Índice de Capítulo

    — Moonside.

    — Sim, mestra.

    — Você tem medo do tempo?

    Olhos cinzas com uma caveira roxa. Medo, sim, eles causam. 

    Meio a meio seus lábios franzidos em um sorriso que revelava algo que o futuro não vera; sua angústia, sem noção, carmesim. 

    Como um monstro sem medo no olhar, o amor consome o devaneio proibido que os céus aceitam por sua não revelação. 

    Cada nada era transformado em girassol, como suas sementes, o jardim floresce sem um sol de verdade. 

    Mas em meio do espiral de onde um Deus antigo saiu, se revelou: “As flores apontavam para quem estava em seu centro”, e no seu centro, estava Starlight, como o sol que floresce em uma caverna escura, uma dimensão que nunca se afunda. 

    De pé, ela encarou seu primeiro soldado, alarmante Moonside, observando sua mestra de pé enquanto o mundo em volta se retraía pela sua vontade. Night, ou Starlight, ergueu sua mão e como uma maestra guiou as flores do jardim belo. 

    Cada grama, moldada, se repetindo, elas voltavam, mais uma vez, soltavam, e, de novo, casavam. Mas ainda assim, o mundo avançou, o presente virou o passado da sua condição. Temendo o que não aconteceu, ou o que já aconteceu, o demônio, temendo a demônio, respondeu:

    — Como eu não teria?

    A ópera enfim se cessou. Night do mundo inteiro quebrou. Seus braços entrelaçados, em um momento no espaço, tudo se quebrou. 

    Nada e o tudo, nada virou. 

    Com seus olhos agora tão fechados, sua espada simbolizou, tudo quebrado em um só quadrado, a caverna, o nada materializou.

    Leve melodia a se soltar, a luz da sua alma tocou o chão. Mesmo na mais profunda escuridão, a demônio que provém luz, mais uma vez, o tempo parou.

    “Tic, Tac”.

    ★ ≫ ──── ≪ • ◦ し ◦ • ≫ ──── ≪ ★

    Ainda em meio ao jardim em espiral, Night cobiçou algo, sua mente perdida em meio aos girassóis a tonteou. 

    Quem diria que as flores giraram o sol? Ela tocou seu peito e caiu. Cerrou os dentes, pobre Starlight. Chorou, pobre Starlight. “Eu prometo não te arrastar para esse vazio que chamo de coração”.

    Ainda em meio ao jardim em espiral, Starlight não cobiçou algo, sua mente centralizada em um objetivo tão claro, fez com que os girassóis só tivessem olhos para ela. 

    Quem diria que o Sol chamaria a atenção? Ela apertou seu peito. Suas lágrimas viraram sangue. “Que despedaça todos que colocam a mão”.

    — Se o tempo não dá para voltar… se a vida quis assim, e de mim você tirou… a morte eu serei, para te dar o meu amor — cantou.

    「• • •」

    Kevyn… me ame.

    「❍」 ≫ ──── ≪ • ◦ し ◦ • ≫ ──── ≪ 「❍」

    Fechando um grande livro escrito por um homem que até o mundo almeja, Humbra ficou minutos em silêncio encarando sua capa.

    Leve, uma lágrima escorreu e tocou a superfície de couro.

    Brando, o grande general entendeu o quão pesado era o nome dado a si mesmo. Ele era quem seu criador escolheu, para receber o maior nome de toda a história.

    Escolhido em prol do mundo, somente ele poderia servi-lo. Mas, sabendo o que sua outra criadora fez, percebeu que somente assim, ele poderia ser perfeito.

    Amadurecimento.

    Verdadeiro.

    Imperfeito.

    Tudo proposital.

    De frente um para outro na mesa da cozinha, Aycity o observava curiosa para entender o porquê daquele livro ser tão impactante. Ainda assim, sorridente, ela inclinou a cabeça e disse para o esqueleto:

    — Monte de ossos, você e a Dayron são tipo namorados?

    Depois de tudo o que leu, Humbra a encarou como quem viu o mundo inteiro e conheceu todas as filosofias. 

    Ele apenas balançou a cabeça em negação e respondeu com uma naturalidade assustadora:

    — Ela é uma irmã mais nova para mim, nunca cometeria esses pecados hediondos.

    — Entendo… — Desviou o olhar.

    — Deixe-me conversar com meu mestre, assim vocês poderão passar mais tempo juntos.

    O grande general se levantou da cadeira e caminhou para fora, vendo seu mestre meditando conforme lia algo. “Por quê tem tantos livros empilhados?”, se perguntou o esqueleto.

    Passo por passo, quanto mais ele se aproximava, mais distante parecia. Nervosamente, Humbra não sabia como poderia encarar a apologia de seu mestre.

    De todos os dias, aquilo mudou a vida deles, dele, ele… Kevyn, sentado na grama olhou para sua criação e sorriu alegremente.

    Maldito sorriso.

    Olhos tão vibrantes.

    Ele era perfeito demais.

    Humbra, pela primeira vez encarou seu Deus como algo além. Já não era apenas quem depositava sua fé, aquela criança sabia muita coisa.

    O grande general se sentou de frente para ele hesitante de suas próprias palavras, tremendo, o encarou. Sua voz profunda, suavemente fluiu em uma linha tênue, fechando um destino quase inevitável da realidade:

    — Kevyn, você deve ir até a Night, ela e você precisam estar juntos. Uma espada viva e seu dono nunca devem brigar por coisas banais,

    Rapidamente o garoto entendeu e encarou-no com um sorriso leve.

    — Você leu, não leu?

    — Sim.

    — Eu farei isso em breve, antes disso, eu só vou atrás dela quando estiver preparado.

    — Hm? — Assustado com o olhar de seu mestre, as pupilas do esqueleto se dilataram e logo viraram pontinhos roxos ao perceber que…

    Os olhos de seu mestre… A cicatriz, aquele… Aquilo…

    A grama se moveu, o ar pareceu ficar mais leve, o mundo girou, Kevyn, seus olhos e sua alma estavam tão calmos quanto as nuvens, que permaneciam nubladas.

    As correntes envolto do garoto se mantiveram intactas. O príncipe tirou a máscara e revelou que de trás de seus olhos vazios, uma chama viva existia.

    — Humbra, acha que vence o Moonside mais uma vez?

    — Sim, eu venço. 

    — Ótimo, o que mais quer falar? — O suave olhar do menino voltou.

    Hesitante, as pupilas de Humbra se dilataram. Abaixando sua cabeça, o grande general agarrou a grama com seus ossos e disse:

    — Meu nome é… a melhor benção que o senhor já me deu. Obrigado.

    Levantando sua palma, Kevyn tocou o crânio de seu servo e moldou seus ossos em revestimentos sutis, cada vez mais perfeito, ou, mais perfeito do que já é, Humbra ganhou uma apologia…

    A mais única e importante que o mundo poderia ter.

    Apologia do príncipe dragão.

    Kevyn Calamith.

    Um dos olhos de Humbra se tornou verde, seu corpo agora foi coberto por um cachecol flamejante; sem calor, mas ainda imponente. As chamas então caíram e viraram um manto frio. 

    Ainda mais imponente, se arrepiou sem nem mesmo poder. Se ajoelhando, ele encarou seu mestre. Agora o mais digno entre todos, o general mais uma vez chorou.

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