Índice de Capítulo


    Neste ínterim, exatamente na sala espiritual…

    Ivan posiciona o crânio do monstro troll no centro da mesa, e ao realizar tal ação, as runas, — desenhadas anteriormente por Áurea, acendem-se ao receberem a energia emanada do objeto ossudo.

    Um brilho peculiar emana das runas, impressionando não só Evangeline, como também Amice, — não muito próximo do local, que observam atentamente o processo realizado pelo curandeiro. 

    Em seus pensamentos, Evangeline, questiona-se a peculiaridade desta energia, pelo fato dela não reconhecer tal método de magia.

    Uma vez que, durante todo o momento que chegara neste mundo, muita das coisas que conhecia no seu jogo, Worldland Sephyra Online, assemelharam-se com o que vira até agora, mas a habilidade de encantar itens com magias específicas a impressiona, pois tal mecanismo não existe nele.

    ‘’Interessante, eu não havia notado antes, mas parece que o encantamento se diverge totalmente do conceito das pedras de mana. Diferente delas e, como o senhor Ivan explicou, o encantamento é algo além dos feitiços convencionais. Logo, mesmo que eu tente configurar uma pedra de mana com um feitiço específico, não seria semelhante ao poder de um encantamento… ’’

    Enquanto a meio-elfa declara em pensamentos, Amice, ao lado, questiona Ivan e Áurea, sobre qual processo será realizado desta vez, dado que, para o conhecimento dela, existem inúmeros processos de criação — dez ao todo.

    — Então… patrão Ivan, mestre Áurea, qual processo usarão?

    Ainda concentrado no que está fazendo, Ivan a responde sem delongas:

    — Usaremos… usaremos o mais simples. Aquele de antes, que eu te ensinei a um tempo.

    Guiando a mão para o queixo, Amice força suas memórias para poder lembrar das falas do seu patrão. Um período após lembrar o que ele se referia, retorna para a conversa:

    — Então… o encantamento terá pouco tempo limite, não é?

    — Exatamente, agora fique quieta, Amice. O processo é complicado para qualquer estágio, então não nos desconcentre!

    Áurea, que até então está gerenciando uma espécie de anel mágico, comportado por algumas runas, adverte sua aprendiz, para que se aquiete, visto que o processo é altamente difícil, até mesmo para ela.

    — Cer-certo, mestre Áurea…

    Ivan, um pouco culpado com as falas do espírito, tenta chamar a atenção, no entanto, é ignorado por ela, que apenas muda de posição, ficando de costas para o homem:

    — Ah, não seja assim tão dura Áurea, ela só estava em dúvida.

    — Hmph!

    Ignorando completamente as falas do curandeiro, — por ainda estar aborrecida, Áurea, de costas para ele, finaliza os preparativos, ao fazer com que o crânio do troll ascenda.

    Diferente de antes que a órbita do crânio do monstro possuía apenas uma leve escuridão, agora, com o processo ativado, uma forte luz de cor roxa mostra-se aparante no lugar, — semelhante a uma pupila.

    A mesa em questão, que serve de apoio, muda completamente a tonalidade, sendo puxada para uma cor preta, semelhante a uma obsidiana lisa e refinada.

    Retirada a força dos seus pensamentos, — pelo fascínio que observa, Evangeline, próximo do local, realiza uma indagação para Ivan, perguntando como realmente funcionará o processo de encantamento.

    — É… senhor Ivan, agora que tudo parece estar pronto, tem uma coisa que eu queria perguntar… Como realmente funciona os encantamentos? Pois como o senhor disse antes, concluo que parece diferir de configurar uma gema de mana com um feitiço.

    Ao virar-se para escutar sua aluna, além de ouvir a indagação, Ivan, cruza seus braços e tenta bolar algo para poder explicar o método de encantamento, algo que ajude ela entender.

    — Mm… Como você presenciou agora pouco, o processo de construção demanda algumas horinhas… no entanto, o encantamento não é nada tão difícil assim. Deixa eu ver…

    Descruzando seus braços, Ivan, dirige-se para próximo de Amice, e a questiona sobre o item a ser encantado:

    — Amice, você poderia trazer o objeto para nós?

    Assentindo alegremente com a cabeça, a jovem, dirige-se para o cesto e de lá retira um pequeno estojo preto, — que comporta dentro o objeto. Com ele em mãos, retorna para próximo do curandeiro, e o entrega calmamente.

    Com o projeto em mãos, abre vagarosamente o estojo, desabotoando os botões de pressão, que em seguida revela o tal objeto dentro — um anel, mas não um altamente caro, mas sim um simples, feito do metal mais vendido pela cidade, composto inteiramente de prata.

    Retirando cuidadosamente o anel de dentro do estojo, Ivan, dirige-se para próximo da mesa e, coloca o anel a frente do crânio do troll, — que, por consequência, olha diretamente para o objeto, com a pupila roxa mágica.

    Essa ação incomum, assusta levianamente Evangeline, pois até pouco tempo era apenas um crânio, algo que não deveria ter vida, no entanto, agora, parece agir como se isso não fosse o caso.

    Ivan libera um sorriso descontraído ao ver a expressão da meio-elfa com isso.

    Foi algo curioso para ele, dado que, logo ela, que enfrentou alguns monstros antes de chegar em sua casa, se assustar com uma simples coisa dessas, é realmente engraçado.

    Com o anel posicionado corretamente no local, — a frente do crânio e no centro do círculo de runas, Ivan, continua a declaração, para responder à indagação da jovem.

    Ao levantar parcialmente a palma da mão, ele chama Evangeline para próximo, fazendo o mesmo para a Amice, com o intuito de mostrar para elas o processo, — enquanto Áurea encara tudo isto com uma expressão emburrada.

    — Vejam aqui, e também preste atenção, Evangeline. Não sou mestre nos encantamentos arcanos, mas posso ensinar o básico para você.

    Ao posicionar o dedo indicador em cima do anel, Ivan, canaliza uma pequena esfera de mana. Logo após, a pequena quantidade de mana começa a ser absorvida para o objeto, em contrapartida a isso, o círculo mágico, comportando as runas do encantamento, surge novamente e começa a girar em sentido horário — impressionando ambas as garotas.

    — Veja bem, para realizar o processo de encantamento, você precisa despejar um pouco de mana natural, isso irá desencadear na absorção dela para dentro do objeto desejado. Quando tiver o suficiente, o anel mágico começará a girar. Quando isso acontecer, posicione outra mão em cima dele.

    Após o processo de explicação de como começar o encantamento, Evangeline pensa em voz alta algo extremante peculiar:

    — E se a pessoa não tiver um dos braços?

    Após dirigir uma pergunta um tanto estranha, todos a encaram com uma expressão impressionada, visto que, eles não haviam pensado nisso até ela dizer. 

    Em contrapartida, ela, após perceber que pensara voz alta uma coisa inapropriada no momento, enche-se de vergonha, tapando a boca imediatamente no processo.

    Soltando um leve sorriso descontraído, ao observar as ações da meio-elfa, Ivan, responde à pergunta dela, com o mesmo ar de descontração:

    — Mm… bom… eu nunca havia visto um encantador arcano de um braço só…


    No decorrer deste ínterim, Moira, junto a Bentley, em uma luxuosa carruagem, — um veículo grande, que pode facilmente acomodar confortavelmente cinco pessoas, puxado exclusivamente por um quarteto de cavalos, guiam-se para o distrito sul, a região em que mora Ivan Flamesworth.

    No veículo altamente luxuoso, Moira, apresenta em seu semblante uma forte inquietação e angústia, dado que, ela não queria que seu colega fosse mesmo o cúmplice da criminosa. Todavia, ela não pode ignorar, quando ouviu da boca do seu próprio sobrinho, que ele realmente teve envolvimento na vigília contra Ivan.

    Neste mesmo momento, Bentley, completamente indignado com tudo, demonstrando uma completa ira no rosto, olha para fora do veículo com bastante desprezo.

    Enquanto observa diversas pessoas andando pelas calçadas e ruas, lembra-se das falas de seu pai, Algust Phesto, o prefeito — durante sua infância.


    Na época, Bentley era bem novo, por volta dos seus 10 anos. Diferente de agora, o garoto era muito gentil com todos em sua volta. A prática mais comum do garoto era ajudar todos que tinham dificuldades na prática de artes marciais ou magia, e todos da cidade o viam como um perfeito anjo na terra.

    Algust, ao ver que seu amado filho, o herdeiro da família, estava se envolvendo com muitos plebeus, — os mesmo que reclamavam do modo como geria a cidade, decidiu bolar uma tramoia para que seu filho os odiasse.

    Durante todo o período de sua infância, Bentley teve suas crenças alteradas por seu pai, que apenas inseria mentiras em sua mente, algo que realmente não procedia com nada. Porém, para uma criança que não entendia a real intenção do mundo, as palavras do pai eram como as palavras de um próprio deus da sabedoria.

    Algust teve bastante tempo para insinuar diversas mentiras para seu filho, enquanto bolava um plano para fazê-lo mudar de lado. As maiores falsidades que ele disse, foi o fato de como Bentley ajudava os outros com o uso da arte marcial e magica. 

    Coagido por Algust na época, foi forçado a acreditar que, se ensinasse demais os plebeus com a esgrima, faria com que as oportunidades de vida fossem retiradas dele e, se ajudasse mais e mais na mágica, perderia a mana. Já que, para aprimorar a magia dos outros, você entrega parcialmente a seu poder, que no final acabaria esgotado, — algo não verdadeiro.

    Mesmo com diversas mentiras sendo contados para si, Bentley, ainda estava ajudando os outros, até que um dia algo mudou.

    Em um orfanato, próximo de casa, Bentley viu um de seus amigos, aquele que ele ajudou nas artes marciais e magia, porém ele estava agindo estranhamente, pois estava usando seu poder para atacar as outras crianças do local. 

    Bentley, tentou ajudar, porém quando se aproximou dele, notou uma coloração avermelhada nos olhos do menino. — era um frenesi, algo que acontece quando se absorve demasiadamente muita mana, e Bentley sabia o que era isso, e concluiu que, o que seu pai disse sobre a absorção de mana era verdade, dado que, as suas magias não estavam sendo lançadas para ajudar os outros.

    Depois do encerramento deste desconforto no local, todos acabaram culpando Bentley, que acabou se entristecendo com todos, pois ele só queria ajudar, mas acabou criando um problema.

    Durante a volta para casa, em cada esquina, crianças e adultos o olhavam com desdenho, ainda o culpando com o que acontecera no orfanato.

    Contudo, tudo isso foi planejado por Algust. 

    Enquanto Bentley dormia, ele colocou um selo invisível, que ofusca a liberação mágica do usuário, — mais usado em presidiários e bestas. E, não só isso, como também, subornou todos que falavam com seu filho, para tratarem ele mau, além de forjar o acidente no orfanato, aplicando um frenesi na comida do garoto.

    Mesmo depois de muitos anos e ter virado um adulto, Bentley sempre rodeou a mente com as falas de seu pai, visto que em sua visão na época ele tinha razão.

    Aquele dia para o menino foi algo que alterou completamente sua personalidade, pois todos que ele ajudara, viraram-se contra ele, o deixando como é hoje. Alguém que não confia em ninguém além de si mesmo e seu pai, que faz com que todos saibam como é seu verdadeiro poder, — para que não se sinta fraco novamente.


    Algumas horas se passam e, Amice, lembrando dos seus afazeres, despende-se de todos dentro da sala, com o intuito de não só limpar e preparar a comida, como também, ver como a Karenn está no quarto.

    — Patrão Ivan, mestra Áurea e senhorita Evangeline, irei me retirar por agora. Preciso começar meus afazeres, e ver como a senhorita Karenn está.

    Evangeline, após ouvir o nome de sua irmã, assente docilmente com a vontade de Amice, pois sente um grande agradecimento por parte dela, já que fora ela que cuidara até então de Karenn enquanto treinava.

    Curvando-se para todos, move-se para fora da sala. Atravessando completamente o portal, deixa os três finalizarem o encantamento, — que parece estar quase no fim.

    Do lado de fora, nota que já amanhecera e, percebe que ela não havia dormido direito. A luz do sol que entra iluminando todo o mobiliário pela janela, — esclarece o real semblante da criada, que se mostra com algumas olheiras.

    Guiando-se primeiramente para o quarto de Karenn, a observa totalmente estática como antes. 

    Entrando vagarosamente no local, aproxima-se da jovem desacordada, e nota que um dos seus travesseiros aparenta estar um pouco amassado. Guiando exclusivamente para o baú no pé da cama, retira de lá um travesseiro novo e, faz com o que seu cheiro de rosas frescas perfume completamente o local.

    Em seguida, levantando cuidadosamente a cabeça de Karenn, realoca o travesseiro amassado para um novo.

    Logo após a isto, Amice, põe suas mãos na cintura e, com uma ação um tanto incomum, — começa a fungar o ar em volta de Karenn, em busca de sentir algum odor irregular presente, que por consequência acha.

    — Mmm… Senhorita Karenn… parece que você está um tanto fedorenta hoje. Me desculpe por isto, mas não pude vê-la esta noite. Porém não se preocupe, trarei a bacia de água para lava-la agora mesmo.

    Falando consigo mesma, ao fingir que fala com Karenn, Amice, ainda com suas mãos na cintura, guia-se para fora do quarto, ao ir direto para o banheiro buscar uma bacia para enche-la. 

    Após alguns minutos, ao retornar para o quarto, percebe que esquecera alguns panos para poder limpar e secar a jovem, — saindo em seguida do local com passos rápidos. 

    No entanto, do lado de fora, escuta um som estranho que vem da rua, — algo entre um relinchar e zurrar, que chama a atenção dela e a faz olhar para a janela para ver o que é.

    Pondo a cabeça furtivamente na janela, — receosa com a massa de guardas que passam nas ruas, Amice, fica estática com o que ver. 

    Em uma ação completamente rápida, remove totalmente a cabeça da janela, em seguida, com uma expressão pálida, esfrega os olhos desacreditada.

    Após alguns segundos, guia-se novamente até a janela, para confirmar o que realmente viu, no entanto, para o azar dela, não fora um delírio momentâneo, mas sim a pura realidade. Pois o que ela vê, não é nada mais e nada menos que a carruagem de Moira parada em frente a casa, e do lado de fora, alguns soldados junto dela conversando.

    Desesperada com este fato, Amice tenta correr apressadamente para a sala espiritual, para poder informar. Porém, — no caminho até lá, recorda-se de Karenn na cama e lembra que não pode abandoná-la novamente. Então, ao lembrar-se da ligação de Áurea por toda a casa e, como uma última opção, libera um poderoso grito, exclamando o nome de sua mestra:

    — Mestre Áurea!


    Um pouco antes disso, do lado de dentro da sala espiritual, Amice, despede-se de todos e sai pelo portal.

    Ivan, junto a Áurea, começa a encantar o anel, selecionando as runas corretas para o encantamento funcionar. Durante o processo, Evangeline observa cada ação, enquanto o curandeiro continua a explicação de antes.

    — Bem, Evangeline, como pode ver, nós precisamos de um encantamento específico de anti-detecção mágica, para poder ofuscar sua mana. Apesar disto, eu lhe pergunto: Em uma situação hipotética, coloque-se em no lugar de um encantador novato. Como você iniciaria um encantamento específico? Tendo em vista que, um novato não sabe ler nem identificar as runas.

    Depois de tal indagação, Evangeline respira fundo algumas vezes. Ela fecha os olhos e pondera por um breve momento.

    Enquanto tenta adivinhar a possível resposta, vem em sua mente algo que notara um pouco antes. Observara que Áurea parecia mexer no círculo mágico algumas vezes com runas aparentes.

    Para ela, algo semelhante surge em sua memória, pois aquela coisa se assemelha em muito com um holograma de seu mundo.

    Ao presumir que tal círculo mágico possivelmente tem semelhança á tecnologia que detêm entendimento, responde à questão com um ato firme e confiante. 

    — Mmm… bem… Creio que para poder configurar um encantamento, presumo que necessita pôr as informações do item, antes de o encantamento ser gravado no objeto.

    — E, como você concluiu isto?

    — Bom… antes da Amice entregar o anel para o senhor, notei que a mestra Áurea estava dedilhando e pressionando aquele anel mágico, suspenso no ar. Parecia que ela estava digi… apertando algo sobre eles. Logo conclui que, para que o encantamento funcione, necessita que o encantador configure antes de começar o processo. Porém, em resumo a resposta, desconheço o método certo de adicionar o encantamento sem ler.

    Ivan e Áurea se entreolham com expressão de surpresa.

     Por um breve momento a sala fica completamente quieta. Logo após, estupefatos com a perícia e calma, de como a meio-elfa explicou sua tese, ambos esboçam um sorriso, visto que, ela acertara praticamente tudo.

    — Impressionante, impressionante… Não há mais dúvidas, você com certeza criou aquela tecnologia de antes. Mas o impressionante não é a criação, e sim os processos que o abordam, e mesmo vendo por uma única vez o processo de encantamento, você acertou quase tudo…

    — Porém, a abordagem de saber ler as runas não passa de uma pegadinha. Para saber como encantar, necessariamente você precisa selecionar as runas especificas, que alternam de elemental e não-elemental.

    Um enorme interesse surge na expressão de Áurea, ao confirmar com seus próprios olhos a genialidade de sua aprendiz. Ivan, por outro lado, tenta não demonstrar uma expressão eufórica, pois para ele, uma aluna nesse calibre, — se tivesse estudando em uma academia mágica, certamente teria as maiores notas dela.

    Porém, em seus pensamentos, ele declara impressionado:

    ”Incrível, com certeza impressionante. Evangeline possui um ótimo dom de esperteza. Agora concluo isso ao vivo. Certamente, ela conseguiu dominar o conceito básico de cura, mas mesmo sendo uma iniciante e nunca ter visto tal técnica, conseguiu dominá-la em poucas horas, e isso foi o mesmo com a absorção de mana… ”

    ”… Certamente, se ela fosse explicar cada ação feita e ensinada por mim, teria mais destreza e perícia, talvez sendo melhor que eu. Dito isso, agora me pergunto, que tipo de professora ela seria se tivesse tal oportunidade?”

    Após a sua ponderação e, para poder voltar para o foco do encantamento, Ivan, prossegue com os passos. Pressionando com os dedos cinco das 10 runas no anel mágico, os gira em anti-horário, retirando periodicamente eles de lá.

    Em seguida, guiando as runas para longe do círculo, as coloca sob o anel, que as absorve imediatamente. No fim do processo, algumas runas, — que foram absorvidas anteriormente, brilham na superfície prateada do objeto, confirmando que o encantamento finalizou.

    Batendo a palma da mão sob a outra, — para enfatizar que terminara um ardo trabalho, Ivan, ainda impressionado com a resposta de sua aluna, anuncia a finalização do encantamento com um sorriso discreto no rosto:

    — Prontinho, o encantamento acabou. Espero que ele funcione corretamente como planejado e não quebre o objeto antes…

    — Quebre o objeto antes?

    Evangeline indaga um pouco surpresa com a afirmação do curandeiro.

    — Sim, sim… Após ativar o encantamento em um objeto, um tempo limite é ativado junto. Quanto menor for o processo que realiza ao encantar, menor será o tempo que ele terá. Agora no caso, coloquei o menor processo para pouparmos tempo.

    — E quanto tempo ele tem após ser ativado?

    — Mm… vejamos… acho que por volta de… uma a uma hora e meia, no máximo.

    — Entendi…

    Enquanto escuta a conversa dos dois, Áurea, pega o anel, e o leva para a meio-elfa. Em seguida, com um tom ligeiramente sério, a avisa sobre como ativá-lo.

    — Aqui está, Evangeline. Lembre-se, para ativar o encantamento você necessita guiar parte da mana natural para ele. Isto pode revelar sua presença, mas logo após será apagada pelo anel, então não vejo problema nisto. No entanto, fique ciente, quando ativá-lo, mova-se o mais rápido que puder, pois como Ivan disse, o tempo que está nele é curto.

    Após ouvir o aviso da fada, Evangeline coloca o anel no dedo anelar.

    Por um breve momento ela se lembra do seu anel de antimagia que portava no jogo. Naquela época o seu anel fora feito por um colega ferreiro, que o forjou com magia, porém diferente daquele, este anel não fora feito deste modo.

    A meio-elfa, após posicionar o anel em seu dedo, curva-se diante dos dois, os agradecendo por tudo que lhe ensinaram e ajudaram até então:

    — Senhor Ivan, mestre Áurea, eu agradeço no fundo do meu coração. Se não fosse por vocês, eu não estaria aqui, talvez até me renderia em busca de vingança, e talvez, possivelmente, estaria morta. Então agradeço por me acolherem a mim e a minha irmã. Obrigada pelos ensinamentos e concelhos, e também pelas deliciosas comidas da Amice…

    ‘’Gostaria que ela tivesse aqui para agradecer diretamente para ela, bom… quando eu sair eu faço isso.’’

    Os semblantes de Ivan e Áurea enchem-se de amparo, pois inicialmente a ajudaram por conta da forte ligação que ela tinha com sua irmã, uma humana diferente da meio-elfa. Porém, ao descobrirem da farsa que o prefeito armou, decidiram entregar tudo que tinham para ajudá-la, depositando suas mentes e corpos para que Evangeline tivesse força o suficiente para completar seu objetivo.

    Áurea, com algumas lágrimas aparentes nos olhos, aproximá-se da meio elfa para dizer algo:

    — Olha Evangeline, você não precisa fazer tudo isso. Não precisa nos agradecer, fizemos tudo isso por gostamos de você, e consentimos com…

    Antes que pudesse terminar suas falas, escuta o grito de Amice na casa.

    Mesmo que o portal não esteja ligado diretamente na casa de Ivan, Áurea tem um forte ligamento no local, pois ela já havia deixado partes de sua mana por toda a região, preparado para que caso alguém chame para lá, teleporta-se para lá rapidamente.

    Contudo, o que a espanta de verdade é o tom de desespero que a criada grita, criando em seguida um pequeno corpo no local para descobrir o que se trata.

    Alguns minutos se passam, e Áurea fica completamente parada no ar. Logo após concluir o que realmente esta acontecendo, aproxima-se de ambos.

    Ao olhar para Evangeline e Ivan com um olhar extremamente sério, ela, revela o que descobriu.

    — Atenção, Ivan e Evangeline! Eles chegaram.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota