Índice de Capítulo


    Enquanto treina o conceito da magia de cura, do lado de fora, Ivan, e seu espírito Áurea, retornam para casa. Amice se enche de alívio, ao reencontrar seu patrão novamente.

    A jovem se aproxima, e com sua postura curvada, declara: — Bem-vindo de volta, senhor Ivan.

    Envergonhado por sumir sem avisos por 12 horas seguidas, o homem põe sua mão atrás da cabeça, e diz: — Nossa! Amice, me desculpe, eu deveria ter lhe avisado que eu ficaria de fora por um tempo.

    — Não se preocupe com isso, patrão Ivan, na sua ausência eu continuei com os meus serviços, então eu fiquei ocupada esse tempo todo. Só parei agora para preparar o meu banho, e nada mais — esclarece, ao passar pelo curandeiro, seguindo em direção ao banheiro.

    — Ah… que bom… — responde, ao esboçar uma expressão de paisagem em seu rosto, pois esperava encontrar sua criada totalmente alterada com a sua ausência.

    — Ah! O jantar do senhor está na caixa que a ferreira trouxe, ela disse que serve para preservar a comida, então eu não questionei e pus lá — declara a criada, ao se dirigir até o banheiro e abrir a porta.

    ”Caixa que preserva comida? Que eu saiba, caixas estragam a comida… ” declara em pensamento, surpreso com a informação de sua criada.

    O homem se dirige até a cozinha, e lá encontra a caixa que Amice havia mencionado. Em seguida, em curiosidade, abre ela e nota um ar frio e refrescante. 

    — Então esta deve ser a invenção que Anastácia mencionou hoje mais cedo. Uma caixa capaz de expelir esse tipo de gás nessa temperatura é algo inovador — Ivan se impressiona com a capacidade de controle do atributo ar de sua nova aluna. E, nota que a meio elfa além de ser uma divergente também pertence a outro grupo de magos.

    Embasbacado com a temperatura e frescor que a pequena caixa, ele lembra que outrora Evangeline mencionara sobre cores das auras de mana, e, com bastante empolgação para procurar tal conhecimento, esquenta seu jantar e o come apressadamente.

    Ao finalizar o seu jantar, segue caminho até sua biblioteca pessoal, e lá começa  a sua procura em busca de encontrar o livro que leu, pois nele há mencionado todo o conhecimento atual sobre as auras dos magos.

    No dia seguinte, às 6 horas da manhã, o curandeiro ainda acordado, porém soterrado por inúmeros livros, encontra o que estava procurando. Um livro com uma capa vermelha, com bordas douradas e hieroglifos também da mesma cor. Suas páginas são da cor preta, e há letras de um idioma desconhecido.

    Ao notar que se trata do objeto que buscara, o recolhe e com pequenas batidas dissipa toda a poeira em cima do mesmo. Enquanto se retira da pilha de livro, ele caminha até uma escrivaninha próxima, e abrindo o livro começa a folheá-lo em busca da informação que deseja.

    De modo a folhear página por página, o homem encontra a informação desejada: — Finalmente! Aqui está, o que eu procurava, tudo sobre as cores nas auras de mana. Deixa eu ver do que se trata… “Coloração de Auras: Todo mago consegue visualizar uma aura de mana, porém a casos específicos que fazem alguns magos enxergarem cores distintas nas suas auras. Apenas magos com o…” 

    O homem para a sua leitura ao observar que a página em questão está rasgada, que o impede de terminar a sua leitura, e descobrir o porquê da jovem conseguir enxergar cores nas auras de mana, que o deixando-o imediatamente indignado.

    — O quê! A página está rasgada? Espera, isso não é trabalho de alguma traça, parece que alguém rasgou exatamente a parte que conta sobre a coloração… Será que alguém na minha ausência entrou aqui e recolheu isso? — questiona, de modo a levantar sua questão que o impede de continuar sua pesquisa.

    ”Droga! O que eu vou fazer agora? Se eu não sei a origem da habilidade, como poderia ajudá-la a aprimorar mais seu uso mágico… Espera! Ela desenvolveu gases naquela caixa, isso significa que ela também é uma… ”

    Amice finalmente acorda, e de modo a cortar a linha de pensamento de seu patrão, se aproxima: — Bom dia, patrão Ivan! Como está o senhor nesta manhã? — indaga, de modo a puxar um assunto com o homem, enquanto coloca um cesto de fibras de palha em cima da mesa.

    Interrompido pela sua criada, o homem direciona seu olhar para a mesma: — Ah! Bom dia Amice, estou bem sim, mas deixa eu te perguntar uma coisa — responde, de modo a chamar a atenção da jovem.

    — Si-Sim patrão Ivan, do que se trata? — questiona.

    — Estive folheando os meus livros aqui nesta manhã, e percebi que um deles, o livro em questão que eu precisava, está com uma de suas páginas rasgada. Você não sabe nada sobre isso, certo? — indaga, a fim de descobrir o que aconteceu com o seu livro.

    — (…)

    — Patrão Ivan, o senhor está insinuando que eu rasguei um de seus livros de proposito? — pergunta, com uma voz de decepção.

    Ivan se levanta de onde está sentado, e encara firmemente para Amice: — Amice, responda a minha pergunta, peço que não esconda nada. Se você fez isso, por favor confesse, pois não quero que nossa relação mude por conta disto — declara, a fim de incentivar a ação da jovem.

    — Me desculpe pelo mal-entendido patrão Ivan, mas eu não sei nada sobre o rasgo deste livro, tudo que fiz ontem foi apenas as minhas obrigações e nada mais. Não fiz nada além de minha obrigações, foi isso que eu lhe contei ontem, quando retornou — retruca, retirando as suspeitas que pairam sobre si.

    ”Entranho… Amice estava completamente só em casa ontem, caso ela tivesse realmente rasgado o livro, mesmo se fosse um acidente de limpeza, creio que confessaria, até mesmo antes de pergunta-lá. Eu a tenho desde a sua infância, é como uma filha para mim, então acreditarei em sua palavras… ”

    ”Porém, o que me intriga é o fato de alguém ter entrada na minha casa sem que a Áurea percebesse. A sua capacidade de notar mana é incrível, e mesmo assim ela não mencionou nada referente a isso… ”

    ”Mas por que levar apenas a parte que menciona as cores das auras? Eu não entendo… ”

    — É… Patrão Ivan? Você está bem? Está zangado comigo? — indaga, a fim de chamar a atenção do homem que se perde em seus pensamentos.

    — Ah! Estou bem, não estou zangado… — retruca.

    — (…)

    — Certo Amice, me desculpe por culpá-la por isso, estava tão eufórico em descobrir algo novo que deixei a minha emoção se elevar, e, além disso, eu deveria acreditar mais nas suas palavras, pois mesmo que eu não seja o seu pai, você é como uma filha para mim.

    — Então, me perdoe pelo meu comportamento grosseiro, espero que não me veja com outros olhos a partir de agora — Ivan se desculpa, ao abaixar sua cabeça perante a empregada, de modo a fazê-la derramar algumas lágrimas de felicidade.

    — (…)

    — Nã-Nã-Não patrão Ivan! Não faça isso! A culpada sou eu por não o responder de imediato, então eu peço desculpas novamente pelo mal entendido — finaliza, ao enxugar suas lágrimas com a sua mão, e se redimir pelo que fez.

    Áurea surge entre os dois flutuando, e esticando seus braços e pernas solta um enorme bocejo, e por fim se comunica: — Yawn! — Boceja. — Será que vocês não cansam de se desculpar um para o outro não? Já vai dar 7 horas e vocês ainda não saíram do lugar — aponta, de modo a alertar ambos que o tempo ainda corre.

    — Ah! Pelos deuses! Preciso preparar o café da manha. Com a sua licença mestra Áurea e patrão Ivan, irei me retirar agora — conclui, de modo a recolhe a cesta em cima da mesa e sair da casa, a fim de comprar os preparativos para o café da manhã.

    O espírito de fogo gira em volta do curandeiro, enquanto o mesmo começa a arrumar a bagunça de livros que fez. Por fim, áurea o alerta: — Ei Ivan! Não se esqueça que aquela majin ainda está dentro do meu espaço espiritual. Ela precisa sair de vez em quando para não ficar sobrecarregada daquela mana — finaliza.

    — Minha nossa! Áurea eu esqueci completamente disso. Ela não pode ficar muito tempo lá dentro, pois ela não é tão treinada como eu, para poder resistir. Por que não me disse isso quando saímos ontem? — pergunta, de modo a despejar a culpa sobre o seu espírito.

    — Huh!? Como que é seu velho? Não venha colocar a culpa em mim, a aluna é sua — rebate, irritada com a afronta de Ivan.

    O homem se dirige para o espaço aberto que se encontra na sua sala de estar: — Não vem com essa! O espaço espiritual é seu, mas deixe isso de lado. Se prepare que eu vou reabrir a passagem — anuncia, de modo a concentrar sua mana e entoar o feitiço que se interrompe abruptamente por pequenas batidas que vem do seu portão da entrada de sua casa.

    — Quem será que é a esta hora? — questiona Áurea…

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota