou por ela.
— Não é esse tipo de especial. Minha clone está lidando com as coisas, eu só preciso tirar um momento para mim…
A mulher entendeu. Era uma decisão de sua aluna, afinal….
“Você pensava tão diferente, como você mudou… mas, seu pensamento realmente mudou?”.
Mas então, sem hesitar, Mind a respondeu:
— Seu pior erro foi ter provado o amor, agora está desse jeito deplorável. Me diga, quanto tempo você vai demorar para superar isso?
Serena, Kynory encarou-a de canto e disse: — Isso é muito mais difícil para a gente, do que para um humano… Nós somos imortais, vivemos para sempre… Imagine como é saber que você pode viver para sempre sem ninguém?
— Pensei que você fosse mais madura, até um humano como eu sabe que é só encontrar um outro alguém.
— Mas e se passasse tempo demais ao ponto de se apegar? Mind, você namora já pensando na próxima pessoa?
— Somos conscientes, é natural para qualquer um ter mais de uma opção… Pensei que tivesse mais malícia, Kynory.
Cerrando suas pálpebras, as cortinas da janela voaram por um breve momento enquanto o silêncio reinou. De costas uma para outra, a aluna manteve seus braços envolta da carta.
Entendo o que estava acontecendo, ela respondeu de forma branda:
— Honestamente, você é uma vadia estúpida.
— Você é uma chifruda, quem é mais estúpida?
Franzindo seus lábios em um sorriso, Kynory respondeu: — Você, não é óbvio? Prefiro manter minha integridade como uma verdadeira dama, do que conversar com vários homens por migalhas de atenção.
Mind riu e também a encarou de canto.
— Então por que eu estou bem, e você péssima?
Desentrelaçando seus braços, a elfa ofereceu a carta e respondeu:
— Porque eu não comprometeria a minha dignidade pela minha auto satisfação. Então diga-me, Mind, eu estou errada de me sentir mal, por não conseguir um homem de bom caráter?
Alegremente a mestra pegou o papel, e, com seus olhos cheios de energia, negou:
— Nenhum pouco, afinal, fui eu quem te ensinei isso. Se essa for sua decisão, eu vou aceitá-la. Enfim, vamos lá comprar umas roupas novas? — Sorriu.
Amena, Kynory desviou o olhar e concordou com a cabeça.

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