Capítulo 53.1 ❃ Saindo as pressas.

Após longas cinco horas de pura procura para um objeto perfeito, Amice retorna com seu cesto, que nele abriga algumas mudas de roupa e o item a ser encantado por Ivan. De maneira ligeiramente apressada, a jovem adianta-se e dirige-se para a biblioteca e avista lá o portal da entrada da sala espiritual.
Ao adentrar no domínio de Áurea, avista seu patrão, junto a seu espírito, arrumando o local para encantar o objeto, que se encontra em uma mesa no centro da sala. Nela, há uma espécie de crânio de um ser com um chifre médio na testa que possui uma única órbita ocular no centro.
Este crânio pertence especialmente a uma variante específica de um monstro troll. Tal criatura é dominada como abominável e irracional e, por se especializar em apenas ataques de puro reflexo, pode ser facilmente abatida por alguém de calibre igual ou superior.
Esse crânio é usado especialmente por encantadores, já que nele abriga uma energia maior que qualquer fóssil de monstro ou besta mágica, — que quando são mortos deixam em seus cadáveres parte de sua mana, que misturam-se em algo similar a uma mana espiritual, no entanto, sem ser a mana em si. Tal energia não possui um nome próprio, porém os encantadores chamam isso de Takih — uma espécie de magia arcana, derivada dos cadáveres dos monstros, usada particularmente para encantamentos.
Em contrapartida, ao que Ivan e Áurea fazem, Evangeline decide focar em sua técnica de absorção de mana, então, enquanto espera a preparação terminar, retorna para o reino de Metatron para testar uma teoria passada.
Amice observando toda aquela movimentação na sala, chama a atenção de todos, para informar de sua chegada:
— Pa-patrão Ivan, mestra Áurea, cheguei…
A voz baixa dela demora a ser percebida por todos, no entanto, mesmo focada em na meditação, Evangeline escuta a voz dela, balançando em seguida suas orelhas pontudas e, no momento após, ao abrir seus olhos, observa Amice parada próximo à entrada — enquanto espera ser notada.
Ao levantar-se de maneira ligeira do chão, a meio-elfa informa a chegada dela para os dois, agora com uma voz maior que a da criada.
— Senhor Ivan! Amice já retornou.
O curandeiro olha subsequentemente para a sua aluna, e ao entender em seguida o que ela acaba de dizer, dirige seu olhar apressadamente para a entrada e lá encontra a Amice.
Aliviado por ela não ter se exposto ou sido descoberta por ninguém, Ivan, abandonando um pouco o trabalho atual, aproxima-se dela, e a cumprimenta:
— Que bom que retornou sã e salvo, Amice. Espero que não tenha acontecido nada de estranho enquanto você ia para a loja.
— Hmmm… Nada estranho… bem…
Amice olha para o chão desviando o olhar de seu patrão, de modo a tentar esconder o que ela fez durante o passeio na rua. Ao notar isto, o homem, demonstrando uma leve preocupação, pergunta o que aconteceu nas ruas, durante os preparativos do encantamento na sala espiritual.
— Então… Amice, notou algo de errado nas ruas, enquanto ficamos aqui preparando tudo?
Amice retorna seu olhar para o patrão, porém agora demonstra uma expressão completamente séria com olhos afiadíssimos. Tal expressão assusta por um breve segundo Ivan, que em seguida, reforça a indagação com outra troca de olhar, que por fim é respondida por ela.
— Se-senhor Ivan, temo lhe dizer que o que você estava certo… Durante meu percurso nas ruas, observei alguns soldados passando de porta em porta procurando a senhorita Evangeline e…
Durante a fala dela, a meio-elfa aproxima-se de ambos para poder escutar melhor a conversa. Áurea, no canto adjacente dos três, escuta também, todavia, ainda prestando a atenção na montagem, agora desenhando algumas runas dentro de um círculo em torno do crânio.
— … E eles carregavam um aviso ilustrado em mãos.
Evangeline, curiosa com o tal aviso, pergunta como é e como ela está ilustrada nele.
— Hmm… então eles têm um aviso… não é? Por acaso… você o viu de perto? Gostaria de saber como está a descrição.
Após a indagação dirigida para si, Amice lembra-se que acabou recebendo esse aviso durante o seu retorno para a casa, e o colocou nocesto em baixo de toda a roupa.
— Ah, sim! Eu vi, na verdade, um dos soldados me deu, quando eu… estava aqui perto. Então, acabei colocando aqui no cesto antes de passar pelo portão. Deixa eu lhes mostrar. Só espera um pouquinho enquanto… procuro…
Com o cesto em mãos, ela o coloca vagarosamente no chão, em seguida, começa a revirar por ele em busca do aviso. Após alguns segundos remexendo em inúmeras peças de roupas, Amice puxa o pedaço de papel, entregando-o em seguida para os dois.
— Pronto, aqui está!
— Certo… vamos dar uma olhada nisso…
Um pouco receoso com o que está para ver no aviso, Ivan, com uma voz receosa, — pois teme o que encontrará lendo no papel que está em suas mãos, dirige seu olhar com total atenção, enquanto Evangeline o acompanha ao lado.
Por um breve momento, tanto Ivan, quanto Evangeline, leem o que está escrito na parte superior, no entanto, ao dirigirem seus olhares para a ilustração, ambos se impressionam. Tal figura é totalmente desconexa da aparência verdadeira dela, e isso faz os dois perderem a compostura, rindo no processo.
— Pffhahaha
Ambos riem em simultâneo, impressionando Amice, que ainda não entendeu a graça, visto que para ela, não existe descontração nenhuma naquilo.
Áurea se assusta com a descontração dos dois e aproxima-se para poder observar também o que tanto riem, porém, ao observar de imediato a ilustração de Evangeline no aviso, solta uma poderosa gargalhada.
— Ahahahaha! Mas o que… mas que treco é esse!?
Áurea impressiona-se com tamanha bizarrice desenhada no papel. Até pouco tempo atrás, todos estavam completamente receosos e apreensivos, pois imaginavam que, se tivessem algum aviso ilustrado, poderia ser algo extremamente perigoso na remoção de Evangeline da cidade, no entanto, ao vislumbrar tamanha estranheza desenhada, enche-se de um alívio transbordante.
— Mas quem será que fez isto?! Isto está completamente errado! Estávamos até agora preocupados com a situação de realmente possuir um aviso ilustrado dela, mas olhando isso… me sinto até paranoica por ter me preocupado à toa.
— Com certeza Áurea, agora podemos nos focar inteiramente no encantamento, mas falando nisso… Amice, você achou o item, um que seja bem fácil de esconder?
A jovem ao ser questionada, — referente ao que fora comprar, libera um sorriso discreto no rosto, em seguida, assente balançando com a cabeça.
Percebendo que sua criada realizou com sucesso a compra do objeto, Ivan adianta-se para próximo da mesa novamente para concluir os preparativos.
— Certo, já temos o item, só precisamos finalizar…

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