Capítulo 516: Um Fio que Liga Almas
— Mestre, o que houve?
Moonlich sentiu seu corpo estremecer. O coração que tanto protegia por conta de uma batalha antiga novamente voltou a bater com rapidez. Ele girou seu corpo em outra direção, observando seus alunos, todos aqueles que escolheu para trazer ordem ao caos dos humanos, o fitando.
Havia, mais uma vez, algo que pudesse feri-lo?
— Não é nada. Apenas um leve pressentimento. — Deu as costas, observando um dos seus Generais, parado não muito distante. Com um leve aceno, o chamou. — Side, parece que um dos nossos foi acertado. Consegue distinguir de onde é?
As mãos de Side eram feitas de Jade. Ele uniu, formando um pequeno triangulo, e depois que a Energia Cósmica se liberasse, uma face contorcida se formou.
— É Frok, senhor.
Moonlich havia aprendido que os humanos eram criaturas tenazes e bem desenvolvidos quando o assunto era armadilhas. Cair em algumas delas lhe trouxe essa perspectiva. Quando tentou sabotar uma colheita abundante, não previu que era uma armadilha que o fez perder alguns dos seus. Depois arrastado para perto de um lago, quase morreu afogado por subestimar que havia um humano que poderia manipular a água com sutileza.
Salvo por ter alguém cuja habilidade era dispersar o ar para todos os lados.
Mais duas ou três vezes, ele colocou em sua cabeça uma única coisa: “Não devo subestimar todos eles”.
Mas, Frok tinha um batalhão inteiro indo na direção de um vilarejo que somente havia alguns poucos guardas. Eles queriam Hein sendo forçada a abrir um dos seus tuneis, para explorar a parte subterrânea.
Era inteligente. Usar as mesmas táticas contra eles. Descobrir suas fraquezas, explorar suas falhas.
— Hein deve ter enviado um Cavaleiro para lá — disse Moonlich sem deixar de pensar que o Império logo saberia sobre os outros ataques. — Uma cidade de colheita era importante, mas se as outras forem afetadas, será bom de qualquer maneira.
Moonlich deixou que Side desfizesse a imagem. Seu coração ainda batia forte, mesmo sabendo que a morte era natural para os Felroz. Ele sabia mais do que todos os outros. Por isso estava presente, por isso estava vivo.
— Side, não abaixe a guarda.
— O senhor está preocupado que Hein saiba dos nossos planos?
— Não. — Aquele dia, no Farol, subindo o Abismo, um humano havia o encontrado. — Apenas não abaixe a guarda quando estivermos indo. Temos um plano para concretizar.
O General abaixou a cabeça, aceitando.
— Como quiser, meu senhor.
Não, não era divertido. Não era interessante. Não era o que ele esperava.
Frok recebeu um soco no rosto, sentiu o pescoço girar para a direita, e antes de conseguir se equilibrar, um chute o pegou pela direita. A armadura de ferro verde, a jade de seu mestre, foi rachada.
E mais um golpe o acertou, enviando para trás. Quando puxou sua espada, sentiu o pulso novamente apertado, e uma cabeçada. Ele foi arrastado mais uma vez, e sem tempo para qualquer reação.
Mais rápido, mais forte, mais ágil e mais preciso. Era tudo tão aguçado que sua percepção tinha sido colocada abaixo do sentimento que adquiriu com seu mestre. Moonlich era implacável, feroz e mortal, ensinando como se deveria viver.
Quando sua espada foi redirecionada para o lado e o humano saltou no ar girando rapidamente e desceu acertando seu rosto com um chute, Frok entendeu que na sua frente, aquele velho, um humano que apareceu do nada, simplesmente fazia o mesmo.
Sua espada não chegava a ele. Sua mente não acompanhava o ritmo. Quando achava que encontrou uma maneira de combater, sue corpo travava com um golpe perfurando suas juntas. Um dos joelhos foi rompido por um bloqueio, e seu braço esquerdo arrastado para cima.
Como ele consegue?
— Ele aguentou mais do que isso — as palavras do Humano rasparam sua nuca quando a mão aberta pegou em sua orelha. Ele voou, batendo contra o chão, rolando e largando sua arma. — Seu mestre, se for quem estou pensando mesmo, tinha muita resistência sobrando.
Frok segurou a terra, empurrando-a e tentando ficar de pé. Então, sentiu suas costas esmagadas e um tremor leve se originar para baixo. Sua cabeça, os cabelos puxados para trás. O humano a segurava.
— Farei o mesmo com seu mestre quando chegar a hora. — E enviou para o chão. Frok sentiu os olhos e nariz esmagados. As pedras acumuladas cortavam a pele, enfiando terra para dentro da boca. — Então suplique pela sua vida.
O impacto forçava mais e mais sua pele a ficar desconfigurada. Dante o puxou para cima, e virou o corpo.
— Vai morrer hoje.
Era uma sentença. Ele forçou a Energia Cósmica ao redor do braço direito, aumentando a potência.
— Te levarei comigo, humano.
Uma última jogada. Uma maneira de deixá-lo travado no lugar, apenas para liberar toda sua carga. As chamas iriam devorá-lo junto. Os dentes sujos de sangue azul, os olhos com cortes pelas pedras afiadas. E sua vitalidade colocada em sua Energia Cósmica.
Você não vai chegar perto dele.
— Faça então. — O humano se aproximou seu rosto do dele. — Tente.
Esse insolente. Frok expulsou tudo o que tinha dentro do seu corpo. As chamas foram expulsas para todos lados ao mesmo tempo, o vermelho e amarelo se espalharam em dezenas de metros quadrados, consumindo até mesmo o exército ao redor.
Tudo era tão ardente. Uma vida devotada para matar os humanos. Uma vida onde sua missão era exterminar quantos pudesse. Tudo isso para chegar até ali. Um humano como ele valeria por centenas. Tinha certeza disso.
As chamas lambiam o terreno inteiro, sem parar. E Frok sorria.
— Quem te deu permissão pra rir na minha frente?
Travou. A voz do humano estava ainda colada, perto demais. As chamas foram expulsas para o lado dando vista para o corpo intacto do humano. Uma imensa camada de ar era liberado para todos os cantos, aumentando as chamas ao ponto de se tornar uma maré incontrolável.
E não havia medo, nem receio.
— Surpreso?
A mão de Dante se abriu, empurrada para trás, e seu gargalhar ecoou na mente de Frok.
— “Escada para o Inferno”.

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