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    — Você deveria ser um pouco empática, Áurea, não vê que ela fez tudo isso por conta de sua irmã. Coitada. Eu pude ver a pressão que ela está carregando para se fortalecer, tudo para poder entrar naquela masmorra e ajudar sua irmã… — aconselha, com o corpo de Evangeline em seus braços, enquanto sai da sala.

    — O quê você quer dizer com isso?! Eu sou super compreensível e empática… com a Amice — rebate, durante o tempo em que segue o homem.


    Ivan e seu espírito retornam para sala de estar. Enquanto põe Evangeline no sofá mais próximo, a fim de ajudá-la a deitar e descansar um pouco, Áurea, na parte de trás, realiza o fechamento da passagem espiritual, para prevenir que ninguém sinta a mana do feitiço.

    O curandeiro próximo da meio elfa, observa seu espirito realizando o fechamento do seu feitiço. Após a abertura ter sido fechada, ele puxa um pequeno assento, e nele realiza um feitiço de cura, para acelerar a recuperação de sua aluna.

    Preocupado com a forma precipitada de Evangeline em aprender novas técnicas, e a questão da mesma estar sendo procurada na cidade, o homem começa a se sentir pressionar e agir de forma automática.

    Milhares de pensamentos vem a sua mente de repente, e no momento em que se lembra de algo, ele chama por Áurea: — Então, Áurea, na sua ausência ontem a noite, descobri algo inusitado referente a Evangeline — declara.

    — Algo inusitado? Que algo inusitado, Ivan? Desembuche! — pergunta, curiosa com o que o seu contratante irá anunciar.

    De maneira a prestar atenção no seu feitiço de cura, o homem começa a contar sobre sua descoberta de outrora: — Bem, se lembra que Amice veio nos cumprimentar quando saímos da sala espiritual ontem? E também mencionou algo sobre uma caixa de metal que a ferreira trouxe?

    — Sim… mas o que isso tem a ver com essa majin? — questiona ao cruzar seus braços e aproximar-se com a face voltada para frente.

    — Então, é sobre isso que quero falar. A ferreira disse que essa caixa foi criada por Evangeline, um pouco antes de vir para Nakkie, mas referente a isso, tudo bem, pois, pode se concluir que a ferreira a ensinou a forjar uma caixa de metal — confessa, com o propósito de atiçar a curiosidade de Áurea, que o observa em surpresa.

    Em seguida, prossegue com a explicação:— Com fome por não ter comido nada por 12 horas seguidas, fui até o objeto, pois lá a Amice havia colocado a minha comida, dizendo que a caixa iria “preservá-la”. Então eu abri a caixa e… — pausa a sua fala ao notar que a meio elfa começa se mover no sofá, enquanto está desacordada.

    — “Então você abriu…” e? Vamos homem, pare com esses suspenses bobos! — exclama, irritada com as pausas.

    — Aha! Perdão, Áurea, parece que ela vai acordar daqui a pouco… — anuncia, ao cessar sua cura e cruzar as suas mãos frente ao seu rosto.

    — Ivan, termina logo essa maldita coisa que você descobriu ou eu juro que irei queimar a sua casa, e eu não ligo se as minhas chamas não funcionam em você, mas nas construções elas pegam muito bem. Então pare de mistérios e conte logo ou eu só vou fazer isso! — Quando Áurea termina de ameaçar, percebe que Ivan começa a agir de forma sem graça.

    — Certo, certo, se acalme. Vou contar o que descobri… Pensei que você gostasse de suspense nas minhas histórias, ou será que você está tão entusiasmada em relação Evangeline? — questiona.

    — Ivan… — declara com o tom de voz alterado, com uma bola de fogo nas mãos.

    — Está bem, está bem! Onde eu parei? Bom, quando abri a caixa, notei ter um feitiço dentro, produzido por duas gemas de mana. Um que soltava uma espécie de ar gélido e outro com feitiço simples de vento. Notei serem as mesmas gemas de mana que se usam em varinhas e cajados — revela.

    — Então essa majin é uma… 

    — SIM! Ela também é uma Convergente! Tem noção como é raro encontrar um convergente nos tempos de hoje? — pergunta, com certa empolgação.

    — Calado, Ivan! Você se empolga além da conta, quando o assunto e feitiços e magias. Até parece que você não é desse mundo — frisa, ao chamar a atenção do homem, e continua sua fala.

    — Então, essa maji… Quero dizer, sua aluna, Evangeline, também é uma convergente…

    — Bom, Isso explica o domínio que ela possui com o atributo ar. A maioria dos magos deste atributo que eu encontrei, usavam apenas o conhecimento básico para lançar seus feitiços, porém ela consegue extrair o máximo do seu poder…

    — Conseguir usar esse ar frio de forma tão precisa e técnica é algo que apenas magos experientes fazem, não é algo que uma jovem consegueria elaborar, sendo necessário um conhecimento técnico amplo sobre — expõe, transparecendo em suas palavras certa curiosidade sobre as habilidades de Evangeline.

    — Eu sabia! — grita, de forma a fazer com que a meio elfa se mecha ainda mais no sofá.

    — Silêncio, seu tolo! Não vê que ela pode acordar? — adverte Áurea.

    — E… desculpe, mas eu sabia, você também se interessou por ela, assim como eu! — exclama, de modo a envergonhar o espírito com suas suposições.

    — Dr-Droga, Ivan! Eu disse para não se exaltar, afinal ela ainda está dormindo, e si-sim, fiquei curiosa com a capacidade dela. Com o treino certo, é capaz que ela se torna alguém mais forte que você — imagina.

    — Sim, com o treinamento adequado ela poderá se tornar uma maga incrível. Porém, a revelação dela ser uma convergente não é o ponto foco da minha descoberta, mas sim falar sobre aquela caixa que ela criou… — anuncia, com intenção de chamar a atenção da fada.

    — O quê você quer dizer com isso? — questiona.

    — Naquela caixa, ela colocou o feitiço de gases gélidos e de vento, isso fez com que a caixa ficasse amplamente resfriada no seu interior, desse modo, tudo que for colocado dentro, ficará altamente preservado, ou seja, ela desenvolveu uma tecnologia ainda não existente — aponta, de jeito a espantar sua ouvinte.

    — …

    — Espera! O quê?! Fiquei tão impressionada com o fato de você ter encontrado mais uma convergente, que não me toquei nessa caixa. Então, ela desenvolveu uma tecnologia nova? — indaga.

    — Exato! Se ela consegue criar algo assim e não se vangloriar por isso, significa que ela tem capacidade de desenvolver algo ainda mais complicado. Por isso eu digo para não chateá-la, pois a sua amizade pode ser importante no futuro — esclarece.

    — Ah, não vem com essa seu velho! Ela é dois séculos mais nova do que eu, e você quer eu a trate como igual? — indaga, desconfortada com a proposta do homem.

    — Não, não é isso. Só peço que seja paciente com ela, pois pelo que você mesmo disse, ela pode se tornar mais forte do que eu. Além de que, se uma de minhas alunas se tornar uma maga poderosa, mais magos irão me procurar para treinarem — imagina, de jeito a fazer Áurea descruzar seus braços e os pôr em sua cintura.

    — Aha! Então você quer apenas que ela se destaque para que você se torne famoso, não é? Esperava mais de você, Ivan, seu velho seboso… — retruca, ao virar seu rosto para o lado, a fim de não olhar para o rosto do homem que começa a dar pequenas risadas.

    — Ahaha! Que isso, Áurea, eu só estou brincando, eu nunca usaria um dos meus alunos como fonte de dinheiro e prestígios. Não sou como os anciões de Soffione… — esclarece, de modo a fazer o espirito retornar seu olhar para si.

    — Be-Bem, de qualquer modo, não dá para treiná-la todos os dias, afinal você leciona para outros magos. Se você sumir do nada, logo após anunciarem a procura da majin ao povo, você…

    — Eu sei… Então, é por isso que eu vou deixá-la em suas mãos — rebate.

    — O queê! Eu? O professor dela é você, não vem empurrá-la para cima de mim não! — responde, de forma a estranhar a ideia do curandeiro.

    Direcionando-se para a sala de estar ao vir da cozinha, Amice, surge com uma bandeja de pãezinhos. Ao se aproximar do curandeiro e seu espírito, observa a meio elfa deitada no sofá, por fim se dirige ao seu patrão: — Patrão Ivan, o que…

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