Capítulo 514: Formados pela Experiência
— Existe um humano… — Seu mestre disse quando virou de costas numa das vezes que o treinavam. — Um humano que desafiou minha pessoa e saiu vivo. Ele era um humano qualquer, sem a habilidade necessária para me vencer, mas o que mais me irritava nele era seu sorriso.
O sorriso humano era capaz de irritar seu mestre por completo. Frok entendia a raiva e o ódio de seu mestre, o renomado abissal esverdeado, Moonlich. Ao ser derrotado antes de concluir seu objetivo de levar uma cidade humana as ruínas.
Era o sorriso que o deixava tão irritado.
Esse sorriso…
As faíscas se libertavam a cada golpe entregue. A força dos dois, combinada com a escuridão, se tornava praticamente um recipiente para as estrelas desfrutarem das fagulhas em terra. Os dois se combatiam em uma velocidade extrema, com Frok usando a lança para golpear adiante e usar sua espada para defender de qualquer chegada.
No entanto, mesmo que sua lança chegasse a raspar na garganta ou na costela daquele humano, ele sorria e continuava indo adiante. Ele encurtava o espaço, se jogava para trás e pulava como se não precisasse de nenhuma das ferramentas em sua mão.
Quando um mostro se torna consciente, ele precisa aprender o que faz os humanos serem tão descuidados.
— Arrogância — Moonlich disse — é o que faz aqueles vermes serem tão teimosos.
Então, esse humano era arrogante. Por isso, poderia atrai-lo para sua armadilha. Mesmo que ele não saiba, se usar sua habilidade no momento certo, poderá simplesmente criar uma abertura.
Se jogou para o lado, deixou a espada do humano passar em frente e esticou a sua para cortar sua cabeça. Os olhos amarelados dele não desgrudaram dos seus. Abaixou com extrema facilidade e sua adaga veio cortando.
A lança se comprimiu de volta, batendo contra o braço dele. Os dois não ficaram travados e continuaram a se movimentar de um lado para o outro. Mas, algo não parecia certo. Mesmo que o inimigo tivesse mais velocidade, parecia que seus movimentos eram lentos.
O que ele estava escondendo?
Frok não queria descobrir. Primeiro precisava puxá-lo para um golpe aberto, e então, faria o que seu corpo se incendiar ao ponto de queimá-lo por inteiro.
— Acabou.
As palavras de Dante soaram. Frok ia abrir sua defesa, mas parou na hora ao puxar suas duas armas. A pressão do humano acendeu uma imensa sensação estranha novamente. A mesma quando iniciou aquele combate.
Os Felroz ao redor dele também sentiam o mesmo. Uma aura estranha e pesada que o sufocava de uma só vez, como se um golpe fosse o matar sem que pudesse reagir. Mas, ele não se moveu.
— O que foi? — O humano permaneceu travado no mesmo lugar. — Está com tanto medo que foge quando eu digo algo? Nick, pode liberar.
Mais uma vez, Frok se assustou com o pulsar vindo do seu oponente. No momento seguinte, a espada foi arremessada. Ele precisou bloquear com a lança, jogando o braço para cima. Sua espada desceu porque sentiu a aproximação vindo de frente.
Um segundo seria suficiente. Era apenas isso que ele precisava…
E quando o humano chegou perto o suficiente, abriu a boca.
— Fugah.
As chamas emergiram de dentro pra fora, se liberando como uma avalanche e chegando até a pele. Sua espada se incendiou e clareou a escuridão inteira. Eles podiam ver o chefe criando a vitalidade para queimar um humano que o desafiava.
Frok não poderia deixá-lo vivo. No entanto, sua mente não parava de se perguntar o que era aquele desconforto bem no fundo de seu coração.
— Ah, não. Você não vai usar isso agora.
A lança e espada cortaram para frente, criando uma onda avermelhada que queimava tudo ao redor. Os Felroz se afastaram com medo, mas bateram numa massa de ar que a fez aumentar ainda mais, mas não passando dali.
Frok ficou estático, engolindo em seco.
— Quer mesmo brincar com fogo? Então, vamos brincar.
Um passo, foi somente um passo e as chamas se condensaram e espalharam ao redor ainda mais. Frok ficou perplexo, recuando um pouco sem perceber. Ele comanda chamas como eu? Não. Eu não sinto.
— Você claramente treinou com aquele cara — disse Dante ao dar o segundo. A pressão culminou inteiramente para fora. Tudo o que ele tinha acumulado até aquele momento queria se libertar de uma só vez, e ele não deixaria que outro monstro ficasse em seu caminho.
Nenhuma outra criatura poderia dar a sensação de desconforto nele. Dentro do seu peito estava vivo aquela marca, aquela cicatriz… aquela maldição.
— Se ele está vivo — disse Dante. — Então farei com que saiba que eu estou também. Primeiro, farei com que morra aqui e vou mandar que alguém arraste seu corpo de volta. Assim, ele vai saber que vai precisar de mais do que alguns de vocês.
— Meu mestre nunca perderia para você.
O sorriso, os olhos amarelados, aquela sensação estranha que formigava a nuca de Frok. Nada disso era comum. Nunca sentiu ao enfrentar humanos, nunca sentiu ao enfrentar outra criatura a não ser seu mestre.
Quem ele é?
— Seu mestre pode até se garantir, mas você não.
As duas armas em suas mãos se soltaram. Nuas, palmas nuas para confrontá-lo. Frok sentiu que na sua frente tinha um desgraçado maluco, mas nada dizia que ele tinha ficado mais fraco. Soltar as armas não era um sinal de fraqueza para ele.
Era um sinal de que estava lutando sério agora.
— As habilidades do meu pai são todas corporais — disse Dante ao tensionar as pernas, preparando-se. — As espadas, lanças e adagas são todas forjadas para matar um homem ou uma criatura, então, é natural que sejamos forjados por essa experiência. Naquele dia no Farol ele me fez entender isso, e mesmo assim eu me questionei diversas vezes até realmente entender que existe verdade nas palavras que ele disse. É sempre matar ou morrer. É sempre matar ou morrer pra sempre.
Níveis de energia cinéticas no pico. Estamos pronto para mais um combate, Dante.
Era o sorriso dele. Frok tinha certeza agora. Esse era o maldito humano que Moonlich tinha falado sobre.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.