Capítulo 38 — Assassino ou vítima?
Ao abrir da porta, o homem que o vigiava rapidamente se posicionou, pronto para atacar o que fosse sair dela, entretanto, nada saiu.
Se aproximando para verificar, ao olhar na sala, sentiu sua cabeça caindo, mas sem poder mais mexer seu corpo, percebeu ter sido decapitado.
Com sua lâmina manchada de sangue, Kevyn viu o corpo do homem sem vida ao chão. Vendo uma poça de sangue se formar à sua frente, pensou: “Sinto muito…”.
“Não sinta culpa por matar pessoas imutáveis, apenas continue matando todos”, respondeu Night.
Após passar pelo corpo, ao pisar no lado de fora, a culpa cercou a mente do garoto que, em seu campo periférico, viu outro mascarado vindo lhe dar um golpe de trás da porta, todavia, Night o protegeu criando uma barreira óssea. “Mate-o”.
Sem pensar duas vezes, Kevyn rapidamente se virou e cortou diagonalmente sua barreira e o homem.
Deslizando em sua própria carne, o corpo do segundo mascarado veio ao chão.

Saindo dali, o menino entrou no segundo corredor de caixas à sua direita, mas ao entrar, bateu de frente com outros dois capangas, mas esses de costas. “Mate-os”
Vendo Night virando uma faca, ele cautelosamente se aproximou dos dois e tacou sua arma na nuca de um deles, fazendo-o cair morto no mesmo instante.
Assustado, o outro homem se virou, mas antes mesmo de poder ter qualquer reação, Kevyn já tinha perfurado sua garganta com uma estaca óssea.
Vendo-o cair sobre o chão, chamou Night para sua mão. Pegando-os com mãos feitas de ossos, caminhou e arrastou-os rapidamente para uma sala ao lado.

Saindo dali e voltando para o primeiro corredor de onde veio, o garoto continuou caminhando, indo agora para o terceiro corredor a direita.
Não havendo nenhum outro capanga, ele continuou, dessa vez subindo para uma área levemente aberta, mas também sem ninguém.
Parando um pouco para se recompor, Kevyn escorou suas costas nas caixas e olhou para Night, que voltou a ser uma katana. “Kevyn, não é hora de parar, continue avançando”.
“Calma, Night, é muita coisa acontecendo”, respondeu enquanto tirava suas lentes e as colocava em sua bolsa dimensional. Após alguns segundos, ouviu passos vindo da área anterior, ele canalizou seus olhos, vendo a alma de 5 homens.

De repente, Night entrou em chamas. “Ataque e eu farei o resto”. Se agachando, Kevyn se aproximou da entrada da área aberta, esperando que o primeiro homem aparecesse.
Um silêncio sigiloso cobriu aquela área, os passos pararam, trocados por vozes, os olhos do garoto viram os homens juntos conversando.
— Ele não parece estar por aqui.
— Pow mano, nossa chefe realmente achou que cordas iriam barrar o filho daqueles dois?
— Ele matou o Jouh cara, essa foi a pior ideia da chefe!
Parando de prestar atenção, Kevyn se levantou e virou de costas, seguindo em frente, no entanto, Night o barrou: “Mate-os”.
Arregalando seus olhos, o garoto hesitou, confrontando-a: “Night, eles não vão nos atrapalhar”.
“Não importa, mais tarde eles vão, mate todos”.
Cerrando seus dentes, Kevyn se preparou para atravessar as caixas e matá-los. Ardendo em chamas, a lâmina de Night se moldou em uma ¹odachi.
Arregalando seus olhos, o garoto avançou em direção à parede de caixas, cortando-as com extrema facilidade e matando três dos mascarados. Na frente dos homens que, se assustaram com ele, os viu sendo dilacerados por lâminas de fogo que saíram junto ao cortar da parede.
Tendo seus membros decepados, alguns sobreviveram, mas estavam agonizando e sendo queimados no chão.
Atrás de Kevyn, a parede de caixas desmoronava bem em cima de si, mas de Night, lâminas de fogo rapidamente salvaram-no, que, em choque, não soube como reagir ao que acabou de fazer. “Muito bem, vamos sair antes que mais deles venham”.
Sem qualquer reação vinda do menino e vendo o fogo se expandir à volta deles, de maneira preocupada, ela o chamou: “Kevyn, não temos tempo para ficar aqui!”
Despertando de seu transe, o garoto rapidamente saiu dali, voltando para a área aberta, mas chegando em uma segunda parte dela, estando um tanto ofegante.

Voltando para a forma de uma katana, Night disse: “Kevyn, se recomponha, você já matou antes, isso não era para ser tão difícil”.
Levando sua mão até a testa, Kevyn suspirou e olhou para sua espada, dizendo em voz alta, mas quase sussurrando:
— Sinto muito, eu ainda sou fraco… mas que se dane, agora não é hora de voltar, vamos continuar.
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Após o estrondo das caixas, era certo que alguns dos mascarados foram investigar, assim, Kevyn seguiu em frente, mas dessa vez, o garoto empunhou Night com sangue em seus olhos.
Indo para a próxima área, quatro dos mascarados pararam em sua frente e, com um caminhar elementar, o fogo cercou o garoto que, num instante, decapitou dois dos homens que arderam em chamas pulsantes.
Assustados, os outros dois avançaram, no entanto, foram decapitados pelo radiante fogo em forma de lâminas.
Absorvendo o fogo ali, Night virou um revólver e disse: “Fica calmo, Kevyn, falta pouco”.
Vendo-a se transformar de novo, franzindo sua testa, ele disse em voz alta:
— Night, você virou uma pistola, eu nunca nem usei uma.
Uma leve risada ecoou na mente do garoto. “Não se preocupe, é só puxar o gatilho que eu faço o resto”, ela respondeu, brilhando de maneira mais suave.
Suspirando, Kevyn continuou, indo para outra área aberta, mas essa sendo menor. Ouvindo vozes, ele escorou na parede de caixas em direção ao próximo local, tentando ver suas almas para atirar de maneira certa.
— Aqueles quatro ainda voltaram, será que morreram também?! — gritou um dos homens, inconformado pela situação.
— Acho que não, eles devem ter chegado no local do fogo. — Respondeu outro capanga, de maneira mais calma, tentando acalmar o ambiente.
Finalmente enxergando-os, o garoto viu 6 homens. Engolindo seco, ele rolou para o lado e, ao ficar exposto aos homens, fechou seu olho direito.
Ao perceberem o barulho, a última coisa que eles viram foi a imensidão de seu olhar azul-celeste do menino.
Cinco tiros foram disparados, invés de balas convencionais, essas eram feitas de ossos, em seu centro, carregadas de uma explosão ardente.
Cinco cabeças foram explodidas em chamas. O último dos mascarados em choque arregalou seus olhos por nunca ver igual. Mas, centralizando sua raiva, ele deu um passo à frente, fazendo sinais de mão.
Semicerrando seu olhar, Kevyn avançou, pronto para o atacar, mas em um piscar de olhos, sua visão se acabou.
Ele não havia acertado, ele não enxergava escuro ou branco, o garoto tinha sido cegado. “Magia de transmutação, ele só usou sinais de mão, então não vai durar muito”, pensou, tentando sentir as vibrações do chão.
“Eu ainda consigo enxergar, vou te guiar”, de forma lenta, quase efêmera, Night derreteu sobre a mão de Kevyn, aos poucos sua forma se moldou e congelou, ela veio e uma katana retornou.
“Ele está com uma pistola, você vai precisar desviar ou cortar as balas dele”
Terminou Night, enquanto, cego, Kevyn moveu seus pés, respirando pesadamente, seu peso em frenesi, uma postura defensiva, seu corpo veio a estar.
“Agora!!”
O gritar estilhaçou a mente de Kevyn, o deslizar do dedo, a voz, a mente, tudo moldando em um ponto para que a arma viesse em um estalo que quebrou o som.
Então chegou, nos ouvidos do garoto, chegou e, quando a bala estava lá, pronta para atingir seu ápice, alcançar a pele e rasgá-la em espiral, o corte.
Limpo, ele veio, impecável, trouxe o devaneio, a bala fora dividida ao meio de maneira efêmera e latente, do outro lado, passou e, assustado, outro disparo, outro e outro.
Todos efetuados por desespero, o medo. Mesmo cego, Kevyn se moveu, novamente girou, sua lâmina guiou e as balas cortou com todo seu resplendor.
Então puxou o gatilho outra vez, tudo que restava era o som seco e a nuvem falha de sua arma, nada mais havia, acabou, sua morte estava na sua frente e, com o deslizar da lâmina, sua vida ceifou.
Animadamente, a garota por trás do derramamento de sangue elogiou com toda sua alegria “Muito bem! Isso deve acabar com essa magia…”
Aos poucos, os olhos de Kevyn carregaram o nada, agora voltaram a enxergar tudo, na sua frente, o homem morto, o sangue… Preso em um pensamento mórbido, Kevyn não pôde perceber…
Então veio, do seu devaneio, o seu erro e “BANG!”, o gatilho se puxou, o tambor girou e, antes mesmo de conseguir reagir, enquanto tentava mover seu corpo, Kevyn pôde ver uma bala atravessando seu braço, a dor penetrante cicatrizando em seus ossos, mas não havia, era uma mentira contada por ele mesmo, uma dor fantasma aonde não existia, afinal, era seu braço amaldiçoado…
— Ei! Gatuno! Não acha que já matou muitos dos meus homens?!
Reconhecendo aquela voz repugnante ecoando em sua mente, Kevyn enfim se virou, vendo Sakazuki apontando sua arma, ela pensou: “Um olho verde e o outro cinza”, disse Night, brilhando suavemente.
— Pelo visto, você chegou, covarde caçador.
Kevyn finalmente chegou.

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¹Odachi — É uma espada grande japonesa, se assemelhando a uma katana.

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