Índice de Capítulo

    Jimbo não teve tempo para se preparar adequadamente depois da última batalha. Ele segurava o braço ruim andando um pouco atrás de Takka. Eles guiavam os moradores noite adentro na direção de Hein.

    — Está pensando no quê? — Takka virou um pouco rosto, observando sua inquietação.

    — Aquele cara era diferente. Você não acha?

    Takka demorou um pouco, mas respondeu:

    — Desde que nos tornamos Cavaleiros, eu me perguntava se tinha algo para aprimorar, algo para aprender. — Seus passos ficaram mais lentos, Jimbo se aproximou. — Essas pessoas esperam o nosso melhor, por isso eu acho que fiquei mais arrogante do que eu achei que seria possível.

    Jimbo deu uma risada seca.

    — Ah, pelo menos nisso estamos de acordo. Aquele cara não deve ser tão mais velho do que nós dois, mas ele conseguiu acabar com a gente. Acho que tenho que voltar a praticar, talvez o Capitão aceite umas aulas extras?

    — Não custa tentar. Mas não deixe isso em sua mente. — Takka observou o Mestre Suiton mais a frente, atento com alguns guardas e com moradores mais velhos. — Temos outras prioridades, e aquele velho, seja qual for o objetivo dele agora, não pode ficar em maus termos com Hein. Nós dois vimos o que ele pode fazer, e sendo bem sincero, sabemos que não estava lutando a sério.

    — Ficou bem claro desde o começo.

    Uma mente afiada precisava entender onde estava errando durante suas lutas. Jimbo repassava tudo em sua mente, de novo e de novo, apenas para chegar numa conclusão que usando ou não sua habilidade, mudando o tipo de estratégia, se mais alguém estivesse presente; Não adiantaria.

    Os movimentos que tinha programado durante uma vida foram invalidados por um homem desconhecido que se dizia vir de um lugar completamente caótico. Agora ele entendia bem as palavras do Capitão.

    — Um lugar onde a morte espreita te faz forte igual.

    Quando virou o rosto novamente para trás, esperava encontrar somente o breu. Então, um clarão vermelho e amarelo surgiu, criando uma luz no meio da noite, avassaladora. Jimbo parou ao ver que ela continuou se expandindo tomando uma altura de dezenas de metros.

    Eles pararam. Takka se virou também, assustado.

    — Não é ele, não é?

    — Acredito que não. — Jimbo suou frio e levou a mão ao cabo da espada. — Mas por alguma razão, eu acho que isso nem teve efeito.

    Takka achou a ideia perturbadora, mas concordou.


    — Está um pouco quente aqui, não acham?

    Dante bateu no peito, suspirando um pouco. Nick pulava em seu ombro e Lilo se lançou no ar, flutuando em círculos. Estavam animados com a vitória, e olhando ao redor, o imenso batalhão tinha sido destruído pelo próprio líder. Dante deu uma risada e segurou a cintura.

    — Vick, qual o estado do Felroz?

    — Com o estranho retorno da sua habilidade, também retornou a que Bastardo passou. A adaptação dela a sua Energia Cósmica foi perfeita. Está se recuperando em um nível veloz e perfeito. Eu assimilei as percepções que estavam indispostas, e em poucos dias estará recuperado.

    — Bom, isso é bom. — O terreno queimado ao redor foi protegido. Ele queria só derrotar esse desgraçado agora morto no chão. Então, precisava voltar para falar o que tinha acontecido. Clara teria uma surpresa com esses eventos estranhos, mas não queria deixar evidente seu retorno.

    Vick leu seus pensamentos, assimilando.

    — O que está pensando em fazer?

    — A Cuba está progredindo mais rápido a medida que não possuem um salvador. Eu entendi isso da primeira vez, então, acredito que seria melhor se eu não revelasse ainda que recuperei um pouco da minha força.

    Novamente, isso era o que diferenciava Dante de seu pai. Vick tinha uma enorme quantidade de dados e memórias acumuladas. Render havia escolhido fechar os olhos para a civilização, Dante não faria isso.

    Agora, o que Vick precisava e já tinha preparado era assimilar de maneira clara e objetiva o que forçava o corpo de seu anfitrião a melhorar de uma vez por todas.

    — Para onde iremos agora, Dante?

    — Vamos pra casa, meninos. — Enfiou a mão no bolso e tirou o Felroz com delicadeza. O tamanho dele tinha sido diminuído por Nick, que tinha uma habilidade tão interessante. Os dois olhos amarelos focaram nos de Dante. — Não precisa levantar. Estou feliz que esteja vivo. Eu não queria ter demorado tanto, então, quero me desculpar.

    O mesmo olhar curioso se tornou estranhamente apreensivo. O Felroz abaixou a cabeça, tocando a narina em sua pele, e depois levantou respirando fundo.

    — Pelo registro que tenho — disse Vick —, ele está agradecendo.

    — Não precisa agradecer. Você fez por merecer, então, quero saber se quer voltar para seus antigos amigos. — Dante deu de ombros. — Eu gostei de poder andar por ai montado, sabe? Mas, se quiser voltar e ficar com eles, não tem problema. Mas… eu vou te dizer que ficar comigo é melhor.

    As pernas do Felroz se alinharam, e ele soltou um ruído baixo, animado e tentando ficar de pé.

    — Vamos voltar pra casa, então. Depois, eu trato sobre os Demônios Azuis. Preciso de um banho e também conversar com Clara sobre… — olhou ao redor — logística, eu acredito que seja. Lilo, consegue?

    O Felroz cobra se jogou para frente, e se esticou em alguns metros. Dessa vez, suas patas tocaram o chão, esperando por ele. Nick segurou o seu novo colega, o abraçando e arrastando para dentro de um bolso, aguardando a viagem.

    Dante olhou para baixo. Mesmo tendo queimado seu próprio corpo, sendo atingido por um golpe forte e condensado, a armadura de jade ainda parecia pronta para ser usada. O corpo de Moonlich era praticamente feito de uma material resistente, e essa armadura era uma parte dele de alguma forma.

    Seus socos machucavam, mas não foram suficientes para travar o inimigo como antes. Parte era por conta da armadura, e a outra parte porque precisava entender seu limite. Lutar como um lunático não era o ideal.

    Vick, no entanto, achava esse pensamento de Dante estranhamente fora da realidade. Qualquer um fora de sua mente não acharia dessa maneira. Ele era um maníaco que sorria na desgraça, diante da morte ou em frente a um inimigo poderoso.

    Ele era um desgraçado que adorava batalhas mais do que qualquer um.

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