Índice de Capítulo

    A aula de hoje é sobre — Diferença entre Monarca e Imperador.

    Imperador — Aquele que governa uma grande terra, ou várias delas.

    Monarca — Aquele que governa uma ilha ou uma nação, mas não chega a governar várias ilhas ou penínsulas.

    Antes do amanhecer de um novo dia, uma mulher lia um jornal com uma perspectiva adepta a não questionar. Meramente insondável, seus olhos à fraquejar.

    — Não tô gostando disso. — Levando sua mão até a franja quase perfeitamente linear, uma mulher agarrou-a enquanto seus lábios se franzem. “A mulher que fez um genocídio inteiro até se tornar imperatriz? Isso é preocupante, preciso estar de olho e manter relações caso haja qualquer coisa”.

    Levantando-se, a chefe da máfia Ride pegou um cigarro e o acendeu. Por um momento, ela encarou toda a cidade do alto de seu prédio. Inestimável sua beleza, ela viu o reflexo de seu fumegante e cancerígeno quase vício e pensou, colocando a mão sobre o vidro: “Eu… Estou péssima…”, tocando sua testa contra a gélida película.

    — Por que morreu, Kevyn? Você seria a peça fundamental da minha vida…

    “Toc, toc”

    Alguém bateu na porta. Notherite não queria que entrassem, nem mesmo que tirassem seu momento sozinha, ao menos para não trabalhar. Mas não poderia, mais um vez cedeu e então, disse:

    — Entre.

    Dando um chute na porta, Sakazuki entrou gritando com toda sua alegria:

    — MATARAM O BELZEBU!!!!! AAAAAAHHHHHH!!!!! 

    Dançando feito um maníaco, ele estava com oito cigarros na boca, todo feliz. 

    Por outro lado, ao ouvir aquilo, Notherite apenas deu um leve sorriso e encarou a cidade. Mas uma dúvida surgiu e a fez perguntar:

    — Quem ceifou sua vida? 

    O homem congelou, recolhendo seus cigarros ele abaixou a cabeça e desviou o olhar.

    Vendo sua reação, Notherite arregalou seu olho não coberto e perguntou com uma calma devastadora:

    — Foi ele… Não foi?

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    Saindo de casa antes que todos acordassem, acompanhado por Dayron, Kevyn partiu de casa. Caminhando solene e calmo, passou pela estrada cotidiana até chegar finalmente à cidade.

    Mas uma grande comoção instaurou, com inúmeros soldados por todo o lado, algo pareceu errado, logo ele que entrou no primeiro beco que achou para ir até Jeremy.

    「❍」

    — O que aconteceu?

    O homem acenou.

    — Eu perdi alguma coisa? Por que têm tantos guerreiros lá fora? — Ainda assustado, os olhos do garoto estavam arregalados.

    — Oh, isso… É que a imperatriz de Twilight está aqui em Emerald. — O ruivo tirou um jornal debaixo do seu balcão e o entregou.

    Aceitando, Kevyn o leu em uma fração de segundo e o entregou de volta. Neutro algo parecia diferente, mas sem nenhum remorso ele saiu do bar e disse:

    — Eu estou interessado.

    「❍」

    De cima de uma passarela por onde a famigerada imperatriz passaria para chegar até o encontro com a monarca de Emerald, Kevyn aguardou com a mão no queixo.

    Com alguns guardas subindo as escadas do viaduto para pedestres, os soldados vieram até o garoto para falar:

    — Ei! É muito cedo, volte para casa, esse lugar pode ser perigoso a essa hora!

    Entendendo a boa intenção dos dois, o príncipe pensou sobre o que fazer, mas quando eles o encarou, já estavam ajoelhados.

    — Sentimos muito… Não vamos o impedir.

    Olhando do alto, Kevyn não compreendeu. Mas quando seus olhos, quase hesitantes, guiaram-se pelo asfalto frio…

    Lá estava ela.

    O amanhecer rompeu o véu da noite, e o sol refletiu no olhar crepúsculo do garoto. Conforme suas pupilas caminhavam para de encontro com os da pessoa mais poderosa alí… 

    O vento soprou pelo ambiente, arrebatando os fios de seu cabelo, revelando a brutalidade verdade oculta de sua identidade.

    Do lado de baixo, imóvel, estava uma líder mundial. 

    Não havia arrogância em sua postura, apenas a naturalidade cruel de quem carrega um império no próprio caminhar.

    Sem medo ela ofegou.

    Ainda que, mantendo-se de pé, algo quebrou dentro do príncipe. Ele sabia, sentia, vivia. Porque naquele olhar… naquele par de olhos queimava algo, uma ambição impossível de não se reconhecer.

    O olhar que ela tinha trouxe o reverbere para o garoto, um sentimento tão ruim, que seu estômago revirou.

    Algo que já viu.

    E esse reconhecimento era um veneno, um aperto no peito que o fazia querer vomitar o mundo inteiro.

    Como uma lâmina suspensa diante uma estrela prestes a colapsar, o ar pesou, a estrada tremeu pela presença que os dois estavam trocando.

    Então, no instante em que seus olhares finalmente se encontraram, a estrela enfim caiu e em instantes a supernova eclodiu — com uma linha tênue entre o não destino e o pior destino.

    Seus cabelos longos e morenos como a terra úmida após uma tempestade. Mas entre eles repousavam mechas brancas, frágeis como fios de um luar quebrado na manhã. Ainda assim, aquilo não era o que importava de verdade.

    O que aprisionava qualquer olhar. Não olhos comuns. Não cores que se repetem no mundo. 

    Cada parte, suas pupilas cintilavam como um arco-íris, mas um totalmente diferente… Não aquele que se vê após a sereno, e sim um que parecia nascer de dentro, um reflexo incabível, vivo e em constante morte.

    Cores que não existiam em paletas humanas, tons que escapavam às vidas, como se cada nuance mantivesse um segredo, uma lembrança, um destino. 

    Olhar para eles era como contemplar algo que não deveria estar acessível aos mortais. Algo que só ele poderia entender. Uma absurda ousadia do mundo ao não parar. Parar o que ali estava. Parar o que não existia. Parar uma não apologia. Parar uma vida, a vida, algo que nem mesmo a apologia poderia parar.

    Era sentir-se pequeno diante de um mistério que o mundo inteiro não poderia traduzir. E Kevyn, ao encarar novamente, percebeu que já não via apenas cores, mas ecos de uma história que não conhecia. E que… Ainda assim, o atravessavam como lâminas invisíveis.

    Pupilas negras, um abismo que não dava pra voltar. Depois, o cinza pálido, reflexo de uma apatia indiscrita, que não se descreve, apenas se arrasta.

    O verde fúnebre insinuava-se veneno, corrompendo a alma em silêncio.

    O vermelho, outrora vibrante, permaneceu estagnado em um tempo que já não existia — uma chama pálida que arde em memória, matando e aniquilando.

    Assim como o azul, morto, respirando a ausência, trazendo conexão que nunca existiu, mas era paradoxalmente onipresente em um círculo de harmonia que só os dois poderiam sentir um no outro. Mas nesse círculo dissonante, as cores se fundiram… Como o branco emergente em um aspecto carnal, despido da pureza, revelando a matéria, a carne indisposta do inevitável.

    Restando, então, apenas aquilo que os dois podiam estabelecer — uma indiferença que só eles poderiam compartilhar.

    E, sobre tudo, repousaram a violenta violeta, deitada sobre um crepúsculo inalcançável, como uma promessa que se fosse prometida, nunca se cumpriria.

    Mas o principal, invés de pupilas, ela tinha caveiras.

    Ela quis tocá-lo.

    Não pela primeira vez que via alguém — mas pela primeira vez que via algo ser….

    Aquela forma. Aquela raça. Aquela beleza nunca vista em nada antes.

    E aquele poder.

    Ela sabia: Se ousasse aproximar, se corromperia. Seria consumida, sugada para dentro daquele vórtice existencial.

    Mas nada importava.

    Ambos já estavam entrelaçados pela mesma escuridão, um novo, antes mesmo de nascerem, e que nem o tempo, nem a morte, nem a luz poderia desfazer.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    Após aquele acontecimento sem precedentes de uma continuação, ou encontro determinado: Os dois seguiram por seus caminhos sem hesitação. Seus caminhos se cruzariam novamente, e quando aquilo acontecesse, bom ou ruim, o destino se torceria.

    Por outro lado, de frente uma para a outra, aquela mulher veio a se encontrar com a monarca de Emerald. 

    Em um belo encontro de interesses, as duas tomavam vinho, mas não qualquer um, sua cor dourada dizia por si só, o hydromel, brilhante e saboroso.

    Mas seco.

    Seco como a conversa que estabeleciam, sem escápulas, méritos ou nuâncias. A única coisa que a monarca sentia era o mais puro medo, medo de estar sob a presença da Imperatriz de Twilight.

    No entanto, em um momento desesperado, ela disse seu nome:

    — Naizeko… nosso contrato basta para você? — Ofegou em desespero.

    Perdida em pensamentos que nunca poderiam ser discutidos, os olhos da dita Naizeko se viraram para a mulher, mas, por sua decisão, voltaram ao normal.

    Prateado e o outro negro, as caveiras se mantiveram, ainda integra, a respondeu com firmeza:

    — Por que está tão cética? Se eu disse que sim, basta.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    — Sakazuki, eu tenho um novo objetivo.

    De cima de um prédio, Notherite e seu fiel mafioso observavam a conversa da Imperatriz com a Monarca.

    — Qual é? — ele fumava, assoprando a fumaça como um velho trem a vapor.

    — Eu vou tomar Emerald.

    — E como pretende? 

    Um breve silêncio tomou.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    Após um belo dia de trabalho, Kevyn recolheu suas coisas e encarou Dayron.

    — O que achou?

    Sem poder falar, ela balançou a cabeça e cerrou o punho em direção à ele. Sorrindo, o garoto aceitou o comprimento e eles fizeram o soquinho.

    — Seu ânimo me faz querer trabalhar Dayron, agora vamos, estamos atrasados! — O príncipe absorveu a armadura viva e correu para casa.

    Então passou pelas pessoas em uma velocidade imensa, mas, quando chegou em uma área mais ao longe do centro, parou de correr e então suspirou nada ofegante.

    “Será que eu esqueci algo? Ah… não”.

    Entretanto, no mesmo momento que pegou impulso para correr pela calçada, alguém cruzou a esquina e, como se tivesse sido previsto, os dois trombaram.

    Kevyn caiu em pé, mas no momento que olhou para a pessoa que bateu.

    Impossível de não reconhecer, o toque, o momento, então os olhos se cruzaram, a mesma situação.

    Caída no chão, uma péssima atriz, Notherite tentou ser fofa, mas assim como da última vez, ela não havia melhorado nada.

    Mas era de propósito.

    — A-ah… eu sinto muito. — Kevyn, tolo, voltou e tentou ao máximo não revelar seu outro olho, fechando-o por trás da franja, mas dando sua mão para ajudá-la.

    Covardemente, ela aceitou, puxou-o para perto, abraçando-o e vendo se ele tinha orelhas. E assim, descobriu: Ele era um dragão.

    — A-ah! — Perto demais, o garoto tremeu.

    Mas ainda mais covarde, como uma verdadeira ladra adentrou sua mão e roubou algo enquanto se afastou e lacrimejou, finalmente revelando sua verdadeira atuação:

    — Desculpa, eu fiquei um pouco tonta.

    Tonto de verdade, Kevyn desviou o olhar e respondeu:

    — Sem problema… mas sinto muito, preciso ir! — Ele correu.

    Então, Notherite olhou para o que havia roubado, e apertou. Apertou com tanta força, que sorriu. Ela olhou para o garoto indo e então disse abaixando seu braço que, em sua mão, estava uma venda negra:

    — Eu te achei, Black Room.

    — Como Kevyn enxergou a Imperatriz:

    Pelos olhos de Kevyn, ela era um borrão de energia, magia, mana e Astraal. Para ele, ela não se parecia nem mesmo como uma humana. Para o Kevyn, ela não era nem mesmo uma raça, era um monstro.

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