Índice de Capítulo

    Aula de hoje vai ser sobre… Ah…
    Bem que vocês podiam comentar, né?
    Mas já que não, vou relembrar algo muito importante:

    — Kley já sabe a Localização do Kevyn.

    Dia 14 do cinco, Aycity despertou em sua cama. Fúnebre ela levantou e pensou: “Kevyn trabalha tanto e mesmo sem transparecer, parece sempre um pouco triste…” 

    Então, ouviu passos, sabendo o que faria, a garota rapidamente foi atrás. Curiosa, seguiu quem quer que fosse, sua esperança era ser sua princesa e, no fim, realmente.

    Tentando evitar a visão dele e ser detectada, usou o gelo em seus pés para quebrar as vibrações. Quando o garoto saiu de casa, Aycity foi logo atrás, imaginando o que ele fazia em seu trabalho, pensando que ele estivesse atuando como Black Room e trazendo a mesma justiça que consigo.

    Sob o véu do alvorecer, a luz dourada cobriu o céu ainda estrelado pela noite. Sendo a mestre em fugir de casa, a menina continuou com maestria.

    No entanto, ela podia não saber… mas Humbra estava a escoltando como um verdadeiro pai super protetor. Durante o longo caminho até o meio da cidade, onde o príncipe dos dragões fez sua lojinha de armas em um terreno pequeno ao lado de duas corporações, um velho senhor já o esperava do lado de fora.

    Inconfundível, Aycity observou de canto enquanto Humbra também espiava logo atrás dela. Como o general não foi descoberto ainda?!

    「❍」

    — Senhor Nyvek, você conseguiu restaurar a espada do meu filho?

    Corcunda, o senhor tão velho mal abria seus olhos. Por outro lado, Kevyn chamou:

    — Você vai ver, venha, vou te mostrar. — O príncipe chamou com sua mão e entrou em sua loja.

    「❍」

    Usando roupas do garoto para se disfarçarem, a dupla, que não era uma dupla, avançou. Observando através do vidro da lojinha, do lado de fora, Aycity e Humbra tentaram ouvir o lado de dentro.

    Entregando uma lindíssima arma nas mãos do velho senhor, os olhos do príncipe mostraram empatia. Como um singelo momento parado, Kevyn disse:

    — Não há necessidade de me pagar, não foi um trabalho que eu me sentiria bem aceitando dinheiro. — Sorriu.

    O homem chorou ao ver a arma de seu filho.

    — Obrigado, prometo tentar trazer mais clientes para sua forja, grande Nyvek.

    — Eu quem agradeço. — O garoto inclinou a cabeça e riu leve.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    Quando o sol chegou ao topo do céu, Kevyn terminou seu serviço e foi para casa, onde faria almoço para sua nova família.

    Chegando em casa, viu Aycity e Humbra discutindo, mas sem prestar muita atenção, ele foi direto para o fogão cozinhar sua divina comida.

    Depois de um tempinho em silêncio, alguém agarrou a barra de sua blusa e o chamou:

    — Kevyn… Kevyn!

    O rapaz olhou de onde vinha o som e viu, obviamente, sua patética residente. Sorrindo determinada, ela gracejou:

    — Vai me treinar hoje?! 

    Ela fechou os punhos na altura do peito, divertida como nunca. Aquela radiante felicidade era um prato cheio para o príncipe, que olhou para a comida e respondeu:

    — Depois do almoço, um pouco mais tarde, precisamos descansar pra não passar mal. 

    Ele fez biquinho, mas sorriu.

    — Eba! — Ela saltitou para longe.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    Durante a consagração, um homem com um lindo cachecol veio a caminhar em direção a uma casa de madeira tão linda.

    Chegando em sua porta, ele girou a maçaneta e viu seu irmão com sua família. Mas a família não estaria completa sem ele ali, sem elas… sem todos…

    Gabriel e Humbra não eram os únicos que podiam enxergar a tristeza que se escondia por detrás do olhar perfeito de Kevyn. Por mais disso, os dois se mantiveram quietos, afinal, se tentassem ajudar, talvez piorariam algo quê o próprio príncipe não revelava.

    Então sentou.

    O grande lorde se sentou com seu irmão e família para poderem comer um belo frango com catupiry e muitas outras panelas para poderem se empanturrar.

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    Totalmente de barriga cheia, Aycity repousava sobre o colo de sua princesa. Conforme a grama fazia cócegas em suas vestes, Kevyn olhava o horizonte sem pensar em nada.

    Aconchegante, a garota abraçou a cintura do príncipe e disse:

    — Ei, Kevyn, meu… P-

    Ele a interrompeu.

    — Nós vamos sair pra fazer compras, não se preocupe, eu vou te dar roupas ainda melhores que aquelas.

    Com um sorriso estampado em sua face, o garoto levou suas mãos até às costas da menina e as acariciou.

    Sentido que já está em posse dele, os papéis se inverteram e agora era Aycity quem queria protegê-lo, mesmo sem entender tão bem o porquê.

    Um arrepio percorreu seu corpo ao ser tocada, seus olhos estremeceram, ela não sabia tanto sobre o que aconteceu com ele, ela queria descobrir, ela almejava saber tudo o que fora acontecido.

    Mas… Depois de um tempo, a garota acabou dormindo, afinal, o toque era confortável demais, até para ela. Ainda observando o horizonte, o menino suspirou e, com seus dedos em garrinhas, Kevyn roçou a ponta de seus dedos contra o couro cabeludo da menina, vendo suas leves mechas verdes.

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    — Então, que tipo de arma você gosta de usar?

    Conforme a penumbra da noite emergia do lado oposto, mas ainda próximo ao do sol, Kevyn e Aycity vieram a frente de casa. Fixando seus pés na grama do quintal.

    A garota desviou o olhar e pensou profundamente: “Eu dormi no colo dele… que sentimento estranho”.

    Uma certa nostalgia dominou o príncipe, que disse:

    — Isso me lembra quando eu cheguei aqui para treinar. — Os olhos dele se desviaram em um devaneio.

    Vendo-o os olhos dele se afastarem, a patética garota correu e segurou o braço dele. Ofegante, ela transpirou gelo pela sua boca e deixou tudo frio, mas percebendo não o recuperar, canalizou sua força e tentou um soco fraco, congelando levemente a roupa do garoto.

    Voltando, Kevyn riu e perguntou:

    — Você gosta do corpo a corpo?

    — Não… sei que isso te lembra sua mãe… eu só quero te fazer lembrar de coisas que você faz questão de não lembrar. — Ela o encarou com raiva.

    Um leve rubor surgiu nas bochechas do garoto, ele então lembrou de uma coisa e disse:

    — Seguinte!

    Ele estendeu a mão para baixo e continuou:

    — Eu quero que você me acerte, se me acertar, eu vou realizar três desejos seus! 

    Afastando as moléculas de carbono e oxigênio, uma água metálica surgiu de sua palma e várias armas de seu repertório foram criadas, quase como mágica, manastral.

    Observando-no criar armas como água, a garota franziu os lábios em um sorriso doce e disse:

    — Desejos? Aqui vou eu então! 

    Dando um espaço para ela, o garoto observou-na, esperando escolher sua arma e vir o enfrentar. “Ela até parece uma criança indo atrás de um doce muito caro!”, ele riu e aguardou.

    Primeira tentativa.

    Espada.

    Empunhando uma lâmina pela primeira vez, a garota segurou-a com as duas mãos e se preparou. Pela primeira vez, Kevyn pôde entender o que Améli dizia com postura.

    Não querendo falar nada para não desanimar, o garoto esperou-na.

    Assim que a garota avançou com tudo, ainda segurando a lâmina, ela ergueu o braço e tentou um corte vertical torto.

    Facilmente desviando, o príncipe franziu as sobrancelhas, e observou-na tentado arrancar a espada que acabou de cravar no chão por causa do próprio ataque.

    — Eh… espadas não são seu forte… — Ele sorriu.

    「❍」

    Segunda tentativa.

    Escudo.

    Ela defendeu, mas um ataque foi necessário para ser lançada ao chão.

    — Nunca vi alguém lutando com um escudo, por que pegou um?

    — Eu não sei… — Derrotada, ela caiu que nem a pose jogar morto.

    「❍」

    Terceira tentativa.

    Faca.

    Depois de assistir tantos vídeos curtos de russos lutando com facas, ela deu uma finta rápida para o lado e avançou com tudo, tentando fincá-la em Kevyn.

    Ele desviou e sorriu percebendo que alguma coisa ela sabia, mesmo que alguns erros foram cometidos, ela voltou a avançar com tudo, mas percebendo um frenesi desnecessário, ele rapidamente a imobilizou e jogou no chão.

    — Foi uma boa tentativa, mas não fica achando que só atacar vai funcionar. — Ele suspirou.

    — Fuh~ … Certo! Acho que tô chegando em algum lugar! 

    「❍」

    Quarta tentativa.

    Arco e flecha.

    Ela pegou, olhou nos olhos de Kevyn, fingiu que ia atirar e, quando viu-o dando um pequeno centímetro de desvio para o lado, ela atirou e então o garoto desviou mais uma vez, mas um pouco assustado com a agilidade que ela puxou a flecha.

    Percebendo o medo dele, Aycity mirou de novo enquanto ele estava apreensivo e com o puxar da flecha, ela atirou, pegou outra enquanto ele desviava e atirou de novo.

    Não preparado para duas flechas vindas dela, o garoto teve o canto de sua roupa rasgada de leve. 

    — Você só vai ficar se desviando? — Ela sorriu.

    — Hmph, você não aguenta nem um empurrãozinho direito, sua idiota. — Ele sabia que ela tinha visto, mas recuperou sua roupa.

    — Ah é? Então vamos finalizar por hoje, cai na mão princesinha! — Ela largou o arco e ergueu os punhos.

    — Ei, ei! Não se anima muito, hein? — Ficou em postura defensiva.

    Mesmo se Kevyn quisesse prever o que viria era impossível, como um míssel, Aycity girou seu braço em um arco, assim como flecha o alvo veio acertar. 

    Kevyn subiu o nível com seus olhos, sua visão se estendeu por números imensuráveis, cada milésimo era uma perdição, quando o impacto veio… Ele interveio.

    Sentido que seu mestre estava em perigo, Humbra surgiu e desviou o soco da garota para o lado.

    Com a pressão do ataque, as nuvens ao longe se dispersaram. Só com a pressão, um corte surgiu no rosto do príncipe que, em choque, sorriu e disse:

    — Humbra, pode deixar comigo.

    Também assustada, a própria garota corou e respirou fundo com excitação da própria força. “Será que eu me despertei, que nem ele disse?!”

    Abaixando a cabeça, ela se aproximou para perto e olhou-o de cima enquanto dizia:

    — Toma cuidado, princesa. — Sorriu.

    「❍」

    Com o afastamento do monte de ossos, Kevyn e Aycity recuaram e ficaram em guarda alta. 

    Ele iriam lutar de novo.

    Um segundo se passou e os dois avançaram com tudo, mais rápida, a garota tentou um soco novamente, agora usando seus olhos para prevenir que fosse acertado, o garoto desviou, deslizou pela grama e…

    Assim como o arco e flecha, ela havia o enganado mais uma vez. Segurando-o, Aycity veio e tentou bater nele, mas errou, ainda sem tanta prática, um passo em falso e ela escorregou.

    Efémero entrelaçar de seus corpos, os dois caíram sobre a grama e, por cima, Aycity empurrou seus braços contra a grama. Caído, o príncipe sentiu a sombra dela ser projetada contra si, e com o tocar de seus olhos, um leve choque.

    — Kevyn… Sinto muito! 

    Ela saiu de cima o mais rápido que pôde, tremendo um pouco, ela fechou os punhos e ficou afastada.

    Sentando-se, o garoto lentamente se apoiou em si mesmo e se levantou. Sabendo o que aconteceu, ele colocou a mão atrás da nuca e caminhou em direção de casa.

    — Tá tudo bem, depois vamos estudar um pouco, tá bom? — Aínda com rubor, ele caminhou um pouco apático para dentro.

    — Certo! — Ela gritou, vendo-o entrar… seus olhos se franziram levemente, mas ela ficou por ali mesmo.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    Passo por passo, o cabelo escarlate voava conforme uma mulher caía de um falso céu, pedras e mais pedras, construções despedaçadas e flores cobrindo o que antes, foi um reino inteiro.

    O eterno abrir de suas pálpebras como um efêmero momento já perdido a eras. Ela caminhou, cada passo mais lindo que o outro, como se ansiasse o que viria.

    Apontando seus chifres para cima, pisou com delicadeza em meio a ruína em espiral.

    Do outro lado.

    A mais pura e divina entidade.

    Sentada sob um trono já desgastado pelo tempo, uma aparente garota, com seus fios dourados flutuando em meio ao ar, fitou o ambiente com nostalgia, mas ainda inóspito, pesado, era uma visão dolorosa.

    Interrompendo seu luto, a mesma mulher que acabara de chegar parou de frente para ela.

    Também com pesar em suas pupilas.

    Ela olhou.

    — Você veio…

    — Rublia…

    As duas vieram a trocar olhares leves.

    Saindo do trono a tempos abandonados, os fios loiros e espectrais voaram conforme seu movimento. Mas quando seus pés tão limpos, tocaram as flores ainda tão impuras, seus olhos voaram pelo chão e voltaram até a mulher ruiva.

    — Então você quer tomar meu posto de Cavaleiro da Guerra, não é mesmo? Myuky.

    Morosamente ela tocou seus cílios e fechou. O escuro tomou, ela encarou.

    Empatia que contaminava, o mundo que contrastou, seu mundo que um dia foi tão lindo. A loura elevou suas pálpebras mais uma vez, mas dessa vez, olhou além da própria destruição.

    Mesmo naquele poço quase sem vida, ainda existiam as borboletas carmesim, as lembranças de seu falecido… O luto… A mentira…

    A luz se infiltrou como uma maré, os raios de sol falsos de um lugar que ele nunca poderia chegar. Rublia chorou e perguntou:

    — Minha pequena e linda flor carmesim, você já achou o rei que quer proteger, sinto isso nos seus olhos não correspondidos. Sua promessa com a Astéria se manteve, uma amizade tão linda. — A mulher elevou seu braço e tocou a bochecha da que, perto dela, parecia até uma criança.

    — Sim, eu achei. — Myuky respondeu.

    — Ele vai ser tão bom quanto ele foi. Você vai ser capaz de o proteger? Sua alma tem um fragmento, seu cabelo parece com o dele… Eu confiarei isso a você.

    As duas se afastaram lentamente, não por passos, mas porque a garota quis. Como ouro moldado de manhã, seu cabelo se moveu, e então, Rublia invocou a si mesma, uma espada viva, nítida e linda.

    Cada grama de si moldada em uma lâmina, uma tão densa e poderosa, que até mesmo o homem mais forte temeria.

    Do outro lado, Myuky retirou sua espada de uma fenda negra perdida no abismo. De um lado, a maior ferreira que existe.

    Do outro, uma espada mais do que lendária.

    As duas elevaram suas armas uma na direção da outra, e, só desse ato ser cometido, o mundo tremeu em admiração.

    Assim como em uma antiga tradição.

    Uma luta pelo posto e poder.

    Verdadeiramente, um sentido.

    Agora ou nunca, uma luta que seria gravada na história do mundo.

    O Cavaleiro da Guerra contra a Myuky, Deusa do Abismo e Forja.

    Ares contra Hefesto.

    Mas… A verdade:

    — Rublia, eu respeito toda sua história.

    A Deusa das almas, Rublia, fechou seus olhos tênues. — Eu não sou merecedora de tal elogio, afinal, eu não fui capaz de proteger o meu próprio rei.

    Estão com medo? Não?
    Devo lembrá-los de algo mais:

    — Vocês estão lendo The Endless.

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