Capítulo 633: Reconstrução (2/5)
『 Tradutor: MrRody 』 『 Revisores: Demisidi – Note 』
Enquanto eu mantinha minha cabeça baixa após o pedido de desculpas, o marquês perguntou:
— Desculpas? Pelo quê?
Eu não respondi.
— Me diga. Eu realmente não entendo.
Achei que mostrar seria mais rápido do que explicar, então comecei a tirar os itens que obtive durante a expedição no Primeiro Andar do Subsolo. Fui empilhando-os lentamente no quarto.
— Por que você parou de repente? — ele exigiu em certo ponto.
— Isso é tudo.
— Como assim? Conforme os relatórios, você deveria ter pelo menos mais de cem tubos de ensaio com essências.
Ah, isso.
— Eu tinha.
Foi só então que o marquês ficou sem palavras, percebendo por que eu estava falando no passado.
No entanto, parecia que ele estava, no mínimo, curioso sobre o motivo. — …Como isso aconteceu?
— Senhor Marquês, parece que você é o tipo de pessoa que presta mais atenção ao processo do que ao resultado.
— Estou dizendo isso porque você pode estar em grandes apuros. Não responda com piadas.
Certo, esse foi o limite da minha brincadeira.
Dei a ele a desculpa longa que preparei de antemão. Embora eu tenha falado por um bom tempo, algo nada típico de um bárbaro, minha fala poderia ser resumida em uma única frase.
— …Você precisou aumentar sua força para escapar da cidade, e é por isso que distribuiu as essências para os aventureiros do Distrito Sete? Todas aquelas essências preciosas?
— Sim.
— Minha Deusa… Isso é além de confuso.
— O que é tão confuso nisso? Se falhássemos na fuga e fôssemos capturados pelos inimigos, as essências teriam sido tomadas por eles de qualquer forma. — Então, não tão baixo quanto eu pretendia, murmurei — É, não é melhor assim do que deixar que caiam nas mãos do inimigo?
Observei o marquês levar a mão à testa através do cristal mágico, como se tivesse sido atingido por uma tontura. — Esse problema… precisará ser trazido à tona na próxima reunião do palácio. Você realmente salvou os aventureiros do Distrito Sete, Sua Senhoria. Precisaremos discutir qual pesa mais, suas conquistas ou suas perdas.
Resumindo, eles precisavam investigar se o que eu disse ao marquês era verdade ou não. Bem, mesmo que investigassem, só confirmariam minhas ações.
— Então, por favor, não cause mais incidentes e fique quieto até que a situação se resolva — ele implorou. Suas últimas palavras pareciam ser genuínas, não uma formalidade.
— Entendido. Vou ficar quieto, então não se preocupe comigo.
— …É a resposta que eu queria, mas me sinto ainda mais inquieto.
— Hmm. Talvez seja porque você tem um coração pequeno, Senhor Marquês.
Ele parecia atônito.
Ah, será que era a hora de concordar com ele e tentar consolá-lo?
Como essa não era uma área em que eu fosse bom, puxei outro assunto de conversa. — Ah! E quanto aos aventureiros e meus servos na praça do distrito agora? Vai mantê-los lá?
— Embora eu tenha certeza de que seja desconfortável, vocês precisarão ficar lá por enquanto. A situação deve se estabilizar nos próximos dias.
— Próximos dias… — Pelo jeito que ele falou, parecia realmente acreditar que tudo se resolveria até lá. Isso não quer dizer que eu mesmo não acreditasse. Já que o segundo em comando do palácio estava dizendo isso, provavelmente tinha algum indício para apoiar sua crença. — Certo. Então ficaremos lá e esperaremos notícias.
Com isso, nossa conversa terminou e voltei imediatamente para a praça. Enquanto passava meus dias vivendo com as pessoas nas ruas, o tempo passou rápido.
— Vocês ouviram? Parece que os soldados do palácio pressionaram os aventureiros de Noark e a maioria dos reféns foi liberta!
Primeiro dia.
— Ouvi dizer que as forças de Noark no Distrito Sete e no Distrito Treze estão sendo empurradas pelos soldados do palácio!
Segundo dia.
— O Distrito Treze foi completamente liberto do controle deles.
Terceiro dia.
— Aquelas malditas pestes também foram expulsas do Distrito Sete. Ouvi dizer que fugiram para Bifron!
— É isso aí!
Quarto dia…
Embora as linhas de batalha fossem empurradas a cada dia, não ouvimos explosões vindas do lado de Bifron.
Brrrrm!
Mas então, o quinto dia chegou.
— O-O quê?! Olha só isso!
Nós conseguimos ver. Embora eu não soubesse qual era o plano do palácio…
— O-O campo da barreira protetiva de Bifron ficou preto…!
Ficou claro que algo havia dado errado.
A Cidadela Final de Rafdonia. Esse enorme estado-cidade possuía o legado do Último Sábio, o círculo mágico de proteção, envolvendo todos os seus distritos.
Como o veneno da Bruxa era uma mentira, eu também duvidava da existência do círculo mágico protetor.
“Mas ele existe.”
Com a flecha disparada por Erwen recentemente, confirmamos a existência do círculo mágico. Por ser transparente, não era visível a olho nu, mas a barreira cobria firmemente toda a cidade e a separava do mundo exterior.
“A essa altura, não sei se é protetora ou uma prisão.”
Seja como for, isso não era o mais importante agora.
— O q-que está acontecendo?
— Alguém sabe?
— Será devido ao veneno da Bruxa?
Com o chão tremendo, a barreira mágica protetora ao redor de Bifron foi tingida de preto. Era como eu imaginava uma invasão alienígena, quando formam uma barreira ao redor de uma área específica para cortá-la do mundo externo.
Havia uma chance de que esse fosse o plano original do palácio, mas…
— Yandel, os movimentos do exército não estão normais.
Tive a sensação de que não era o caso.
— Espere aqui — ordenei. — Vou investigar.
Sentindo que algo estava errado, solicitei uma reunião com o primeiro-ministro, mas foi recusada porque ele estava ocupado, e levou mais alguns dias até que finalmente consegui entrar em contato com ele.
— Você parece exausto.
O primeiro-ministro, que eu estava vendo pela primeira vez em algum tempo, parecia ter levado uma vida corrida, pois estava visivelmente mais magro.
— Parece que as coisas não foram bem? — perguntei.
— …Os detalhes são segredos militares, então não posso te contar, mas pode-se dizer que sim.
— Não, pelo menos me diga um pouco. Olha o que aconteceu com Bifron.
— …Você saberá sobre isso quando as coisas se acalmarem um pouco. Você também é um nobre de Rafdonia. Ainda assim, para te dizer uma coisa, as forças de Noark não sairão daquela área por enquanto.
— Que alívio…
Para ser sincero, achei que ia enlouquecer de curiosidade para saber o que estava acontecendo, mas senti que ele não me diria nada, não importa o quanto eu insistisse, então decidi desistir por enquanto.
— E o que acontecerá conosco? — exigi. — Precisamos continuar aqui?
— Não será mais necessário. O Distrito Quatro também voltará às operações normais a partir de amanhã.
— Então estamos livres para nos mover novamente?
— Exatamente. O Distrito Sete já deve estar aberto agora, então você pode ir para lá, se quiser.
— E quanto aos meus servos de Bifron? Há algum problema com eles?
— Ah, também tivemos uma discussão profunda sobre esse problema… mas decidimos ignorá-lo por enquanto. No entanto, isso é só enquanto eles forem seus servos.
— E o que acontece quando deixarem de ser meus servos?
— Serão executados. Não podemos mandá-los de volta para Bifron no momento.
Execução assim que parassem de ser meus servos. Embora tivessem proposto uma condição tão extrema, considerando o quão conservador o palácio geralmente era, dessa vez até que saímos no lucro. Bem, eles provavelmente também tinham suas próprias razões.
— Ah, e como eles vão morar na cidade agora, também precisarão começar a pagar impostos.
“Hah… Acho que eu devia ter previsto isso.”
— Quanto eles precisam pagar?
— A taxa deles é a mesma dos cidadãos comuns. Os menores de idade estarão isentos, como de costume.
Isso foi um pequeno alívio de ouvir, até ele acrescentar o último detalhe.
— Ah — disse o marquês, parecendo perceber algo. — Além disso, os residentes de Bifron não podem assumir trabalhos que exijam treinamento militar. Vou te dizer isso só para evitar mal-entendidos: isso inclui ser aventureiro.
Em outras palavras, eu nem poderia transformar os mais talentosos deles em aventureiros para ajudar a administrar os outros.
— Posso te dar um conselho como alguém que esteve na posição de primeiro-ministro por muito tempo?
— Diga.
— Reduza-os. O máximo possível.
Eu fiquei em silêncio.
— Qual é o ponto de manter essas pessoas inúteis por perto?
Esse era o tipo de conselho que eu esperava do primeiro-ministro. A cidade tendia a tratar quem não podia pagar impostos como inúteis e sem valor, e o marquês era quem gerenciava as finanças do estado. Para ele, os residentes de Bifron provavelmente pareciam lixo.
— Ah, obrigado pelo conselho. Vou deixar entrar por um ouvido e sair pelo outro.
O coração bárbaro, no entanto, não permitiria que tal besteira se estabelecesse.
Depois disso, trocamos mais algumas palavras antes de o primeiro-ministro ir embora, dizendo que estava ocupado.
Essa foi a última parte da nossa conversa.
Ao voltar para a praça, reuni os aventureiros do Distrito Sete e os residentes de Bifron, e nos dirigimos para o destruído Distrito Sete.
“…No final, voltamos aqui desse jeito.”
Fugimos para Bifron, depois vivemos como refugiados no Distrito Quatro, e finalmente retornamos ao Distrito Sete.
“Realmente destruíram este lugar.”
Parece que as notícias de que os soldados do palácio os expulsaram eram verdadeiras; o distrito estava incomparavelmente mais destruído do que quando o deixamos. A estrada principal estava em ruínas, e os prédios desmoronados ao redor estavam marcados com manchas de sangue e cicatrizes de batalha.
As barracas que os soldados usaram nem foram desmontadas e ainda estavam montadas.
— Nãããooo! Minha loja…! Minha loja!
— Mãe! Mãe! Aqui! Aqui! Você está segura!
Encontramos os residentes do Distrito Sete, que finalmente puderam retornar após a reabertura do distrito.
— E-Então, nós vamos indo.
— Eu também… Preciso ver se minha casa ainda está em pé ou não…
— Obrigado por nos salvar. Nunca esquecerei isso até o dia da minha morte, Senhor Barão!
Com isso, os aventureiros do Distrito Sete começaram a se dispersar, cada um indo para seu próprio caminho, e eu fiquei sozinho com meus aliados e os 8.712 residentes de Bifron.
— …Yandel, para onde você está indo?
— Vou para a terra sagrada.
— Entendo… Você precisa verificar como estão as coisas lá — disse Amelia, compreendendo minha posição.
Na verdade, porém, o motivo de eu estar indo para a terra sagrada era completamente diferente do que ela esperava.
Era verdade que eu estava preocupado com eles.
“Mas precisamos encontrar um lugar para dormir hoje.”
Se não conseguíssemos encontrar um lugar para dormir, poderíamos dormir nas ruas do Distrito Sete, mas, se fosse para isso, seria melhor dormir ao ar livre na terra sagrada.
Bem, deveria ter sido isso, pelo menos.
— Lorde Bjooorn!
Assim que cheguei à terra sagrada, me arrependi de ter vindo.
— Por que você só voltou ‘agora’?!
— …Faz tempo, Shavin Emoor. Você está bem? Me solta primeiro…
— Não vou soltar! E se você sumir por meses de novo se eu soltar?! Não! Nunca!
Parecia que Shavin, a administradora da nossa tribo, havia sido sobrecarregada de trabalho nos últimos meses e estava no limite de estresse devido à invasão de Noark.
Amelia usou sua voz profissional e tirou a mão dela de mim. — Solte a mão dele, e podemos conversar depois.
— Hã? Ah… Certo… — Shavin pareceu recobrar os sentidos.
Se isso fosse uma batalha contra um chefe, ela estaria no máximo do atordoamento agora. Pela minha experiência, esse era o momento de pedir desculpas rapidamente.
— Shavin, desculpa, eu realmente não sabia que demoraria tanto para voltar.
— …Eu também entendo a situação. Eu fiquei bastante preocupada.
— Desculpa por te preocupar…
Quando a conversa parecia seguir um rumo mais amistoso, ela me interrompeu de repente. — Mas quem são essas pessoas atrás de você?
Os olhos de Shavin pousaram nas 8.712 pessoas que estavam ali, desconfortavelmente, atrás de mim.
Isso era um problema.
— Ah, uh, er…
O que eu devia dizer?
Bem, vamos mudar de assunto por enquanto.
— E-então, como está a terra sagrada? Pelo que posso ver, muita coisa mudou…
— Enquanto você esteve fora, completamos cerca de um quarto do desenvolvimento da terra sagrada. Graças a isso, também temos muito dinheiro.
— Oh, que bom ouvir isso. — Eu realmente percebi como as estradas estavam pavimentadas e os prédios alinhados no caminho até aqui.
— Então, quem são essas pessoas?
— São os residentes de Bifron. Eles se tornaram servos do Clã Yandel.
— Todos eles…?
Com aqueles olhos que pareciam perguntar que besteira eu estava falando, até eu fiquei mais quieto.
— …Houve uma situação.
Shavin ficou sem palavras, visivelmente desconfortável, antes de me fazer essa pergunta com cautela. — Então por que você os trouxe para cá? Esses servos?
— Eles não têm onde ficar. Então, estou pensando em deixá-los ficar na terra sagrada por enquanto.
— Nossa, entendi. — Shavin assentiu sarcasticamente enquanto perguntava — E o que dizer do terreno que essas pessoas vão ocupar? A comida que vão comer? E o nosso orçamento?
Ah, sobre isso… O ministro das finanças precisaria cuidar disso. Traduzindo para o idioma daqui…
— A administradora-chefe pode cuidar disso.
— …Administradora-chefe?
Shavin Emoor inclinou a cabeça, confusa, como se perguntasse se um cargo como esse existia no clã.
Eu bati no ombro dela enquanto dizia — Sim, administradora-chefe.
Acabei de te promover.

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