Índice de Capítulo

    — Você venceu! — gritou Kley.

    Conforme o fio da lâmina de madeira se estendia ao lado do pescoço do garoto, ele estava no chão, enquanto de cima, Purryn o fitava com um olhar frio e impetuoso.

    Vê-lo de cima deixou-a feliz e, com um sorriso, disse:

    — Nunca pensei que alguém resistiria aos meus ataques, o que é você, hein?

    — Eu sou um vampiro, não vê?! — O menino fez um binóculo com as mãos.

    — Oh! É mesmo? Tudo bem. — Ela deu um passo atrás e esticou sua mão para continuar: — Você é a minha dupla a partir de agora, venha, Kley Greimor. 

    Ela sorriu. 

    Kley aceitou a mão dela e se levantou.

    Admirada, a professora ajeitou seus óculos.

    「✞︎」

    Após todos voltarem para sala, a professora passou nas carteira entregando atividades, mas quando chegou na nova dupla, ela parou para conversar:

    — Etubezaab, você é da família Shogun, não é? — Ela entregou a matéria. — Soube que seu pai até ganhou um prêmio, parece ser um bom manipulador de eletricidade.

    — Apenas um eletricista sendo um eletricista, sinceramente — respondeu Suedrom.

    — Você também deve ter a mana que nem a dele, assim, eu imagino… — ela riu.

    A velha professora andou para o quadro, e então começou a anotar a matéria de um pequeno caderno em sua mesa.

    Em silêncio, o vampiro pegou seu caderno debaixo de sua carteira e olhou para sua parceira por um momento.

    Suedrom percebeu a olhada e puxou uma maleta e jogou ela em cima da mesa.

    Assustado, o garoto arregalou os olhos.

    Sorrindo, ela tirou seu material.

    — Ei, Kley, você não parece ter muitos materiais, quer que eu te empreste um lápis? — sussurrou a dupla de menino.

    — Claro que eu tenho, só guardo minhas coisas na escuridão — respondeu e tirou seu estojo, também alí debaixo da mesa.

    — Isso é… — sussurrou — bem difícil, você é um monstro, sabia? Nem meu pai consegue… sei lá… criar portais?

    — Não, não… — sussurrou — a verdade é que eu guardo na minha alma… — apontou — como mana, mas a escuridão serve de ponte entre minha alma e o mundo de fora.

    Suedrom cerrou seus olhos e pensou: “Escuridão… escuridão… eu ainda preciso despertar minha mana, será que ele pode me ajudar?!”, após um leve coçar de cabeça, a garota suspirou.

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    Ao som do sino, Kley viu todos saindo, mas ele não foi. Indiferente, ficou na sala vazia para comer, mas, dessa vez, ela não estava tão vazia assim.

    Do seu lado, Purryn, com seu pudim embalado.

    Ainda ao lado dele, ela tirou uma colher de sua maleta e abriu o pudim.

    A curiosidade de Kley foi muito além de se compreender. Olhando para seu Cookie, ele sentiu um pouco de inveja.

    De repente, Suedrom veio com sua colher na direção dele e ofereceu um pouco.

    — Vamos… — Ela sorriu. — coma um pouco.

    Sem compreender aquela situação, Kley olhou para a colher, olhou para ela, olhou nos olhos dela e aceitou o pudim.

    Após ele comer, ela pegou mais um pouco e comeu sem ao menos hesitar.

    Ela percebeu algo, quando olhou para ele, o vampiro parecia ter perdido a cor, mas ele já era pálido! Kley pareceu ficar transparente!

    O menino virou para os cookies lacrimejando e pensou: “Estou sendo esfaqueado”.

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    Enfim, o último sinal foi tocado e, durante o horário de ida, Kley ao menos se despediu.

    Na mesma hora que o sinal bateu, ele guardou tudo na escuridão, pulou a janela que sentava do lado e correu.

    Sem entender, Suedrom foi atrás dele e, ao longo do caminho, ele enfim parou e olhou para um relógio de bolso que carregava.

    Sobre a sombra do guarda-chuva dele, ela pôde ver…

    “Aquele cara?”

    Learza cerrou seus olhos ao ver o homem descer do céu e pousar bem em meio a rua.

    Ele repetiu as mesmas palavras efêmeras.

    Suedrom não sorriu, não aplaudiu, mas sua face nebulosa brandiu a escuridão.

    Os olhos de Etubezaab brilharam em morte, e de longe, aquele homem percebeu, mas ele não poderia perder sua compostura.

    O guarda-chuva de seu parceiro, o herói no asfalto…

    Como alguém vindo da escuridão, conseguia enxergar luz em um ser tão podre?

    “Kley. Você correu para ver essa merda?”

    Purryn se aproximou e deu um tapa na nuca dele.

    — Te achei! Achou que iria correr de mim?! 

    — Ah! Eu só… — guardou o relógio. — Por que você me seguiu?!

    A garota soltou-o e ficou sobre a sombra do guarda-chuva.

    — Eu te segui porque queria te chamar lá pra casa. — Ela desviou o olhar. — A professora falou para a gente escolher nosso uniforme de dupla, esqueceu?

    — Sim…

    Ele pareceu muito direto, aquilo era realmente mais importante?

    “Ele gosta de heróis…?”, ela pensou.

    — Tudo bem… — ela sussurrou — mas vamos para sua casa primeiro.

    — Certo…

    Kley seguiu na frente.

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    Pelo beco, junto do menino ela olhou para o sangue e sentiu o cheiro do veneno que corria por aquele lugar…

    Mas sem hesitar, ou reclamar, ela seguiu-o de olhos baixos.

    O garoto então parou em frente a uma porta amaldiçoada, e, por ela, passaram.

    Do lado de dentro o cheiro de tulípas recém tiradas da terra molhada. A menina se sentiu em paz, sentiu que aquele lugar era um respiro fora da dimensão onde estavam.

    Mas, ao passarem pelo corredor, na sala, Tuulpaani Greimor repousava sobre o sofá, desleixada, uma verdadeira preguiçosa.

    Ela olhou para seu filho, olhou para a Purryn, e em um instante se sentou.

    — Eu não sabia que iria trazer visita. — Ela arrumou sua roupa. — Só fiz comida pra gente. Mas… — Olhou baixo. — Podem comer, eu não estou com fome.

    Ela cruzou as pernas.

    — Eu… — Kley abaixou a cabeça. — Não avisei, desculpa…

    Ele já havia pendurado seu guarda-chuva na entrada.

    Learza olhou aquilo e percebeu o quanto sua presença alí foi um incômodo.

    Ela abaixou a cabeça e se curvou levemente.

    — Não! — Sua voz rachou. — Eu quem pedi! E sou eu quem peço desculpas!

    Com apenas uma olhada sútil, a mãe do vampiro já tinha entendido tudo.

    Seus olhos em serenidade ressoavam uma natureza sem qualquer hostilidade e, cerrando seus olhos, ela perguntou;

    — Essa é a sua dupla, Kley?

    — Sim.

    — Eu sei que quer falar mais alguma coisa.

    Ele desviou o olhar.

    — E-eu… — hesitou. — Posso ir na casa dela depois do almoço?

    O vampiro voltou a olhá-la nos olhos.

    Tuulpaani não sorriu, mas ela parecia feliz, mesmo assim.

    — Hm… — murmurou — tudo bem, só peça para ela não ficar se curvando assim, ok?

    A garota rapidamente voltou a sua postura normal.

    O garoto, no entanto, acenou com a cabeça e caminhou para a cozinha.

    Vendo-na parada, Tuulpaani fez um sinal para Purryn acompanhá-lo.

    「✞︎」

    Indo com Kley, a garota olhou para todos os lados.

    Ela viu o fogão de lenha, o armário branco, aquilo era tudo… bem pobre para ela.

    O garoto abriu uma das prateleiras do móvel e tirou dois pratos de vidro, um deles tinha a cor vinho, o outro azul.

    Ele ofereceu o segundo prato para ela, que apenas aceitou.

    Indo primeiro, a garota caminhou até o fogão. No topo, três panelas fumegavam debaixo de suas tampas pretas.

    Ao abrir; um pouco de arroz, seis pequenas coxinhas de frango e feijão.

    — Pode arrumar sua comida — o garoto disse e aguardou perto do armário.

    Aquilo era um incômodo, Purryn se sentiu incômoda.

    Seus olhos um pouco tristes tentaram analisar a situação, ela não poderia pegar três, então, pegou só duas.

    Orgulhosa, ela sorriu para si mesma. Mas, Kley percebeu e então… agradeceu:

    — Obrigado por entender. — Ele sorriu.

    — Não agradeça por algo tão óbvio. — Ela desviou o olhar.

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    Enquanto o vampiro se trocava, Suedrom ficou com Tuulpaani na sala.

    Ela olhou para a mãe de sua dupla de canto, e após alguns segundos, ela a encarou de volta.

    “Ela é como um abismo”, a menina pensou.

    A mulher percebeu o silêncio, e falou:

    — Belos olhos, mocinha.

    Surpresa, a menina mordeu seu frango e virou a cara. 

    Sentadas no mesmo sofá, era impossível de escapar, mas, de repente Kley surgiu e perguntou animado:

    — Purryn, você já despertou sua mana?! Minha mãe é ótima nisso! 

    Ele estava de roupas mais usuais.

    — Ah! Não! Mas… — disse juntando os dedos — tem certeza? Sua mãe deve trabalhar com isso, não?

    A mulher se intrometeu: 

    — Sim, está certa… — murmurou, desviando seus olhos — mas não se preocupe, como é amiga do meu filho, vou fazer de graça para você. Venha.

    A mãe de Kley se levantou e caminhou para a cozinha enquanto acenava.

    Purryn levantou-se e a seguiu. 

    — Ei, qual é o seu nome, senhora?

    — Tuulpaani Greimor, pequena.

    ☾︎ ≫ ──── ≪ • ◦ ✞︎ ◦ • ≫ ──── ≪ ☽︎

    Após almoçarem, Kley e Purryn se despediram de Tuulpaani e foram em direção à casa da garota. 

    Entretanto, no momento em que saíram do beco, os mesmos bullying’s de ontem estavam esperando pelo vampiro, mas dezenas deles.

    Suedrom, ainda de uniforme escolar, pensou que seria ruim para a instituição, mas de repente um sobretudo negro a cobriu e, de seu parceiro, um sorriso.

    — Ei! Soube que bateu no meu irmão mais novo, vampiroca!

    Ao centro dos valentões, um garoto um pouco mais velho que todos, praticamente um homem adulto. 

    Com um tapa olho e cabelo espetado, ele botou seu bastão de beisebol no ombro e gritou:

    — Não é só porque trouxe uma garota que não vamos te bater, ouviu?! Rapazes, descem a mão no garoto e… a garota também!

    Kley deu um passo à frente e arregaçou as mangas de sua blusa social.

    Da escuridão, um pedaço de madeira em formato de espada.

    — Ei, Sue, deixe isso comigo. — Deu um passo à frente. — Ei! Eu não bati no seu irmão! Mas… — murmurou — já estamos aqui, né?

    Através da sombra dos garotos, mãos sombrias surgiram e prenderam seus corpos. 

    “Foram muitos braços, mas eu ainda vou ter mana para acabar com ele”, o menino olhou para o homem em sua frente.

    Em um estalar de dedos, os valentões presos foram enforcados por serpentes de escuridão, e assim, foram nocauteados com facilidade.

    Sem se impressionar, o mais velho olhou aquilo de olhos baixos e sorriu de leve. “Esse daí é o filho daquela mulher? Do caralho, realmente”, ele estalou os dedos, um por um.

    Sem ao menos suar, Kley deu outro passo à frente e então disse:

    — Agora somos só nós dois.

    O homem riu.

    — É, né?! Hahaha… — Ele já estava pronto para avançar. — Vamos ver o quão forte fisicamente é!

    O mais velho ajustou sua pegada e, em uma fração de segundo, avançou em uma velocidade excedente.

    Tão rápido que o garoto ficou sem tempo de reação.

    Mas, quando Kley achou que não poderia sequer defender…

    “Tac”.

    O tempo desacelerou, um momento em que só sua escuridão poderia atravessar…

    Suedrom a luz usou.

    “Tic”.

    Despertar do poder, algo que só um gênio saberia usar.

    Ela não percebeu, mas instintivamente correu e…

    “Tac”.

    Erguendo seus braços ao máximo, a tensão dos seus músculos ao máximo, suas caveiras se dilatando.

    Ela conseguiu, conseguiu empurrar seu parceiro.

    “Ti-”

    Seu tempo acabou, mas o dela não.

    Tuulpaani surgiu no beco, mas dessa vez, nenhum tempo poderia superar o seu.

    A escuridão cedeu.

    A luz cedeu.

    A mulher olhou para Purryn salvando Kley, e não sorriu.

    Mas, sentiu felicidade.

    Ela se aproximou do adolescente, do jovem, do homem.

    Ela empurrou-o e voltou para o beco, para dentro de casa.

    [̸̧͔̙̭͓̠́ͪ͋̊͑́ͯ͛̈̎̆̈̽̆ͦ͘̚͘͟͞͞†̵̵̛̛̠̘̣̺̳̲̞̭̝̰͎̝̝̼͚ͥ̆ͧͩ͗ͦͫͯ̀̀ͤ͟͢͞͝]̬ͮ

    Três segundos foram o que se passaram no tempo de Etubezaab. O valentão coincidentemente escorregou e caiu de cabeça no chão. Não morreu, mas desmaiou.

    Purryn suspirou, sorriu e olhou para seu parceiro.

    — Vamos para minha casa?

    Assustado, o garoto deu um passo atrás ao ver o valentão inconsciente, mas, sorriu e respondeu:

    — A-ah! Vamos! 

    ☾︎ ≫ ──── ≪ • ◦ ✞︎ ◦ • ≫ ──── ≪ ☽︎

    Pela calçada, Purryn e Kley passaram pelas ruas, calçadas, semáforos e carros.

    Conforme caminhavam, nenhum assunto surgia, mas quando percebeu, o vampiro viu as casas de luxo, os automóveis comuns virando super carros e, então percebeu que estavam na região rica da cidade.

    Surpreso, o menino perguntou:

    — Sue, você é rica?

    Ela riu.

    — Você me deu um apelido, hein? Vou ter que te dar um também… — Olhou de canto. — Mas respondendo, acho que sou classe média, meu pai é só eletricista, afinal…

    Kley percebeu, olhou-a nos olhos e respondeu com outra pergunta:

    — Sabe que um eletricista ganha muito bem, né? Ele manipula eletricidade pelo o que a professora falou, então ele deve ganhar ainda mais.

    Ela voltou a olhar para frente.

    — Sim, mas é só um pouco mais, hein?

    Purryn levou as mãos para trás e segurou seu pulso.

    Indo até ao lado dela, o garoto levou suas mãos até seus bolsos e conforme cruzavam mais um semáforo, ele disse:

    — Se sua casa for maior que a minha, vou chorar! 

    Ela riu.

    — Ah, é?! Acho que posso te trazer mais vezes então, Van Der Kley!

    Franzindo sua testa, o menino cruzou seus braços e gritou:

    — Que apelido péssimo! Nunca mais me chame assim na sua vida!

    Ele virou a cara, mas riu dela.

    — Hein?! — Ela inclinou a cabeça. — Não vale! Você só pegou três letras do meu nome e disse que era um apelido!

    Ela jogou o corpo contra o dele, empurrando-o para o lado.

    Retomando seu equilíbrio, Kley voltou, olhou para ela e respondeu:

    — Tudo bem, deixa eu ver… — murmurou — que tal Sulerza?

    — Eca! Parece que sou lerda e surda ao mesmo tempo! — Etubezaab sorriu de leve e inclinou a cabeça novamente. — Que tal… Yelk?!

    Silêncio.

    Lentamente o garoto olhou para ela inconformado por aquele apelido. Então, virando o rosto, ele perguntou:

    — Gema de ovo?

    — A-ah… — Coçou a cabeça. — É difícil dar apelidos…

    Ele olhou para o céu rosado.

    — Hoho, não se preocupe, eu não preciso de um apelido.

    Ele deu de ombros.

    De repente, a calçada terminou. Bem na frente deles, um quintal, e no final dele, uma escadinha para dois enormes portões de madeira pálida.

    Alí estava a casa da garota, não bastava só o quintal enorme, toda a estrutura daquela casa parecia ter sido esculpida por um gigante, como se ela só pudesse ser descrita por um escritor, já que seus olhos poderiam estar mentindo para si mesmo.

    No entanto, Suedrom ficou incomodada e deu um soco no peito dele.

    — Não quero ser chamada de Sue se eu não posso te chamar de Ley!

    No momento do impacto, Kley sentiu uma dor imensa, mas ignorou por um momento.

    — Ley é bom… — Olhou para a casa. — Me chama como quiser, enfim, qual é a sua casa?

    Ela apontou para o imóvel que o garoto estava olhando e respondeu:

    — É essa daqui mesmo.

    Justamente a última casa daquela rua sem saída. “Eu nem percebi quando a gente chegou aqui”, ele pensou e suspirou um tanto surpreso.

    — Sua casa é… — “Gulp” — bem grande…

    Etubezaab sabia que aquilo era um exagero tremendo, então tentou aliviar seu lado:

    — É só isso que ela tem… meu pai é só um eletricista, sabe?!

    Ela sorriu, mas no fundo, Suedrom sentiu uma angústia terrível. “Você não vai se afastar… né, Ley?”, pensou e desviou o olhar.

    O menino cutucou a costela dela e debochou:

    — Tá podendo pagar meu almoço, hein líder da dupla?

    A garota cerrou seus olhos, mas estava aliviada no fundo. Olhando para ele, ela franziu sua testa e reclamou:

    — Claro que eu pago! Mas… — Pensou. — Eu vou querer que me compense em algo…

    — Tipo?

    Ele cruzou os braços.

    — Eh… o que duplas precisam na escola? 

    Kley levou a mão até o queixo e respondeu:

    — Bem… as duplas são formadas para os alunos poderem cooperar. — Fechou os olhos tentando lembrar de mais coisas. — Eles dizem que isso divide os alunos ruins, dos bons.

    “Isso parece superficial demais, não falta algo?”, pensativa, Suedrom retirou o sobretudo de seu parceiro e o devolveu.

    — Sim, parece fazer sentido.

    ☾︎ ≫ ──── ≪ • ◦ ✞︎ ◦ • ≫ ──── ≪ ☽︎

    Purryn foi na frente, ela abriu a porta. Dentro da mansão, o mármore branco reluziu sob a luz filtrada por lustres de cristal, pendendo do teto abobadado.

    Tudo tão belo, os tapetes espalhados com precisão, as mobílias talhadas de madeira escura e polidas até refletirem vultos; as cortinas pesadas ondulavam com a brisa quase imperceptível. Um aroma sutil de jasmim flutuou no ar, escondendo algo mais… empregadas?

    Nervosamente Kley tremeu, algumas mulheres vieram falar com sua parceira.

    — Srta. Suedrom, como foi seu primeiro dia?

    A mais baixa delas veio com brilho nos olhos.

    — Essa é sua dupla?

    Outra, ela trouxe algumas roupas já dobradas em suas mãos.

    Ao perceber o vampiro sem reação, Purryn sorriu e aceitou as roupas.

    — Vocês tão me fazendo passar vergonha! Mas sim, ele é, e meu primeiro dia foi legal.

    Atrás das duas mulheres, mais uma empregada surgiu.

    A maior entre todas elas, seu cabelo grisalho com breves mechas negras esconderam um olhar vazio.

    Ela disse:

    — Dêem um espaço para ela, por favor.

    Ao ouvirem a empregada chefe, todas as duas se afastaram para ela seguir.

    Suedrom moveu seu braço na direção do seu parceiro e o apresentou:

    — Kana, veja! Esse vampiro é o meu parceiro!

    — Sim, eu vejo… — Olhou para ela, olhou para ele. — Jovem mestra.

    Logo após a afirmação monótona, um breve silêncio. 

    “Esse não é o filho daquela mulher?”, Kana pensou, um silêncio surgiu, mas ela o quebrou com mais uma fala:

    — Fui informada que vocês deverão achar uniformes para a dupla, querem ajuda?

    Purryn levou as mãos na cintura e afirmou:

    — Não!

    — Tão rebelde já nessa idade? — A mulher murmurou.

    Em silêncio, Kley observou aquilo com toda sua inexistência… segundos se passaram após a resposta de Suedrom, e então, Kana se retirou com as outras empregadas.

    Agora sem algemas, a menina pegou seu parceiro pelo ombro e o arrastou consigo para o segundo andar.

    Lá em cima, ela olhou para o corredor de quartos e correu pelo piso de lajes escuras até chegar de frente para um lugar: Seu próprio quarto.

    As portas estavam fechadas. 

    “Por que é tudo tão grande?!”, Kley pensou.

    Então, ela abriu.

    A luz suave banhou o ambiente em um tom jasmim, revelando mais do quarto.

    As decorações sutis, pequenas luminárias cintilantes. E ali na beira da gigantesca cama; três travesseiros perfeitamente alinhados e bonecos tão fofinhos que pareciam sorrir.

    Ao canto do quarto um baú fechado.

    Do outro, um armário branco para combinar com o resto.

    Era um lugar fofo, digno para uma garota tão mortal. No entanto, algo não tão amigável; uma caixa de vidro em cima da mesa ao lado da cama dela, mas não uma vidraça normal, teia de aranha residia lá…

    — Esse é meu quarto!

    Animada, ela ergueu seus braços com tamanho orgulho.

    O vampiro percebeu que não mostrou seu quarto, mas ele apenas cruzou os braços e respondeu:

    — Ele é um quarto muito grande! — Gritou: — Parece do tamanho da minha casa!

    Um sorriso se formou nos lábios de Suedrom, ela caminhou até sua cama e se sentou. Tão solene, olhou-no ainda com toda sua postura.

    Leve cruzar de pernas antecipou sua fala:

    — Sente-se, iremos discutir quais serão nossos uniformes.

    Na frente da enorme cama, um tapete feito de um tecido sensível.

    Kley tirou seus sapatos e, só de tocar seus pés ainda envoltos em suas meias, um conforto esmagador o fez cair e se ajoelhar.

    — Pois bem… — ele murmurou — se devemos ser elegantes, não consigo pensar em nada além de…

    Ela interrompeu seu pensamento:

    — Usamos espadas, você manipula escuridão, já eu… — pensativa, ela levou sua mão até o queixo, mas continuou — e eu uso isso:

    A garota ergueu sua mão, e seu ato antecipou uma forte luz sobre ela.

    A primeira vez gerando seu poder, então, fechou e absorveu.

    — Eu sou a luz…

    A curiosidade envolveu os olhos da menina. Com seu calcanhar, ela retirou seus sapatos e apontou seu pé para o garoto enquanto dizia:

    — Eu sou a luz, você a escuridão. Se somos os opostos de uma dicotomia, acho que nada mais legal do que ternos, não acha?

    Nervoso, o menino encarou o pé dela e olhou-lhe nos olhos novamente.

    — Eu diria que sim, mas não pode ser qualquer terno — respondeu cruzando seus braços.

    Com leve erguer de sobrancelhas, Etubezaab abaixou seu pé e se espreguiçou.

    — Hm… hmmmmm! Sim! Sim… — Suspirou. — Como a escuridão, um terno negro, como a luz, um terno branco. Nada mais adequado do que cores opostas, hein?

    Ele sorriu e respondeu:

    — Concordo, mas veja por um lado, isso não combina só com nossos poderes, mas nossos cabelos.

    — Kukuku? Realmente… então proverei isso! — Ela abriu um enorme sorriso. — Agora, deixando as formalidades, vamos jogar videogame? 

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