Índice de Capítulo

    Olá, segue a Central de Ajuda ao Leitor Lendário, também conhecida como C.A.L.L! Aqui, deixarei registradas dicas para melhor entendimento da leitura: 

    Travessão ( — ), é a indicação de diálogos entre os personagens ou eles mesmos;
    Aspas com itálico ( “” ), indicam pensamentos do personagem central em seu POV;
    Aspas finas ( ‘’ ), servem para o entendimento de falas internas dentro da mente do personagem central do POV, mas não significa que é um pensamento dele mesmo;
    Itálico no texto, indica onomatopeias, palavras-chave para subverter um conceito, dentre outras possíveis utilidades;
    Colchetes ( [] ), serão utilizados para as mais diversas finalidades, seja no telefone, televisão, etc;
    Por fim, não esqueça, se divirta, seja feliz e que os mistérios lhe acompanhem!

    Indo em busca de onde escutava murmúrios, Leonard percebeu a porta de um dos quartos entreaberta, lá dentro, se aproximando aos poucos e cuidadosamente, percebia pela fresta da porta Claire e Liam, conversando.

    — A… a foto que tirei ontem, lembra? Da despensa cheia de poeira? — começou ela, com a voz agora mais baixa. 

    Liam assentiu, confuso, mas curioso. 

    — Sim, e daí? 

    — Tinha algo na foto. Um vulto — Claire engoliu em seco. — Não, mais do que um vulto. Eu acho… Eu acho que era o próprio Wendigo.

    Leonard, embora confuso, ficou do lado da porta, escutando quieto, afinal, não havia sido chamado para tal conversa e entrar pudesse parecer estranho no momento. 

    “O Wendigo? Onde ela o encontrou?” 

    Estava difícil de enxergar ambos, por conta da porta, ele só conseguia enxergar a garota que errava até mesmo os compassos de suas falas. 

    — Olhe, olhe! — disse ela, desbloqueando a tela do celular, direto na foto já aberta com zoom e mostrando a Liam. 

    Por não conseguir enxergar direito o que estava acontecendo, ele não sabia ao certo que reação Liam estava fazendo ou se realmente havia encontrado algo.

    — Ei… Claire, do que você está falando? — comentou Liam, parecendo despreocupado.

    “Por que ela agiria assim, se não tivesse um motivo por trás disso?”

    Leonard, apoiado contra a parede ao lado da porta entreaberta, tentou conter sua respiração. A cada palavra que Claire dizia, sentia-se como um intruso em algo maior do que ele mesmo.

    — Você não vê? — insistiu Claire, sua voz agora era carregada com uma nota de desespero. — Do lado da torrente de poeira, bem ali no reflexo da luz.

    Leonard inclinou-se levemente, tentando captar mais da conversa, seus olhos fixos no vão estreito da porta. Ele conseguia ver Claire gesticulando freneticamente, enquanto Liam permanecia parado, enquanto o garoto, agora podendo enxergar melhor, estava com um rosto rígido e impassível.

    — Claire — disse Liam, com um tom calculado que parecia cortar o ar. — O que você está me mostrando pode ser qualquer coisa como: um reflexo, uma mancha ou um jogo de luzes…

    Claire balançou a cabeça vigorosamente, interrompendo-o antes que ele pudesse continuar.

    — Não é qualquer coisa! — exclamou ela, e sua voz subiu, carregada de frustração. — Você acha que estou inventando isso? Que estou paranoica? Eu vi algo, Liam. Algo que não deveria estar naquela fotografia.

    Liam suspirou e passou a mão pelo rosto.

    — Não estou dizendo que você está mentindo, mas… temos que ser racionais, naquele momento, você ligou o flash da câmera. Precisamos de mais do que uma foto tirada às pressas para confirmar que ele realmente está aqui.

    Do lado de fora, Leonard sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele não conseguia ignorar a urgência nas palavras de Claire, nem o modo como sua voz tremia, oscilando entre medo e determinação. Algo nela parecia genuíno.

    “Se ela está certa… estamos todos em perigo constante, mas isso já era de se imaginar…”

    De repente, o ranger suave do assoalho sob seus pés traiu sua posição. Liam e Claire pararam de falar imediatamente, ambos virando-se em direção à porta.

    — Quem está aí? — perguntou Liam.

    Leonard, percebendo que não podia mais se esconder, empurrou a porta com cuidado e entrou.

    — Desculpem, eu… ouvi vocês falando. Não queria interromper.

    Claire o olhou com um misto de surpresa e alívio, já Liam ainda parecia hesitante, mas não com tanto problema.

    — Leo, até onde você ouviu? — perguntou Liam, cruzando os braços.

    Leonard deu de ombros, tentando manter a calma.

    — O suficiente para saber que algo sério está acontecendo. E se for mesmo o Wendigo… talvez devêssemos escutar a Claire. 

    Claire deu um passo à frente, erguendo o celular novamente.

    — Obrigada, Leo. Aqui, veja.

    Ela passou o aparelho para ele, e Leonard analisou a imagem com cuidado. No início, parecia apenas uma foto comum, mas então ele viu: uma silhueta vaga, quase indistinguível, mas inegavelmente perturbadora. A máscara branca com chifre era apenas um borrão, mas havia algo naquilo que gelava seus ossos.

    — Isso… — começou Leonard, devolvendo o celular. — Isso não é normal.

    Liam franziu o cenho, apertando os lábios como se estivesse considerando algo. 

    — Tudo bem, digamos que isso seja algo. E agora? O que você sugere que façamos, Claire?

    Claire hesitou por um momento, sua confiança vacilando sob o peso da pergunta.

    — Precisamos contar aos outros. Avisar a todos. Se ele está por perto, ninguém aqui dentro está seguro.

    Liam bufou, mas antes que pudesse responder, Leonard interveio.

    — E se ela estiver certa? — disse ele, sua voz firme. — Ignorar isso pode ser mais perigoso do que tomar as devidas precauções.

    Houve um momento de silêncio, até que Liam cedeu finalmente com um aceno de cabeça.

    — Tudo bem. Vamos reunir todos.

    Os três retornaram à sala onde Cassiano e Katherine jantavam em silêncio, a luz bruxuleante da televisão lançava sombras inquietantes nas paredes. O murmúrio do noticiário era o único som que preenchia o ambiente até que os três chegaram, trazendo consigo uma nova vida.

    Cassiano lançou um olhar breve, apontando com a cabeça para as panelas sobre o fogão portátil.

    — Comam, ou vão desmaiar de fome antes do Wendigo sequer aparecer — disse ele, com o tom seco de quem não via necessidade de rodeio. 

    Leonard sentiu o peso da fome misturado à inquietação que o consumia. Ele serviu-se de um prato, embora cada garfada parecesse mais um fardo do que um alívio.

    “Comer em meio a essas incertezas, por algum motivo, não parece uma boa ideia…”

    Após alguns minutos de silêncio, os cinco terminaram suas refeições. Clara, com os punhos cerrados e o olhar fixo nos dois veteranos, finalmente decidiu quebrar o silêncio.

    — Eu… encontrei um vestígio do Wendigo.

    Suas palavras ecoaram na sala como um trovão abafado. Katherine, que até então parecia absorta em seu prato, ergueu os olhos, fixando Claire com um olhar que misturava curiosidade e algo mais — algo como uma calma desconcertante.

    — Ah, claro que encontrou — disse Katherine, inclinando-se levemente, esboçou um sorriso enigmático. — Ele nos seguiu o dia todo.

    Leonard congelou. Ele olhou para Katherine, esperando que ela desmentisse o que acabara de dizer, mas o sorriso em seu rosto permaneceu.

    — O quê? — Liam foi o primeiro a reagir, sua voz carregada de incredulidade. — Você está dizendo que sabia e não nos contou?

    Katherine deu de ombros, como se a acusação fosse algo trivial.

    — Não era óbvio? Vocês não sentiram nada? Como se alguém… ou algo, estivesse nos observando?

    Claire e Liam trocaram olhares. Leonard, por outro lado, ficou imóvel, seus pensamentos se agitando como um mar em tempestade.

    “Era isso que eu sentia o tempo todo… Mas por que eles não perceberam?”

    — Katherine — disse Leonard, sua voz mais firme do que esperava. — Você está falando sério? O que exatamente você sabe sobre isso?

    Ela inclinou a cabeça, avaliando-o com um olhar quase divertido.

    — Só o suficiente para saber que, para ele, nada mais somos do que peças em um jogo. Sabe, Awain, crença local, baboseira assim. 

    — Jogo? — Claire balançou a cabeça, sua voz agora trêmula. — Isso não é um jogo. Estamos falando de um monstro!

    Katherine riu.

    — Monstro, jogo… Chame do que quiser. Mas, se ele está por perto, significa que algo — ou alguém — chamou a sua atenção.

    Cassiano, que até então estava em silêncio, finalmente falou, sua voz baixa e grave.

    — Não adianta ficarmos especulando aqui. Amanhã, ao amanhecer, decidiremos o que fazer. Por enquanto, é melhor descansar e, vocês três, parabéns pelo primeiro avanço como investigadores.

    O grupo se dispersou lentamente, cada um mergulhado em seus próprios pensamentos. Leonard voltou para seu quarto, mas o sono parecia uma impossibilidade distante. Ele se sentiu na beira da cama e encarou a escuridão.

    “Katherine parecia tão despreocupada… Como se estivesse em paz com isso. Mas ninguém deveria estar em paz com algo assim.”

    Ele olhou pela janela. A lua cheia estava parcialmente encoberta por nuvens, lançando uma luz pálida sobre a neve. Algo na escuridão parecia observá-lo de volta, como se o mundo lá fora estivesse vivo, consciente.

    No fundo, de sua mente, a pergunta de Katherine continuava a ecoar: “Algo ou alguém chamou a sua atenção”.

    Mas quem ele havia escolhido?

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