Índice de Capítulo

    A aula de hoje a gente vai relembrar algo importante:
    O clã Tcitytser criou os grimórios, e metade deles foram queimados.
    Os Grimórios são livros absurdos que podem escrever restrições, técnicas e conhecimentos.

    Não se deve confundir eles com os livros de Ouroboros, afinal eles são infinitos, diferente dos Grimórios. Mas, você pode colocar folhas de papéis nesses Grimórios, assim como Kevyn faz, sendo as “páginas”.

    Mais uma vez, a decadência do mundo traz a revelação do porquê algo importante vêm, e intensifica o seu eu. 

    Mas, e quando seu eu desaparece?

    Com suas armas expostas, prontas para um combate inalcançável — além das correntes que interligam seus destinos, o tesouro nos fios dourados e ruivos.

    Como um estalo seco.

    O guiar de suas lâminas sob o véu do vento, cada linear circunstância, do tudo, o nada se torna e vêm a se chocar em um ataque fraco.

    Fraco por não querer destruir as ruínas que Ares tanto gostava. Fraco pela não vontade de lutar.

    Amigas.

    Uma olhando nos olhos da outra como o sinal de desafio, se Myuky realmente quisesse se tornar Cavaleira e Deusa da Guerra, precisaria querer matá-la, independente do quanto fossem próximas.

    Afinal, ela amava as armas, e quem diria a ironia desse destino tão miserável, sua maior oponente, seu objetivo, sua clareza…

    Rublia era uma arma viva.

    Mas a guerra trás ambição. Do fundo do topo, as miragens do topo.

    Como não queria ferir o passado dela, um corte dimensional foi feito quando as lâminas se repeliram ao final do arco de seus ataques efêmeros.

    Sendo levadas do chão, ao céu de outra dimensão, a liberdade.

    Com seus cabelos levados pelo vento forte da atmosfera, as duas se encararam em meio ao ar, prontas para aterrizar e finalmente começar a batalha.

    Então o choque.

    Quando seus pés tocaram no chão… Nada.

    Então seus olhos tocaram um no outro.

    Naquele mesmo instante o correr, deslizar, arrastar. Seus corpos, espadas cortaram como se necessitassem daquilo, e quando se chocaram…

    Devastação.

    O chão gemeu, o mundo tremeu, com todo aquele poder, as lâminas ao menos chegaram tocaram, não era necessário.

    Então sobre seus pés, tudo em volta se transformou em nada, quebrado, morto, dilacerado, apenas com a pressão.

    Poeira.

    Selvageria.

    Estava apenas começando.

    Afastadas, Rúbia e Myuky fitaram-se de maneira tênue.

    — Só isso que tem, Myuky?

    Deixando sua arma suspensa no ar, fios ruivos se soltaram sob a poeira, então ela respondeu:

    — Minha Eternal Réquiem só está aquecendo.

    Odachi feita de uma estrela e outras cinco espadas.

    — Myuky, sua espada feita de lixo aguenta o tranco?

    — Kukuku, é claro! 

    Então a ruiva guardou sua arma e cerrou seus olhos, erguendo seus punhos.

    Absorvendo sua própria essência, os fios loiros se levantaram e a garota também cerrou seus dedos em um aperto que nem um buraco negro seria capaz de desfazer.

    A atmosfera pesou, preparadas, as nuvens já abertas abertas em um círculo pelo primeiro impacto começaram a se juntar para o que estava vindo.

    Hefesto avançou primeiro, conforme seu corpo encaminhou para seu ato final, o céu tremeu, a terra aos poucos subiu, como cubos, só do seu correr se alavancou, então concluiu…

    Entretanto, no mesmo momento que ela veio em sua direção, Ares também elevou seu corpo, jogando seu braço em um arco que traria o destino mais fatal daquele planeta.

    O tempo pareceu congelar por um instante, a poeira estagnada, até…

    O encontro.

    O mundo se calou para escutar, quando chegou, a própria realidade se recusou a assistir.

    Como estilhaços de vidro, o tecido irreal e efêmero se torceu, o próprio espaço curvou-se ao encontro que viria a quebrar não só o planeta, mas como torceu todo o sistema solar daquela dimensão, as estrelas vizinhas se choraram, um terremoto ocorreu no espaço.

    Então que o mundo vire de cabeça para baixo.

    Com o estalo de seus ossos, tudo que fora destruído se reverteu e voltou ao ponto zero, no entanto, nada mudaria o que já ocorreu, o colidir de seus punhos foi muito além do que poderia se reverter.

    As duas olharam uma para à outra enquanto o reflexo distorcido do sol sendo engolido pelo nada fazia luz para o que um dia foi um sistema solar, uma gota de suor caiu da bochecha de Myuky — ainda que com medo, sua admiração era mais do que seu nervosismo.

    — Então essa é a diferença entre nós duas?! 

    Ela gritou.

    Com um enorme sorriso, Rublia concordou com a cabeça e girou seu outro braço pronta para outro soco — um tão forte que poderia cruzar quantos planetas quisesse.

    Sem ao menos poder reagir, Hefesto se defendeu, no entanto, o ar se dobrou bem na sua frente, a poeira novamente se estagnou — colapsou, a realidade novamente estilhaçou e se dobrou. Um momento foi suficiente, Myuky atravessou tudo que estava no caminho, e foi jogada contra a lua do planeta — essa que manteve sua superfície intacta, mas atrás dela não sobrara nada além de poeira lunar.

    Vendo os raios lindos da atmosfera do planeta tentando conter-se inteiro após uma pressão devastadora ter estilhaçado toda sua superfície.

    Quando pensou em respirar, lá estava Ares: implacável, pronta para terminar de destruir o que sobrou do astro. Mas então gritou, Myuky gritou com toda sua alma:

    ≠ BLACK HOLE ≠

    Ofegante, outra gota de suor escorreu.

    Surpreendida, Rublia se viu vagando na velocidade da luz até colidir com o monstruoso gasoso daquele sistema, ficando presa em sua órbita.

    Soltando um leve gemido de satisfação, a garota criou uma plataforma constituída dos elétrons presentes alí e ficou de pé. Erguendo seu braço, como um arco e flecha puxou, e então, do nada uma flecha composta de raios foi feita.

    Do outro lado do sistema, Myuky sentiu a pressão daquele ataque. Das chamas negras que estavam em sua mão, ela observou a supernova e criou uma lança do fogo negro. Em instantes, o escuro virou dourado, flamas primordiais foram criadas debaixo de sua palma, e, erguendo seu braço, ela levou seu corpo ao limite e arremessou sua criação com tudo.

    Vendo a luz se distorcendo ao longe, Rublia soltou o arco. Mais rápido que a luz visível, seu projétil viajou pela supernova e dobrou o espaço em volta.

    Tanta energia em dois pontos que viriam a se chocar, o inevitável toque. No início o silêncio, a demora do choque, mas no primeiro segundo, a realidade criou uma fissura. De maneira efêmera, a pressão foi tanta que o astro explodido foi sugado e, de tanta massa reunida em um ponto só, um buraco negro supermassivo emergiu no lugar do que a poucos segundos foi uma estrela.

    Os fios ruivos e tênues da mulher começaram a se puxados pelo fenômeno, admirada, Hefesto sorriu e pensou: “Pronto, terminei de me aquecer”, ela jogou o ombro para trás com sua mão, e com um leve estalo ela arregalou os olhos e sorriu.

    “Agora a luta vai começar de verdade”

    Num piscar de olhos, as duas estavam uma de frente para outra, mas diferente de antes, já não estavam mais no universo, não mais naquela dimensão.

    A grama verdejante de algo que era muito além do que somente uma planície. Aquela era um lugar muito além, Myuky acabara de cair em algo que ela conhece muito bem.

    Cada espada cravada em terra, todo aquele cemitério de armas perante a garota de fios loiros, cada miligrama, um novo medo, aquele lugar era a personificação do mundo das duas ali presentes.

    Com o despertar da Astraologia, um novo aspecto, Rublia avançou com um soco, Hefesto defendeu com apenas uma de suas mãos, o lugar vibrou, mas não desmoronou. 

    Novamente, Myuky revidou, Ares desviou e rapidamente girou seu corpo para um chute que a arremessou a milhões de quilômetros. Entretanto, arrastando seus pés pela grama e se desviando das armas que tanto ama, os fios ruivos da mulher voavam enquanto ela retirava uma das lâminas do chão e dizia:

    Vendo algo quase instantâneo em sua frente, seu corpo agiu mais rápido e desviou o ataque que no mesmo momento atravessou uma montanha ao longe e a transformou em poeira.

    Quando pensou respirar, Myuky já estava lá com seu punho erguido.

    Defendido.

    Dessa vez Ares se defendeu, o chão tremeu, o céu em espiral se reverteu e no mesmo instante…

    Reversão.

    Trocaram de lugar, Myuky estava defendendo, Rublia sem entender se preparou, Hefesto reagiu, agarrou o braço da garota e rapidamente moveu seu punho em um arco tão rápido, que atravessou a matéria e atingiu o rosto de Ares, mas não acabou, ela seguiu o golpe, foi até o final, jogando a garota com toda sua força e esmagando sua cabeça contra o chão, enfim colapsando o mundo e fazendo as espadas ao redor voarem em meio ao ar junto a terra tênue.

    No entanto, quando a poeira baixou, Rublia não estava lá, e percebendo, Hefesto ficou em guarda alta.

    Um raio caiu do céu.

    Sem poder a menos prever, Myuky foi eletrocutada, bilhões de volts correram pelo seu corpo, e se ajoelhando, ofegou.

    Se irritando, ela cerrou seus dentes e encarou algo que seus olhos não poderiam ver. Seu coração palpitou e lá estava Rublia.

    De pé, ela estava com sua mão erguida, mas não era só isso, seus olhos mostravam desprezo.

    Retirando Eternal Réquiem da bainha feita da existência, conceitualmente ela ergueu o abismo inteiro com sua mão e se levantou com a força de septilhões almas.

    Ares sorriu com tamanha fraqueza e invocou a si mesma em sua mão.

    Com toda sua irá, Hefesto gritou:

    — EU NÃO PERMITI QUE OLHASSE ASSIM! EU NÃO VOU DESISTIR DEPOIS DE TUDO! EU VOU ME VINGAR DE TODOS AQUELES QUE ME FIZERAM-

    Ela cortou a própria fala.

    Sangue escorreu de seus olhos.

    O azul esverdeado tomou um brilho ascendente.

    Até sua voz saiu rouca, sussurrando a ruína de tudo que fosse acertar:

    — Vamos começar.

    Como um trovão, ela avançou e tentou um ataque tão intenso, que as nuvens no céu se dobraram, então veio! Mas como uma maestra, Rublia posicionou sua arma e as lâminas se chocaram em um deslize perfeito.

    O brilho, as faíscas, todas atravessaram a realidade.

    Mais uma vez!

    Os pés de Ares deslizaram para trás e Myuky continuou, então outra defesa perfeita atrás de um ataque tão devastador que mais uma vez o mundo dobrou, e das faíscas, uma explosão de fogo tão forte, que derreteu o chão ao ponto de virar magma.

    Sendo arrastada, Rublia dessa vez não defendeu, mas contra atacou e, antes do impacto, o silêncio, o movimento se estendeu em algo muito além do que um corte, era essência, era destino — como uma borboleta, as escadas ao redor voaram, lentamente as lâminas ficavam cada vez mais próximas, a pressão do ataque era tanta, mas tanta, que um buraco negro surgiu entre as lâminas, cada vez mais próximas, mais e mais latententes, o próprio espaço não estava mais desistindo — ele estava se deformando, como se a proposta gravidade arregace, quisesse desistir de tentar segurar algo que não conseguiria nem mesmo se quisesse.

    Perante ao colidir das lâminas, o tempo parou, a realidade paralisou, o chocar — de tão destrutivo, apagou, desmoronou a dimensão e como estilhaços, tudo se dobrou em nada, o céu se partiu, as nuvens evaporaram e, o chão se abriu em uma cratera tão imensurável, que nem mesmo o fim era possível de se ver a olho nu.

    Então as duas criaram plataformas debaixo de seus pés e continuaram.

    Continuaram a luta entre espadas, cada golpe, uma sentença, uma explosão, uma quebra na realidade, intenso e incapaz de reagir, tão fortes que a realidade clamava que parassem, mas não, elas continuaram, continuaram o já imparável.

    Tão rápidas quanto o tempo, cada choque uma desconstrução, mesmo sendo mais fraca, Myuky com a chamas em seus olhos viu um deslize do combate perfeito de sua inimiga, e num impulso rápido, usou os punhos e socou o peito de Rublia, desse soco, mais uma vez o tempo estagnou, e de tão forte, um portal dimensional fora criado diante das costas de Ares.

    Assim ela atravessou, jogada em um mundo diferente, na atmosfera de um planeta, em decadência ela encarou tudo, mas antes mesmo de poder se estabelecer, Myuky já estava lá de novo, e com outro soco, jogou, quebrou, matou, o planeta que ela foi jogada atravessou e tudo foi destruído, como se uma agulha na velocidade da luz despedaçava tudo com o toque, mas outro portal foi criado em suas costas, outra dimensão.

    Mais uma atmosfera, mais um soco, em frenesi Hefesto avançou de novo, e de novo, e de novo, milhares de dimensões passaram, milhões de planetas foram destruídos, mas então Rublia decidiu reagir.

    Agarrando a mão de Myuky, ela cerrou os olhos e concentrou uma estrela em sua mão, então como um arco, seu braço avançou, e com um soco catastrófico, Hefesto atravessou todos os portais que criou em um milissegundo e de volta ao ponto 0, ela continuou, por milhões de quilômetros percorreu até bater na grama e sair voando por meio do grande cemitério de espadas.

    Mas então ela redobrou a consciência e voltou a ficar de pé, caindo sobre o chão enquanto seus pés se arrastavam por ele, ainda assim, ainda em movimento, ela ergueu seu braço ao mesmo tempo que sangue escorria pela sua cabeça, e disse:

    Independente do quanto aquilo fosse forte, aquilo não intimidou Rublia. Ela então balançou sua espada, só isso já foi necessário para que todos os clones da lâmina fossem paradas, incapazes de a alcançar.

    Surpresa, Myuky cerrou os olhos e sorriu. 

    — Você realmente é imparável, não é? Rublia.

    — Calada, nossa luta acabará agora. 

    Ela então empenhou a si mesma com duas de suas mãos. Aquilo foi o suficiente para Hefesto tremer, mas mesmo nervosa, ela também segurou Eternal Réquiem com duas de suas mãos e, enquanto espadas choviam do céu…

    — CRIMSOM BLOOD — — EXCALIBUR —

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